Eu tinha escrito um post de tamanho razoável sobre o caso da Daniela e do YouTube, mas por algum motivo obscuro o Blogger decidiu que era melhor sumir com o texto.
Então tá. No fundo, não queria escrever mesmo.
Acho que estou um pouco em crise com este blogue. Assim como os casamentos passam pela crise dos 7 anos, acho que estou passando pela crise dos 7 meses (tudo na internet é acelerado mesmo).
Então tá. Hoje vou conhecer a nova casa de festas da cidade, Pista 3. Na Back to the 90's, a festa que eu mais gosto porque toca as músicas da época em que eu saía pra dançar. Músicas do meu tempo. Ha.
E vamos torcer para dar praia no fim de semana.
12.1.07
11.1.07
Brasil, país do emprego
10/01
10:05 – Entro na agência da Caixa Econômica Federal.
10:06 – Pego a senha 481. O painel indica que a atual situação é senha 473.
10:07 – Percebo que, burramente, não levei nada para ler.
10:40 – Leio pela sétima vez todos os formulários que levo na minha pastinha, além da carteira de trabalho. Analiso minuciosamente a minha carteira de identidade, expedida em 1990.
10:42 – Passeio pela agência bancária.
10:50 – Consigo ser atendida pelo único caixa que atende cidadãos menores de 60 anos.
10:57 – Recebo a notícia: “Seu FGTS está aqui, mas a multa só estará disponível amanhã”.
11:05 – Saio da agência da Caixa Econômica Federal.
12:20 – Ligo para a Ouvidoria da Caixa, para reclamar do tempo de atendimento.
12:22 – Desisto depois de várias vezes ouvir “No momento todos os nossos atendentes estão ocupados. Ligue mais tarde. Toin toin toin.” (Reparou? Não é “Aguarde”, e sim “Desista, vá fazer outra coisa”.)
12:23 – Ligo para a Ouvidoria do Banco Central para registrar uma reclamação sobre o tempo de atendimento na Caixa e sobre o não-funcionamento da Ouvidoria da Caixa. A reclamação é protocolada com o número 2007/005321.
11/01
08:30 – Depois de me certificar que não se trata de uma escola abandonada, entro na IV Região Administrativa para dar entrada no pedido de seguro-desemprego. Não há ninguém à vista.
08:33 – Enfim descubro a porta obscura que ostenta a placa “Ministério do Trabalho”.
08:38 – Saio da IV Região Administrativa com tudo resolvido (sem uso de nenhum computador, apenas caneta e carimbo), sem ter usufruído da revista que levei, esperando uma fila imensa.
09:00 – Chego na porta da agência da Caixa Econômica Federal, na esperança de liberar a multa rescisória. A agência só abre às 10:00, não há ninguém na fila.
09:02 – Sento numa mesinha na loja de sucos a 20m da agência, peço um mate e leio a minha revista.
09:45 – Volto para a porta da agência. Há dezesseis pessoas na minha frente.
09:46 – Repito mentalmente dezenas de vezes “Como pude ser tão tapada e não ver esta fila se formando?!”.
10:00 – Entro na agência.
10:01 – Pego a senha 625. O painel informa: 612.
10:30 – Começo a ler as matérias que não me interessam na revista.
10:55 – Consigo ser atendida pelo mesmo único caixa para menores de 60 anos. Saco a multa.
11:00 – Saio da agência com a notícia de que o seguro-desemprego só pode ser sacado ali, na boca do caixa. Esqueça a comodidade do caixa eletrônico ou das casas lotéricas.
Moral da história: rapadura é doce, mas não é mole.
10:05 – Entro na agência da Caixa Econômica Federal.
10:06 – Pego a senha 481. O painel indica que a atual situação é senha 473.
10:07 – Percebo que, burramente, não levei nada para ler.
10:40 – Leio pela sétima vez todos os formulários que levo na minha pastinha, além da carteira de trabalho. Analiso minuciosamente a minha carteira de identidade, expedida em 1990.
10:42 – Passeio pela agência bancária.
10:50 – Consigo ser atendida pelo único caixa que atende cidadãos menores de 60 anos.
10:57 – Recebo a notícia: “Seu FGTS está aqui, mas a multa só estará disponível amanhã”.
11:05 – Saio da agência da Caixa Econômica Federal.
12:20 – Ligo para a Ouvidoria da Caixa, para reclamar do tempo de atendimento.
12:22 – Desisto depois de várias vezes ouvir “No momento todos os nossos atendentes estão ocupados. Ligue mais tarde. Toin toin toin.” (Reparou? Não é “Aguarde”, e sim “Desista, vá fazer outra coisa”.)
