12.2.08

Feminina

Mathilde já tem um disco favorito.


Por causa, claro, dessa fofura de música:

http://www.goear.com/listen.php?v=23dd20e

Eu gosto muito. Mas bom mesmo é dançar com ela no colo, todo dia de manhã, ao som desse samba muito bom:

http://www.goear.com/listen.php?v=07452d0


Bom gosto :-)

A canção infantil em debate (II)

Uma breve análise sobre o cancioneiro que embala nossas crianças

Estudo de caso: O Cravo Brigou com a Rosa

O Cravo brigou com a Rosa
Debaixo de uma sacada
O Cravo ficou ferido
E a Rosa despedaçada

O Cravo ficou doente
A Rosa foi visitar
O Cravo teve um desmaio
A Rosa pôs-se a chorar

Um verdadeiro desafio interpretativo!
Podemos inferir que se trata de uma briga de casal, mas não apenas uma discussão conjugal, e sim uma disputa física envolvendo violência. Por que isso deve ser cantado às crianças permanece carente de explicação. Depois culpam os videogames!
A localização espacial "debaixo de uma sacada" não ajuda em nada a compreensão da trama. Qual a relevância desta informação, que não volta a aparecer em nenhum momento posterior? Por que eles estariam debaixo de uma sacada? Estariam eles plantados em um jardim sob a sacada? Protegiam-se de condições climáticas adversas? Escondiam-se? De quê? De quem? Teriam o Cravo e a Rosa um amor proibido? Seria uma referência à famosa "cena do balcão" de Romeu & Julieta? São muitas as perguntas sem resposta...
Na segunda estrofe ficamos sabendo das conseqüências da briga. O Cravo decerto apresentou seqüelas depois da briga, e apresenta-se "doente" (sem maiores detalhes). Já para a Rosa a única conseqüência foi a culpa pelo que fez. Na tentativa de expiá-la, vai fazer uma visita que se revela quase fatal para o Cravo, que, acometido de forte emoção, desmaia, provocando uma crise de remorso na Rosa.
E mais não sabemos, e a situação fica nesse pé, completamente mal resolvida.

A melodia ternária e anacrústica tem o mesmo padrão rítmico repetido em todas as frases, dando a impressão de círculo, o que nos remete a uma ciranda. É provável que tenha origem portuguesa, o que condiz ainda com expressões de caráter luso, tais como "teve um desmaio", "pôs-se a chorar", ou ainda a presença da sacada (localizar-se-ia a ação numa quinta, talvez?). E, claro, explicaria o completo ausência de sentido desta letra.

11.2.08

A canção infantil em debate (I)

Uma breve análise sobre o cancioneiro que embala nossas crianças
Estudo de caso: Boi da cara preta

Boi, boi, boi,
Boi da cara preta
Pega essa(e) menina(o)
Que tem medo de careta

A letra já indica que a canção vem de tempos imemoriais. Afinal, hoje em dia uma música dessas seria violentamente atacada pelos movimentos de, err, igualdade racial. Mas de fato o boi não precisava ser da cara preta. Só a imagem de uma cabeça bovina, seja branca, preta ou malhada, já é meio assustadora. (Talvez não para quem cresceu na fazenda, mas eu tenho medo de bois.) Escrevi "cabeça bovina", mas a escolha do termo "cara" parece dar um caráter ainda mais assustador. Como é a "cara" de um boi? Medo, medo.

O teor dessa canção é de puro terror. É uma ameça velada, e injusta. Porque medo de careta, convenhamos, todos nós temos. Qual o problema de ter medo de careta? Por que a pobre criança deve ser penalizada por ter medo de careta? Se fosse "pega essa menina que não quer dormir", "pega essa menina que está chorando", vá lá. Mas pegar a coitadinha porque ela tem medo de careta? O que nos leva a outra questão: quem estava fazendo careta para o bebê? Essa pessoa cruel e sem coração é que deveria ser pega pelo boi da cara preta.

A repetição da primeira nota em "Boi, boi, boi", numa região grave, acentua o caráter "bovino" da canção. A melodia é simples e funcional, em pequenos movimentos ascendentes e descendentes, que praticamente pedem a presença de uma segunda e até terceira voz harmonizando. Para pais e mães músicos. Ou então, chame os Swingle Singers ou o Take 6 para dar uma força.

