30.11.06

Que las hay, las hay

Imagem: relaxkids.com
Não acredito em bruxas, fadas ou duendes. Só em magias maternas.
Se não, como explicar que ontem eu estava saindo do trabalho, pronta para ir a um evento no Leblon, marcado para as 19h. Lá pelas 18h40 ia sair quando me dei conta que caía um temporal lá fora. E eu toda verão, sandália, saia, bolsinha de pano e um monte de papel importante pra carregar na mão. Blé. Olhei para o cantinho da minha sala onde sempre fica meu guarda-chuva de plantão para situações como essa. Não estava. Hmmm. Resolvo esperar mais um pouco, ver se diminui a chuva. Dois minutos depois, toca o telefone. O moço da portaria.
-- Sua mãe está aqui embaixo, de carro.
Hã?! Minha mãe?
-- Ok, diga que já vou descer.
Tlec, tlec, tlec.*
-- Oi, mãe, que surpresa.
-- Oi, filha. Estava passando por aqui de carro, sem celular, resolvi dar uma passadinha para ver se você ainda estava aqui e se precisava de uma carona, com essa chuva.
-- Que ótimo. Você está indo pra onde?
-- Pro Leblon.

Salagadula, mexicabula, bibidi, bobidi, bum.


*Onomatopéia para som de descer a escada de sandalinha.

A arte de fingir espanto

Eu odeio quando isso acontece.
Pessoa 1 te conta uma coisa e pede pra guardar segredo.
Você guarda.
No dia seguinte, Pessoa 2 te diz "que isso não saia daqui, hein?" e te conta a mesmíssima coisa.
O que você faz?
Diz "Eu já sabia"? Mas aí queima a Pessoa 1?
Ou faz cara de espanto, como se não soubesse de nada?
Eu hoje fui na segunda opção. Mas não consigo mentir muito, do tipo "Juuura????" com olho arregalado. Aí acabo posando de blasé total ("Ah, é mesmo? Que coisa.").
Preciso me preparar mais para ocasiões como essas.

29.11.06

Não sou uma só


Fui ao lançamento ontem do livro da Marina W. Por motivos profissionais, além dos afetivos. Conheço a Marina, mas ela não conhece este blog. Não pude ficar até muito tarde, mas deu pra encontrar a loura e conhecer uma das fridas (com sua filha mais-linda-do-mundo).
É impressionante como a Marina consegue fazer de um assunto tão pesado uma leitura tão leve. Quem conhece o blowg sabe como ela tem o charme de escrever sobre as bobagens do dia-a-dia de uma forma tão cativante. O que surpreende é como ela consegue escrever sobre as barras pesadas de uma doença como o transtorno bipolar de uma forma igualmente cativante. Tem passagens em que você ri, tem horas em que dá vontade de chorar. Em uns momentos você se identifica, em outros, lembra de alguém. Sem dúvida foi um processo doloroso escrever este livro, e a coragem de expor, com a publicação, não é pouca. Bem, chega de falar. Leiam, e só.

Serviço de utilidade pública - parte II

Os prefixos e o hífen

Prefixos e elementos de composição que precisam separar-se pelo hífen somente diante de certas letras

2º grupo (4)
2 terminados em -e: ante-, sobre-;
2 terminados em -i: anti-, arqui-.
Regra: Pedem o hífen apenas quando seguidos de h, r e s.
Exemplos: ante-histórico, ante-rosto, ante-sala; anti-hemorrágico, anti-herói, anti-rábico, anti-reumático, anti-semita; anti-social; arqui-secular, arqui-rabino; sobre-humano, sobre-restar, sobre-selo.

Obs.: Embora as "Instruções" não consignem exceções, no corpo do PVOLP se registram, contrariando esta regra: antissepsia, anstisséptico, sobressair, sobressaltar, sobressalto, sobressaltear. O VOLP, buscando corrigir a contradição, registra também anti-sepsia, anti-séptico, sobre-sair, sobre-saltar, sobre-salto, sobre-saltear.

Em qualquer outro caso não se utiliza o hífen: antecâmara, antediluviano, anteclássico, antemanhã, anteontem, anteprojeto; antiácido, antiaéreo, anticlerical, antieconômico, antieufônico, antiimperialismo, antiinfeccioso, antilogaritmo, antipirético, antivariólico; arquiavô, arquiconfraria, arquiepiscopado, arquiirmandade, arquimilionário; sobreaviso, sobrecomum.