12:23 – Ligo para a Ouvidoria do Banco Central para registrar uma reclamação sobre o tempo de atendimento na Caixa e sobre o não-funcionamento da Ouvidoria da Caixa. A reclamação é protocolada com o número 2007/005321.
11/01
08:30 – Depois de me certificar que não se trata de uma escola abandonada, entro na IV Região Administrativa para dar entrada no pedido de seguro-desemprego. Não há ninguém à vista.
08:33 – Enfim descubro a porta obscura que ostenta a placa “Ministério do Trabalho”.
08:38 – Saio da IV Região Administrativa com tudo resolvido (sem uso de nenhum computador, apenas caneta e carimbo), sem ter usufruído da revista que levei, esperando uma fila imensa.
09:00 – Chego na porta da agência da Caixa Econômica Federal, na esperança de liberar a multa rescisória. A agência só abre às 10:00, não há ninguém na fila.
09:02 – Sento numa mesinha na loja de sucos a 20m da agência, peço um mate e leio a minha revista.
09:45 – Volto para a porta da agência. Há dezesseis pessoas na minha frente.
09:46 – Repito mentalmente dezenas de vezes “Como pude ser tão tapada e não ver esta fila se formando?!”.
10:00 – Entro na agência.
10:01 – Pego a senha 625. O painel informa: 612.
10:30 – Começo a ler as matérias que não me interessam na revista.
10:55 – Consigo ser atendida pelo mesmo único caixa para menores de 60 anos. Saco a multa.
11:00 – Saio da agência com a notícia de que o seguro-desemprego só pode ser sacado ali, na boca do caixa. Esqueça a comodidade do caixa eletrônico ou das casas lotéricas.
Moral da história: rapadura é doce, mas não é mole.
Ideias fixas:
trabalho
8.1.07
Método Brás Cubas de Felicidade
(Ou: Aplicando Machado de Assis à sua vida)
Capítulo 36
A Propósito de Botas
Meu pai, que me não esperava, abraçou-me cheio de ternura e agradecimento. - Agora é deveras? disse ele. Posso enfim...?
Deixei-o nessa reticência, e fui descalçar as botas, que estavam apertadas. Uma vez aliviado, respirei à larga, e deitei-me a fio comprido, enquanto os pés, e todo eu atrás deles, entrávamos numa relativa bem-aventurança. Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro.
(tirado daqui)
Agora a minha versão.
Capítulo 2007
A Propósito de Upgrades
Compra um computador, e passa sete anos com ele, sem fazer um upgrade. Sete anos de pleno desenvolvimento tecnológico mundo afora, e ficas com a mesma máquina, mesma quantidade de memória, mesmo processador, mesmo HD e fonte, a despeito dos programas maiores e maiores que vais instalando. Trabalhos com imagens, vídeos, música, envio de arquivos gigantes, tudo isso vais fazendo nesse teu mesmo computador septuagenário. Só em meados 2006 colocas mais um pente de memória e ficas com 256Mb, que já é o padrão para os computadores vendidos prontos nas Casas Bahia.
E eis que o computador obsoleto é uma das maiores venturas da terra, porque quando fazes um upgrade de verdade e trocas tudo (memória, processador, placa-mãe, HD, tudo montado por aquele amigo que entende de computador -- porque não há quem não tenha um amigo desses) tens a felicidade plena. Não propriamente barata, como a das botas, mas tão simples e tão sincera que te sentes de volta à infância, com um brinquedo mágico e cheio de possibilidades.
Capítulo 36
A Propósito de Botas
Meu pai, que me não esperava, abraçou-me cheio de ternura e agradecimento. - Agora é deveras? disse ele. Posso enfim...?
Deixei-o nessa reticência, e fui descalçar as botas, que estavam apertadas. Uma vez aliviado, respirei à larga, e deitei-me a fio comprido, enquanto os pés, e todo eu atrás deles, entrávamos numa relativa bem-aventurança. Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro.
(tirado daqui)
Agora a minha versão.
Capítulo 2007
A Propósito de Upgrades
Compra um computador, e passa sete anos com ele, sem fazer um upgrade. Sete anos de pleno desenvolvimento tecnológico mundo afora, e ficas com a mesma máquina, mesma quantidade de memória, mesmo processador, mesmo HD e fonte, a despeito dos programas maiores e maiores que vais instalando. Trabalhos com imagens, vídeos, música, envio de arquivos gigantes, tudo isso vais fazendo nesse teu mesmo computador septuagenário. Só em meados 2006 colocas mais um pente de memória e ficas com 256Mb, que já é o padrão para os computadores vendidos prontos nas Casas Bahia.
