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23.8.11

Fogo de Chão carioca ainda meio tépido

A vista é a melhor iguaria
Há pouco tempo foi inaugurada a primeira filial carioca da famosa churrascaria paulista Fogo de Chão. A localização é espetacular: na enseada de Botafogo, caindo praticamente sobre a baía de Guanabara. Como meu trabalho tem vista justamente para este lado, eu e meus colegas de sala acompanhamos ansiosamente o andamento das obras. Por fim na semana passada fomos, em caravana, conhecer o famoso churrasco gaúcho que faz a fama da casa em suas diversas filiais mundo afora.
Como o escritório é bem perto, fomos a pé, e passamos pelo primeiro percalço. É que a entrada é praticamente só para carros. Quem vai a pé tem de subir uma rampa -- a mesma dos carros, dividindo o espaço com eles. Não é muito agradável.
Mas depois que se entra tudo melhora. O ambiente lá dentro é bonito e moderno, conseguimos uma mesa junto aos imensos janelões de vidro, que dão para um deck, e o resto é mar. Os garçons usam um figurino gaúcho típico que acho meio caricato, mas não chega a incomodar e deve ser marca registrada da rede. E vale dizer que os garçons são um dos pontos altos: simpaticíssimos, super presentes e solícitos.
O bufê das saladas é apenas correto (gostei mais, por exemplo, das saladas do Da Silva do Centro, que merece um post dentro desta nova tag restaurantes). As variedades de praxes, belas folhas, queijos e poucas opções de molho.
Os acompanhamentos para as carnes me pareceram um pouco estranhos: farofa de ovo, pão de queijo, queijo na brasa, banana frita, cebola frita. Mas tudo bem, estava lá mesmo era para provar as famosas carnes! Mas oh, foi justo aí a maior decepção. Salvaram-se a picanha e um outro corte cujo nome não me lembro, mas no geral ficou léguas abaixo da minha expectativa (e dos R$92 que custam o rodízio!). Duas das carnes que mais gosto, linguiça e paleta de cordeiro, estavam incrivelmente duras. E ainda por cima, eu e T. fomos brindadas com facas cegas, o que tornava o ato de cortar a carne um empreendimento e tanto (verdade que assim que comunicamos o fato ao garçom ele trocou na mesma horas, mas mesmo assim, facas cegas? francamente!). As carnes vêm numa velocidade espantosa, e se você estiver com o cartãozinho verde virado para cima ("Sim, por favor!"), nem dá pra conversar, tantos são os gaúchos surgindo de todos os lados com espetos imensos.
Não sei se eles ainda estão se adaptando, se os fornecedores não são os melhores, mas eu fiquei decepcionada e não pretendo voltar tão cedo. Continuo achando a Porcão e a Marius opções bem melhores na categoria churrascaria rodízio.
E pelo visto, não sou só eu: outras críticas pouco lisonjeiras aqui e aqui.

13.7.11

Decepção helvética (e o lide no pé)


Sexta-feira convidei meus grandes amigos e compadres G. e S. para jantar fora. Queria aproveitar que agora temos a folguista que dorme às sextas, e ao mesmo tempo devia um presente de aniversário a S. Como durante a semana inteira fez um frio polar na muy heroica e leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (15ºC), pensamos em comer fondue. E quem mora aqui sabe que fondue, no Rio, é sinônimo de Casa da Suíça.
Chegamos cedo, e como não tínhamos reserva, nos mandaram para uma mesa num lugar esquecido por deus, lá no fundo da sala mais distante (o restaurante é bem grande, tem vários ambientes). Pedimos vinho, água, e aceitamos o oferecimento de couvert. Primeiro erro. Consistia numa cesta de pães sortidos frios e sem graça, uma travessinha com manteiga e patê, e uns palitos de aipo e cenoura. Fraco. E caro.
Pedimos fondue de carne, de queijo, e batatas rosti. As batatas estavam ok. O fondue de queijo não era, em nada, melhor do que eu poderia fazer em casa -- o queijo era absolutamente normal, e acompanhava uma cestinha de pães ainda mais ordinária que a do couvert. O fondue de carne, apesar da porção modesta, estava bem gostoso -- isso porque G. teve a sacada de pedir o fondue "chinês" em vez do tradicional. No chinês, em vez de óleo, o panelinha vem com um consomê (ou bouquet de garni, segundo me contaram depois), e a carne então fica cozida e temperada, e não frita. Infelizmente todo mundo no restaurante pediu fondue também, e pouca gente conhece a malandragem de pedir o chinês. Resultado é que, como o restaurante é todo fechado, saímos de lá defumados com a fumaça dos fondues alheios.
A Casa da Suíça é um restaurante antigo, que grita tradição em todos os cantos. Mas a impressão que me passou foi de decadência. O espetinho do meu fondue, tive de pedir ao garçom para trocar, de tão enferrujado que estava. O banheiro feminino em nada condizia com a empáfia do ambiente - era feio, sujo, escuro, abandonado. O serviço não foi uma tragédia, mas esteve longe de merecer um comentário favorável -- até porque esteve longe da nossa mesa, de um modo geral. Tudo muito aquém do esperado, para uma conta de mais de meio salário mínimo.
A noite foi ótima, porque esses amigos são tão especiais (e a noite acabou aqui em casa mesmo, tomando mais vinho), mas no próximo inverno eu lá não volto.

E desde quando este blogue faz crítica gastronômica? Ora, desde que completou 5 anos de vida em junho e eu me esqueci completamente!