Acontece com todas as grávidas. Ali entre o terceiro e o quinto mês de gestação, mais ou menos, seu corpo já mudou externamente. Mas você ainda não exibe aquela barriga redonda, obviamente com um bebê dentro, que as pessoas amam e acham linda por conta do Mito da Maternidade, que transforma as grávidas em semidivindades. Ainda não. Nesse período meio intermediário, você simplesmente embarangou: está mais gorda, perdeu a cintura, e seus peitos estão enormes. É o embarangamento sem glamour. As pessoas que não te conhecem tão bem mas te vêem com freqüência (seus vizinhos, por exemplo, o sorveteiro da esquina, o ascensorista) ainda não perceberam que você está grávida -- apenas acha que você "deu uma caída". Chegam a olhar para o seu marido com uma certa pena. As mulheres não comentam, mas a gente percebe um olhar de comiseração.
Eu no metrô faço a maior cena, uso umas batinhas que comprei e que realçam muito a barriga (até para quem não tem barriga), coloco a mão nas cadeiras (pose típica da grávida), mas até agora não tive nenhum sucesso. Nin-guém me cedeu o lugar.
Humpf.
12.7.07
4.7.07
A força do azar
P. foi gravar o Programa de Jô para divulgar o espetáculo que vai estrear em São Paulo, mas faria só o número musical do fim do programa, sem entrevista. Mas aí, o cara que seria entrevistado, para falar a respeito do livro que escreveu, sobre o azar (?) ficou preso no caos aéreo dos aeroportos, e não conseguiu embarcar, deixando para P. e o grupo o lugar da entrevista, que até já foi ao ar.
Esse livro deve ser bom mesmo.
Esse livro deve ser bom mesmo.
Ideias fixas:
superbobagens
2.7.07
30.6.07
A morte do NoMinimo

Foi a crônica da morte anunciada mesmo. Apesar dos avisos constrangidos aos leitores, com alguns meses de antecedência, nada pôde evitar o fim desse site, que foi, sem favor, um ponto alto do jornalismo brasileiro, pelo menos que eu pude acompanhar ao vivo. Nos tempos da internet, sem dúvida foi o melhor. Principalmente pela diversidade. Por abrigar uns malinhas como o Pedro Doria ou o Sergio Bermudes, outros que são bons apesar de a gente discordar quase sempre, como o Fiuza, outros para ler com o pé atrás, mas sempre interessantes, como o Kotscho, ou aqueles que davam mesmo prazer, como o Sergio Rodrigues, o Xico Sá ou a Carla Rodrigues.
Acompanho esse projeto desde o início, tempos de No. (no ponto), cunhada nº 2 trabalhou lá, ex-orientador da faculdade foi do primeiro time. A mim sempre chamou a atenção a pluralidade de assuntos, de colaboradores, de tom dos textos, mesmo de critério. Veio a crise, a redação diminuiu, virou NoMinimo - que de mínimo, vamos e venhamos, não tinha nada.
Eu caía sempre no NoMinimo naqueles momentos em que já ia desligar o computador mas ainda dava para espiar mais alguma coisinha, às vezes ler a primeira coisa interessante do dia...
O mais indignante e revoltante é saber que não há ninguém interessado em patrocinar um site de bons textos e boas idéias, com milhares de leitores fiéis, grandes consumidores potenciais, enquanto não falta quem despeje milhões (na verdade nossos milhões, meus e seus, via leis de incentivo) no Cirque de Soleil, na turnê do Blue Men Group ou na porra da Árvore de Natal da Lagoa (vocês sabiam que o floating monster do Loch Ness carioca é um projeto financiado pela Lei Rouanet? E que o patrocinador ainda tem a cara-de-pau de dizer que ela é "um presente da BradescoSeguros para você"?).
Ideias fixas:
atualidades
Veja.fr
Não, não é o site da Veja em francês.
É uma empresa que faz sapatos com algodão cru do Nordeste brasileiro e couro biológico da Amazônia.
Tipo assim:
Collection Veja Tauá Printemps Eté 2007
Situé au Nord du Brésil, Tauá est le village où vivent les petits producteurs de coton biologique avec lesquels Veja travaille. La collection Veja Tauá est en coton biologique et caoutchouc naturel d'Amazonie. Sans cuir.
