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1.6.13

A função random e o conceito de álbum

Estive pensando que os primeiros CD players que ofereceram a função "random", pela qual as músicas tocam em ordem aleatória, contribuíram para a mudança radical no paradigma da apreciação musical que se consolidou nos últimos vinte anos.

Essa teoria me veio à mente enquanto ouvia, pela milionésima vez, os discos dos Beatles que passei para MP3 e joguei dentro do celular - fico escutando nas idas e vindas do trabalho para casa, no caminho de/para o almoço, e em qualquer outro deslocamento*. Tenho em casa quase todos os CDs dos Beatles, mas só passei para o celular alguns dos meus favoritos: Abbey RoadRubber Soul, Revolver e Help!


Ouvindo esses álbuns, não há como não lamentar a perda da concepção do álbum como obra de arte per se. A relação entre as músicas, a ordenação, o tempo de intervalo entre uma faixa e a seguinte, tudo isso tem um significado e contribui muito para passar a mensagem do artista para o ouvinte.

Minha relação com os Beatles começou através de minha mãe, beatlemaníaca de primeira hora, que me emprestou suas fitas Basf com as gravações dos LPs. Como esses LPs não estavam nas melhores condições, nas fitas havia alguns pulos e chiados que eu até hoje busco inconscientemente quando escuto os álbuns. No meu aniversário de 12 anos, meus pais me deram um lindo livro para piano, "The Complete Beatles Songbook", com partituras para piano e melodia, uma raridade importada na época, que muito prezo e tenho até hoje, encapado com plástico.

Então escuto a sequência absurdamente arrasadora que é Help!-The Night Before-You've Got to Hide Your Love Way, e de como esse disco é uma espécie de transição entre os roquinhos tolos e inocentes porém gostosinhos (You're Gonna Lose That Girl) e uma mensagem mais relevante - musical e extra-musical (Yesterday), como o álbum faz um arco, por assim dizer, que você só percebe se ouvi-lo do início ao fim, na ordem. Ou Revolver, disco de radicaliza ainda mais essa transição do grupo ao incorporar tantas outras influências, cuja fantástica faixa de encerramento, Tomorrow Never Knows, de tão "mind-blowing" aparece no final de um episódio da quinta temporada de Mad Men, quando o personagem principal, Don Draper, percebe que já não está mais dominando o espírito do seu tempo, que os anos 60 são diferentes demais dos 50, e então sua jovem segunda esposa traz esse disco para casa, recém-lançado, e recomenda expressamente: ouça a última faixa - e é um dos melhores encerramentos de episódio ever, justamente porque é um dos melhores encerramentos de álbum ever. (Mas mesmo adorando Revolver, ainda não consigo compreender o que uma música tão boba quanto I'm Only Sleeping faz depois do choque de Eleanor Rigby, simplesmente não entendo e acho um anticlímax tremendo.) E ainda, em Abbey Road, e a maestria com que Golden Slumbers e Carry That Weight se fundem, e como isso se perde se as faixas forem tocadas fora da sequência.


Mesmo as famosas "mix tapes" tão populares nos anos 80 e 90, nas quais amigos gravavam e davam de presente entre si uma fita K7 com sua seleção preferida de faixas de vários álbuns, não deixavam de ser também um todo mais extenso, uma história com começo, meio e fim.

Como a unidade deixou de ser o álbum e passou a ser a faixa, o "single", todo um discurso musical mais extenso ficou fragmentado, corroendo nossa capacidade de ouvir e prestar atenção em algo que dure mais de três minutos. Aliás, minha impressão é que hoje em dia ninguém mais escuta música simplesmente por escutar. Escutamos música dirigindo, trabalhando, conversando com os amigos, andando na rua, fazendo ginástica, correndo maratonas, mas ninguém pára a diz: agora vou sentar ali e ouvir um disco. Acabou a apreciação musical, e mesmo num show, se não houver uma grande performance incluída no programa (efeitos visuais, gente voando em cima da plateia, 3-D e sei lá mais o quê), o pessoal não vê graça -- restando o último reduto, o concerto de música clássica, em que não há mais nada além da música em que se prestar atenção.


Em tempos de iPod Shuffle, cujo conceito fundamental é tocar as músicas em ordem aleatória, não quero ser uma espécie de Don Draper nostálgico. Mas não posso esquecer de mencionar o quanto era boa a sensação de comprar um disco novo, depois de muita expectativa, e colocar para tocar enquanto deitava no chão, olhando para o teto, esperando para usufruir dos sons que viriam dos alto-falantes. E isso era o bastante.

*Tenho ouvido também muitos audiolivros, mas este é assunto para outro post.

20.8.12

O samba não pode parar

Foi o fim de semana mais animado, em termos de eventos, dos últimos anos.

Numa performance pra Milton Ribeiro nenhum botar defeito, fomos a quatro concertos em três dias, no Theatro Municipal.

Na quinta, comemoração de aniversário da rádio JBFM. Teve a Orquestra Sinfônica Brasileira acompanhando Zélia Duncan, Djavan e Caetano Veloso, três músicos que admiro bastante. Mas apesar do elenco estelar, não achei o concerto brilhante. Não rolou muito entrosamento e o único que parecia estar um pouco mais à vontade, Caetano (que completou 70 anos este mês), foi surpreendido por um Parabéns pra Você constrangedor da orquestra, logo seguido por um coro de toda a platéia, quase morri de vergonha alheia.

Na sexta juntamo-nos à horda de violonistas que acorreu ao Municipal para ver o Manuel Barrueco tocar o Concerto de Aranjuez com a mesma OSB. Para quem não tem o prazer de conhecer, este é "o" concerto clássico e consagrado para violão e orquestra. Foi um bom programa, mas melhor ainda foi sair para jantar depois com G. e S., tomar uns vinhos e falar sobre assuntos de variadas gamas, desde as fofices das crianças até as malices da greve das universidades federais. Enfim, o bom e velho exercício da amizade.

