11.8.06

Zuzu

Eu até estava com vontade de ir ao cinema ver o filme da Zuzu Angel. Mas aí a Cora Rónai decidiu encurtar as férias e antecipar em uma semana a sua volta às colunas de quinta-feira do Segundo Caderno do Globo só porque gostou tanto do filme que queria falar sobre ele. Ela não se conteve! E eu não agüento essa senhora que se acha a super cronista. Só por isso já perdi um pouco da disposição para o filme.
Mas no fundo eu vou acabar vendo, porque gosto da Patricia Pillar. Reparem como ela fez tão bem, nos papéis que interpretou, a transição de idades: de jovenzinha (na primeira versão da Sinhá Moça), para casa-dos-20-ou-30 (O Quatrilho), para mulher madura, mãe de adultos (atual Sinhá Moça e Zuzu Angel). Sempre lindíssima, e simples, e com classe -- e, a bem da verdade, com a mesma cara.
Ah, bem, é verdade, ela casou com o Ciro Gomes, o que eu não deixo de achar meio estranho.

10.8.06

Ride palhaço

Di Cavalcanti, "Pierrô, Colombina e Arlequim", 1922
Andei conversando com M., ela muito braba porque um fulano aí abusou da sua confiança, prometeu mundo e fundos e depois sumiu, e arrumou outra namorada, e a maior cara-de-pau, aquela coisa toda. Como ela descreveu: "me fez de palhaça". Taí um sentimentozinho humilhante, ser feito/a de palhaço/a. Não só pela desmoralização pública da situação, mas também pela facada que é na sua auto-estima.
A conseqüência grave é que, depois de ser feita de palhaça, a pessoa tende a ficar desconfiada de tudo e de todos, nos relacionamentos seguintes. Faz tudo para não ser feita de palhaça novamente. Na cabeça de quem já foi palhaço, há sempre a iminência de descobrir, de novo, uma grande tramóia.
E isso é grave porque passa a ser muito difícil se entregar novamente a alguém, sem reservas. Confiar, com C maiúsculo, mais uma vez.
O que é uma pena. Porque é muito melhor viver um relacionamento pleno, de confiança total, de cumplicidade absoluta (ou pelo menos é o que você acha) e depois cair das nuvens e descobrir de que não era nada disso (uma enorme porrada, claro, quando maior a altura maior a queda), do que viver sempre com um pé atrás e nunca confiar plenamente no ser amado.

9.8.06

Da série E-mails Surreais

Episódio de hoje: como uma combinação de chope no Bar Plebeu vira um diálogo surreal.

(...)

Combinado Plebeu quinta, 21h.

Como diria sir Winston Churchill: "Sempre apreciei essa maneira de fazer negócios". Convocarei sir KM, que tal? Mr A estará conosco?

Very good idea, indeed. Sim, Mr A é quem pede esse horário de 21h, pois antes disso estará tomado por compromissos previamente agendados.

Yours truly,

Lady V

I have to say: this "yours truly" made me laugh. All right then. See you at Pesant.Thursday night, 9 pm.

Best regards.

Não é engraçado? "Yours truly" é uma despedida super formal, mas eu não consigo achar que não seja uma intimidade sem tamanho, como dizer "Sempre tua". Eu hein.

Yours truly me dá a mesma sensação. Imagino que eles devam achar isso bem mais reservados que uma despedida "a hug"...

"A hug" é muito bom. Acho que vou adotar. Aliás, "hugs". Ou, se for com mais cerimônia, "a hearty hug", um abraço cordial.Veja que assunto infinito, esse.Em alemão, usa-se muito Herzlich Grusse (informal, claro), que quer dizerliteralmente "cordiais saudações". Sacou? Herz, que parece Heart, que é coração, de onde vem cordial... Sacou? sacou?

Vivendo e aprendendo! Mas a hug é uma boa, né? Você manda um email para um autor estrangeiro e termina com:

That hug! Que é citando o ministro!

Hatoum! Saúde!

Cinzas do Norte do Milton Hatoum ganhou o Jabuti de melhor romance. Engraçado que li no mês passado. Sim, o cara é um Autor de verdade, com "A". Mas -- tem sempre um mas -- Cinzas do Norte não me causou metade da impressão de Dois Irmãos, o romance anterior dele.