Pontos de venda: na França, na Europa e no "Resto do Mundo". E nem adianta, o Brésil não está nem mesmo no Resto do Mundo.
Então tá, então.
É uma empresa que faz sapatos com algodão cru do Nordeste brasileiro e couro biológico da Amazônia.
Tipo assim:
Collection Veja Tauá Printemps Eté 2007
Situé au Nord du Brésil, Tauá est le village où vivent les petits producteurs de coton biologique avec lesquels Veja travaille. La collection Veja Tauá est en coton biologique et caoutchouc naturel d'Amazonie. Sans cuir.
Pontos de venda: na França, na Europa e no "Resto do Mundo". E nem adianta, o Brésil não está nem mesmo no Resto do Mundo.
Então tá, então.
Ideias fixas:
brasil
Terapia Um

E acabei esquecendo de comentar.
Este blogue completou um ano!
Junho de 2006, plena Copa do Mundo, marido viajando, eu com aquela necessidade de falar sobre cada jogo... pronto, aconteceu.
Cliquei no "Criar blog".
Tamos aí, 280 posts depois.
Tintim!
(Cultura inútil: quando estiver no Japão, ou com japoneses, nunca brinde dizendo "tintim". Tintim em japonês é piru, pau, bilau, pênis etc. Imagine a cena, você num país estranho e todos levantam o copo e sorrindo dizem: Piru! Piru!)
Ideias fixas:
blogue,
superbobagens
28.6.07
Atenção, antropólogos!
Deve significar alguma coisa, mas não sei bem o quê. Ajudem-me a descobrir.
O post abaixo, a tal "charada", teve, até o momento, 8 comentários: 4 de homens, 4 de mulheres. Os 4 homens disseram todos a mesma coisa: não tenho idéia. As 4 mulheres tiveram também um discurso único: você está grávida.
E é... Ponto pras meninas!
13 semanas agora, a previsão é para a 1ª semana de janeiro (o verão, o verão, o horror, o horror -- mesma coisa).
Mas ó, juro que (ao menos por enquanto) não vou me tornar uma pessoa monotemática!
Ideias fixas:
ligeiramente grávida,
querido diário
23.6.07
Charada blogosférica
É um pouco como mudar de time.
Deixo pra trás a companhia de gente da mais alta estirpe, Lu, Túlio, Balzaquiana, Manauara, Ticcia, Mary, Kellen, Ana Lucia, Rodrigo, Inegaki, Cam, Carrie, Adriano, Marcus, Alena, Idelber, Ferdi, Lord.
Entro em breve para outro time de ilustres, Biajoni, Ângela, Bela, Marina, Angélica, Tatiana, Jayme, Fridas, S., Franka, Meg, Milton, Dani, Alba, BethS, Pecus.
No meio de caminho, na jornada entre um grupo e outro, tenho as companhias luxuosas de Maria e Camilo.
Estou com a cabeça em 2008.
Ideias fixas:
querido diário
21.6.07
Cães vadios, poetas abandonados
Hoje passei de novo pela rua Marques Rebelo. De dia, pude ver melhor. Parei para prestar mais atenção. A rua é muito abandonada, paredes pichadas e -- acreditem -- três vira-latas eram as únicas almas que passavam por ali às duas da tarde de um dia quente de inverno carioca. Vou ver se ando mais com a câmera para tirar uma foto e postar.
Aí pensei que, em termos de literatura, estamos mal de homenagem em rua. Charme mesmo só a Vinicius de Moraes, em Ipanema, uma rua que todos da gerações dos meus pais pra cima continuam chamando de Montenegro com uma teimosia que eu diria pueril, como se para demonstrar "sou d'outro tempo".
Meu pilates é na rua Machado de Assis, ruazinha sem-graça toda vida, que liga a praia do Flamengo ao Largo do... Machado (que afinal ninguém sabe por que tem esse nome). A única coisa mais temática na Machado de Assis é um restaurante de comida a quilo chamado Iaiá Garcia. Pois sim, que espirituoso, não?