Aqui temos John Williams tocando Aranjuez

No sábado teve dose dupla. Às 16h encontramos todos os mesmos violonistas da véspera para ver o Duo Assad tocando uma peça (Phases) do Sergio Assad com a Orquestra Petrobras Sinfônica. O regente convidado era um polonês, que abriu a noite com uma peça de seu conterrâneo Lutoslawski e encerrou com Quadros de uma exposição de Mussorgski. Às 20h30 fomos conhecer a Filarmônica de Minas Gerais, orquestra jovem e promissora, que tocou danças do Ginastera, o Concerto para mão esquerda de Ravel (e os dois concertos para piano e orquestra de Ravel estão entre as minhas peças favoritas de todo o repertório clássico) com um solista americano que eu não conhecia, Leon Fleisher, e depois do intervalo a Sinfonia Fantástica de Berlioz, que achei chata e infindável (55 minutos!).

Eis aqui uma outra interpretação do concerto para mão esquerda de Ravel, composto, se não me engano, para o pianista Paul Wittgenstein (irmão do filósofo Ludwig), que perdeu o braço direito lutando na Primeira Guerra Mundial

Mas tudo isso é para contar-lhes que no sábado, entre o programa das 16h e o das 20h30, marido levou-me para conhecer o Samba do Ouvidor, do qual eu até então só ouvira falar. É uma tremenda roda de samba que acontece em alguns sábados (a periodicidade é incerta, ao que parece) na rua do Ouvidor, perto da Praça Quinze. Fui acometida de uma tremenda nostalgia, uma enorme saudade do tempo em que frequentávamos tantas rodas de samba por aí, sem hora para voltar, e sem ligar para o fato de ficar horas em pé tomando cerveja sem um banheiro decente por perto, achando tudo ótimo. Adorei ali aquele samba, em que vi tantas caras conhecidas -- literal e figurativamente, desde pessoas que realmente conheço até tanta gente que não sei quem é, mas cujos rostos anônimos remetem a tantos outros frequentadores de rodas de samba desde os tempos imemoriais, gente que gosta mesmo dessa música, conhece e canta junto, mesmo que não seja carnaval, nem verão, nem esteja sol nem calor.

No meio de tanta sinfonia, foi aquele samba que me deu mais alegria.


26.5.12

O site de música mais legal dos últimos tempos

E o Terapia Zero sai de sua longa hibernação para falar de música!

Há dois personagens da história mais ou menos recente da música brasileira que sempre me fascinaram: Ernesto Nazareth e Guiomar Novaes. A razão do meu fascínio é que, em tudo que se lê e pesquisa sobre suas respectivas épocas, eles são citados constantemente, como referências absolutas. Nazareth, no início do século passado, tanto como compositor quanto como intérprete inigualável e formatador do tango brasileiro, e por extensão da polca, do choro e muito mais. Guiomar para o ambiente da música clássica da primeira metade do século XX, adorada por dez em cada dez pianistas clássicos. Há até mesmo a famosa citação de Claude Debussy sobre Guiomar ao vê-la participando de um concurso de piano em Paris -- quando ela tinha treze anos, dizendo que ela tinha a rara qualidade dos artistas, "os olhos ébrios de música", e que tinha sido a única coisa interessante que ele viu naquele concurso de jovens talentos.

E apesar das muitas gravações disponíveis de Guiomar Novaes, que permitem que se conheça sua personalidade artística, sempre senti falta de conhecer mais sobre a mulher por trás do mito. Afinal, quem era essa moça, filha da burguesia do interior paulista, 17ª de 19 irmãos (!!!) nascidos em São João da Boavista? Então quando soube do lançamento do livro Guiomar Novaes do Brasil: A Trajetória da Pianista em Nova York, de Luciana Medeiros e João Luiz Sampaio, corri para ter um exemplar (porque é um desses projetos patrocinados, lançado por uma pequena editora - Kapa Editorial -, o tipo do livro que some pouco após o lançamento e depois você só em encontra em sebos por preços proibitivos. Mas por enquanto ainda se acha, e custa R$80).

Confesso que fiquei decepcionada com o livro. Para começar, é um livro de luxo, formato grande, capa dura, edição bilíngue, todo em papel cuchê, repleto de fotos, e inclui 2 CDs de Guiomar tocando com a New York Philharmonic, regida pelo Bernstein (que estou ouvindo enquanto escrevo). Naturalmente essa opção pela edição luxuosa, "coffee table", não é, em si, um problema. O que me incomoda é que toda essa beleza externa na minha opinião serve para mascarar as deficiências do livro. O texto é fraco (na verdade nem cheguei a ler até o fim, pois perdi o interesse) e não revela quase nada sobre quem foi essa mulher. É quase uma compilação de fatos que a levaram aos EUA em 1915, depois de uma primeira temporada na Europa - a segunda foi abortada por causa da Primeira Guerra Mundial. Muita descrição e pouca análise. Mesmo dando o desconto necessário para o fato de o livro se concentrar na trajetória dela em Nova York, como diz o título, achei um desperdício. Ainda falta uma verdadeira biografia de Guiomar Novaes. Ou talvez exista e eu é que não conheço. Se alguém souber, por favor me fale.


Mas tudo isso sobre a Guiomar foi só uma digressão. Eu queria mesmo era falar sobre o Nazareth, e finalmente explicar o título deste post. É que estou fascinada pelo site www.ernestonazareth150anos.com.br, feito para comemorar o sesquicentenário do compositor, que será em 2013 (no site tem uma contagem regressiva: hoje faltam 298 dias). Não é segredo que tenho uma tendência forte à acumulação, organização e compilação de coisas. Todos os testes de autoconhecimento que já fiz ressaltam esse meu apreço pelo arquivo, pelos projetos grandiosos para organizar dados, etc. E de fato, cada vez que me aparece um desafio desses pela frente, fico entusiasmada. Então me encantou esse site, que é certamente obra de gente que não bate bem (no bom sentido).