9.2.08

Eleições num país estranho

Às vezes eu tenho a impressão de que a nossa imprensa dá mais atenção e dedica mais espaço às eleições americanas do que às brasileiras. Já tem um bom tempo que, na minha atual conjuntura caótica de leitura de jornais, me deparo com páginas e páginas sobre coisas estranhas, como primárias, delegados, superdelegados, super terça-feira, caucus etc.
Já desisti de tentar entender o sistema eleitoral americano. A cada quatro anos alguém me explica e eu até entendo, mas é tão complicado, tão cheio de regras loucas e nonsense, que quando vem a eleição seguinte eu já não me lembro mais direito.
E o pior é que, como os jornais e veículos de comunicação têm que ficar toda hora de certa forma explicando o que está acontecendo, praticamente não sobra tempo para falar sobre a plataforma e as propostas de cada candidato.
Ah, bom, mas enfim. Nas eleições americanas eu não voto.
Mas eu voto aqui. E fico muito, mas muito entristecida a cada vez que ouço mais uma vez alguém do governo dizendo que _________ (complete com o mais recente escândalo) já acontecia nos governos anteriores mas só agora está havendo transparência e divulgação dessas práticas. Como se isso fosse ótimo, uma grande notícia.
Como se eu não tivesse votado nesse governo duas vezes justamente para que o loteamento de cargos, os ministérios de porteira fechada, as mordomias parlamentares, os cartões corporativos, a proliferação de ministérios e secretarias, a nomeação de um zilhão de cargos de confiança etc. não acontecessem mais.

Que boba, eu.

8.2.08

O bolo

Da série: as coisas que a maternidade faz.
Mathilde completou um mês no domingo de carnaval. E eu resolvi fazer um bolo para comemorar o fato. Já posso colocar no meu livro do bebê: aos 31 anos, fez o seu primeiro bolo.
Na verdade, entrei numas de que "mães fazem bolos". (A minha nunca fez, but.) Pesquisei na internet uma receita de bolo simples, tradicional, branco. Começar do início, um passo de cada vez. Tive que pedir emprestada a batedeira, um item que foi limado da lista, com risinhos à esguelha, quando fizemos o nosso chá-de-panela, só três anos atrás. (Dica! Dica! Quem quiser me dar um presente...)
Chamamos a família e uns poucos amigos, a casa lotou, o evento durou quase dez horas. Mathilde se comportou bem, eu fiquei exausta, a casa, uma zona.
Mas o bolo, que eu singelamente constrangi todos a experimentarem (com sorvete, por garantia), ficou realmente muito bom.
No próximo mês eu faço outro (mas sem festinha), depois outro. De modo que, quando ela tiver idade suficiente para comer bolo, estarei a ponto de apresentar cascatas de damasco e riachos de chocolate, num bolo de cinco andares.

Com a mão na massa

Untando a forma com muita técnica

Tá- dááá!

1.2.08

Propaganda institucional

Picasso, "Maternidade"


É bom falar bem do serviço público quando há oportunidade. E estou muito bem impressionada com o Instituto Fernandes Figueira, ligado à Fiocruz, que por sua vez é ligado ao Ministério da Saúde. O IFF é um hospital pediátrico e centro de pesquisa sobre assuntos correlatos. É lá que funciona também o BHL - Banco de Leite Humano, onde estive duas vezes esta semana.

Enfim, andei tendo febre e um pouco de dor em um dos seios -- que estava cheio de leite, mas não chegou a empedrar. No domingo à noite, meu médico disse, pelo telefone, que devia ser mastite, e me mandou ir ao IFF na segunda para confirmar o diagnóstico. Lá fui, com Mathilde a tiracolo, debaixo de uma chuvinha chata. E fui muito bem atendida, com rapidez e eficiência, muito melhor do que em qualquer clínica particular. A enfermeira confirmou a mastite, me ensinou a massagear o seio, a tirar o excesso de leite (é isso que causa a mastite) manualmente ou com a bombinha, e me mandou voltar na quinta para acompanhamento. Eu voltei, e novamente tive um atendimento que só se pode qualificar como de primeiro mundo. Na primeira visita uma médica receitou antibióticos, que tirei, de graça, na farmácia do IFF.

