3.11.06

Boladona

Do Orkut, onde a vida é mais bizarra:

J. convidou você para participar da comunidade: Bonde das Gatas Boladonas

J. é filho de um casal de amigos. Tem dez anos, e há algum tempo é meu "amigo" no Orkut.

Intrigada, fui ver a comunidade. O que posso dizer? Cheia de gatas boladonas. (Só vendo para entender)
Comunidades relacionadas:
"Sou Meiga" - 156.549 membros
"Amigos Tbm Dizem Eu Te Amo" - 605.614 membros

Soltando a velha coroca que me habita: onde essa juventude vai parar??!!

Ao mesmo tempo, talvez seja uma deferência ele ter me convidado para essa comunidade (que, diga-se em sua defesa, não foi criada por ele). No mínimo eu devo me sentir honrada por essa confiança. Você consegue se imaginar aos dez anos convidando uma amiga dos seus pais para a comunidade Bonde das Gatas Boladonas? Eu não. (Eu sei que quando você tinha dez anos não existia Orkut, mas pense numa coisa equivalente, daquela época. Não sei o que pode ser, mas faça um exercício de imaginação!)
De modo que, a gente sabe, adolescer é muito duro. Mas pré-adolescer talvez seja muito mais. (E, claro, ser mãe de um pré-adolescente, mais ainda...)

2.11.06

O que eu quero ser quando crescer


Até a última ida ao supermercado, eu achava que não poderia haver profissão mais maneira do que Tituladora de Operações da Polícia Federal.
Agora descobri uma que ultrapassa as operações Narciso, Cevada, Vampiros, Anaconda etc.: Inventora de Sabores para Biscoitos Wafer Bauducco. Os caras estão chegando às raias da loucura com as combinações chocolatícias! Senão vejamos:
  • Chocolate
  • Chocolate com avelã
  • Brigadeiro
  • Chocolate branco
  • Chocolate crocante
E a última descoberta...
  • Triplo chocolate (meio amargo + ao leite + branco)!
Me pergunto quais serão as qualificações necessárias para o cargo...

Law & Order na PM-RJ

A equipe de "Lei & Ordem": alienígenas?

Anteontem voltei mais cedo do trabalho. Deveria ter escolhido dormir ou ficar ouvindo música, já que não estava com disposição para ler. Mas não, em vez disso, fui ver televisão. Tolice. Acho que nunca vou deixar de me espantar com a chatice dessas séries da TV a cabo (aliás, por que agora se chamam séries, e não mais seriados, como antigamente? E por que agora os nomes não são mais traduzidos, como eram antes, nomes incríveis como Profissão: Perigo, A Gata e o Rato ou Casal 20? E por que nem mesmo os nomes dos canais são traduzidos? Por que não Canal Universal ou Canal Warner? Que babaquice.)
São poucos os temas das séries: dramas/comédias familiares, policiais, ou a dura rotina dos hospitais (e o interesse do público pelos conflitos entre médicos, pacientes e enfermeiros permanece um imenso mistério – mais um – para mim). Ah, claro, tem também o tema “pessoas perdidas numa ilha se matando”, mas não sei se isso já se tornou uma tendência per se.
Bem, as séries policiais. São sempre umas equipes VIPs que têm acesso ao estado-da-arte de toda e qualquer tecnologia. Fico imaginando o quanto as delegacias normais devem detestar esse pessoal do FBI que aparece em Criminal Minds ou Law & Order: Special Victims Unit. (“Law & Order” é demais, né? Tipo, é nóis! Ordem e Progresso!) Porque eles devem chupar toooodos os recursos orçamentários destinados à segurança. Esses conflitos alguém mostra? Mas enfim, a tecnologia, pelo que percebi, serve como um excelente atalho nessas séries. Tudo e todos podem ser encontrados pelos supercomputadores do FBI. De modo que não se perde mais tempo indo atrás dos suspeitos. Gente, o que são aqueles computadores? E os bancos de dados, hein? Com um fragmento de um rosto que apareceu refletido num espelho numa filmagem tosca de câmera de segurança, um programa de reconstituição facial cruza os dados com todo o banco de dados da América e fornece... um suspeito! Um único! E é “o” cara! E aí nem tem mais a preocupação de “como vamos achar esse cara?”. Não! O computador informa tudo, a cena seguinte é o cara sendo algemado. Os episódios se desenrolam, assim, num ritmo muito, muito frenético, que eu, juro, tenho dificuldade para acompanhar. Claro, claro, a culpa é minha.
Mas isso tudo fica tragicômico já que estou lendo agora Elite da Tropa, aquele livro que fala sobre o Bope, o grupo de elite da PM do Rio. E lendo este livro e vendo a polícia nas ruas, me sinto uma perfeita idiota assistindo a essas séries com essa polícia tecnológica e incorruptível -- alienígena, eu diria. Você não?
Ao mesmo tempo, é devastador que uma polícia inteligente e honesta se afigure como algo alienígena. A perda simbólica da polícia como instituição que protege é tão grave que nem sei como se reverte essa situação. Será que apenas pagar melhor, investir em formação e educação resolve? Já não sei mais.

