31.7.06

Mundinho da dança

A parede da Deborah Colker
Quer se sentir gorda mesmo estando em paz com a balança? Faça como eu: vá a uma festa de bailarinos. Além de obesa, me senti a mais velha, porque todos eram animadíssimos e dançavam (ha!) sem parar. Ah, mentira, a festinha foi ótima e os dançarinos todos uns amores. E felizmente C. e F. são tão velhinhos quanto eu, e nos unimos todos no coro do "ah, esse frio ataca o reumatismo, minha filha". Com voz tremidinha e tudo. Hehe.
Além disso, tive a chance de trocar impressões com gente mais abalizada do que eu sobre o espetáculo da Deborah Colker que vi semana passada. Porque, olha, fiquei meio decepcionada, pra ser honesta. Primeiro, porque achei a música horrível. Segundo, porque é tão UAU o tempo todo, que não sobra muito tempo nem espaço para refletir. Fiquei fascinada, mas não senti muita coisa, sabe? Na verdade não é UAU o tempo todo, não. Tem umas partes aliás muito chatas. Mas tem esse lance da parede de alpinismo, que é uma loucura. Mas é circo, então você prende a respiração, antecipando uma queda que, claro, não acontece. E olha, os bailarinos acham isso também. E ainda contaram mil fofoquitchas de bastidores. Lindos, magros e meio malvadinhos também.

28.7.06

Teoria da relatividade

Funciona assim: você se estressa com a Telemar, porque instalaram um telefone que deveria ser novo, mas é uma linha de um tronco de mil novecentos e bolinha, que não suporta uma velocidade de 1Mb no Velox (!), e cujo som é baixíssimo, quase inaudível, enfim, uma porcaria de serviço, pelo qual você paga a mesma coisa do que o seu vizinho, que tem uma linha moderna, digital, capacitada e o k-ralho a quatro. Então você resolve trocar de número. Tudo bem, custa 75 real. Tá, mas eu obviamente quero trocar por uma linha que NÃO tenha os mesmos problemas, ou seja, quero uma linha efetivamente NOVA. Ah, senhora, isso nós não temos como garantir. Como assim? Eu vou pagar 75 pau, ter o transtorno de mudar de número, e pode ser que venha uma linha tão ruim quanto ou pior? Mas o que é isso, uma loteria?! É, senhora, não temos como dar certeza. Então você esbraveja, pragueja contra os céus, fica irritada porque vive numa sociedade capitalista que simplesmente não lhe dá opção de escolher um outro prestador de serviço, logo esse serviço que é "o" serviço do século 20-e-1, a telefonia, a comunicação, a internet, e blablablabla. Em seguida você começa a pesquisar sobre como reclamar, escrever para o jornal, guia do consumidor, ouvidoria qualquer coisa. Mas trinta segundos de google depois, você começa a perceber que o seu problema é mínimo, é ridículo se comparado ao de tantas outras pessoas. Porque bem ou mal você tem uma linha telefônica. Você tem o Velox, que funciona. E você nunca foi cobrada a mais, nem teve sua linha cortada arbitrariamente. Ou seja: minha filha, você tirou a sorte grande, tá reclamando de quê?
E assim vamos levando nossa vidinha medíocre no quesito serviços.

27.7.06

Assunto de mulheres

Meninas, não façam nunca a depilação alternada. Explico: faça sempre tudo o que você tem para fazer. Não caia na esparrela "ah, agora é inverno, vou fazer só axila e meia-perna, e já está ótimo, da próxima vez eu faço tudo". Grande cilada. Fiz isso, e agora que estou há dois meses sem depilar a virilha, estou com MEDO. Antevejo um sofrimento atroz. Se eu sobreviver, prometo, juro por tudo que é mais sagrado, nunca mais deixo pra próxima vez.

E por falar em mulheres...
O que aconteceu com as Mulheres com Legendas? Saíram do ar? Foram para outro endereço? Alguém tem notícias?

