22.7.07

História carioca

A Meg disse o que eu estava querendo dizer:

Eu queria fazer uns comentários inteligentes e sarcásticos sobre o acidente aéreo, a morte do ACM, as últimas declarações do Papa, e mais uma meia dúzia de coisinhas. Mas como não tem quase ninguém vindo aqui nas férias, me deu a maior preguiça.
Fica pra depois.
Ou não.

Aí então, em vez disso, conto essa história que ouvi na terça, o dia do desastre do avião. Teoricamente aconteceu com um conhecido de um amigo de uma amiga, mas mesmo que não tenha sido assim, se non e vero é tão trovatíssimo nesse teatro do absurdo que a gente vive, que vale o post.

O cara estava no ônibus. Chegou perto do seu ponto, levantou e puxou a cordinha, dando o sinal para saltar. Segundos depois, três caras anunciam aos berros:
-- Perdeu, perdeu, todo mundo quieto e passando a grana agora!
Sem se abalar, o cara, já em pé, cutuca um dos assaltantes:
-- Com licença, eu puxei a cordinha antes de vocês anunciarem o assalto, por isso tenho direito de descer agora.
Tomado pelo espanto, o assaltante considera a questão. Confabula e debate com os colegas. Enfim resolvem.
-- Tudo bem, tá certo mesmo, pode descer.
O cara desce. E quando pisa na calçada, ouve lá dentro do ônibus.
-- Bom, mas agora é sério, hein! acabou a brincadeira, todo mundo passando a grana, relógio, celular!

16.7.07

Virgínia Berlim

Eu simplesmente não acredito que o Biajoni esteve no Rio sábado para lançar seu novo livro, Virgínia Berlim, e eu só soube hoje. No Amarelinho, que idéia boa! Ah, como é grande o meu pesar.
Resta-me, então, comprar um exemplar de modo impessoal, pela internet, e ler.
Porque, na boa, já estou enchendo o saco da Bíblia da Gravidez que em emprestaram.

O dia em que fui ao Pan

O esgoto a céu aberto ao lado da Vila do Pan. Foto do site A Guerra dos Mundos


Não pude ver Brasil x Argentina ontem. Porque àquela hora, meus caros, eu estava no Pan.
Não, não fui às competições torcer pelo Brasil.
Estive na Vila Pan-Americana (localizada entre o fim do mundo e lugar nenhum) acompanhando um grupo do projeto cultural em que trabalho.
Que fiasco.
Primeiro, nos deram um trabalhão para preencher todos os cadastros de todo mundo que entraria na Vila. Segurança rigorosíssima! Nome completo (inclusive de solteira), CPF, RG (com data de emissão e órgão emissor), endereço, nome do pai, nome da mãe, cidade de nascimento, estado de nascimento, país de nascimento, cidade de residência permanente. Para os carros, além da placa era preciso dizer modelo, cor, ano, chassi e renavan (!!). Na hora é claro que nada disso funcionou. Entramos com crachás sem nome, de modo que poderíamos ser quaisquer pessoas, em qualquer número, que não faria nenhuma diferença. Os carros não puderam ficar lá, na última hora, cada um que se virasse para estacionar onde pudesse, ali no meio de deus-me-livre.
Lá dentro, o clima era de (des)organização de Rock In Rio: uns quiosques bonitinhos disfarçando a total falta de infra-estrutura. Saca banheiros químicos? Agora imagina um banheiro químico coletivo, um trailer químico. Sem água na pia (aquilo era pia? não! tipo um tanque) para lavar as mãos. Fui tentar o trailer masculino, que tinha água -- até demais, uma descarga disparou e ninguém consertou. Saca aquelas pocinhas de água parada no meio do chão de terra coberto de pedrinhas? Saca aquele clima que toda hora falta luz e algum sistema sai do ar? Assim é a "Zona Internacional" da Vila do Pan. O nome é perfeito: é uma zona mesmo, cheia de brasileiros, argentinos, uruguaios, chilenos, porto-riquenhos, mexicanos, canadenses, jamaicanos, americanos etc. Não é a parte residencial, claro, mas é bem ao lado, onde tem as bandeiras e tal.
Colocaram um telão gigantesco para a final da Copa América. Mas depois de montado, descobriram que não havia sinal (!) e o megatelão simplesmente não funcionou (!!). Resultado: uma aglomeração de gente se espremendo em frente ao estande dos Correios, onde havia um aparelho de TV pequeno e cheio de chuvisco (!!!). Mico total. E, claro, o show estava marcado para a hora do jogo, e não quiseram mudar, apesar dos nossos protestos. Naturalmente, não tinha quase ninguém assistindo. Preguiça, preguiça...
É preciso deixar claro que não tenho nenhuma simpatia por esse evento esportivo meia-bomba. Bom mesmo é Olimpíada, Copa do Mundo e talz. Ganhar na ginástica sem os chineses, as romenas e as ucranianas, convenhamos, até eu. Vôlei sem a Itália, sem a Rússia? Pfff.
Mas isso não seria o mais grave se não fosse o desavergonhamento do transtorno na cidade, dos 3 bilhões de investimento que de concreto vão deixar para o Rio um estádio, o Engenhão. Metrô até a Barra? Promessa. Parque aquático? Promessa. Trem bala? Promessa. Em vez disso, o fornecimento de alguns remédios pelos postos de atendimento da Prefeitura foi suspenso "até depois do Pan". Os táxis da cidade estão rodando com Bandeira 2 até o fim do Pan. Nas linhas Vermelha e Amarela uma faixa está separada para uso exclusivo do Pan, e quem por elas trafegar é multado. Danem-se os moradores da cidade que precisam passar por ali. Abram alas para as delegações.
Para saber mais: http://averdadedopan2007.blogspot.com/

