
Minha professora de Pilates é de Barra Mansa, mas de família mineira, e como todo bom mineiro, fala pelos cotovelos. Ontem o assunto era o casamento dela. Contou que o vestido de noiva que ela alugou tinha sido usado na mesma semana por outra noiva, e quando ela foi na loja ainda não tinha sido lavado, e estava imundo e com a barra toda rasgada, e ela quase desmaiou quando viu. E que no mesmo dia ia ter outro casamento, mais tarde, então o normal era que ela e a outra noiva dividissem o custo das flores que enfeitariam a igreja, mas a outra noiva queria colocar flores de plástico, porque era muito mais barato, e era uma noiva muito humilde, que trabalhava como manicure e tinha trocado aquelas flores de plástico por não sei quantos pés-e-mãos com a dona da loja. Então ela acabou pagando quase tudo sozinha, para ter as flores naturais. E de como se endividou sobremaneira por causa da festa e dessa louca indústria de buquês, calígrafos, convites, lembrancinhas e bom-bocados. Que em cima da hora descobriu que o padre estava de férias (!) e saiu xingando tudo e todos na igreja, para indignação total da mãe, super católica. Aproveitando a deixa, a outra aluna, que casou em Volta Redonda, disse que no casamento dela o padre não aparecia, e que o sacristão ou sei-lá-o-que da igreja falou para ela, com a maior calma do mundo, “não sei se ele vem, não, você não tem o telefone dele?”, como se ela fosse sacar do bolso do vestido de noiva um papelzinho com o telefone do padre! E enfim o padre chegou, meia hora depois da noiva, e que ela casou muito puta e no maior estresse.
Sinceramente, a pessoa não precisa passar por tudo isso na vida para ser feliz.