Mais uma da vovó

Outra história da vovó figura.
Mais de dez anos atrás. Depois de uns 25 anos de casamento, meu tio S se separa e arranja uma nova namorada, F. Passado um tempo, vai apresentar a namorada à mãe (minha vó). Finalmente ocorre o encontro, num domingo à tarde, um lanche, aquela coisa. F (que está com meu tio até hoje) vai, totalmente tensa, com medo da reação da matriarca da família àquela "intrusa". Minha avó já velhinha, cabeça branca, magrinha e muito firmezinha com suas características sandálias de salto anabela. Num determinado momento, minha vó diz à nervosa pretendente do meu tio:
-- Você gosta de mágica? Vou fazer uma mágica pra você.
Imaginem a reação da pobre, sem saber o que fazer.
-- Ahn... claro, está bem.
-- Você vai pensar em um número de telefone, e eu vou adivinhar qual é.
Onde fui me meter, pensa a coitada. Será que essa velhinha é totalmente louca?
-- Tá bom, já pensei num número de telefone.
-- Agora vou adivinhar (faz cara de muita concentração). O número é 254-8638?
F se viu numa sinuca. Claro que o número não era aquele. Deveria dizer a verdade ou mentir, dizendo que a vovó acertara, para fazê-la feliz? Depois de uma tensa fração de segundo na dúvida, resolveu-se pela verdade.
-- Não... não é esse o número...
Vovó (com a carinha marota):
-- Desculpe, foi engano! (pausa) Hahahahaha!

Não é uma forma genial de quebrar o gelo?

Hoje ninguém dorme no Rio de Janeiro

25.7.06

Se-ul

Hoje li uma notícia qualquer sobre a Coréia, que começava, como é normal, com a cidade de onde foi escrita:
SEUL -- blablablabla
Aí lembrei da minha avó, que foi uma das pessoas mais divertidas que já conheci.
Em 1988, nas Olimpíadas de Seul, vovó tinha certeza que o nome da cidade era Cu, e que os locutores dos jornais só falavam Ce-U para disfarçar.
Que saudade...

24.7.06

Da difícil arte de dar pitacos com sutileza


Eu estou exagerando, ou vocês concordam que é um absurdo uma mãe colocar o filho de quatro meses incompletos de idade no Orkut, com foto, nome completo, nome dos pais, cidade onde mora etc.? E ficar pedindo pra você adicioná-lo como "amigo"?! Logo no Orkut, um pára-raio de todos os malucos da internet.
E se eu não estiver exagerando, como será uma maneira sutil de dizer a essa mãe para não expor o próprio filho dessa maneira?
Putz, essas coisas são tão complicadas. Mas ao mesmo tempo, fico pensando que não falar nada, se omitir, é pior ainda do que ser taxada de intrometida.
Ó, raios!

23.7.06

Cave canem

Adoro cachorros. Da mesma forma que adoro pessoas. Ou seja: entendendo que alguns são fantásticos, outros são só legais, uns são meio chatinhos e outros ainda são malas-sem-alça.
Bem. Moro no finzinho de uma rua sem saída. Normalmente, um paraíso de tranqüilidade e silêncio, em geral parece até uma cidadezinha de interior, as crianças brincam na rua etc. Mas como nada é perfeito, todos os donos de cachorros das ruas vizinhas gostam de vir a esse cantinho sossegado brincar com seus bichinhos. E, por motivos que me escapam, em especial aos domingos de manhã.
Como ia dizendo, adoro cachorros. Mas não tenho saco para donos de cachorros. Ô gentezinha mais sem loção. Porque muito pior do que acordar às 7 da manhã de domingo com um cachorrinho daqueles pequenos e histéricos latindo sem parar, é ficar ouvindo os gritos da dona: "Pára, Fulaninho! Calma! Fica quieto! Olha aqui o seu amiguinho! Vem cá, vem cá!".
Humpf. E bom domingo pra você também.