Porque não seria nada de mais dizer que no site tem uma lista com todas as composições do Nazareth (mais de 200). Mas a coisa começa a ficar mais interessante quando se descobre que tem também todas as partituras disponíveis para download. E vira realmente espetacular quando se revela o fato que essas partituras têm duas versões: original para piano e adaptada para regional. Para quem não se tocou do que isso significa: dessa forma, qualquer grupo instrumental pode tocar as músicas, e não apenas os pianistas (Nazareth só escreveu para piano). Esse detalhe, sozinho, significa muito em termos da possibilidade de disseminação e popularização das composições.


Mas o motivo que me fez escrever que este é o site de música mais legal dos últimos tempos é o link "Discografia". Ali você consegue ouvir, em streaming, todas as gravações feitas de todas as obras. Em todos os tempos. São mais de 2 mil gravações, brasileiras e estrangeiras, antigas e modernas, em tudo quanto é transcrição, adaptação e instrumentação diferente. É por isso que acho que isso é coisa de gente com um parafuso a menos.

Independente da sanidade mental, eu tenho me deliciado descobrindo quantas músicas boas ele escreveu e especialmente comparando as interpretações de artistas diferentes para a mesma música. É uma aula e uma demonstração cabal das múltiplas interpretações de um mesmo texto musical. Ok, tá certo que no YouTube  isso existe de montão: pequenas colagens de vários intérpretes tocando a mesma obra ou trecho. Mas nunca tinha visto nada dessa escala, com tantas opções para você navegar como quiser.


E caramba, quanta música boa tem o Nazareth! Eu que estudei piano durante tantos anos tinha 2 álbuns de partituras dele, cada um com umas 30 peças, por aí. Não é nem um terço da produção. A maioria das pessoas só o conhece como autor de Odeon, Apanhei-te Cavaquinho e Brejeiro, e quem sabe um pouco mais de história da música lembra do fato de ele ter morrido louco, afogado tentando fugir na Colônia Juliano Moreira, um sanatório. Na verdade, Nazareth tinha sífilis (como Nietzsche, com quem também compartilhava o bigode, e de quem todo mundo também se lembra disso: morreu louco, conversava com cavalo etc.). É impressionante como essas "excentricidades" acabam sendo preponderantes no imaginário popular em detrimento da obra. No fim das contas, é isso que se grava, esse exótico "morreu louco".

É impossível medir a importância do Nazareth para a música popular brasileira. Sabe-se que ele era um cara popular em seu meio e sua época, que as pessoas vinham de todas as partes só para vê-lo tocar na sala de espera do cinema Odeon (e de outros onde ele tocou), inclusive Villa-Lobos, Radamés Gnattali e até o Rubinstein, na época uma grande estrela do pianismo internacional. Sabe-se que ele, como qualquer pianista, foi muito influenciado pelo repertório clássico (e ouvir suas valsas com atenção é entender como uma escola clássica e uma alma popular se encontram tão harmonicamente), e há grandes e intensas discussões musicológicas e psicológicas sobre o quanto ele seria "traumatizado" por não ser um pianista e compositor clássico. Há um famoso episódio em que Nazareth vai ao Theatro Municipal assistir a um concerto de, adivinhem!, Guiomar Novaes, e sai de lá aos prantos, em meio a um surto, se lamentando por não ter ido estudar na Europa e não tocar como ela.

Com tudo isso, com um personagem dessa magnitude e riqueza, não há, que eu saiba, uma biografia de Ernesto Nazareth. Existe um livro chamado O Enigma do Homem Célebre: Ambição e Vocação de Ernesto Nazareth, de Cacá Machado, que eu já li e achei chatérrimo, que não se presta a ser uma biografia real. Neste livro, o autor compra a versão de que Nazareth é a inspiração para o conto "Um homem célebre", de Machado de Assis (leiam, é uma delícia), cujo protagonista é Pestana, um compositor de polcas ultra populares que no fundo é atormentado por não conseguir compor peças clássicas. Além disso, o livro do Cacá Machado é muito técnico, tem análises musicológicas profundas que me derrotaram.

E então eu já entro em um novo tópico, que é a carência de biógrafos profissionais no Brasil. Li recentemente a biografia do Steve Jobs escrita pelo Walter Isaacson e fiquei boquiaberta. É um livro muito bom, excelentemente pesquisado e soberbamente escrito, leitura fácil e agradável mesmo para quem não tem nenhum interesse especial pelo tema nem pelo biografado. É um contraste com o que existe aqui, com as figuras e personagens do Brasil.

Tiro o chapéu para o Ruy Castro, que escreveu ótimos livros sobre Nelson Rodrigues, Carmen Miranda, Garrincha, a Bossa Nova, e para o Fernando Morais, cujas biografias de Olga Benário e Assis Chateaubriand são verdadeiros clássicos. Na área da música, tiro o chapéu também para o Sergio Cabral pai, que não é um biógrafo da estatura dos outros, mas fez um trabalho incrível de preservação de memória e de ocupar essa lacuna inexplicável, com seus livros sobre Pixinguinha, Tom Jobim, Ary Barroso, Elizeth Cardoso e Nara Leão. Existem, claro, outras boas biografias musicais, como a do Mário Reis escrita pelo Giron, a do Dorival Caymmi escrita pela neta Stella, do Cauby Peixoto escrita pelo Rodrigo Faour, do Vinicius de Moraes escrita pelo José Castello, e o excepcional trabalho feito pelo João Máximo e Carlos Didier em Noel Rosa, uma biografia, criminosamente esgotado e difícil de achar. Há outros bem mais limitados, como as biografias da Elis Regina, da Clara Nunes e da Maysa. E com tantos exemplos, acho que é pouco, muito pouco. E imagino que a causa seja a falta mesmo de investimento editorial. Porque o cara vai precisar mergulhar na vida de um personagem, no espírito do tempo em que o biografado viveu, passar meses, um ano, trabalhando obsessivamente naquele assunto, entrevistando montes de gentes, pesquisando à beça. E para isso, precisa ser remunerado durante esse período de gestação, coisa que as editoras dificilmente fazem.