E eis que o computador obsoleto é uma das maiores venturas da terra, porque quando fazes um upgrade de verdade e trocas tudo (memória, processador, placa-mãe, HD, tudo montado por aquele amigo que entende de computador -- porque não há quem não tenha um amigo desses) tens a felicidade plena. Não propriamente barata, como a das botas, mas tão simples e tão sincera que te sentes de volta à infância, com um brinquedo mágico e cheio de possibilidades.
Ideias fixas:
superbobagens
7.1.07
Everybody loves jabá
Sim, meu emprego é chato e por isso mesmo eu estou saindo dele. Mas não posso negar que vou sentir saudades de algumas coisas. Como por exemplo receber presentes totalmente inesperados, como este, pelo correio.
Ideias fixas:
livros
Agora vai
No fim do ano fiz uma limpa no armário e separei uma porção de roupas para dar, coisas que não usava mais. Levei tudo para I. mandar para os parentes no Ceará. Outro dia ela veio me dizer que no bolso de uma das saias achou uma nota de R$1.
Não tive nem dúvida. Adivinha o que vou fazer com o dinheiro.
Não tive nem dúvida. Adivinha o que vou fazer com o dinheiro.
Reis
S., detentora de todos os mitos e tradições, fez ontem seu já tradicional jantar de dia de reis. Com a simpatia da romã. Resgatei da minha carteira as sementes antigas, enroladinhas numa nota de R$2 (sim, R$2, pelo sim pelo não...), e troquei pelas novas sementes.
Gaspar, Melquior e Baltazar, valei-me desta semente, para ter e para dar.
Com mais de 20 pessoas falando isso em uníssono por três vezes seguidas, estava vendo a hora em que o vizinho ia chamar a polícia.
(O melhor foi a ressalva, antes: "Gente, o nome do rei é Melquior, não é Belquior!")
Muito ouro, incenso e mirra pra você também.
Gaspar, Melquior e Baltazar, valei-me desta semente, para ter e para dar.
Com mais de 20 pessoas falando isso em uníssono por três vezes seguidas, estava vendo a hora em que o vizinho ia chamar a polícia.
(O melhor foi a ressalva, antes: "Gente, o nome do rei é Melquior, não é Belquior!")
Muito ouro, incenso e mirra pra você também.
5.1.07
Quatros
No post abaixo escrevi duas vezes a palavra quatro. Em ambas as vezes escrevi quatros, e só quando fui reler apaguei o s. Segundo meu pai, o quatro carece de um plural que lhe seria próprio, do qual o dois e o três desfrutam.
"É o primeiro múltiplo no singular, minha filha."
Esse, o meu pai.
Por isso, eu -- assim.
"É o primeiro múltiplo no singular, minha filha."
Esse, o meu pai.
Por isso, eu -- assim.
Ideias fixas:
superbobagens
O homologador

Quarta-feira, segundo dia útil de 2007. Chovia quando fui fazer a homologação da minha demissão, no sindicato. Um prédio comercial decrépito na Presidente Vargas. Décimo terceiro andar. Uma salinha igualmente decrépita, pequena. Um balcão. Colado no balcão, um cartão datilografado, com a letra que eu reconheci como igual à da minha Olivetti Lettera 82 de saudosa memória, instruía os antigos funcionários da Manchete/Bloch Editores a se dirigirem a outro endereço na Rua México. Duas pessoas sentadas pareciam esperar atendimento. Mas pelo visto não era isso, porque chegamos, fomos atendidos logo e as duas pessoas continuaram lá, mudas. Talvez trabalhassem na sala decrédita ao lado e estivessem apenas batento um papo que foi interrompido pela nossa chegada.
O mobiliário devia regular pela minha faixa etária, exceção feita ao aparelho de TV pendurado no girovisão, ligado, com som, transmitindo o Video Show, aquele quadro de jogos apresentado pela Angélica. Fora isso, arquivos de metal carmomidos por todos os lados. Livros encadernados, com lombadas despencadas. Cadeiras giratórias com cara da década de 70. Um único computador, no fundo da sala. Duas (duas!) máquinas de escrever em cima de mesas. Provavelmente para fazer cartões como o dos antigos funcionários da Manchete/Bloch Editores. (Mas nenhuma das duas era uma Olivetti Lettera 82, que eu reconheceria, claro.)
