
Como vocês podem perceber, desisti mesmo da alternativa ecológica...
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Como vocês podem perceber, desisti mesmo da alternativa ecológica...
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Não vou fazer a lista de coisas ainda por fazer porque... vou te contar. Não, a gente jamais estará preparada para tudo.
Semana passada almocei com T., sinônimo de papos longos e ótimos, sempre sobre assuntos os mais diversos, passando por livros, cinema, psicanálise, nossas vidas, e quase sempre terminando no assunto Flamengo.
Mas antes disso tudo ele me fez a pergunta, sem rodeios: o que você está aprendendo com a gravidez? Eu nunca tinha pensado nesses termos, mas a resposta veio automática e de chofre: Limites. Estou aprendendo a aceitar os novos limites que me surgem quase todos os dias. Porque somos educados (especialmente "educadas") para definirmos nossos próprios limites e fazemos nossas próprias opções, sem depender de ninguém. Quer largar a faculdade e fazer outra coisa? Pode. Quer enveredar pela carreira acadêmica? Pode. Quer largar o emprego e viajar pelo mundo? Pode. Quer treinar para daqui a um ano correr uma maratona? Pode. Quer escalar o Morro da Urca? Pode. Quer pular de pára-pente? Pode. Quer mudar de opção sexual? Pode. Quer fazer uma tatuagem? Pode. Quer casar? Separar? Pode. Basta ser capaz -- e, claro, basta arcar com as conseqüências.*
E agora já não. Quero andar até ali, e não posso. Se for sair na chuva, muito cuidado para não escorregar. Vai subir aqui? Dá a mão, deixa que eu ajudo. Vai subir na escada para pegar um livro na estante? Tá louca? Deixa que eu pego. Isso é muito pesado. Isso é muito grande. Isso é muito longe.
Sim, são todas limitações físicas, e as limitações que vêm depois que o filho nasce são de outra natureza -- e muita maiores. Mas essa relação de controle que achamos que temos com nosso corpo, e de repente perdemos, é um tremendo aperitivo para o que vem por aí. Então agora dependo das pessoas para coisas básicas, e o desafio é não achar que isso seja uma derrota. É lembrar que isso é temporário, plenamente justificável e, mais difícil, que eu devo até mesmo achar meios para sentir prazer com isso, aproveitar a mordomia, diriam alguns mais descansados.
E enquanto escrevia isso, li o que a Cam postou sobre a mesma coisa, e a vontade é de pegar um avião até Bras-ilha, abraçá-la e dizer que ela não está só. Mas, hélas, não posso mais pegar avião.
*Não, claro que não vivemos na sociedade perfeita e liberal, claro que somos socialmente constrangidos a muitos padrões de comportamento, claro que é restrição em cima de restrição interiorizada, et caetera. Comme même.
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