Fonte: KURY, Adriano da Gama. Para falar e escrever melhor o português. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.

(Continua)

28.11.06

Serviço de utilidade pública - parte I

Os prefixos e o hífen

Prefixos e elementos de composição que precisam separar-se pelo hífen somente diante de certas letras

1º grupo (11)
6 terminados em -a: contra-, extra-, infra-, intra-, supra-, ultra-;
4 terminados em -o: auto-, neo-, proto-, pseudo-;
1 terminado em -i: semi-.
Regra: Pedem o hífen quando seguidos de vogal, h, r e s.
Exemplos: contra-indicado, contra-revolução, contra-senso; extra-escolar, extra-humano, extra-oficial, extra-regimental; infra-estrutura, infra-som; intra-hepático, intra-ocular; supra-renal, supra-sumo; ultra-rápido, ultra-som; auto-análise, auto-retrato, auto-suficiente; neo-helenismo, neo-realista; proto-árico, proto-histórico; pseudo-etimologia, pseudo-herói, pseudo-sábio; semi-árido, semi-inconsciente, semi-reta, semi-selvagem.

Como exceção à regra, as "Instruções" do Vocabulário citam a palavra extraordinário, "que já está consagrada pelo uso".

Nas demais circunstâncias, não se emprega o hífen: autobiografia, autocrítica, autodidata, autolotação; contragolpe, contratorpedeiro, contraveneno; extrafino, extralingüístico, extraterritorial; infracitado, infravermelho; intracraniano, intramuros, intravenoso; neoclássico, neocriticismo, neogramático, neolatino, neotomismo; protomártir, protovértebra; pseudociência, pseudoprofeta; semibárbaro, semimorto; supracitado, supramencionado; ultraconservador, ultracorreção, ultravioleta.

Fonte: KURY, Adriano da Gama. Para falar e escrever melhor o português. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.

(Continua)

(Porque eu acredito, sim, que copiar ajuda a memorizar.)

27.11.06

Sobre o Festival de Choro (e o lide no pé)

Uma das muitas rodas informais do II Festival Nacional de Choro, Mendes (RJ), janeiro 2006. Tirada daqui.