21.7.06

A assistente de mágico

Foto: o mágico Peter Marvey (e sua assistente flutuando)
Mulher de amigo meu não é minha amiga. Não necessariamente. Todo mundo já passou por isso. Aquele seu amigo querido, ótimo, de anos e anos, que você adora, começa a namorar uma porta. Mulher tipo "assistente de mágico", daquelas bonitas que o acompanham, sorriem e não falam nada. Ou então, pior ainda, das que falam. Interrompem uma conversa para contar um caso que não tem nem graça nem moral da história, e nem nada a ver com o que estava sendo falado antes. E quando acaba a história todo mundo fica se olhando com cara de "como assim, acabou?", e a conversa interrompida prossegue com um "como eu ia dizendo" sem maiores comentários, e todo mundo fica constrangido. Menos ela, claro.
E você fica sem entender por que diabos aquela pessoa com quem você tem tantas afinidades resolveu gastar o tempo com aquela anta.
Eu queria mesmo é que elas cumprissem o papel da assistente do mágico e desaparecessem como que por encanto. Ou, melhor ainda, que fossem serradas ao meio.

20.7.06

Amor como doença

O comentário do Camilo sobre o post das mulheres bandidas apaixonadas me fez lembrar uma outra coisa que também me intrigava naquela finada novela. Havia uma personagem, interpretada pela Giulia Gam, que tinha um ciúme patológico do marido (se não me engano, Marcelo Anthony, ou algum outro bonitão desse estilo). No meio da novela, ela percebia que sofria de uma doença, que ela amava demais o marido. Tinha até mesmo um grupo de apoio, MADA, Mulheres que Amam Demais Anônimas. Naturalmente, a coisa virou um fenômeno social, e de uma hora para outra milhares de mulheres passaram a acreditar que sofriam dessa doença, a doença do amor demais. No site do MADA há a explicação: "MADA é um programa de recuperação para mulheres que têm como objetivo primordial se recuperar da dependência de relacionamentos destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros." Ok, é uma causa válida, realmente há um tanto de mulheres que se podem considerar dependentes de relacionamentos destrutivos. Meu problema é com o nome, Mulheres que Amam Demais. Porque amar demais não é uma doença, não é um problema, nunca foi. O que quer que seja que liga essas mulheres aos seus relacionamentos doentios não pode ser considerado amor, é uma outra coisa -- carência, insegurança, baixa auto-estima, masoquismo, etc.
Mas o que me chama a atenção é o modismo das doenças. Na época da novela, quem tinha um problema conjugal diagnosticava logo: "Ah, é porque eu amo demais o meu marido, sofro do transtorno do amor demasiado". E essa busca pela identificação, pelo pertencimento a um grupo (o grupo das mulheres que amam demais), gera essas discrepâncias. Houve a moda da Síndrome do Pânico. Antes, ninguém nunca tinha ouvido falar. Bastou a doença entrar na moda para você ficar sabendo de um monte de gente que sofria de Pânico, que estava se tratando e tal. Depois, o TOC, a mesma coisa. Agora a doença da moda é a bipolaridade, ou transtorno bipolar, novo nome para psicose maníaco-depressiva. Então se você está contente num dia e no dia seguinte amanhece de mau humor ou angustiado, iiihh, olha aí, que comportamento bipolar...
Sem entrar no mérito da seriedade dessas doenças, o que mais me impressiona é como as pessoas não hesitam em "aderir" a elas conforme entram na moda. E principalmente, por meio do consumo. A pessoa se convence que é bipolar, começa a se medicar (ou seja, a comprar remédios), e passa a se sentir melhor.
É pra pensar mesmo, em como nem mesmo o amor, nem mesmo a saúde passaram incólumes pela mediação do consumo nessa sociedade estranha em que a gente vive.