1.11.06

A hora do pesadelo

E os nossos sorrisos vão ficando mais amarelos e mais e amargos...

Da coluna do Ancelmo Góis hoje, a nota lacônica:

Roseana na Cultura
Há uma articulação para fazer de Roseana Sarney ministra da Cultura.

A notícia é devastadora para todos nós, mas em especial para ela...
Aliás, não vi a Cultura ser assunto em nenhum dos debates dos presidenciáveis. Alguém viu? Mais um pouco e vão convencer a todos nós que não é um tema relevante mesmo. Quando penso que a briga é para que seja destinado à cultura 1% (UM POR CENTO) do Orçamento da União e nem isso conseguimos...

31.10.06

Rápidas de terça

Ingresso mais barato pro show do New Order no Rio: R$ 230. Preço do mesmo show em Buenos Aires, uma semana depois: 75 pesos. Faz-me rir.

*

Agora que acabou a eleição, quem sabe o Balneário não volta a ter um prefeito, e não mais um blogueiro-analista-político-coordenador-de-campanha-de-juíza? É uma idéia, né, quem sabe?

*

Este ano não vi as pichações do pessoal do Halloween é o cacete – Viva a cultura nacional. Acho genial. Por onde andam eles?

Pesquisa taximétrica

Foto por jando, via flickr
Não sei se sou só eu, mas tenho achado surrealmente caro andar de táxi no Rio de Janeiro. Eu combato o quanto posso o transporte individual no ambiente urbano (pegar o carro e ir sozinho até algum lugar acessível por transporte público), mas acho que os taxistas estão dando um tiro no pé ao cobrar tão caro. Uma corrida de Botafogo ao Leblon (uns 13km), à noite, está custando R$ 20. Ou seja, R$ 40 para ir e voltar. E eu tenho pena de dar 40 paus em alguns livros! Acaba valendo mais a pena pagar um estacionamento ladrão. Tudo errado, né? Eu converso com os taxistas, mas surpreendentemente ainda não consegui convencer nenhum de que eles estão errados!
Então eu quero saber: quanto custa a bandeirada do táxi na sua cidade, e de quanto em quanto o preço aumenta? Aqui no Rio é R$ 4,30 para entrar no carro, e vai aumentando de R$ 0,15 em R$ 0,15.
E tome ônibus.

