7.6.07

Cristo by night

Não, eu não sou entusiasta da eleição do Cristo Redentor para nova maravilha da humanidade. Considero essa campanha mais uma do rol de babaquices que assolam periodicamente o planeta, e o Brasil em particular. Não é que me incomode, as pessoas curtem, tudo bem, mas não me peçam votos. (E, numa boa, Alhambra, o Taj Mahal e a Acrópole são muito mais "maravilhosos".)

Mas a questão é que, olhando de algumas ruas daqui de Botafogo, a gente vê o Cristo bem de frente. E certas noites, quando o céu está exatamente do mesmo tom de preto que a montanha, parece que a estátua está flutuando no ar. E aí, não tem jeito. É bonito pra cacete.

Foto de Roberto via Flickr

6.6.07

Ninguém mora na rua Marques Rebelo

Há pouco tempo saiu uma matéria de capa no Prosa&Verso d'O Globo sobre o centenário do Marques Rebelo. Na verdade, a matéria dizia que a grande notícia era o fato de que nada estava sendo feito para comemorar o centenário deste autor. Eu, que sou fã do Rebelo (e que de quebra gosto de matérias sem muito gancho), adorei. Concordo com o teor geral da reportagem, que dizia que, um pouco inexplicavelmente, depois que morreu, Marques Rebelo caiu numa espécie de limbo. Poucos são os que conhecem a sua obra, ele que foi um grande retratista do Rio de Janeiro da primeira metade do século passado e que, em vida, era incensado por outros escritores. Apenas A Estrela Sobe segue modestamente conhecido, adotado em alguns vestibulares. Na verdade ele tem vários livros disponíveis, simplesmente ninguém o conhece.

Bom. Hoje fui a pé da Glória para a Lapa, por um caminho que nunca tinha feito antes. Andando pela Rua da Lapa, vi uma pequena transversal, a Rua Marques Rebelo. É mínima, tem apenas um quarteirão. E o que é mais triste, de um lado é a parede lateral de uma igreja, e de outro, as laterais de dois prédios antigos e grandes. Tem até umas portas e janelas, mas as entradas principais ficam todas ou na Rua da Lapa ou na Moraes e Vale, paralela. Donde se conclui que, desoladamente, ninguém tem um endereço "Rua Marques Rebelo, número tal".

5.6.07

Um giro pelo mundo do grande capital


E eu, crente que estava abafando, contando para a minha mãe que na véspera eu tinha ido a uma festa no Copacabana Palace, e que tudo era muito isso e muito aquilo, me achando chique no último e talz, e ela me diz simplesmente que: na mesma noite, ela tinha ido a uma festa de casamento na Confeitaria Colombo do Centro (que, vejam aí no link, tem mais de cem anos) em que a noiva simplesmente tinha chegado de carruagem puxada por cavalos brancos.

(Parênteses para explicar que a Colombo fica na rua Gonçalves Dias, que é na parte antiga do Centro do Rio, portanto uma rua estreitinha e, se não me engano, de paralelepípedos. Eu não consigo nem começar a imaginar o tamanho do transtorno de fechar a rua para passar uma carruagem.)

Sim, ela viu a chegada da noiva de um telão que tinha lá dentro. E nesse mesmo telão tinha aqueles filmes com historinha da vida do casal. E lá pelas tantas, depois do filminho, anunciou-se que no convite do casamento (que era na verdade um livrinho) havia uma mensagem cifrada, que poderia ser decifrada com as informações obtidas no filminho. E que a primeira pessoa que descobrisse a mensagem... ganhava uma passagem com acompanhante para Paris.

Seu motorista (ou seu cocheiro, mais apropriado), por favor pare, que eu quero descer.

31.5.07

Frase da semana

É uma sacanagem os homens não engravidarem. Nunca podemos fazer como as mulheres e decidir "Bom, agora eu quero ser protagonista de um filme surrealista"!

E., visivelmente consternado

30.5.07

Não tem tradução

Não sei vocês, mas tenho a impressão de que os imortais da Academia Brasileira de Letras não têm muita coisa pra fazer. Às vezes parece que o esforço para se eleger foi a última coisa que eles conseguiram realizar. Posso estar errada, mas às vezes acho que eles publicam livros de menos depois que são eleitos.
(H. outro dia foi almoçar no restaurante da ABL e reparou numa coisa interessantíssima: o cardápio, além de ter vários estrangeirismos, tem citações do... Pablo Neruda!)
Bom, enfim, eu tenho uma tarefa para o pessoal da ABL. O assunto é corriqueiro, vive em pauta, e eu mesma neste blogue já fiz referência a ele aqui e, mais recentemente, aqui. São as palavras que faltam na língua portuguesa. Mas no meu caso, penso numa coisa mais urgente, numa utilidade muito prática, que serviria para facilitar as traduções dos muitos, muitos, muitos livros de língua inglesa que consumimos.
Em outras palavras, senhores acadêmicos, vamos pensar em vocábulos específicos para:
to nod - porque não é mais possível tanto "acenou com a cabeça", "respondeu afirmativamente com a cabeça", "disse que sim com um gesto" etc.
whatever, wherever, whoever - essas construções inglesas são realmente geniais. Mas ficam uma droga quando traduzidas por "o que quer que seja que ele tenha dito", ou "onde quer que ele tenha passado", ou "disse para quem quer que estivesse ao seu lado". Péssimo, péssimo.
to afford - uma noção tão básica nesses tempos do consumo e endividamento, e nós nos quedamos aqui com locuções gigantes como "conseguir arcar com os gastos/custos".

27.5.07

Entendendo direito

Leitura útil para quem não quer escrever bobagem.

