31.5.07

Frase da semana

É uma sacanagem os homens não engravidarem. Nunca podemos fazer como as mulheres e decidir "Bom, agora eu quero ser protagonista de um filme surrealista"!

E., visivelmente consternado

30.5.07

Não tem tradução

Não sei vocês, mas tenho a impressão de que os imortais da Academia Brasileira de Letras não têm muita coisa pra fazer. Às vezes parece que o esforço para se eleger foi a última coisa que eles conseguiram realizar. Posso estar errada, mas às vezes acho que eles publicam livros de menos depois que são eleitos.
(H. outro dia foi almoçar no restaurante da ABL e reparou numa coisa interessantíssima: o cardápio, além de ter vários estrangeirismos, tem citações do... Pablo Neruda!)
Bom, enfim, eu tenho uma tarefa para o pessoal da ABL. O assunto é corriqueiro, vive em pauta, e eu mesma neste blogue já fiz referência a ele aqui e, mais recentemente, aqui. São as palavras que faltam na língua portuguesa. Mas no meu caso, penso numa coisa mais urgente, numa utilidade muito prática, que serviria para facilitar as traduções dos muitos, muitos, muitos livros de língua inglesa que consumimos.
Em outras palavras, senhores acadêmicos, vamos pensar em vocábulos específicos para:
to nod - porque não é mais possível tanto "acenou com a cabeça", "respondeu afirmativamente com a cabeça", "disse que sim com um gesto" etc.
whatever, wherever, whoever - essas construções inglesas são realmente geniais. Mas ficam uma droga quando traduzidas por "o que quer que seja que ele tenha dito", ou "onde quer que ele tenha passado", ou "disse para quem quer que estivesse ao seu lado". Péssimo, péssimo.
to afford - uma noção tão básica nesses tempos do consumo e endividamento, e nós nos quedamos aqui com locuções gigantes como "conseguir arcar com os gastos/custos".

27.5.07

Entendendo direito

Leitura útil para quem não quer escrever bobagem.

Miguxês

E eu que não sabia que já era um idioma tão desenvolvido.

http://aurelio.net/web/miguxeitor.html

Meu Deus, as pessoas...!

25.5.07

As voltas que o mundo dá


As voltas - 1

Se você leu o o título do post abaixo e por acaso pensou que era sobre Dostoievski, mil perdões. Na verdade, eu quando pensei em ter um blogue achei que ia escrever muito mais sobre Dostoievski do que sobre o metrô. Mas as coisas não aconteceram assim.




As voltas - 2

E agora eis que eu, a não-analisada, a moça da terapia zero, a que inventou o nome de anna v. como uma brincadeira com a Anna O. do Freud (que na verdade se chamava Bertha), não mais que de repente estou envolvidíssima com trabalhos de... Freud! E o que é melhor, trabalhos maneiríssimos e muito empolgantes. Então em breve saberei tudo sobre o assunto e farei outro blogue, Terapia 100%, só para assuntos psi. (Já descobri, por exemplo, que a filha dele se chamava... Anna Freud! E que outra paciente famosa era Anna von Lieben, olha que nome lindo, lieben, o verbo amar, Anna de Amar...)

Notas do subterrâneo


Uma das coisas mais legais de ter me mudado para Botafogo foi o fato de poder usar o metrô como meio de transporte. Hoje em dia ando muito de metrô, porque acho que nas grandes metrópoles só funcionam transportes sobre trilhos ou sobre duas rodas. Então ando pra cima e pra baixo de metrô. O que não me transforma numa feliz usuária do Metrô Rio, em absoluto. Se não vejamos.

Um bilhete de metrô custa R$ 2,30. É bem caro. O bilhete de duas viagens custa R$ 4,60. E o múltiplo de dez viagens custa... R$ 23,00! Não é genial? Não há absolutamente nenhum incentivo financeiro para você gastar mais e comprar mais viagens de uma vez. Compre dez e pague dez. Um fenômeno. Quem pega 2 metrôs por dia, todo dia útil, gasta R$ 92 por mês. E tanto faz se comprar 40 unitários, 20 duplos ou 4 múltiplos. Não entro nem no mérito dos passes diários, semanais ou mensais, como em qualquer cidade do mundo, porque sei que isso só seria bom para os usuários, e não para aqueles ganham dinheiro com o transporte público do Rio de Janeiro, então não sejamos utópicos.