A porra da idade

Meu arsenal


Eu gosto de Simone de Beauvoir. Não li os livros dela, mas li a respeito deles, e acho que ela foi uma mulher e tanto. Um dos livros de Simone se chama A Força da Idade, faz parte dos muitos livros de memórias que ela publicou.

Na atual conjuntura, tenho ganas de escrever um livro chamado A Porra da Idade. Todo dia me sinto uma astronauta em missão num planeta estranho, porque preciso cobrir cada centímetro do corpo com uma substância diferente. Nem um pedaço de pele pode ficar desprotegido. Sim, claro, estou me referindo aos cremes.

M. sempre diz que uma mulher a partir dos 30 anos tem duas obrigações básicas: prover o próprio sustento e passar hidratante. Minha situação hoje em dia faz com que eu passe um creme no rosto e pescoço (com filtro solar), outro creme nas pernas e pés, um creme especial na barriga e seios (Natura, linha "Mamãe e Bebê" -- aimeudeus!) para evitar estrias (yeah, right), um outro do Boticário "com tília e arnica" para as mãos e cotovelos, fora o creme leave-in para o cabelo. Antes de dormir, lavar o rosto com um outro creme limpante, passar uma loção da farmácia de manipulação, e às vezes, quando estou com saco, outro creminho para a região ao redor dos olhos.

E tudo isso por quê? Por causa da porra da idade. Porque claro, não adianta começar a prevenir aos 48, né?

12.7.07

Embarangamento sem glamour

Acontece com todas as grávidas. Ali entre o terceiro e o quinto mês de gestação, mais ou menos, seu corpo já mudou externamente. Mas você ainda não exibe aquela barriga redonda, obviamente com um bebê dentro, que as pessoas amam e acham linda por conta do Mito da Maternidade, que transforma as grávidas em semidivindades. Ainda não. Nesse período meio intermediário, você simplesmente embarangou: está mais gorda, perdeu a cintura, e seus peitos estão enormes. É o embarangamento sem glamour. As pessoas que não te conhecem tão bem mas te vêem com freqüência (seus vizinhos, por exemplo, o sorveteiro da esquina, o ascensorista) ainda não perceberam que você está grávida -- apenas acha que você "deu uma caída". Chegam a olhar para o seu marido com uma certa pena. As mulheres não comentam, mas a gente percebe um olhar de comiseração.
Eu no metrô faço a maior cena, uso umas batinhas que comprei e que realçam muito a barriga (até para quem não tem barriga), coloco a mão nas cadeiras (pose típica da grávida), mas até agora não tive nenhum sucesso. Nin-guém me cedeu o lugar.
Humpf.

4.7.07

A força do azar

P. foi gravar o Programa de Jô para divulgar o espetáculo que vai estrear em São Paulo, mas faria só o número musical do fim do programa, sem entrevista. Mas aí, o cara que seria entrevistado, para falar a respeito do livro que escreveu, sobre o azar (?) ficou preso no caos aéreo dos aeroportos, e não conseguiu embarcar, deixando para P. e o grupo o lugar da entrevista, que até já foi ao ar.
Esse livro deve ser bom mesmo.