É o seguinte. Pelo terceiro ano seguido vai rolar o Festival Nacional de Choro, organizado pelo pessoal da Escola Portátil de Música. Quem não conhece o projeto da EPM está perdendo uma das iniciativas mais bacanas que tem por aí, que junta promoção da cultura brasileira, inclusão social e diversão garantida. A EPM começou em 2000 com cinco professores e uns cinqüenta alunos, aos sábados, na Sala Funarte, com o objetivo de passar adiante o que esses músicos tinham aprendido the hard way, ou seja, na marra, nas rodas de choro, com os velhos chorões – sem escola formal, sem apostila, sem livro.
Com o tempo e o sucesso das aulas, a notícia foi se espalhando, mostrando que havia uma grande demanda reprimida. O número de interessado foi crescendo tanto que foi preciso arrumar mais professores. Mudaram de lugar, da Funarte para a UFRJ, na Lapa. De lá para um casarão no bairro da Glória, onde já contavam 400 alunos (selecionados entre mais de mil inscritos). Hoje em dia as aulas (sempre aos sábados) acontecem no campus da Uni-Rio, na Urca, e os alunos são mais ou menos 600, para 23 professores (entre eles Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Pedro Amorim, Cristóvão Bastos, Bia Paes Leme, Jayme Vignoli, Rui Alvim, Marcelo Bernardes, Celsinho Silva, Oscar Bolão e outros). Há cursos de violão de 6 e 7 cordas, cavaquinho, bandolim, contrabaixo, piano, acordeom, canto, flauta, clarinete, saxofone, trompete, trombone, pandeiro, percussão. Tem também as aulas teóricas, de harmonia, história do choro, percepção musical, composição, arranjo. E tem os grupos já mais ou menos fixos que se formaram lá, a Camerata Portátil e a banda Furiosa Portátil. Além dos regionais que se criaram por ali e hoje tocam em tudo quanto é canto.
Em 2003 e 2004 o projeto teve patrocínio da El Paso, e as aulas eram gratuitas. Desde o ano passado a patrocinadora é a Petrobras, e em 2006 começou a cobrança de uma taxa de R$ 150 por semestre – sendo que quem comprovar que não tem como pagar pode ter bolsa integral. Eu estudo cavaquinho na EPM desde 2004, sou testemunha ocular (e auditiva) da seriedade e do comprometimento das pessoas envolvidas. Ao mesmo tempo, me emociono ao ver os resultados, que não são nada menos que excelentes. Lá tem alunos de todas as faixas etárias e todas as classes sociais. Tem gente que vem de outras cidades para ter aula aos sábados. Tanto quem tem outra profissão e quer tocar por hobby quanto quem quer se profissionalizar tem espaço lá dentro, e essa mistura gera um clima muito positivo. Você vê os moleques que caíram lá de pára-quedas, que tocavam cavaco nos conjuntos meia-boca de pagode, e que hoje em dia são fissurados pelo choro, sabem tudo e ainda compõem umas polcas de vez em quando. (Porque tem isso também, a quase obsessão de mostrar que o choro é um gênero que se renova, que não é o “chorinho” e que não está preso a Brasileirinho e Noites Cariocas.) Ou então os coroas do violão que tocavam Wave e Garota de Ipanema e hoje tocam, além disso, Pixinguinha, Jacob do Bandolim e músicas novas do Mauricio Carrilho. Ou as flautistas que vieram da música clássica e hoje sabem tudo do Joaquim Callado e amam o Altamiro Carrilho.
Com o sucesso da empreitada e a cobrança do pessoal de fora do Rio surgiu a idéia de fazer um festival nacional. O primeiro e o segundo foram em Mendes (RJ), num hotel-fazenda que antes era um seminário de padres, e possibilitava que as pessoas se hospedassem, fizessem as três refeições e tivessem as aulas no mesmo lugar. Era um “campo de concentração”, porque ninguém saía de lá, por uma semana. Este ano de 2006 o festival homenageou Radamés Gnattali, por causa do centenário, e por ter sido um cara tão especial para o choro. Em 2007 é o ano Anacleto de Medeiros, porque faz 100 anos de sua morte (pra ver como o choro tem mais de 150 anos de história). Não vai ser mais em Mendes (porque o hotel agora voltou a ser um seminário), e sim em São Pedro, no interior de São Paulo, no mesmo esquema de “hotel-fazenda/campo de concentração”.
O Festival realmente é o máximo. No de 2005 eu só passei um fim de semana, mas no de 2006 eu me matriculei, tirei uma semana de férias do trabalho e fiz o curso completo. É difícil descrever para quem não estava lá o quanto foi maneiro encontrar tanta gente de tantos lugares com as mesmas afinidades musicais. Aula de manhã e de tarde, rodas de choro e de samba pela noite adentro. As aulas eram ótimas, e as práticas de conjunto, verdadeiramente divinas. Eu caí num regional com um flautista pernambucano, dois violonistas baianos e um pandeiro de Belo Horizonte. E tem sempre uns argentinos, espanhóis, dinamarqueses e franceses que aparecem e ficam loucos. Além dos regionais, tem as orquestras, as bandas, tudo formado, arranjado e ensaiado em uma semana. É uma loucura, mas as pessoas são tão movidas pela paixão da coisa, que acaba funcionando, e no final não tem jeito, todo mundo chora. (Quando eu digo que é paixão, é porque é mesmo. Por exemplo, em 2007 o festival não tem patrocínio. (A Escola tem, mas o Festival, não.) Não é de graça, os alunos vão ter que pagar pela hospedagem no hotel. Mas os professores não vão receber, porque não tem grana. Ia ter. Mas não teve. E aí? Bom, aí resolveu-se fazer assim mesmo.)
Então é isso. Eu faço essa propaganda aqui, de graça e com muito gosto. Quem gosta de choro e toca algum instrumento deve fazer um favor a si mesmo e ir. Quem mora nas imediações de São Pedro deve ficar ligado para os shows que vão rolar na cidade (provavelmente na abertura e no encerramento). De 3 a 11 de fevereiro. Que é bem para comemorar a minha saída do atual emprego, onde fico só até 31/01. (E o lide veio no pé!)

A fila anda

Frase do fim de semana. Um pai de adolescente de 15 anos comenta com outro pai de adolescente de 15 anos, ao deixar a filha numa festa e observar os olhares dos meninos de 15 anos para as meninas:
-- Pois é, passamos de consumidores a fornecedores.
As feministas tiveram síncopes de indignação, eu ri muito.