Isso me irrita.

De uns tempos para cá, o Metrô Rio resolveu oferecer uns ônibus que ligam algumas estações a bairros que não têm metrô. Salta-se por exemplo em Copacabana e pega-se, sem pagar mais por isso, um ônibus que vai para Ipanema, Leblon e Gávea. Ou outro que vai até a Barra. Legal. O problema é que o Metrô considera que essas são estações do metrô. E no mapinha das linhas, inclui todos esses lugares, como estações do "Metrô na superfície". Ora, mas que cara de pau. Metrô na superfície é trem. Metrô é, necessariamente, sobre trilhos. E, idealmente, subterrâneo. Não por acaso em Nova York se chama Subway. Em Londres, Underground. Em Buenos Aires, Subte. A imensa vantagem do metrô é que ele não depende do trânsito. Se chove e a cidade alaga, se tem um mega engavetamento, se vira um caminhão de detergente na Ponte Rio-Niterói, como aconteceu essa semana, não faz diferença para quem anda de metrô. A menos que você esteja no "metrô na superfície", porque aí você vai ficar parado no trânsito como qualquer um.

E o que é ainda pior: para pegar o metrô na superfície você precisa de um bilhete especial, chamado "integração". O bilhete normal não vale. E mais incrível ainda: cada ônibus-metrô-na-superfície tem o seu bilhete-integração particular! Ou seja, se você compra um integração para a Gávea, só pode andar no ônibus da Gávea, e não no que vai para a Rodoviária, por exemplo. Ou se por acaso você vai para a Urca mas não sabia que podia pegar o integração para lá e só descobre quando já está dentro do trem, azar o seu, porque o seu bilhete normal não vai servir.

Isso me irrita tanto.

Mas acabo relevando tudo quando preciso ir da estação Botafogo à estação Uruguaiana e levo, quando muito, dez minutos. Isso quase não tem preço.

19.5.07

O Problema

O problema é que peguei um freela chato demais. E "demais" com aquele sentido de impossibilidade. Não é "muito" chato. É chato "demais". Porque está quase impossível terminá-lo. Vejam, eu às vezes me sinto muito otária. Pego uns trabalhos que são assim. Alguém recebe uma boa grana para fazer uma coisa. E faz muito, mas muito mal. Mas recebe tudo o que combinou. Aí eu sou contratada para consertar a merda que a pessoa fez. Só que recebo um quarto do que ele ou ela recebeu. E às vezes é tão ruim que bate um desespero. Mas ao mesmo tempo essas porras de éticas protestantes do trabalho não me permitem chegar para quem me contratou e falar: ó, amigo, num dá não, tô devolvendo esta bodega, se fode aí. Então fico lutando contra o freela. Quero me livrar logo, mas não consigo. Passo 40 minutos debruçada sobre o material. Aí faço um pausa. De 90 minutos. Volto e trabalho mais 30. Aí venho para a internet. Até no Youtube, que não sou muito chegada, estou entrando para ver qualquer merda. Até - o auge - no supermercado eu resolvi ir na terça à tarde, para fazer "uma pausa" desse trabalho dos infernos. Entenderam o drama? Ir ao supermercado me pareceu mais legal do que continuar naquela lenga-lenga. Meu prazo é até o fim de maio. Faltam menos de 70 páginas. Faltam ainda mais de 60 páginas. Rezem por mim.

15.5.07

Chopp, bière à la pression, imperial...