Bom, acho que já deu para me lembrar como é escrever em blog. :-)


7.11.11

Chico (2011)


Num mundo em que ninguém mais compra discos, comprei e estou viciada no novo CD do Chico. Fora a primeira música, de que não gostei muito, as outras nove são tão boas que dá vontade de ouvir de novo, de novo e de novo, assim para aprender a cantar de cor.

Tem o dueto com a Thais Gulin (Se eu soubesse), em que eles cantam "mas acontece que eu saí por aí, e aí, la-ra-ri..." (eu não conhecia essa cantora, mas achei ótima). Tem a incrível "valsa russa" Nina, linda de doer. Tem sambas muito bons: Sou eu, com participação especial do Wilson das Neves, sempre uma atração à parte, e Barafunda, que me conquistou de cara com o trocadilho "antes que o uísque... o esquecimento... jogue seu manto cinzento" (sacaram? hein, hein? uísque/uísquecimento? a-há!). Tem a última faixa, Sinhá, que é parceria com o João Bosco mas tem a maior cara de Paulo César Pinheiro, e é outra que tenho vontade de tascar direto na função "repetir".

Enfim, é um grande disco, e realmente lamento que o lançamento de um disco novo do Chico Buarque não cause mais a comoção que causava em outros tempos. E se o novo disco do Chico não provoca comoção, é porque hoje em dia disco nenhum da música brasileira pode causar comoção. É pena. Ouvir um disco com atenção, sem estar fazendo outra coisa, é uma atividade muito rara hoje em dia. Ninguém consegue se dar 30 minutos para ficar sentado ouvindo música, apesar de ficarmos muito mais tempo que isso de bobeira em frente à TV ou ao computador.

Os links acima são para os clipes das músicas, que estão todos disponíveis no site Chico Bastidores. Se tiver curiosidade, vá lá e ouça as músicas. E se gostar, não deixe de praticar essa ação tão século XX: compre o disco. Eu vou continuar ouvindo para saber cantar tudo de cor no show!

PS: Toda a genialidade do disco ficou restrita à música. O título é sem graça, a capa idem, e o projeto gráfico simplesmente é inexistente. Horrível mesmo.


A TURNÊ

BELO HORIZONTE
Palácio das Artes
De 5 a 8 de novembro

PORTO ALEGRE
Teatro do Sesi
Dias 28 e 29 de novembro

CURITIBA
Teatro Guaíra
De 15 a 18 de dezembro

RIO DE JANEIRO
Vivo Rio
De 5 a 29 de janeiro

SÃO PAULO
HSBC Brasil
De 1 a 25 de março

23.5.11

Paul in Rio e outras histórias de mega shows

Paul no Maraca, 1990: eu fui
Em 1990, eu tinha 13 anos e fui ao show do Paul McCartney no Maracanã. Fui com a minha prima M., que é 20 anos mais velha do que eu e se ofereceu para me levar, junto do grupo de amigos dela. Fiquei ao mesmo tempo grata e fascinada, porque claramente ela estava me tratando como uma verdadeira adulta, ao me levar para aquele programa, com pessoas que eram todas 20 anos mais velhas do que eu, e todo mundo me tratando de igual pra igual (pensando bem, ela tinha, na época, a idade que eu tenho hoje). Eu me senti o máximo, e amei aquela experiência de ouvir Hey Jude e Fool on the Hill ao vivo, com alguns milhares de pessoas cantando no coro. Aquela época talvez tenha sido o auge da minha beatlemania, que tem até hoje ótimas reverberações.

A-ha na Apoteose, 1989: eu fui
Não foi o meu primeiro mega show. Pouco antes (1989) eu tinha ido à Praça da Apoteose assistir ao A-ha, então no ápice da popularidade no Brasil (Stay ooooon this roooooad). Nesse mesmo ano ou no seguinte, não lembro bem, fui também ver o Oingo Boingo (quem não se lembra? Go, don't you go, Stay with me one more daaay) no estádio do Flamengo na Gávea, um local meio bizarro para esse tipo de evento.
Ainda em 1990 assisti a um histórico show do Legião Urbana no Jóquei, justo no dia da morte do Cazuza, o que causou grande comoção. Minhas lembranças são esparsas, mas muito boas.

Legião no Jockey, 1990: eu fui
Em 1991 fui a pelo menos dois dias do Rock in Rio 2, que eram os dois dias do Guns N Roses. Lembro que um dos dias era mais "pop", com Faith No More (de quem, aliás, fui a outro show, sei lá em que ano, no Maracanãzinho) e, acho, Titãs, e o outro dia era o "dia do metal", com Sepultura, Megadeth e Judas Priest - este último, bem me recordo, foi um suplício, porque era o penúltimo show, foi longuíssimo, e foi um saco, todo mundo já exausto, com fome e sede, sentado no chão, e no palco aqueles metaleiros velhos acorrentados, gritando qualquer coisa por cima de uma bateria enlouquecida. Enfim, heavy metal. Neste dia teve o famoso show em que o Lobão foi vaiadíssimo, porque entrou com a bateria da Mangueira num show logo depois do Sepultura. (Faltou briefing, eu diria.)

Guns N' Roses no Rock in Rio 2, 1991: eu fui
Fui a uma porção de Hollywood Rocks nos anos 1990. Vi de novo Faith No More, vi Red Hot Chilli Pepers - mais de uma vez. Vi Bon Jovi, que eu adorava, Skid Row, Living Colour, Paralamas do Sucesso. Assisti ao auge do grunge, tendo Nirvana como grande nome da noite, antecedido por Alice in Chains (até comprei um CD dessa banda, meu deus!), L7, Poison e sei lá mais quem.

