14.12.06
Pensamentos de quinta*
Seu marido/sua mulher ronca? Você costuma ir a shows de rock ou música eletrônica com o volume nas alturas? Você trabalha com máquinas pesadas? Seus problemas acabaram. Visite a sensacional e completíssima earplug store, e encontre a solução para o seu desconforto auditivo.
Todo ano quando vejo essas luzes de natal brancas e que não piscam, que as pessoas colocam em volta dos troncos das árvores, acho que são jabuticabeiras atômicas.
* com trocadilho.
13.12.06
Brigando pelas migalhas
Agora vejo que por causa da pressão dos artistas o governo deve aumentar o percentual que pode ser descontado do imposto devido, de 4% para 8% no caso das empresas (4% para cultura, + 4% para esporte).
Ou seja, no fim das contas a choradeira acabou mandando muito bem.
Já ouvi boatos que dizem que a Lei Rouanet vai terminar no meio de 2007. Imagina só o caos. Atualmente acho que os únicos produtos culturais não patrocinados via lei de incentivo no país são novela e disco do Rei Roberto. Tem distorções gritantes, como o inconcebível patrocínio via lei do Cirque de Soleil, que ainda por cima cobrava ingressos com preços de 3 dígitos. Ou o último show da Marisa Monte, igualmente caro e patrocinado com o meu dinheiro, um evento que se paga em qualquer circunstância, e não precisa de incentivo fiscal.
Acredito que a cultura deva, sim, ser incentivada pelo Estado. É estratégico, é fundamental, e não pode ficar sujeita apenas às leis de mercado. Não é uma atividade como outra qualquer. O esporte idem. Pena que o critério para decidir o que merece e precisa desse tipo de incentivo seja tão falho. Se essa lei do esporte permitir, por exemplo, que se patrocinem times de futebol como o meu Mengão com renúncia fiscal, o que impediria uma empresa a usar a Lei Rouanet para patrocinar Páginas da Vida?
A incrível família v.
O fim de semana que passou foi tão família que eu me sinto como se nem precisasse mais de um Natal. Foram tantos primos, primas, amigos, madrinha etc. que a minha semana já começou mais leve. Minha camiseta Hello Nietzsche fez tanto, mas tanto sucesso, que achei que deveria compartilhar por aqui.Mais sucesso só quem fez foi a B l u m e, a nova grife de roupas desenhadas pela minha prima, que teve sua première no domingo. Vejam aqui embaixo a foto do convite, que leeenda. Ainda não sei onde vai vender no futuro, mas quando souber faço propaganda. Outra prima está lançando um guia da Ilha Grande (aparentemente, por mais incrível que pareça, não existe nenhum outro). Eu já tenho o meu. Por enquanto só vende lá na Ilha mesmo, mas assim que tiver na internet eu volto pra fazer a divulgação familiar.
12.12.06
Mosquitos
Antes de mudar para onde moramos hoje, nunca tinha tido problemas com mosquitos em casa. Agora que vivemos numa rua muito arborizada e num andar baixo (ou seja, as árvores são muito mais altas do que as janelas), a situação é outra. As espécies de mosquitos e pernilongos variam com a época do ano. Tem uns grandes, verdadeiros monstros, que ficam tão pesados de sangue-do-meu-sangue que é fácil abatê-los com uma palma, e sua mão fica toda ensangüentada. Tem os menores, muito mais ágeis e insuportáveis, com seu zumbido agudinho, dificílimos de matar. E tem os mosquitos bobalhões, os mais fáceis de exterminar, mas que não matamos porque eles são tão obtusos que nem mordem.
Naturalmente, o horário favorito deles é à noite. E o lugar, a nossa cama. Melhor, o nosso ouvido. É tiro e queda: quando você já está naquele estágio de semiconsciência, quase dormindo, vem o zzzzzzzzz no seu ouvido. A partir desse momento, a nossa reação pode variar muito:
- Charles Bronson – Justiça com as próprias mãos. Levantar, acender as luzes e matar o filho da puta custe o que custar, nem que se passe a noite em claro tentando.
- Refusal/Denial – Não acreditar que isso está acontecendo. Cobrir a cabeça com o travesseiro ou com o lençol até sufocar.
- Solução Final, via Zyklon B – O bom e velho spray de Baygon. Infalível, mas sua cama e seu quarto ficam meio contaminados. E não beba mais aquele copo d’água da cabeceira.
- Perfume noturno – Passar repelente no rosto e braços, mas principalmente no ouvido, o lugar da predileção de todos os mosquitos. Aliás, nunca entendi por que eles ficam rodeando sempre o ouvido.
