27.9.07

Estabelecendo critérios

Todo mundo concorda que não existe post mais chato do que aquele do cara que fica se justificando porque está sem tempo de atualizar o blog?
Ótimo.

17.9.07

Bienal do Livro

Este ano não vai dar para ir. Olhando aqui no meu passaporte vi que meu visto da Funai expirou e estou impossibilitada de comparecer a programas de índio de qualquer espécie.
Peraí que vou guardar o cocar no armário.
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Update: foi o que eu quis dizer...
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11.9.07

11/09, o dia em que ouvi o discurso do comandante

Havana, setembro de 2001
Aproveitando o gancho do 11 de setembro.

M. acabou de voltar de uma viagem de trabalho a Teerã. Pois é, todo mundo fica hein? Teerã? Mas é isso mesmo, Teerã, Pérsia, Irã.
Aí ele contou a seguinte historinha: que Maomé, o profeta, tinha três esposas, porque era o que a lei permitia. Mas aí uma delas morreu, e ele quis casar de novo, para repor a falecida. Mas era proibido. Então ele disse que teve uma visão segundo a qual cada homem podia na verdade ter quatro, e não três esposas. Uma visão? Sei. E aí está, provavelmente, a origem do tapetão. Persa.

E só pra constar: em 11/09/01 eu estava em Havana. E passei a manhã num museu de belas artes, e à tarde fui a um lugar de dançar salsa, que só funcionava assim, à tarde, e que nem tinha turistas, era todo mundo cubano. E dancei muito mesmo. Na hora quase da saída (tipo 8 da noite), me falaram que tinha tido um atentado terrorista em Nova York. Eu disse "puxa", mas claro que não dava para ter a dimensão da coisa. Então fui para a casa onde estava hospedada tomar banho e me arrumar porque à noite tinha uma festa (mais salsa). Mas antes de entrar no banho eu vi na TV o discurso do Fidel Castro sobre os atentados. Peguei no meio, já tinha algumas horas. Mas fiquei sentada na cama, enrolada na toalha, hipnotizada pela fala dele. Eu queria tomar banho, mas não conseguia sair da frente da TV. Impressionante. Mesmo. E depois, de madrugada, depois da festa, no táxi de volta, o rádio do carro transmitia, claro, a reprise do discurso. Perguntei para o taxista quais eram as novidades, se já sabiam quantos mortos etc. Mas ele fez "shhh" e disse: "agora ele vai falar sobre como o povo cubano é solidário ao povo americano neste momento". E bingo, ele falou exatamente isso. Fiquei achando que o discurso vinha sendo repetido em loop na rádio, e que o taxista tinha meio que decorado tudo. Mundo bizarro.
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Angústias gestacionais

Porque a gravidez não é feita só de coisas maneiras.


Tarsila do Amaral, "O Sono", 1928.

Angústia 1: Sono.

Já estou tendo que puxar pela memória a lembrança de uma noite super bem dormida. Não é simples em um par de meses colocar pra escanteio o hábito adquirido da vida inteira que é dormir de bruços. De barriga pra cima também não consigo, então tem que ser de lado mesmo. Aí acordo de madrugada para fazer xixi, e cadê que pego no sono de novo? Difícil, viu? O mais triste é que dormir sempre esteve entre as minhas atividades preferidas. Tenho vontade de socar aquelas pessoas que dizem que dormir é uma perda de tempo. Sempre senti imenso prazer em dormir, sou daquelas que dormem fácil até o meio-dia, e durmo também em qualquer meio de transporte, em questão de minutos. Quando estava na faculdade, tinha que descer do ônibus no último ponto antes do Aterro. Haha, várias vezes dormi no ponto, acordei no meio do Aterro e tive que descer no aeroporto Santos Dumont pra pegar um ônibus de volta - e adeus primeira aula. Agora, ruim mesmo é pensar que isso não tem data pra acabar.

Parque do Flamengo. Foto daqui.