A pequena continua mamando muito e sempre, e eu tiro o excesso de leite todo dia e guardo no congelador. Se não precisar para ela mesma, vou doar para o Banco de Leite. Eles vêm buscar em casa. Aliás, eles precisam de vidros para a coleta de leite. Segue o serviço:

Doação de vidros
O Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Fernandes Figueira (IFF) da Fiocruz está precisando de vidros vazios com tampa plástica para acondicionar leite humano. Os frascos mais utilizados são os de maionese e de café solúvel. Estes vidros são resistentes ao processo de esterilização. Além disso, a abertura dos recipientes facilita a ordenha do leit humano.
Quem você vai beneficiar com estes vidros?
O BHL do IFF atualmente recebe leite humano de mais de 300 doadoras no Rio de Janeiro. O leite fornecido por estas mulheres atende quase 60 crianças por dia -- a maioria, internadas em UTIs Neonatais das maternidades públicas da cidade. Estes recipientes, depois de passarem por um rigoroso processo de esterilização, são utilizados para transporte, processamento e estoque do produto. Doe vidros e ajude um recém-nascido a receber leite humano!
Postos de coleta
Você pode deixar sua doação de vidros nos seguintes locais:
Quartel do Corpo de Bombeiros próximo à sua residência
Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira - Av. Rui Barbosa, 716, Flamengo
Tel: 0800-26-88-77

Quanto a mim, já estou ótima. Continuou no antibiótico por mais uns dias, e tirando sempre o excesso do leite. E Mathilde... bem, essa, acho que nem reparou que aconteceu alguma coisa.
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31.1.08

Que rufem os tambores...

... porque eu já caibo nos meus jeans pré-gravidez!

Cam, vamos fundar a Confraria I've Got the Power?
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28.1.08

Dr House e Comissário Maigret

Jules Maigret (uma de suas muitas caras possíveis) e Gregory House

Com um bebê de menos de um mês, a gente não sai muito de casa. Apenas para alguns compromissos e alguns passeios. Veja a diferença. Compromissos são: tomar vacina no posto de saúde, ir ao pediatra, fazer o teste do pezinho, ir ao dentista com a mamãe (porque durante a gravidez o cálcio foi pras cucuias e mamãe terá que fazer um lento, doloroso e caro tratamento dentário). Passeios são: passear no jardim da Casa Rui Barbosa, tomar café da manhã no Parque Lage. Et caetera.

Então, em casa. Por incrível que pareça, há momentos em que não estou no papel de restaurante (leiteria, melhor dizendo), nem no papel de lava-jato, nem no papel de rede de balanço. Desses momentos, metade eu tiro pra dormir. A outra metade é que são elas. Tem coisas de trabalho que eu já consigo fazer, e faço com o maior prazer. Tem blogues para ler. Já até li um livro inteiro. De 500 páginas! E aí, tem a televisão, essa estranha máquina.

Vou te contar, TV a cabo é uma droga. Uma porcaria de investimento. É caro e não tem nada que preste. Já concluí que, se você não sabe a priori o que quer ver, a que horas, e em qual canal, não é zapeando (verbo ridículo) que vai descobrir, por acaso, alguma coisa boa. Mas então, você paga para assistir aos canais. E mesmo assim tem que assistir a muita propaganda. Intrigam-me especialmente a quantidade de anúncios de pasta de dente protagonizados por dentistas (sempre com menção a um número de CRO, para dar credibilidade) e os anúncios de perfumes, que são sempre mucho locos e sempre com algum sotaque esquisito (tipo The new fragrance by Cawolina Hewwewa). Algum dia, no século passado, ouvi dizer que quando a TV a cabo chegasse no Brasil seria ótimo, porque uma vez que os assinantes já pagam pela programação, não haveria necessidade de comerciais. Devo ter alucinado. Porque além dos comerciais, ainda tem milhares -- milhares! -- de horários pagos em que ficam vendendo enceradeiras, grills e colares de pérolas em programas inacreditáveis. É que nem spam de Rolex e Viagra: se tem tanto é porque alguém compra. E eu pagando por isso tudo.