Queria fazer muitos outros posts sobre a viagem à Europa. Mas sabe como é, o tempo vai passando e a coisa vai ficando para trás. Um dos posts planejados era, claro, sobre comida e bebida. Então agora que descobri este blog sensacional de 3 meninas que resolveram tomar mil chopes antes de o Romário fazer mil gols (hahaha, como é que ninguém tinha pensado nisso antes?!), encontrei o pretexto ideal não para escrever, mas pelo menos para postar algumas fotos de cervejas. Não são muitas porque afinal este é um blogue anônimo e só entram fotos sem pessoas. Mas enfim, a boa dica em Paris é a cervejaria belga Le Trappiste, na rue Saint-Denis, perto do Sena e da estação de metrô Chatelet (reparem o desenhozinho do frade que é a capa do cardápio). Como tudo em Paris, é caro pra caramba, mas, como diz L., "quem converte não se diverte", grande lema para viagens à Europa. Já em Lisboa, imperdível é a Cervejaria Trindade, no Bairro Alto (Rua Nova da Trindade, 20), para tomar uma imperial (que é como eles chamam o chope) e um Bacalhau à Trindade (de cair o queixo até para aqueles que, como eu, não são loucos por bacalhau). No nosso caso, a gente pegou o avião em Paris e saltou em Lisboa na hora do almoço, e caímos direto na Trindade. E é nessas horas que você percebe como tudo é relativo, porque Paris é ótimo... até a hora em que você chega a Lisboa, que na comparação ganha de lavada.

Vê um livro, faz favor


Um instante de profundo pânico me domina quando ele, indo para o aeroporto, atrasadíssimo, fechando a mala, o táxi já esperando lá embaixo havia dez minutos, a meio caminho da porta, me diz: "Escolhe um livro aí para eu ler na viagem".
O quê??? Escolher um livro? Que você vá gostar? Em meio segundo? Mas se escolher um livro, pra mim ou para quem quer que seja, é uma atividade linda, prazerosa, mas especialmente lenta e contemplativa...
Minha cara olhando para a estante deve ter sido de um desespero tão grande que ele mesmo sugeriu: um Simenon, um Simenon!
Tensa, trêmula, peguei dois livros de casos do comissário Maigret, um vício que eu passei para ele nos últimos anos. Ótimo, obrigado, beijo, tchau.

Sei lá por que eu sou assim...

(A imagem acima, muito bacana, é a capa do livro "The Book on the Bookshelf". O capista é Chip Kidd.)

12.5.07

Minha história papal

Tenho uma história de Papa para contar. Não com esse Papa alemão, que é um impostor, mas o outro, o "verdadeiro" Papa. (Descobri que para todo mundo na faixa dos 30 não há diferenciação entre a figura de João Paulo II e o cargo. Ele foi "o" Papa das nossas vidas.)
Em 1997 o Papa veio ao Brasil, e esteve no Rio. Um compositor catalão (!) escreveu uma peça musical para sinos (!!) para ser executada durante a missa do Papa, por várias igrejas, simultaneamente (!!!). Não sei muito bem como fui parar nessa bocada. Acho que porque estava na faculdade de música, sei lá. Sei que fui escalada para badalar na igreja das Carmelitas, no Centro do Rio (mais famosa pelo Bloco das Carmelitas, que sai na sexta de Carnaval). Vejam bem, cada sino tinha uma equipe, um coordenador, um cronometrista, e um para puxar a corda e fazer o sino tocar. Algumas igrejas têm mais de um sino, dá pra imaginar a bagunça. Eu sei que a peça tinha uma partitura totalmente abstrata e incompreensível. E que havia cronômetros e walkie-talkies envolvidos na produção. Teve ensaio e tudo, na semana anterior.
Lembro de chegar na igreja para ensaiar. Lá é um convento também, e tem umas carmelitas que não saem de lá, são confinadas. Eu nunca sei bem como me portar nessas ocasiões, como dizer, eclesiásticas. Não sei o que esperar de religiosos profissionais. Será que são simpáticos e bonachões, tipo Frei Tuck? Ou sinistros, tipo Ratzinger? Podemos fazer uma brincadeira, um comentário espirituoso? E o controle do linguajar? Não dá para deixar escapulir um "mas que inferno!", de toda forma. Não, não, isso não é pra mim...
Bom, mas a peça. É claro que na hora nada deu certo, as coisas não funcionaram e era completamente impossível ouvir o "conjunto da obra", por assim dizer. Mas teve um cachê legal e, olhaí, dez anos depois rendeu até um pôsti.