Fui com a gerente de RH. Ela conhecia todo mundo e entabulou muitas conversas. Foi saudada por todos. Achei bom estar ali naquele lugar estranho com uma pessoa que pelo menos era querida pelos que deveriam nos atender. Atrás do balcão, quatro funcionários. Todos homens. Praticamente só falamos com um, o chefe, um senhor de cabeça branca e bigodinho (também branco) à la Amigo da Onça. Cabelos (não muitos) penteados pra trás. Brilhantina. Ele de fato falou muito. Falou mal de muita gente. Gastou uma onda danada. Um gordo com cara de cinquentão tinha uma atadura na mão esquerda e ficava numa mesa ao fundo lendo um jornal de esportes. Talvez nem tenha reparado a nossa presença. O mais novo dos quatro deveria ter uns 45, e era quem olhava coisas no computador perto da janela. Ele só veio até nós uma vez, e, sem dizer palavra, me deu um papel -- devidamente carimbado. Mas o mais curioso era um senhor sentado a uma mesa colada no balcão, de modo que você entrava na sala mínima e ficava muito perto dele, só com o balcão no meio. Ele sentava-se muito retinho, com as duas mãos sobre a mesa. Uma posição tão antinatural. Parecia ter mais de 70 anos. Usava óculos escuros. Não consegui me desvencilhar da idéia que ele era cego, ou quase. Mas ele conversou conosco, amigavelmente, ainda que quase sempre por monossílabos e meneios de cabeça. Interagiu. E o mais incrível, ele trabalhou -- mais que os outros. O trabalho dele era pegar as quatro vias da rescisão e carimbá-las. Um carimbo na frente, outro carimbo diferente no verso. Ele era, afinal, o homologador.
Ideias fixas:
trabalho
4.1.07
Velharias do porão

No trabalho, ainda. Ralando para deixar tudo arrumado para aqueles que virão. Nos últimos dias tenho feito trabalho braçal, organizando em caixas as pastas perdidas do arquivo morto que estavam jogadas às traças, literalmente, no porão. Ninguém me pediu para fazer isso, mas eu acho tão importante que encarei o desafio, quero deixar esse legado.
O mais difícil é não sucumbir à tentação de abrir as pastas e ficar lendo o que aconteceu, conhecendo as histórias de cada uma. Histórias do tempo das correspondências por correio. Com cópias de carbono para arquivo. As autênticas "c.c.". Histórias do tempo em que não se escrevia vc, tb, muito menos abs para se despedir.
As pastas são tentadoras: Hemingway, Ernest. Nabokov, Vladimir. Cardoso, Lúcio. Bellow, Saul. Proust, Marcel. Dourado, Autran. Telles, Lygia Fagundes. Orwell, George. Debussy, Claude. Twain, Mark. Calvino, Italo. Rosselini, Roberto. Faulkner, William. A padronização pelo sobrenome foi obra minha também. Eu, a arquivista frustrada. (Era essa a minha verdadeira vocação.)
Centenas de pastas, em umas 50 caixas-arquivo. Até agora. Todas etiquetadas e relacionadas no computador. Ainda falta. Mas eu adoro. Dar nome às caixas, escrever ao lado a relação das pastas que estão dentro de cada uma (em cada um dos quatro lados), colar com fita nos lados da caixa, abaixa, levanta, durex, fita crepe, pilot. Estou no meu ambiente, de certa forma. Deixando mensagens para os próximos escafandristas que virão. Um dia.
Ideias fixas:
trabalho
2.1.07
Com o pé direito (no acelerador)

O réveillon foi bacana, com os melhores amigos ali juntos e exercitando a amizade. O ruim foi que sobrou quase toda a comida que tinha dado tanto trabalho pra comprar e preparar, e ainda passamos o dia 01/01 arrumando a casa. Que canseira.
E pra completar a boa entrada do ano, levei comigo uma parte do portão da garagem do prédio do tio do meu marido. Tipo barbeiragem completa. Tá certo que é uma garagem não muito amigável, que tem que descer de ré num espaço mega-ultra-apertado. Mas mesmo assim. Arranhou uma parte do nosso carro e caiu um pedaço do fachada do prédio (!). Tudo por causa dessas porcarias de portas de garagem que fecham sozinhas depois de 10 segundos, e você tem que correr pra frente ou pra trás pro portão não esmagar totalmente o carro (e quem estiver dentro). Pensa rápido, pensa rápido, fui com tudo. As pessoas na rua ficaram olhando assustadas, eu tentando fingir que estava tudo normal.
Ainda bem que eu não acredito nessas coisas de que o ano vai ser de acordo com o que acontece nos primeiros dias.
Ideias fixas:
querido diário
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