Angústia 2: Sábado

Sábado, no meio do feriado, acordamos tarde, tomamos café tarde, e tínhamos os dois, como sempre, coisas de trabalho a fazer, mas nenhum saco para tal. Como estava um dia radiante, daqueles que só o inverno/primavera do Rio pode apresentar, nenhuma nuvem no céu ridiculamente azul, fomos caminhar no Aterro. E aquele parque do Flamengo é simplesmente uma coisa divina, os turistas que vêm ao Rio normalmente não visitam, preferem ser assaltados ou achacados naquela esculhambação que é a subida pro Corcovado, mas ó, dica mesmo é caminhar no Parque do Flamengo, uma jóia de paisagismo by Burle Marx que devemos à Lota Macedo Soares, socialite, namorada da poetisa americana Elisabeth Bishop e amiga do Carlos Lacerda. Dizem que quando o Lacerda estava fazendo o Aterro (pistas expressas ligando a Zona Sul ao Centro), ela mandou na lata: "Deixe na minha mão que eu vou fazer daquilo um Central Park no Rio". Então obrigada, Lota, porque aquilo é chique no último, as árvores não se repetem, são diferentes umas das outras, e é uma quantidade de pássaros e bichos, e é tanto verde, e tanto azul da Baía de Guanabara, com os pontinhos brancos das velas dos barcos, que eu fico meio sem ar. Então andamos e andamos, e acabamos resolvendo almoçar no Centro, num boteco/restaurante português incrível, e ficamos lá um tempão, nas mesinhas improvisadas no meio da rua do Ouvidor, perto da Praça XV, na calmaria do Centro no feriado, batendo papo, lendo e tomando chope com batatas portuguesas, até pegar o metrô de volta pra casa. Então um sábado assim, sem preocupações, quando de novo?


Angústia 3: Umbigo

Quando será que a maneira mais fácil de eu mesma ver o meu umbigo vai voltar a ser olhando de cima pra baixo, e não pelo espelho?

10.9.07

Obituário


A morte do Pavarotti me fez perceber que já não me é mais possível acompanhar o balanço entre mortos e vivos nesse mundo tão superpovoado de celebridades. Se, na semana passada, me perguntassem se o Pavarotti estava vivo ou morto, teria que chutar. Da mesma forma como não tenho certeza se os outros dois tenores da famosa trinca, Carreras e Domingo, já morreram ou não. E a Montserrat Caballé, será que já foi ou ainda não? Não sei. E nem preciso ir longe, ao mundo da ópera internacional. Esses atores velhinhos, Gianfrancesco Guarnieri, Claudio Correa e Castro, Nair Bello, já morreram? O Raul Cortez, que nem era assim muito velho, eu sei que morreu. E o Paulo Autran, velhíssimo, continua na ativa, assim como a Tônia Carrero, do alto dos seus 125 anos, ou por aí.

Houve uma época em que eu trabalhei num site de música, como jornalista. Eram bons, ótimos tempos, e eu era mais ou menos setorista de MPB, samba, choro, música instrumental brasileira. E aí quando aparecia um intervalo, uma folga, um dia menos puxado, lá ia eu fazer obituários. Acho que todo jornalista já passou por isso. Significa fazer a matéria grande que é publicada quando algum famoso morre. Só que, é claro, você tem que fazer antes dele morrer, senão não dá tempo. Aí sempre começa mais ou menos assim, "Morreu esta manhã/hoje à tarde/ontem o cantor/compositor/instrumentista Fulano de Tal, autor/intérprete de clássicos como Tal e Qual. Fulano, X anos, [causa da morte]." E em seguida vinha efetivamente o trabalho de pesquisa. Em geral eu pegava, claro, os mais velhinhos. Fiz do Braguinha, que só foi morrer há bem pouco tempo. Fiz do Dorival Caymmi, que ainda está vivo (né???). Fiz até do João Gilberto, porque nunca se sabe nada sobre ele, vai que está doentíssimo? Fiz do Baden Powell na época que ele entrava e saía do hospital e, aleluia, esse foi usado. Mas, claro, a maior parte das mortes te pega de surpresa. Lembro que morreu o Luiz Bonfá, o-autor-de-Manhã-de-Carnaval, de repente, e não tinha nenhum material sobre ele. Mas isso não é o pior, material a gente arruma fácil. O pior mesmo é fazer a "repercussão": ligar para pessoas para pegar depoimentos. Isso é muito chato, porque na metade das ligações você acaba dando a notícia da morte para a pessoa, que fica então emocionalmente abalada e não consegue dar nenhum depoimento decente. É aquele constrangimento, você no telefone esperando por uma boa frase, ao menos uma, e a pessoa chorando do outro lado da linha. Nessa época também houve o acidente do Herbert Vianna. Por sorte havia outro jornalista que era o setorista de rock brasileiro, mas numa tragédia dessas, todo mundo tem que unir esforços. E aí o Herbert ficou muito mal, morre-não-morre, notícias desencontradas, e enquanto a coisa não se define você não pode, é claro, ligar para ninguém para pegar depoimentos. Eu também fui ao velório da Maria Rita, mulher do Roberto Carlos, evento que está na minha lista de top 5 coisas mais chatas que eu já fiz na vida. (Mas nessa época nem foi pro site de música, foi pra outro veículo de comunicação.)
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6.9.07