6.8.06

Momento Querido Diário


E na sexta, depois de uma semana em que tudo parecia querer dar errado e os amigos não se entenderem mais, rolou um chope no bar na frente da praça, e todo mundo tão profissa que já foram todos jantados, então a conta foi só de chopes de águas, nenhuma comida, e cheguei a chorar de tanto rir uma meia dúzia de vezes, e no fim, às três da manhã quase chorei de pensar que ter amigos é a melhor coisa do mundo. E no sábado pude acordar bem tarde, e passar o dia em casa fazendo meus freelas encantados, e aproveitando a casa só pra mim, que tem um gostinho diferente. Até o Flamengo fazer um gol aos 45 do segundo tempo ("ô, ô, ô, o Obina é melhor que o Eto'o!"), e aí os guerreiros que foram ao Maraca me ligaram insandecidos, e fomos para o Capela comemorar, beber chope, e comer cabrito e javali, e todos eles irradiando uma felicidade tão intensa e sincera que me cativou, e saí dali pisando nas nuvens, para buscar H. em Ipanema e irmos para a festa de aniversário de G., numa casa cinematográfica em São Conrado, e como o Rio é mesmo uma pequena vila, chego na festa e dou logo de cara com P. e M., e pergunto Meninas! O que vcs estão fazendo aqui? Pssst! Somos penetras!, e daí pra frente a festa só melhorou, com tantas pessoas amigas, tantas risadas e tantas cervejas, a ponto de eu ter chegado em casa às cinco e quinze da manhã achando a coisa mais normal do mundo, e consegui dormir hoje até uma da tarde, e fui almoçar um cozido no Aurora com S., que me deu um presente simplesmente sensacional, um "book rest" para segurar os livros em pé sobre a mesa, e ficamos horas conversando como duas grandes amigas que não se viam há cinco meses, e de lá fomos na lojinha ao lado tomar um sorvete Itália de tapioca, e depois para o Torta & Cia. da Cobal que tem um café expresso bem forte. E aí voltei andando pra casa, mas bem poderia ter sido rolando pela Voluntários da Pátria, e tão contente com o dia tão bonito de inverno que elegi minha rua favorita de Botafogo, a Dona Mariana, quarteirão entre Voluntários e São Clemente, que tem prédios fofos e casas lindas, inclusive o Consulado do Líbano, veja você, logo o Líbano, que tem duas casas, uma na frente da outra, o consulado e a residência do cônsul, que são palacetes maravilhosos, e imagina como não devem estar por esses dias conturbados. Mas nada disso, nem mesmo a guerra, está conseguindo atrapalhar esse fim de semana, em que estou ébria de amor à vida. E agora o sol se põe.

5.8.06

Trago a pessoa amada em três dias, etc.

S. me ensinou uma simpatia, para que eu consiga o emprego novo que tanto quero. Eu nunca tinha feito uma simpatia* na vida. Mas S., veja bem, é uma supermegaultrahiper intelectual, que está terminando o doutorado em assuntos muito específicos, e coisa e tal. E me convenceu de que era tiro certo. Só faltou comprovar cientificamente. Porque, para além de intelectual, S. é de família mineira. O que significa que, além de excelente contadora de histórias, ela sabe esse tipo de mandinga. E fala que funciona com tanta convicção que eu seria uma imbecil se não me desse ao trabalho de ao menos tentar. Bom. Tive que escrever o nome da pessoa (o cara que ficou de me dar uma resposta sobre o trabalho, i.e., meu potencial novo chefe) num papelzinho branco, e cobrir com mel.
-- Mas eu não quero que ele se apaixone por mim, só quero que me dê o emprego! -- protestei.
E S., na lata, com a calma e a certeza de sempre:
-- Não é para ele se apaixonar, é para ele te favorecer.
(Só faltou completar com "sua tolinha!")
-- Não sei se tenho mel em casa. Serve maple syroup?
-- Não. Tem que ser mel.
No fim das contas tinha mel em casa. Escrevi no papelzinho, coloquei dentro de um xícara de café e derramei o mel, para adoçar o homem.
-- E cobre com filme de PVC, pra não dar formiga.
Sim, senhora.
A ver.

Parando pra pensar, é ótimo esse nome, né? Simpatia. Muito interessante.

Amar é...

... morrer de saudade quando ele viaja -- a ponto de quase chorar na hora de preparar a cafeteira para fazer café para uma pessoa só.
(Mas hoje ignorei isso, coloquei o mesmo tanto de sempre, para dois, e tomei tudo.)

3.8.06

JGR

Literatos de plantão: já viram? Edições comemorativas de Sagarana (60 anos do lançamento) e Corpo de Baile (50 anos). Em breve sai também a dos 50 anos do Grande Sertão:Veredas. O bacana é que há muitos anos não saía o Corpo de Baile assim num volume reunido. Foi o próprio Rosa que desmembrou em três outros livros: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão.
Então é isso. Comecem a economizar: oitenta pilas cada um.