Sei que fico meio paranóica. Ouço o zumbido, começo a sentir vários focos de coceira, mas acho que não devo coçar, porque pra mim é nesse momento que você se ferra. Acho que, no fundo, nunca superei o pavor do Trypanosoma Cruzi, uma das minhas memórias “acadêmicas” mais remotas (aulas de ciências no primário, onde a gente aprendia sobre doenças campestres como esquistossomose e solitária). Se vocês se lembram também, o barbeiro, uma espécie endêmica das casas de pau-a-pique, pousava no rosto da pessoa e fazia cocô. E aí, quando a pessoa coçava era que se infectava. Totalmente traumático, apesar de eu nunca ter morado numa casa de pau-a-pique nem conhecido alguém que tenha tido Doença de Chagas.
Isso tudo porque, graças a mim, o mundo hoje amanheceu com três mosquitos-monstros a menos. U-hu!
Nossos japoneses são melhores
Marido manda notícias do Oriente. Vejam essa curiosa privada do hotel em Nagóia. Tirem suas próprias conclusões, e compartilhem-nas no espaço dos comentários.
11.12.06
Mundo corporativo

De fato, nunca vou conseguir me dar bem no tal mundo corporativo. Uma questão de perfil. É preciso estômago, é preciso um desprendimento que eu não tenho. Quando pedi demissão, mês passado, foi aquele chororô. Tá, sei, como se fosse uma big surprise. Poupem-me. Fizeram-me contrapropostas; pensei, ponderei, não aceitei. Consegui acertar ser demitida com todos os benefícios. Depois vim a descobrir que na verdade o überchefe queria limar o unterchefe e me dar mais responsabilidades a troco de um salário um pouco melhor e uma promoção besta, mas sem me promover ao cargo de unterchefe – i.e.: muito mais barato. Daí que a minha saída espontânea ferrou com o esquema. Sem mim, não dá para rifar o unterchefe. Agora imagina se, sabendo disso, eu teria alguma condição de aceitar a contraproposta que fosse e ficar? Como se eu tivesse tramado esse mise-en-scène de pedir demissão e depois ficar no lugar do cara. Sai pra lá, jacaré. E agora, na sexta, muda tudo outra vez, e anuncia-se, tchã-rã, a venda da empresa! Uhn? Eu hein. Então pra que esse teatro todo nas semanas passadas? Ai, olha, tô fora. Não fico mais até janeiro, como tinha combinado. Com essa conjuntura, é fim de dezembro e adeus!
10.12.06
Serviço de utilidade pública - parte VI
Prefixos e elementos de composição que precisam separar-se pelo hífen somente diante de certas letras.
6º grupo (4):
4 terminados em -b: ab-, ob-, sob- e sub-.
Regra: Pedem o hífen quando seguidos de elementos começados por r que inicie sílaba ou b (VOLP).
Exemplos: ab-reação, ab-reptício, ab-rogação, ab-rogar, ab-rogatório; ob-repção, ob-reptício, ob-rogação, ob-rogar; sob-roda, sob-rojar; sub-raça, sub-região, sub-reino, sub-rogar, sub-base, sub-borato.
Obs. 1: No corpo do PVOLP, embora se indique, entre parênteses, que o r não forma grupo com o b, registra-se sem o hífen: abrupção, abruptela, abruptinérveo, abruptipenado, abrupto, em contradição com a regra das "Instruções"; o VOLP, mantendo embora essas formas, registra-as igualmente com hífen: ab-rupção, ab-rupto, etc., como formas preferíveis.
Obs. 2: Numa reação à repugnância que nos causam formas como subepático, subumano, o VOLP registra igualmente sub-hepático e sub-humano. Mantém, no entanto, subárea (!), suboficial e outras igualmente contrárias à pronúncia geral.
Sem o hífen noutros casos: subdiretor, subsecretário, subdesenvolvido, subperíodo, etc.
Fonte: KURY, Adriano da Gama. Para falar e escrever melhor o português. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
(Continua)
9.12.06
Serviço de utilidade pública - parte V
Prefixos e elementos de composição que precisam separar-se pelo hífen somente diante de certas letras.
5º grupo (1): bem-.
Regra: Emprega-se o hífen "quando a palavra que se lhe segue tem vida autônoma na língua ou quando a pronúncia o requer".
Exemplos: bem-amado, bem-aventurado, bem-casado, bem-comportado, bem-educado, bem-humorado, bem-estar, bem-parecido, bem-soante, bem-falante, bem-vindo, bem-me-quer, bem-te-vi.
Mas: bendito (nos dois Vocabulários), bem-dizer e bendizer, benfeitor, benfeitoria, bem-querença e benquerença, bem-querer e benquerer, benquisto.
Repare-se que bem e mal, usados como advérbio, numa frase, não se aglutinam, nem se separam com hífen:
"Gosto de carne mal assada." [Compare: "A mal-assada (= fritada de ovos) estava deliciosa."]
"Um recado mal entendido não pode ser bem transmitido." [Compare: "Por um mal-entendido (= equívoco) quase houve uma tragédia."]
"Traz os cabelos bem (ou mal) arranjados."