Mas não era isso que eu queria dizer. Sou uma pessoa feliz, vou falar de coisas boas. Coisas que eu gosto de ver na TV. Coisas de que aprendi a gostar. Na verdade, uma coisa, no singular: House. É verdade, fui me afeiçoando aos poucos àquele ambiente do hospital-escola em New Jersey, àquele protagonista sarcástico e miserável (a pior tradução disponível para miserable, o adjetivo mais usado para caracterizá-lo), à equipe, que inclui um médico com sotaque britânico (na verdade, australiano), ao amigo oncologista, que eu fiquei por muito tempo com aquela estranha sensação de-onde-eu-conheço-este-ator?, até que me lembrei que ele era o rapazote oh-capitain-my-capitain (o que morre no final) de Sociedade dos Poetas Mortos.

Ou seja, viciei. Já sei que quinta às 23h tem episódio inédito (quarta temporada), e que todo dia às 13h tem algum episódio de temporadas antigas (que eu não vi, então pra mim dá no mesmo). Marido viciou igualmente. E é por isso que a gente só tem almoçado depois das 14h.

Esta semana me bateu um insight. Gosto tanto do doutor House porque ele me lembra muito uma de minhas paixões literárias: o Comissário Maigret. O leitor provavalmente dirá: "Quem?!". Já me acostumei. É impressionante como as pessoas conhecem pouco a obra de Georges Simenon, o criador do Maigret. O homem escreveu 192 romances (75 dos quais protagonizados pelo Comissário Jules Maigret) e 162 novelas (28 com Maigret) (segundo o site Tout Georges Simenon). E mesmo assim, os romances policiais que povoaram a adolescência de todos nós foram os da Agatha Christie. Que são ok, mas olha, os do Simenon são muito melhores. E na comparação dos personagens, vamos e venhamos, Poirot é um chato, aristocrata esnobe. Maigret é muito mais interessante.

Maigret, assim como House, é imprevisível, e aí reside seu maior charme. Ambos são grandes autoridades em suas especialidades, espécies de lendas vivas com as quais qualquer iniciante (médico ou policial) quer trabalhar. Mas quando isso acontece, os novatos ficam sempre frustrados, pois a conduta de House e de Maigret nunca corresponde à expectativa -- é pior. House mente para os pacientes, Maigret tortura suspeitos com interrogatórios intermináveis. Ambos erram -- e não ligam muito para isso. House é viciado em Vicodin. Maigret bebe, inclusive durante o trabalho. Não, ele não bebe vinho. Bebe principalmente chope, que manda vir da brasserie da esquina (chope quente, pois). Gosta também de calvados e de grogue -- este último, uma bebida espetacular para o frio. Eu adoro especialmente quando um jovem policial, no meio da investigação, sem nenhuma pista, pergunta: E agora, comissário, o que vamos fazer?, e ele responde, Não tenho a menor idéia, vamos tomar um chope, e depois pode ir para casa. E por falar em casa, o comissário mora com Madame Maigret no Boulevard Richard Lenoir, em Paris. (O casal não teve filhos.) E trabalha na Polícia Judiciária, cuja sede fica no Quai des Ofèvres, defronte o Sena. (Pergunte-me se não estive nesses lugares em março de 2007, quando fui a Paris.)

Além de tudo isso, é claro, House faz principalmente trabalho de detetive. Sua obsessão por invadir a casa dos pacientes para analisar o ambiente, em busca da origem dos sintomas (e é engraçado que os coitados de sua equipe tenham sempre que invadir, ninguém nunca pode ceder as chaves voluntariamente), é muito boa. Maigret também tem essa mania de entrar sem pedir licença. Quebram protocolos. Ao longo dos episódios, ambos têm o dom de enfurecer os parentes das vítimas, os mesmos que no final virão lhes agradecer de joelhos. House anda com sua inseparável bengala, Maigret -- que faz o tipo "armário", alto, forte, largo -- não vive sem o cachimbo, na melhor tradição dos detetives do início do século XX.

Mas isso é fato: Maigret é um personagem do século que passou. Seus romances foram escritos entre 1931 e 1972. Seu cinismo e sarcasmo, portanto, não podem nem ser comparados ao de House, um personagem a) americano b) de TV c) do século XXI. Mas que os dois têm seu parentesco, ah isso têm.