30.10.06

Votar pra presidente - III

Sol, calor e engarrafamento. Fui votar, como sempre, ao lado das madames decadentes da Selva da Pedra e dos pretos e pobres da Cruzada. É sempre assim, isso aqui ô-ô, é um pouquinho de Brasil, iaiá, etc. O mesário deve ter uns 17 anos, e não parece entusiasmado com a festa da democracia. O voto leva uns dez segundos, e desta vez não me emociono. No fim da tarde passamos no Rio Sul e ficamos vinte e cinco minutos para encontrar uma vaga. Quando saímos, menos de uma hora depois, sobravam tantas vagas que poderíamos escolher, se fosse o caso. À noite, cervejinha e a resenha eleitoral com M. e P. Comemoramos a derrota da Roseana Sarney, mas só até lembrar que, como prêmio de consolação pela derrota, talvez ela vire ministra ou coisa parecida, e os nossos sorrisos ficam amarelos. Ouvimos o discurso do presidente reeleito no rádio enquanto comemos biscoitos de polvilho. Lembrar esse mesmo momento, quatro anos atrás, é estranho e meio triste. Ontem, éramos todos eleitores do Lula, e no entanto preferíamos discutir o que vai ser no réveillon.

26.10.06

Te cuida, Chitãozinho

Antonio Carlos & Jocafi (vivos ou mortos?)
Papos nonsense no lançamento literário-musical de ontem:
S.: Aquele ali não é o Antonio Carlos ou o Jocafi? Eu nunca sei qual é qual.
Eu: Não tenho idéia, não lembro a cara deles.
A.: Mas um deles não morreu?
Eu: Morreu??
S.: Se morreu algum, foi o Antonio Carlos.
Eu: Por quê?!
S.: Porque nessas duplas sempre morre o primeiro.
A.: ?
Eu: ?
S: É, ué. É só ver. Leandro & Leonardo, quem morreu?
Eu: Leandro.
S.: E Leonardo taí, fazendo o maior sucesso até hoje. João Paulo & Daniel?
A.: Morreu o João Paulo.
S.: E o Daniel? Firme e forte, pop star total. Claudinho & Buchecha?
Eu: ...
A.: Lennon & McCartney!
S.: Pra você ver. O cara acha que é melhor, o nome dele vai primeiro, e tal. Taí. Não sobra um pra contar história.

História Sexual da MPB

Não reparem o momento Querido Diário. Mas ontem vi, num mesmo evento, Ney Matogrosso, Beth Carvalho, Joyce, João Roberto Kelly e Ademilde Fonseca. Pois é, foi no lançamento deste livro incrível, dessa pessoa mais adorável. Além da abordagem inédita do assunto, o livro traz dois cadernos de foto absolutamente imperdíveis, com as capas dos discos mais surreais da nossa música. Não deixe de pelo menos folhear, da próxima vez que for à livraria, é diversão garantida.* Ah, e eu estou nos agradecimentos... ui, que emoção!

*Acabo de saber que o livro só chega às livrarias de todo o país no dia 7/11. Antes, só tem aqui no Rio. Por isso é que não achei a capinha para colocar aqui. Enfim, fica dado o recado.

Virtude do mês: paciência

De todas as virtudes socialmente estabelecidas (temperança, lealdade, coragem, compaixão, honestidade, responsabilidade etc.) a que eu mais admiro é a paciência. Porque essas outras todas que estão aí entre parênteses são moleza, é só ser minimamente bom caráter. Não tem muito esforço envolvido. Mas a paciência não. Como é difícil ter paciência. Taí a minha virtude-meta.
Paciência é um exercício, e como tal exige disciplina. É preciso trabalhar, moldar a sua paciência. Principalmente com pessoas hopeless. E mais ainda com pessoas hopeless por quem você tem carinho e afeição. Sabe aquela pessoa que faz tudo errado? Que quer te ajudar e atrapalha muito mais? E que você não sabe mais como tentar ajudar? E com a constância da situação, a coisa vai te irritando, dando aflição, vontade de sumir... Aí que entra ela, a paciência. Quando você percebe que, sim, trata-se de um ser hopeless, e a sua paciência terá de ser eterna. E-ter-na. Muito esforço, viu? Mas olha, me sinto um ser humano muito melhor.