2.7.07

Insider joke


E = Fb
Teoria da relatividade para músicos.

(Não é nova, mas é muito boa.)


30.6.07

A morte do NoMinimo


Editores, blogueiros, colunistas, funcionários, colaboradores assíduos ou ocasionais, enfim, todos os nomes abaixo relacionados que ajudaram a criar o site de jornalistas mais querido do Brasil comunicam sua morte súbita neste 29 de junho de 2007, vítima de inanição financeira decorrente do desinteresse quase geral de patrocinadores e anunciantes em sua sobrevida na web. NoMínimo deixa órfãos cerca de 150 mil assinantes entre os mais de 3 milhões de visitantes que, em média, se habituaram a passar por aqui todo mês nos últimos 5 anos. Seus realizadores também sentem muito o triste fim desse espaço livre, democrático e criativo de trabalho, mas se despedem com a sensação de dever cumprido com o jornalismo e a camaradagem que nos une. Foi bom, foi muito bom enquanto durou. Quantos no país têm a oportunidade de tocar seus próprios projetos com prazer, independência e alegria? Aos leitores, nossas desculpas pela falta de talento empreendedor, o que talvez pudesse transformar o site num bom negócio financeiro. Fica para a próxima. Até breve.

Foi a crônica da morte anunciada mesmo. Apesar dos avisos constrangidos aos leitores, com alguns meses de antecedência, nada pôde evitar o fim desse site, que foi, sem favor, um ponto alto do jornalismo brasileiro, pelo menos que eu pude acompanhar ao vivo. Nos tempos da internet, sem dúvida foi o melhor. Principalmente pela diversidade. Por abrigar uns malinhas como o Pedro Doria ou o Sergio Bermudes, outros que são bons apesar de a gente discordar quase sempre, como o Fiuza, outros para ler com o pé atrás, mas sempre interessantes, como o Kotscho, ou aqueles que davam mesmo prazer, como o Sergio Rodrigues, o Xico Sá ou a Carla Rodrigues.

Acompanho esse projeto desde o início, tempos de No. (no ponto), cunhada nº 2 trabalhou lá, ex-orientador da faculdade foi do primeiro time. A mim sempre chamou a atenção a pluralidade de assuntos, de colaboradores, de tom dos textos, mesmo de critério. Veio a crise, a redação diminuiu, virou NoMinimo - que de mínimo, vamos e venhamos, não tinha nada.

Eu caía sempre no NoMinimo naqueles momentos em que já ia desligar o computador mas ainda dava para espiar mais alguma coisinha, às vezes ler a primeira coisa interessante do dia...

O mais indignante e revoltante é saber que não há ninguém interessado em patrocinar um site de bons textos e boas idéias, com milhares de leitores fiéis, grandes consumidores potenciais, enquanto não falta quem despeje milhões (na verdade nossos milhões, meus e seus, via leis de incentivo) no Cirque de Soleil, na turnê do Blue Men Group ou na porra da Árvore de Natal da Lagoa (vocês sabiam que o floating monster do Loch Ness carioca é um projeto financiado pela Lei Rouanet? E que o patrocinador ainda tem a cara-de-pau de dizer que ela é "um presente da BradescoSeguros para você"?).

Veja.fr

Não, não é o site da Veja em francês.

É uma empresa que faz sapatos com algodão cru do Nordeste brasileiro e couro biológico da Amazônia.

Tipo assim:

Collection Veja Tauá Printemps Eté 2007

Situé au Nord du Brésil, Tauá est le village où vivent les petits producteurs de coton biologique avec lesquels Veja travaille. La collection Veja Tauá est en coton biologique et caoutchouc naturel d'Amazonie. Sans cuir.

Pontos de venda: na França, na Europa e no "Resto do Mundo". E nem adianta, o Brésil não está nem mesmo no Resto do Mundo.

Então tá, então.

Terapia Um


E acabei esquecendo de comentar.
Este blogue completou um ano!
Junho de 2006, plena Copa do Mundo, marido viajando, eu com aquela necessidade de falar sobre cada jogo... pronto, aconteceu.
Cliquei no "Criar blog".
Tamos aí, 280 posts depois.
Tintim!

(Cultura inútil: quando estiver no Japão, ou com japoneses, nunca brinde dizendo "tintim". Tintim em japonês é piru, pau, bilau, pênis etc. Imagine a cena, você num país estranho e todos levantam o copo e sorrindo dizem: Piru! Piru!)