Pedagogia da chinelada

Marido e eu costumávamos ver, de quando em vez, o programa da SuperNanny na TV, morrendo de rir das crianças absolutamente descontroladas e tirânicas perante os pais inertes e bananas. De uns tempos pra cá, é claro, nossa percepção sobre o programa e sobre as atitudes dos pais mudou um bocado.
Então quero saber: Você acha que palmada educa? Uma surra de vez em quando é necessária? Castigo é mais eficiente?
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1.9.07

Renanzinho

Ontem nasceu o filho de um casal de amigos. Mandaram e-mail com a notícia, e o link da maternidade, para vermos a foto do bebê. Não sei se vocês já foram a esses sites das maternidades. Eles têm a relação dos nomes dos bebês (ao lado dos nomes dos pais) nascidos naquele dia, você clica e vê a foto.

Não deixa de ser curioso ver os nomes da moda. Na relação de ontem estavam:

Meninas: Amanda, Gabriela, Giovana, Joana, Luiza, Maria Eduarda, Maria Eduarda (de novo), Maria Julia, Maria Julia (de novo), Milena, Olivia, Rafaella.

Meninos: Antonio Pedro, Heron, Ian, Marcus Vinicius, Pedro Henrique, Renan.

Renan!!! Agora eu queria entender como é que, na atual conjuntura, alguém batiza o filho de Renan! Posso até imaginar que os pais escolheram esse nome há muito tempo, que seja uma homenagem a alguém da família, e tal, mas diante das últimas notícias, de todo esse escândalo, era pra ter mudado de idéia correndo, não?

(Observação: parece que a última tendência para nome de homem é: nome composto, ou nome terminado em "n". Que coisa.)
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29.8.07

Lição do dia


A amendoeira da foto fica bem em frente ao meu prédio, ao meu quarto, à minha janela. Ela é linda e majestosa, sua copa imensa funciona como um guarda-chuva e como um guarda-sol, ajuda muito a manter uma temperatura agradável na minha casa. Além disso, vive cheia de passarinhos de todo tipo, que dão um tom bucólico a este canto de Botafogo.

Anteontem vi os avisos, na rua e aqui no prédio, sobre a retirada da amendoeira. Provavelmente porque a calçada aqui é muito estreita e as raízes dela já destruíram boa parte da calçada, ameaçando o meu prédio e o prédio ao lado.

Fiquei tão triste, mas tão triste, que não conseguia parar de chorar. Marido chegou em casa mais tarde e ficou muito impressionado. Eu nem quis jantar nem nada. Chorei pela morte da amendoeira, pela falta que a sombra dela vai me fazer, pelo fato de que Mathilde não vai chegar a conhecer a amendoeira.

A lição do dia é: nunca subestime o poder dos hormônios numa gestante.

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Mathilde

Minha filha já tem nome. Ele é curto e simples, do tipo que todo mundo entende, e nem pode ter dúvida de grafia. Meus dois sobrenomes são bem portugueses, os do meu marido também. E daí? Daí que quando a gente fala o nome dela inteiro, não há quem não diga que é um nome de nobre. Portuguesa. Assim, Marquesa da Beira Alta, ou Duquesa de Beja. Se fosse homem, o primeiro nome seria igualmente português, e soaria como nome de donatário de capitania hereditária.
Mas enfim, esse aqui é um blogue anônimo, certo? E é um blogue que brinca com temáticas... freudianas (terapia zero, deitar no divã, Anna O.), baseado no fato de eu nunca ter feito análise nem terapia nenhuma na minha vida. E como sabem os que acompanham há mais tempo, por força das voltas que o mundo dá, acabei caindo de cabeça num trabalho justamente sobre Freud. E Freud teve seis filhos, três homens e três mulheres. A mais velha de todos se chamava Mathilde. E é assim, seguindo a temática do blogue, que eu vou identificar essa pequena, que ruma célere para a 22ª semana de gestação e já se mexe aqui dentro, que é uma beleza.
Então, vocês entenderam, aqui é Mathilde, mas não é Mathilde, ok?
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