2.8.06

Velhas novidades musicais


Me identifiquei muito com o post do Rodrigo em que ele dizia que perdeu a paciência para a música pop há mais ou menos um ano. Porque eu nunca tinha pensado nesses termos, e no entanto foi isso mesmo aconteceu comigo: perdi a paciência. Só que há muito mais de um ano. Dou graças aos céus por me manter em contato muito próximo (graças às listas de email) com meus amigos da faculdade, que me mantêm a par do que se passa na, digamos, contemporaneidade musical pop, indie, roqueira etc. Aí às vezes quando falam muito de uma banda, vou lá e baixo algumas coisas, para ver do que estão falando. Até agora não gostei muito de nada, a não ser do Cake (que já tem bem uns, o que? uns seis anos, por aí, desde que descobri), que virei fã. E tem umas coisas bem inusitadas, como o Sigur Ros. Mas enfim, pelo menos fico sabendo dos nomes e das tendências.
Já o rock e a música pop brasileiras, sou um zero. Aquele rapaz do Detonautas que morreu num assalto, por exemplo. Não tenho a menor idéia do que seja uma música do Detonautas. Nem sabia que era uma banda muito famosa. Não conseguiria reconhecer um sucesso do Charlie Brown Junior. Nem mesmo do Rappa. Outro dia teve uma capa da revista de domingo do Globo sobre a "música chiclete" "Ai ai ai" da Vanessa da Mata. Hã? Nunca ouvi falar -- talvez se alguém me mostrar, eu reconheça e diga "ah, é essa?". Mas sou incapaz de ligar o nome à canção. Acho que minha última atitude digna de nota em prol do pop-rock nacional foi ter ido ao show do Legião Urbana no Jóquei, no dia (ou na semana, não lembro) da morte do Cazuza. Daí você tira uma idéia do tempo que faz. (Em tempo: tenho as melhores memórias desse show, que foi ótimo.)
Mas o que mais me espanta nos meus amigos super antenados é a disposição que eles têm para "coisas novas". Eles vivem fuçando a internet atrás de músicas novas, novidades, bandas novas, nomes novos, tudo novo. Ok, alguns deles são DJs e, vá lá, a profissão exige isso mesmo deles. Mas outros não, são novidadófilos por puro gosto.
Já eu sou o contrário. Adoro descobrir coisas novas, claro. Mas não vou atrás delas. Por um motivo simples. Tenho uma quantidade abissal de música "velha" para ouvir, para degustar, para deglutir. Digo ouvir, ouvir mesmo, prestando atenção. E não fazendo outra coisa, que é como a maioria das pessoas ouve música.
Em 2004 fui vítima do surto de conjuntivite que passou pelo Rio de Janeiro. Nos dois olhos. Então tive que ficar vários dias em casa sem poder fazer muita coisa a não ser ouvir música. Uma boa alma me deu de presente a então recém-lançada caixa com todos os discos da Clara Nunes, cantora da minha predileção. Tenho ouvido desde então. Mas ainda não consegui ouvir todos os discos da caixa com a devida atenção, porque é tanta coisa boa que fico repetindo o mesmo CD dias a fio. E falando na Clara, lembrei que no sábado passado estávamos quietos no nosso bar minúsculo favorito, tomando uma cerveja, quando, sem mais nem menos, adentrou bar adentro uma roda de samba completa, oito doidos que tinham vindo de São Paulo visitar Paquetá (!) e cantar samba pelo caminho. Aportaram lá graças a uma cantora amiga, que lhes mostrou Paquetá. (Essas coisas surreais que acontecem e se não tem uma pessoa pra te confirmar no dia seguinte você acha que sonhou.) São uns caras que conhecem mais ou menos todos os sambas mais obscuros da Portela, graças a umas fitas cassete que, sabe-se lá como, foram parar nas mãos deles. E aí deu aquela vontade de ouvir os discos todos que eu tenho da Velha Guarda da Portela, em especial aquele primeiro, produzido pelo Paulinho da Viola. Então, lógico, toca a resgatar os discos do Paulinho, que eu os tenho todos. Paulinho que, como se sabe, é casado com uma irmã do Raphael Rabello, cujos discos todos estão saindo aos poucos em CD. E aí eu pergunto: como não ouvi-los várias e várias vezes, com a máxima atenção? E do Raphael é um pulo passar para o Radamés Gnattali, cujo centenário se comemora neste 2006, então é o ano para ouvir tantas tantas coisas lindas escritas pelo Radamés, como muitos arranjos feitos para o Orlando Silva, que tem uma caixa com três CDs lançada anos atrás que é pérola atrás de pérola...
Eis aí o meu drama. Uma parte dele.
A música estrangeira e a clássica ficam para um próximo post...

Imagem: Lou Dufrane (ldufrane.com)

1.8.06

Caindo pelas tabelas

Tenho andado exausta. Em parte por causa da vida social mega-agitada que calhou de acontecer nas últimas, sei lá, três semanas, com programas todo santo dia. (Do tipo: hoje só agüentei um programa pós-labuta -- o segundo, que era até mais legal, tive que dispensar por motivos de cansaço maior.) Em parte por causa dos freelas que pego, alguns para dar um upgrade orçamentário, outros para dar uma força para amigos, coisas que me pedem para escrever ou fazer, por pouca ou nenhuma grana, mas que faço por amor à arte, e para dar um molhinho a mais nessa vidinha profissional que anda estacionada.

Aliás, mais bolas foras do meu trabalho: primeiro, cortaram o acesso a todo e qualquer site que tenha a palavra blog. Fiz um escândalo, disse que era informação importante, trabalho e tal, e prometeram que vão abrir exceção pra mim (arrã, vou esperar sentada). Além disso, hoje tive que assistir duas horas de uma apresentação de como usar todas as funções obscuras do... Outlook! Funções super indispensáveis, tais como "Calendário" ou "Tarefas" ou "Agendamento de Reuniões". Francamente, não querem que eu continue trabalhando lá!!