Nirvana no Hollywood Rock, 1993: eu fui
Em janeiro de 2001 eu trabalhava num site de música, e fui vários dias ao Rock in Rio 3, para escrever matérias. Foi a primeira e única vez que vi um show de Cássia Eller, que foi muito melhor do que eu jamais esperara. (Foi também, graças a deus, a primeira e única vez que vi um show do Supla, espero que para sempre.) Vi o show do REM, que foi incrível. E, talvez retribuindo ao que minha prima fez comigo em 1990, levei minha prima C., que é mais jovem do que eu e mora em Assunção, Paraguai, para assistir ao Red Hot Chili Peppers numa das noites em que eu só precisava cobrir os shows nacionais, portanto poderia ter voltado para casa às 22h, e não às 4h. De ônibus.

Cássia Eller no Rock in Rio 3, 2001: eu fui
Todo esse nariz-de-cera é pra esclarecer que já fui a muito mega-show em minha vida. Já passei muitas horas em filas, já enfrentei muito empurra-empurra, já passei fome, sede, frio e vontade de fazer xixi em condições desfavoráveis. Já cantei a plenos pulmões, acendi isqueiros que não tinha só pra compor o clima da música lenta, já subi no ombro de amigos para poder ver melhor e fui devidamente xingada por quem estava atrás (com toda razão, diga-se de passagem). Já peguei chuva, já tive que voltar andando por muitos e muitos quilômetros até encontrar algum tipo de transporte na madrugada, já tive que correr de confusão, já me perdi dos amigos no meio da multidão. E tudo sempre valeu a pena. Sempre eu chegava em casa muito feliz.

Acredito que seja em virtude de toda essa, digamos, quilometragem, que eu não me imagino mais indo a nenhum show desse tipo, na vida. Simplesmente não cogito mais a hipótese de, pra começo de conversa, assistir a um show em pé. Não dá. Não consigo imaginar nenhum artista que me faça passar de novo por essa situação.
Queen no Rock in Rio 1, 1985: ok, a este eu não fui
Não sei em que momento exato se deu essa transformação, de frequentadora habitual e não-cogitante. Achei que era, sei lá, uma coisa da idade. Afinal, né. Não estamos ficando exatamente mais jovens, filhos, etc., aquela situação ladeira-abaixo que todos conhecemos. Mas não. Não só metade dos meus amigos foi ao show do Paul McCartney hoje (a outra metade foi ao show dele ano passado em SP) como todos reagem com certo espanto quando eu falo, como se fosse um fato dado, que ir a show em pé não dá mais etc. (E nesse etc. entra o fato de cada ingresso custar uns 800 reais, ordem de grandeza que eu não me lembro de corresponder à realidade nos meus tempos de Hollywood Rocks da vida.) Talvez tenha sido uma certa mudança nas minha preferências musicais - ou, mais ainda, na forma como eu escuto música. O evento não me fascina mais, a energia da multidão, que me era tão cara, hoje me dia me parece exaustiva. Mas acima de tudo, não posso mais ir ao show de música para não ouvir a música direito. Parece simples, mas não é.

Paul no Engenhão, 2011: nem pensar
Seja como for. Espero que todos que tenham ido ao show hoje no Engenhão (no Engenhão!) ou que vão no show extra de amanhã se divirtam tanto quanto eu me divertia nessas priscas eras. Enquanto isso, vou ver o que restou da temporada de concertos no Teatro Municipal (hehe, mentira, nem orquestra tem mais nesta cidade...).

16.11.10

Brincando com Beethoven

Não se preocupem. Não vou encher a paciência dos meus 21 leitores falando que Mathilde está com uma tosse terrível que não vai embora e faz com que ela e eu passemos a noite em claro. Tampouco vou ficar aqui escrevendo que Oliver teve suas primeiras cólicas - porque afinal todo mundo sabe o sofrimento que é isso, e esse blogue não é fã de textos autocomiserativos. E muito menos vou ficar aqui me remoendo com o fato de que o pai dessas crianças adoráveis está viajando desde terça passada e só volta de vez no próximo domingo, o que faz com que as coisas fiquem beeeem mais difíceis.
Não, nada disso.
Vou deixá-los com uma das coisas mais incríveis que já vi no YouTube. Um menino de 3 anos regendo Beethoven. E a-do-ran-do. Todo mundo já viu aqueles fedelhos de 2 anos tocando Mozart no piano ou Paganini ao violino, né? Crianças-prodígio abundam, desde que o mundo é mundo. Mas um minimaestro eu confesso que nunca tinha visto. E vejam até o final, pois tem um grand finale.



http://www.youtube.com/watch?v=0REJ-lCGiKU

22.11.09

Portátil

Como faço todo ano, divulgo aqui que estão abertas as inscrições para a EPM - Escola Portátil de Música, ano letivo de 2010.
São 26 cursos diferentes, de instrumento, teóricos, práticos, tendo como professores os melhores instrumentistas do Rio de Janeiro - sem favor - no ramo da música popular. O foco é o choro (não se diz chorinho, vocês sabem), e do choro se parte para tudo quanto é gênero que compõe a música popular instrumental brasileira.
As aulas acontecem nas manhãs de sábado, na Uni-Rio (Urca), e os preços são bastante em conta. No site tem todas as informações.