[Para ler Simenon, recomendo as ótimas edições Pocket da L&PM em co-edição com Nova Fronteira (que publica o autor no Brasil desde priscas eras). São mais de 20 títulos, a preços entre R$ 12 e R$ 17, por aí. Gosto especialmente de Maigret e o homem do banco, Maigret e seu morto, Uma sombra na janela, Memórias de Maigret (mas este, só para quem já o conhece bem).]

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20.1.08

Coração de mãe

Como alguns de vocês acompanharam pelo blogue, durante a gravidez eu procurei me preparar ao máximo. Fisicamente -- fazendo ioga para gestantes, pilates, hidroginástica -- e mentalmente, freqüentando palestras, aulas, assistindo vídeos, até mesmo vendo os programas da "TV Parto", que é como o marido apelidou o Discovery Home & Health, que passa uma infinidade de programas sobre parto, chegada do bebê etc. (ainda por cima, tudo dublado, ou seja, um horror)

Isso tudo valeu muito a pena.

Sobre a parte física, nem preciso entrar em muito detalhe para convencer qualquer pessoa da validade da malhação. Engordei 12kg na gravidez (que não é óóótimo, mas é bastante bom), fui bem disposta até o final, e encarei o parto normal sem dramas nem complicações. E é verdade que a recuperação pós-parto é muito rápida -- e teria sido melhor ainda não fossem os pontos que levei por causa da episiotomia, que me incomodaram muito durante uns bons dez dias. Além disso, na consulta ao obstetra na última quarta, me pesei e já tinha perdido 9 dos 12 quilos. Estou me sentindo uma sílfide.

A parte "nerd", por assim dizer, também foi fundamental. Estranhamente, praticamente não li livros sobre gravidez e maternidade. Me emprestaram a Bíblia da Gravidez, que eu consultava às vezes, e foi só. Tampouco entrei em fóruns ou sites sobre o assunto, só usei a internet para pesquisar coisas pontuais. Mas as aulas teóricas que antecediam a parte física no curso de ioga para gestantes foram excelentes (divididas em módulos como "Amamentação", "Cuidados com o Bebê", "Cuidados com o Corpo", "Parto" etc.), assim como as palestras com obstetras, pediatras, enfermeiras especialistas em amamentação. Tudo muito instrutivo e útil para control-freaks como eu, que acreditam que informação é poder. Não fizemos os cursos que as maternidades oferecem, ensinando a dar banho, cuidar do coto do umbrigo etc., mas por pura falta de tempo. Acho que devem ser legais também.

De modos que não tivemos, até agora, graaaandes surpresas. Tanto no parto quanto nesses primeiros 17 dias, as coisas estão dentro do previsto. Bom, é claro que eu não esperava que Mathilde fosse gostar tanto de nos bombardear com possantes jatos de cocô bem na hora em que estamos trocando a fralda. Mas isso não é nada. Talvez o segredo tenha sido colocar as expectativas no quinto círculo do inferno, imaginar o caos absoluto, para então achar ótimo quando as coisas são apenas... cansativas.

Enfim, todos esses preparativos são válidos e importantes.

Mas ter filhos não nos isenta de uma grande, uma enorme surpresa, uma coisa que, mesmo esperada, muito falada e debatida, eu nunca pude conhecer antes.

O amor.

É impossível se preparar para esse amor tão avassalador, que brota dentro da gente de repente, e sai derrubando tudo que vê pela frente. Onde é que estava esse amor antes? Esse amor da ternura de olhar, da delicadeza de segurar, da alegria de abraçar e beijar. Como é que pode?

E ninguém me disse que seria assim. Ou melhor, disseram sim. Minha mãe me disse, muitas vezes. Mas até então, eu nunca tinha entendido.



Eu e ela, nos entendendo pelo olhar

9.1.08

Olha ela

Com horas de vida
Aos 4 dias de vida

A mentalização de vocês foi um sucesso. O post abaixo foi escrito dia 2, à noite. No dia 3, acordei sentindo contrações.

Como estou afogada de tanto amor e ainda sem muitas palavras, apelo aos números.

03/01/08, às 15h45.
3,205kg, 50cm.
Parto normal.

Tudo está indo tão bem até agora, que estou quase desconfiada.

Outras notícias em breve.


Ela tem as minhas mãos