Miguxês

E eu que não sabia que já era um idioma tão desenvolvido.

http://aurelio.net/web/miguxeitor.html

Meu Deus, as pessoas...!

25.5.07

As voltas que o mundo dá


As voltas - 1

Se você leu o o título do post abaixo e por acaso pensou que era sobre Dostoievski, mil perdões. Na verdade, eu quando pensei em ter um blogue achei que ia escrever muito mais sobre Dostoievski do que sobre o metrô. Mas as coisas não aconteceram assim.




As voltas - 2

E agora eis que eu, a não-analisada, a moça da terapia zero, a que inventou o nome de anna v. como uma brincadeira com a Anna O. do Freud (que na verdade se chamava Bertha), não mais que de repente estou envolvidíssima com trabalhos de... Freud! E o que é melhor, trabalhos maneiríssimos e muito empolgantes. Então em breve saberei tudo sobre o assunto e farei outro blogue, Terapia 100%, só para assuntos psi. (Já descobri, por exemplo, que a filha dele se chamava... Anna Freud! E que outra paciente famosa era Anna von Lieben, olha que nome lindo, lieben, o verbo amar, Anna de Amar...)

Notas do subterrâneo


Uma das coisas mais legais de ter me mudado para Botafogo foi o fato de poder usar o metrô como meio de transporte. Hoje em dia ando muito de metrô, porque acho que nas grandes metrópoles só funcionam transportes sobre trilhos ou sobre duas rodas. Então ando pra cima e pra baixo de metrô. O que não me transforma numa feliz usuária do Metrô Rio, em absoluto. Se não vejamos.

Um bilhete de metrô custa R$ 2,30. É bem caro. O bilhete de duas viagens custa R$ 4,60. E o múltiplo de dez viagens custa... R$ 23,00! Não é genial? Não há absolutamente nenhum incentivo financeiro para você gastar mais e comprar mais viagens de uma vez. Compre dez e pague dez. Um fenômeno. Quem pega 2 metrôs por dia, todo dia útil, gasta R$ 92 por mês. E tanto faz se comprar 40 unitários, 20 duplos ou 4 múltiplos. Não entro nem no mérito dos passes diários, semanais ou mensais, como em qualquer cidade do mundo, porque sei que isso só seria bom para os usuários, e não para aqueles ganham dinheiro com o transporte público do Rio de Janeiro, então não sejamos utópicos.

Isso me irrita.

De uns tempos para cá, o Metrô Rio resolveu oferecer uns ônibus que ligam algumas estações a bairros que não têm metrô. Salta-se por exemplo em Copacabana e pega-se, sem pagar mais por isso, um ônibus que vai para Ipanema, Leblon e Gávea. Ou outro que vai até a Barra. Legal. O problema é que o Metrô considera que essas são estações do metrô. E no mapinha das linhas, inclui todos esses lugares, como estações do "Metrô na superfície". Ora, mas que cara de pau. Metrô na superfície é trem. Metrô é, necessariamente, sobre trilhos. E, idealmente, subterrâneo. Não por acaso em Nova York se chama Subway. Em Londres, Underground. Em Buenos Aires, Subte. A imensa vantagem do metrô é que ele não depende do trânsito. Se chove e a cidade alaga, se tem um mega engavetamento, se vira um caminhão de detergente na Ponte Rio-Niterói, como aconteceu essa semana, não faz diferença para quem anda de metrô. A menos que você esteja no "metrô na superfície", porque aí você vai ficar parado no trânsito como qualquer um.

E o que é ainda pior: para pegar o metrô na superfície você precisa de um bilhete especial, chamado "integração". O bilhete normal não vale. E mais incrível ainda: cada ônibus-metrô-na-superfície tem o seu bilhete-integração particular! Ou seja, se você compra um integração para a Gávea, só pode andar no ônibus da Gávea, e não no que vai para a Rodoviária, por exemplo. Ou se por acaso você vai para a Urca mas não sabia que podia pegar o integração para lá e só descobre quando já está dentro do trem, azar o seu, porque o seu bilhete normal não vai servir.

Isso me irrita tanto.

Mas acabo relevando tudo quando preciso ir da estação Botafogo à estação Uruguaiana e levo, quando muito, dez minutos. Isso quase não tem preço.

19.5.07

O Problema

O problema é que peguei um freela chato demais. E "demais" com aquele sentido de impossibilidade. Não é "muito" chato. É chato "demais". Porque está quase impossível terminá-lo. Vejam, eu às vezes me sinto muito otária. Pego uns trabalhos que são assim. Alguém recebe uma boa grana para fazer uma coisa. E faz muito, mas muito mal. Mas recebe tudo o que combinou. Aí eu sou contratada para consertar a merda que a pessoa fez. Só que recebo um quarto do que ele ou ela recebeu. E às vezes é tão ruim que bate um desespero. Mas ao mesmo tempo essas porras de éticas protestantes do trabalho não me permitem chegar para quem me contratou e falar: ó, amigo, num dá não, tô devolvendo esta bodega, se fode aí. Então fico lutando contra o freela. Quero me livrar logo, mas não consigo. Passo 40 minutos debruçada sobre o material. Aí faço um pausa. De 90 minutos. Volto e trabalho mais 30. Aí venho para a internet. Até no Youtube, que não sou muito chegada, estou entrando para ver qualquer merda. Até - o auge - no supermercado eu resolvi ir na terça à tarde, para fazer "uma pausa" desse trabalho dos infernos. Entenderam o drama? Ir ao supermercado me pareceu mais legal do que continuar naquela lenga-lenga. Meu prazo é até o fim de maio. Faltam menos de 70 páginas. Faltam ainda mais de 60 páginas. Rezem por mim.