Eu já fui aluna da EPM por alguns anos, e, como praticamente todo mundo que passou por lá, me tornei catequista da causa. O clima na EPM é tão bom, você se sente tão à vontade, tão privilegiada de estar ali fazendo parte de uma coisa tão, tão bacana, que é difícil não querer incutir essa vontade nas pessoas que a gente gosta.
Pode ir assistir, também. Todo sábado 12h30 tem ensaio do Bandão, aberto ao público. Veja só como é:



A qualidade do video é ruim, mas dá para ter uma ideia. E se alguém tiver notícia de outro conjunto que soe melhor reunido uns 40 pandeiros, 80 violões, 20 cavaquinhos, 10 bandolins, 30 flautas, 6 trompetes, 2 trombones, 1 tuba, 10 saxofones, 15 clarinetas e 4 contrabaixos acústicos, me avise, porque eu juro que não conheço.
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13.8.09

Jacob


Hoje faz 40 anos que Jacob do Bandolim morreu.
Se não fosse pelo email de HBC, a data passaria em branco para mim.
Os que acompanham esse blogue hão de saber que fui, há algum tempo, atingida pelo vírus do choro, a música brasileira instrumental por excelência. Já faz anos que não cometo a gafe de chamar de "chorinho" e que batalho pela maior divulgação desse maravilhoso gênero musical, em especial do choro contemporâneo, tão bom quanto desconhecido do grande público (assunto que merece um post próprio, em breve).
Mas antes de chegar no choro de hoje, é claro, ouvi -- e ouço -- muito os grandes mestres, Jacob em destaque entre eles.
Jacob foi uma figura meio sui generis na roda dos chorões. Nasceu na Lapa, no seio da boemia carioca, mas de boêmio não parecia ter nada -- ao menos não na acepção mais desregrada da boemia, porque sabemos que ele era o rei do sarau. Começou a tocar bem cedo, logo passou a figurar na rádio com conjuntos regionais, teve sucesso, tinha bastante trabalho. Mas mesmo assim, resolveu não depender exclusivamente da música para prover o sustento da família: prestou concurso público e tornou-se escrevente juramentado da Justiça. Mesmo dando expediente na repartição, trabalhou muito pela música. Gravou, compôs, ensaiou, formou conjuntos, e o que é mais incrível: era um pesquisador nato. Dono de um arquivo fabuloso que juntou ao longo de toda a vida, era minucioso na sua organização, e graças a ele temos acesso a um sem-número de partituras, informações e fitas de rolo com gravações de choros dele e de outros, gravadas com o intuito de preservar. Dava saraus famosos em sua casa em Jacarepaguá.
Gravou muitos discos importantes e históricos. Tocava Ernesto Nazareth numa época em que isso não era muito comum (dedicou-lhe um disco inteiro). Homenageava chorões das gerações anteriores, como Anacleto de Medeiros e Joaquim Callado, de quem gravou, respectivamente, Três Estrelinhas e A Flor Amorosa, entre outras. Tocava sambas, acompanhava cantores, e compunha espetacularmente. Suas interpretações são, até hoje, "a" referência para qualquer bandolinista, mas não só para eles. Qualquer instrumentista de choro tem no Jacob um norte para a interpretação para um vasto repertório. Não exagerava, o Jacob -- tampouco fazia por menos. Dizia tudo.
Era um músico incrível.
As composições são um caso à parte. Sou fã devotada das músicas de Jacob. De seus choros ditos "clássicos", como Noites Cariocas ou A ginga do Mané (homenagem ao Garrincha), de suas valsas, como Pérolas ou Feia (de infeliz batismo), e mais ainda nos sambas-choro, gênero em que acho que ninguém o superou. Basta ouvir Bole-Bole, meu favorito, mas também Receita de samba, Diabinho maluco ou Treme-treme para poder dizer, sem medo: gênio.
O pessoal do Instituto Jacob do Bandolim faz um trabalho lindo de preservação de seu acervo, de sua memória e de sua música. Eles têm uma campanha para conseguir imagens em vídeo do Jacob. Por incrível que pareça, apesar de ter sido um artista "midiático" e muito conhecido em sua época, só se tem, até hoje, uma única imagem em movimento do Jacob, de poucos segundos: uma entrevista em que ele fala a um repórter - mas o áudio se perdeu. O IJB colocou no ar (reparem que ele parece estar saindo de cinema mostrando Os Sete Samurais!):



Outra gravação pra lá de clássica, lançada em disco (e CD), mas que não tem registro em vídeo, é o show do seu conjunto, o Época de Ouro, com Elizeth Cardoso e Zimbo Trio, no Teatro João Caetano, no Rio, em 1968. Desse disco, acho que a faixa mais conhecida, com justiça, é Barracão. Como no YouTube de tudo se acha, encontrei essa montagem que alguém fez, com imagens de favela (!). Esqueça as imagens, fique navegando, mas deixe tocar e preste atenção ao solo quando a Divina Elizeth fala "Dá-lhe, Jacob!":



Mas a verdade é que não se pode falar de Jacob e sua música sem mencionar Vibrações, de 1967, considerado por muitos o maior disco de choro de todos os tempos. É uma alegria ouvir de tempos em tempos esse disco. Como não existem videos do Jacob, e eu não sei postar audios, então quem quiser ouvir tem que correr atrás. Eu gosto muito. Nesse meio tempo, mais uns youtubes selecionados:

Diabinho Maluco



A Ginga do Mané




Noites Cariocas



Mimosa






28.7.09

Agora em SP

.Vou sábado, volto segunda de manhã.
(Clique para ampliar)
PS: Não foram ainda visitar o site do projeto? Puxa vida...
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26.6.09

Música, apenas

M. sapecou algumas fotos ótimas do concerto!

O show de segunda foi um enorme sucesso. A Cecília Meireles lotada, numa segunda à noite. E o concerto, lindíssimo. Fiquei muito feliz.

E enquanto ouvia a música, voltei a pensar em algo que já vinha matutando desde há algumas semanas, quando fui ao um concerto da Rio Folle Journée* com M., na mesma Sala Cecília Meireles.** Que é sobre assistir concertos de música clássica e música instrumental. Gosto tanto porque são ocasiões em que não há nada competindo com a música. Não há filme. Não há história. Não há mise en scene. Não há luzes piscando. Não dá pra dançar. Não dá pra conversar. Não há letra para entender. Nada para tirar sua atenção. Não há opção a não ser ouvir. Apenas.