No Leblon tem a praça Antero de Quental, poeta português da turma do Eça de Queirós. Mas falando nele, cadê a rua Eça de Queirós? Logo ali, entre Olaria e a Penha!
Guimarães Rosa também merecia um destino um pouco melhor do que uma ruela ligando nada a lugar nenhum na praia da Barra.
O Parque Poeta Manoel Bandeira também é meio desprestigiado, lá na Ilha do Governador.
Drummond ganhou a estátua na praia e olha lá. Espero que em Itabira seja nome de avenida.
Aí pensei que, em termos de literatura, estamos mal de homenagem em rua. Charme mesmo só a Vinicius de Moraes, em Ipanema, uma rua que todos da gerações dos meus pais pra cima continuam chamando de Montenegro com uma teimosia que eu diria pueril, como se para demonstrar "sou d'outro tempo".
Meu pilates é na rua Machado de Assis, ruazinha sem-graça toda vida, que liga a praia do Flamengo ao Largo do... Machado (que afinal ninguém sabe por que tem esse nome). A única coisa mais temática na Machado de Assis é um restaurante de comida a quilo chamado Iaiá Garcia. Pois sim, que espirituoso, não?
No Leblon tem a praça Antero de Quental, poeta português da turma do Eça de Queirós. Mas falando nele, cadê a rua Eça de Queirós? Logo ali, entre Olaria e a Penha!
Guimarães Rosa também merecia um destino um pouco melhor do que uma ruela ligando nada a lugar nenhum na praia da Barra.
O Parque Poeta Manoel Bandeira também é meio desprestigiado, lá na Ilha do Governador.
Drummond ganhou a estátua na praia e olha lá. Espero que em Itabira seja nome de avenida.
Ideias fixas:
rio de janeiro
20.6.07
Nina
Eu tinha dez anos quando ela nasceu, e me lembro de ir à maternidade visitar. A mais nova de três irmãs, a mais velha quase da minha idade.
Lembro quando a família mudou para o Recife e eu fui visitá-los num carnaval. Eu tinha 12 ou 13 anos, lembro da casa enorme, de dois andares, em Jaboatão dos Guararapes, e de ver blocos em Olinda. Ela era pouco mais que um bebê.
Lembro da notícia e do pânico quando um dia a mãe chegou em casa e a viu, aos 3 ou 4 anos, boiando na piscina, virada para baixo. Mais alguns segundos e talvez não tivesse resistido.
Lembro da alegria quando voltaram a morar no Rio.
Lembro da tristeza quando os pais se separaram, e o pai foi morar em outro país. Ela, afinal, a que menos convívio teve com ele.
Lembro quando ela começou a fazer balé.
Lembro até mesmo de ir assistir a apresentações de final de ano em clubes e colégios, ela pequenininha, mas sempre num papel de destaque.
Lembro que a coisa do balé foi ficando séria, e aos 13, 14 anos, quando a maioria das meninas (como eu) sai para fazer outras coisas, ela continuou se dedicando à dança.
Lembro que aos 15 anos ela já dançava em teatros de verdade, não mais clubes e colégios. Não mais apresentações de fim de ano, e sim temporadas.
Lembro quando, aos 17, ela recebeu uma proposta e foi morar fora do Brasil. Para dançar.
Lembro que teve de terminar o segundo grau por correspondência.
Lembro da virada da dança clássica para a moderna, e de como ela ficou contente.
Lembro da alegria que foi quando ela entrou na melhor companhia de dança moderna do mundo.
Lembro que nas duas últimas viagens que fiz à Europa não consegui encontrá-la porque ela estava sempre em turnê, ensaiando, ou coisa que o valha.
Domingo fui vê-la dançar, no Teatro Municipal. Casa cheia, ingressos caríssimos.
Soube que ela estava mais nervosa por dançar aqui, onde conhece tanta gente, do que jamais ficou em Nova York, Londres, Paris ou Tóquio.
Eu já sabia que ela era tudo isso. Mas mesmo assim fiquei espantanda. Impressionada. Encantada. Como ela se tornou uma artista tão madura?
Esqueço. Que ela tem vinte anos.

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