Fonte: KURY, Adriano da Gama. Para falar e escrever melhor o português. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
(Continua)
8.12.06
As roubadas em que eu me meto – capítulo 8.542
Formatura é aquele programa que, por princípio, ninguém merece. Só os formandos acham graça – e, vá lá, os pais se emocionam, e tal e coisa. Não era uma daquelas formaturas cheias de pompa, mega-evento, como são normalmente as de medicina, engenharia, direito e demais carreiras tradicionais. Porque, se eu ainda não disse, Cunhado nº 3 se formou em musicoterapia.
Parafraseando o nome de blog mais engraçado que eu vi nos últimos tempos, “gente, foi horrível!” (Tá, tá, exagero, não foi tão "horrível", mas não podia perder a chance de usar essa tirada.)
Eram 12 formandos (10 mulheres e 2 homens), incluindo uma senhora que deveria ter por volta de 75 anos e que, verdade seja dita, foi a coisa mais legal da noite.
O evento estava marcado para as 18h30. Eu, me sentindo “a” malandra, cheguei lá 19h45, crente que ia fazer um bonito de aparecer, posar de “presente” na família, já que marido querido está viajando, e aturar uns quinze minutinhos de cerimônia. (Porque meus planos originais ainda incluíam ir ao supermercado depois.) Quando cheguei, o auditório totalmente lotado, passava um vídeo de homenagem a algum professor (que provavelmente morreu ou foi embora) e os formandos cantavam “Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito” acompanhados por um solitário violino. Je-sus. Como estava muito cheio, tratei de ficar atrás de todo mundo, sentada numa escadinha, onde daria até para sacar meu MP3 player e ficar ouvindo, bem autista, sem chamar muita atenção. Mas não deu certo, porque Sogrinha me viu e começou a acenar enfaticamente, e não tive jeito a não ser sentar numa cadeirinha que ela, fofa, tinha guardado ao lado dela. Assisti ao discurso que a paraninfa leu. Discurso lido eu acho péssimo. (“Foi com imensa surpresa que recebi o convite para ser paraninfa dessa turma, convite feito no meio do burburinho dos corredores...”) Mas não contente, tinha uns trechos que ela cantava. Teve também uma série de esquetes teatrais feitas pelos formandos em que eles imitavam os professores. Assim, uma homenagem, sabe? Eles riram muito, mas naturalmente 95% dos presentes, que nunca tiveram aulas com aqueles mestres, não entenderam nada. Depois teve um número musical para cada professor. E olha, enquanto instrumentistas esses formandos são ótimos musicoterapeutas. Teve entrega dos diplomas, um a um, com videozinhos de cada um. Teve discurso de agradecimento, de cada um (e pelo menos 10 dos 12 foram assim: “queria agradecer, em primeiro lugar a Deus, blablabla, em seguida, à minha família, minha mãe, meu pai, porque se não fosse por eles... – choro – e a essa turma maravilhosa, que é minha segunda família etc etc.”). Teve juramento em frente à bandeira nacional (que tremulava no vídeo, numa animação que me deixou meio tonta). Teve música até para agradecer aos funcionários!
Cunhado nº 1, muito mais sagaz do que eu, chegou às 20h50. Às 21h eles estavam começando a se auto-homenagear musicalmente, isto é, todos cantavam e tocavam uma música para cada um. (Já falei que eles tocam super mal? Ah, já, né?) E eram músicas do Raul Seixas, Caetano Veloso, do Clube da Esquina (Alô Arembepe! Alô Mauá!). Sim, tinha esse clima hippie que não posso deixar de mencionar. Eles estavam todos descalços. E as moças todas de vestidos longos, mas não vestidos de gala, e sim vestidos ou saias hippies até os pés. Só tinha uma que estava de gala, e era a única destoante que não estava descalça porque estava com uma sandália de salto com pedrinhas de strass, que combinava com o vestido e com o cabelão até a cintura. Até a senhora de 75 anos estava descalça. Sogrinha estava emocionada, e só se abalava quando tocava o celular do Sogrinho (vááárias vezes) e ele incrivelmente atendia e se punha a falar com alguém, alto e meio sem loção.
O negócio foi acabar lá pelas 21h40, com todos eles cantando nem sei mais o quê e abraçados numa rodinha chorando. Aplausos, aplausos. A essa altura meu supermercado já tinha ido pro espaço.
Seguimos então para o programa família, sem o nobre formando, que, naturalmente, foi comemorar com seus pares. Pizza. No restaurante que ele sabe que eu detesto. Mas que a gente sabe que não tem jeito, é o preferido da família mesmo. E até a pizza que faz a fama do lugar estava péssima. O que salvou foram as maravilhosas histórias do Tio, desta vez contando como tinha sido o surreal resgate dos brasileiros no Líbano em agosto deste ano, quando da guerra com Israel. (Merece um post à parte.)
É em horas como essa que eu faço um esforço maior para acreditar naquela esparrela de que há um julgamento final e que todos seremos julgados de acordo com nossos atos. Porque eu estou acumulando uma porção de pontos.