*Sempre tento ir nesses eventos. Rio Folle Journée, Rio Restaurant Week, Festival de Cinema do Rio. Porque são tantas as desvantagens de se morar numa megalópole, que me sinto na obrigação de aproveitar as vantagens.
**Este ano toda a programação de clássicos está sendo na Sala porque o Municipal está em reformas. Como vocês sabem, 2009 é o centenário da inauguração do Municial. Aí hoje vi na televisão do elevador do trabalho que a previsão de término da obra é dezembro. Não é sensacional? No ano inteiro do centenário o Teatro vai ficar... fechado! Como é que ainda me surpreendo com essas coisas?
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22.6.09

Hoje 20h30


Estarei lá.

17.6.09

As razões do meu sumiço

Não que alguém esteja curioso, mas.

Primeiro motivo, esse lindo projeto. Lindo, mas que está me dando uma tremenda canseira, que coordenar uma coisa dessas enquanto se trabalha em outro lugar de 9 às 6 não é bolinho. Mas ó: atentem para a agenda dos shows, façam download das músicas, enfim, aproveitem.

Segundo motivo, a tradução. Que, meus queridos, acabei. Exatas 539 páginas de Word, Times New Roman corpo 12, entrelinha 1,5. Querem mais números? 208.085 palavras. 1.112.366 caracteres sem espaço. 1.319.149 caracteres sem espaço. 2.509 parágrafos. 17.626 linhas. Estou agora dando uma lida geral e final em tudo. Ainda falta metade. Mas, nossa, orgulho imenso. Penso até em fazer uma noite de autógrafos quando for publicado, hahaha.

Terceiro motivo, o trabalho. Que minhas funções aumentaram. Bastante. Salário aumentou também, não tão bastante assim, mas anyway. E mudei de sala, agora tenho vista para a Baía de Guanabara e Pão de Açúcar. Depois mando fotos no estilo "sorry, perifa". Mas aí fiz seleção para estagiário, pois a grã-fina com motorista saiu fins de maio. Morri de rir quando li na Bel:
"Vou pra sempre imitar Liz Lemon: "OMG! Youths!", e sair correndo."
Porque foi quase isso. Esse pessoal nascido na época da Olimpíada de Seul. Mas nem posso reclamar. Entrevistei 15 almas, e pelo menos 7 eram bons candidatos - excelente média, me garantem amigos do mercado editorial que passaram por isso recentemente. Fiz uma shortlist de 3, que foram hoje para uma segunda entrevista, e escolhi, junto com Mr My Boss, uma jovem de cabelos vermelhos e unhas pretas.
Mas o engraçado foi ver os currículos, e o que as pessoas acham que devem incluir. "Canoa havaiana", por exemplo, tinha num currículo. "Possui carteira de motorista", em outro. Youths!

Quarto e melhor motivo de todos, Mathilde. Que cada vez mais é a maior alegria do meu dia, da minha vida, de meu tudo. Desandou a falar uma porção de coisas. E se revelou uma garota de Ipanema. Não podemos passar pela praia ou pela Lagoa de carro que começa a gritar "A paia! A paia!" (pois é, tem essa mania de falar várias coisas precedidas do artigo definido). E na semana passada, estávamos na casa da minha mãe e ela olhava pela janela (cuja vista não é para a praia) e gritava "A paia! A paia!", então a levamos até a praia, que fica a dois quarteirões só. Nossa, que acontecimento. Quando estávamos a meio quarteirão de distância, e ela se tocou que estávamos mesmo indo para a praia, ficou louca. Gritava maniacamente, começou a correr, uma coisa. E, bem, estava frio, né? Então minha mãe ficou no calçadão e eu desci com ela, as duas de calça e camiseta, e ficamos sentadas na frente do mar. E ela sentada, parada, olhando para o mar. E eu brincava um pouco com areia, e cavava um buraco, ela brincava e tal. Mas logo levantava, se afastava um pouco, sentava sozinha e ficava contemplando o mar. O que se conclui desse comportamento, eu juro que não sei.

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24.3.09

A canção infantil em debate (IV)

"Atirei o pau no gato", por Bolila

Estou vivendo num musical.
Mathilde não fala, ainda, nada além de Apsbsbttsts Prtbtbtbá. Mas canta. Muito. O dia inteiro. Sem parar.
No início ficamos impressionados. Mal tinha completado um ano e já repetia as primeiras frases melódicas de "Frere Jacques" (aliás, "A baleia", que é a versão séc 21 desta melodia - não mais a história de um pitoresco frade dorminhoco que precisa acordar porque soam as matinas, ding ding dong. Agora temos uma baleia, amiga de uma sereia, que faz tchibum chuá. Cultura de massa, pff.). Agora nossa pequena Mozart incorporou mais duas peças a seu repertório: "Atirei o Pau no Gato" e "Escravos de Jó". Um talento.
Sobre "Atirei o Pau no Gato", não sei se os amigos que não têm filhos pequenos estão sabendo, mas existe agora uma versão politicamente correta, chamada "Não Atire o Pau no Gato". O que deveria ser apenas uma piada, claro, mas por incrível que pareça, levaram a sério: "Não atire o pau no gato-to-to/ Porque isso-so-so/ Não se faz-faz-faz/ O gatinho-nho-nho/ É nosso amigo-go-go/ Não devemos maltratar os animais/ Jamais!". Inacreditável, não? Na minha casa manda a tradição. O gato não morreu e dona Chica admirou-se do berro que o gato deu, Miau. E se um dia ela vier da escola dizendo que a letra certa é a outra, vou ter que mandar um bilhete, dizendo que na minha casa a gente atira o pau no gato metaforicamente, sim, para não fazer isso na prática. Ora essa, onde já se viu.
Já "Escravos de Jó", que é uma melodia ótima, que vem junto de brincadeira de passar objetos, tem aquela letra misteriosa. Não se sabe se é uma espécie de manifesto gay ("tira! bota!", "guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá" - que será isso, deus meu?) ou que regras tem o tal jogo de caxangá. Mas o fato é que rola uma divergência aqui em casa em relação à letra. Eu canto de um jeito, marido de outro. Uma palavra de diferença. Quero saber qual a versão que vocês conhecem, pra tirar a prova. Então, por favor completem a lacuna, na caixa de comentários.