25.11.06

Donato salva

E para encerrar uma semana turbulenta (para dizer o mínimo) no trabalho, eis que me caem no colo quatro convites para ver João Donato e Bud Shank no Mistura Fina. Com comida e bebida liberados, à vontade (é aí que você se descobre mesmo um pobre de raiz: quando não consegue resistir a um jabá desses e fica pedindo uma caipirinha atrás da outra). E eu tinha até esquecido como um show de jazz pode ser tão bacana. Ainda mais ao lado de F., A. e J., que não se conheciam mas já viraram amigos.
Não sei vocês, mas eu acho o Donato o fino do fino, com seu piano quase mínimo e suinguero até não mais poder. Se abrirem a igreja dos donatistas devotos, estarei lá.
(E depois que o show acabou e todo mundo já tinha ido embora ele voltou pro piano e ficou ali, dedilhando várias coisas... do Debussy!)
Um pouco do Quem É Quem, um dos meus favoritos, para alegrar o sabadão de sol.

http://www.goear.com/listen.php?v=525b782

23.11.06

Baby boom

Acho que vou abrir uma poupança só para bancar os tantos chás-de-fralda que vou ter que ir no ano que vem. A cada dia, uma novidade.
Pqp!

Dicas para um natal descolado


Então já é Natal, né? Aquela lenga-lenga toda. Haja saco -- não para a celebração em si, mas para esse mês que antecede, essa fúria do comércio, essa felicidade compulsória.
Como muita gente, eu por muitos anos me desdobrei entre as festas de Natal da família da minha mãe e da família do meu pai. A do meu pai sempre foi um saco, bem deprê. Para vocês terem uma idéia, até pouco tempo eu era a última criança que tinha tido na família. (Por sorte há 4 anos tem minhas priminhas lindas, mas elas moram na Inglaterra e nem sempre podem vir.)Então há alguns anos eu tive uma conversa franca e carinhosa com a minha avó, e falei para ela que não queria mais ir naquela ceia que mais parecia filme do Mike Leigh sobre os operários ingleses gordos feios sujos e infelizes, ela entendeu, e ficou tudo bem.
Já a família da minha mãe é muito mais divertida. E nunca fez ceia de Natal justamente para não competir com as outras famílias, dos cônjuges. De um tempo pra cá passamos a fazer um brunch no dia 24, na casa da minha (outra) avó (aquela figuraça). Mas em 2003 ela morreu, e a gente continuou fazendo o brunch lá, mas começamos a achar que dava muito trabalho para a minha prima, que fazia tudo sozinha, e tal.
Então no ano passado tivemos a idéia de fazer o brunch no Zona Sul do Leblon. Pra quem não sabe, o Zona Sul é a rede de supermercados chiquezinhos da Zona Sul do Rio. É onde você pode comprar aquele azeite extra-virgem importado, e a sua mostarda de Dijon favorita. Além disso, algumas filiais têm pizzaria à noite e bufê de café da manhã durante o dia. Deu super certo, pegamos um mesão, foi uma porção de primos, tios, agregados, dominamos um cantinho do supermercado numa grande confraternização que atraiu olhares curiosos dos funcionários e clientes da loja, especialmente aqueles estressadíssimos com as compras de última hora do Natal.
Até que uma certa hora alguém lembrou que não tínhamos feito o tradicional amigo oculto de Natal (parece que em São Paulo diz-se "amigo secreto"). Realmente, não tinha passado pela cabeça de ninguém. Então resolvemos fazer ali mesmo, na hora. Escrevemos os papeizinhos, sorteamos e fomos comprar os presentes ali mesmo, no supermercado.
Nem preciso dizer o quão hilária foi essa cena. Um monte de gente junta, olhando papeizinhos, e de repente, "Ok, 1, 2, 3 e já" e todos disparam por entre as prateleiras, trocando olhares de esguelha e risinhos incontidos.
Voltamos para a mesa e fizemos a troca dos presentes. (Eu e ele saímos do evento como o casal manguaça -- eu ganhei um vinho, ele, uma caixa de cerveja.) E então chegou o momento mais figura, quando todo mundo teve que devolver os presentes para passar no caixa e pagar -- para em seguida, do lado de fora, rolar o re-presenteamento.
Ontem estava falando com minha outra prima, combinando o que vamos fazer este ano, e como o Natal passado tinha sido legal e poderíamos fazer de novo o mesmo esquema. Só que este ano quem sabe na Fnac ou na Modern Sound?