Escravos de Jó
Jogavam caxangá
Tira, bota,
Deixa o Zé Pereira _________
Guerreiros com guerreiros
Fazem zigue zigue zá


Mais sobre o assunto: Boi da cara preta, O cravo brigou com a rosa, Pai Francisco entrou na roda.
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29.12.08

Coisas bacanas

(Alguém há de ter percebido que estou tentando tirar o atraso de posts. Montes de assuntos, muitos dias sem atualizar blogue... Enfim, corra, Lola, corra.)

Não sou de campanhas ou abaixo-assinados virtuais, correntes de email, mensagens de fim de ano, avisos sobre novos golpes em caixas eletrônicos ou cartões de crédito, nada disso.
Maaaaas
Aqui vão duas coisas muito legais, pra quem ainda não sabe.
A primeira é o movimento 18 de dezembro. É uma rede de apoio a jovens israelenses que foram ou estão presos por se recusarem, por motivos ideológicos, a prestar o serviço militar obrigatório. Acho uma causa muito válida. Para visitar o site, clique aqui.


A segunda é a EPM. Conheço o projeto e recomendo a todo mundo que gosta de música popular brasileira. Seja para ser aluno, seja para aparecer lá apenas para assistir. Pena ser só no Rio de Janeiro.
Estão abertas, pelo site www.escolaportatil.com.br, as inscrições para o ano letivo de 2009 da mais importante escola de música popular do Brasil. Em atividade desde o ano 2000, a Escola Portátil de Música tem como foco o ensino da linguagem do choro. Serão oferecidas oficinas de instrumentos (violão, cavaquinho, pandeiro, flauta, bandolim, clarinete, saxofone, trompete, trombone, tuba, percussão, bateria, piano, contrabaixo, canto, canto-coral), aulas de apreciação musical, harmonia, leitura rítmica, composição, arranjo, improvisação, contraponto, produção fonográfica, solfejo, escrita para percussão, além de práticas de conjunto, como acompanhamento de samba, prática de regional, e o famoso Bandão, "o maior regional do mundo" (veja aqui e aqui). As aulas acontecem aos sábados, na Uni-Rio (Urca). Entre os professores da EPM estão Mauricio Carrilho, Luciana Rabello, Cristovão Bastos, Pedro Amorim, Celsinho Silva, Oscar Bolão, Rui Alvim, Pedro Paes, Pedro Aragão, Paulo Aragão, Bia Paes Leme, Jayme Vignoli, Marcilio Lopes, Luiz Flavio Alcofra, Ana Rabello, Anna Paes, Amelia Rabello, Ignez Perdigão, Thiago Osório, Nailson Simões, Antonio Rocha, João Lyra, Jorginho do Pandeiro, Naomi Kumamoto.

Mais um serviço Terapia Zero.

11.10.08

Cartola 100 Anos


Tenho uma porção de coisas pra escrever.
Muitos posts já redigidos mentalmente.
Hei de escrevê-los.
Mas por ora, só uma homenagem.
Porque a trilha sonora aqui em casa hoje foi uma só.
(A foto é manjadésima, mas é tão linda...)
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12.5.08

O melhor disco do ano

Atenção para o jabá.

Lançamento do novo CD do Quarteto Maogani de violões.
Sexta, 16/5, 20h30, Sala Baden Powell (Av N Sra de Copacabana, 360)
Ingressos a R$ 10 e R$ 5
Mais informações em http://www.maogani.com.br/

Eu vou!
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8.5.08

Editor's picks

Outros discos que temos ouvido sem parar:



Mais aqui




Mais aqui


(Eu gostaria muito de colocar aqui players de modo que todo mundo pudesse ouvir um pouco. Mas até hoje não descobri uma boa ferramenta, simples, descomplicada e eficiente, para isso. Alguém?)

25.2.08

A pulga -- Auf Wiedersehen

Não é mais um número de A canção infatil em debate, mas A Arca de Noé é mais um disco que voltei a ouvir bastante -- para minha alegria.

Agora, essa letra...

Um, dois, três
Quatro, cinco, seis
Com mais um pulinho
Estou na perna do freguês

Um, dois, três
Quatro, cinco, seis
Com mais uma mordidinha
Coitadinho do freguês

Um, dois, três
Quatro, cinco, seis
Tô de barriguinha cheia
Tchau, Good bye, Auf Wiedersehen

"Tchau, Good bye, Auf Wiedersehen"?!
Hahaha! Era um pândego esse Vinicius de Moraes!

12.2.08

Feminina

Mathilde já tem um disco favorito.


Por causa, claro, dessa fofura de música:

http://www.goear.com/listen.php?v=23dd20e

Eu gosto muito. Mas bom mesmo é dançar com ela no colo, todo dia de manhã, ao som desse samba muito bom:

http://www.goear.com/listen.php?v=07452d0


Bom gosto :-)

9.12.07

Momento jabá

Estou na campanha. Vote na Escola Portátil, na categoria Segundo Caderno/Música.
www.oglobo.com.br/fazdiferenca
Tá legal, tem uma pentelhação de ter que se cadastrar no site d'O Globo, mas vocês já são todos cadastrados, não é mesmo?
;-)