28.10.08

Desamor


Meu grande presente de aniversário, no dia 5, foi a ida do Gabeira para o segundo turno da eleição municipal, com chances reais de vitória. Há tempos não me empolgava com uma eleição, e acompanhei com interesse e espírito de torcida cada resultado divulgado de pesquisa. Por isso, sinto-me arrasada com o resultado das urnas ontem, uma derrota por diferença ínfima, 55 mil votos, ainda por cima sabendo que a abstenção foi de quase um milhão de eleitores. Sei lá se o domingão de sol e calor combinado ao feriado do dia do funcionário público convenientemente antecipado para segunda teve influência decisiva. O que sei é que teremos mais do mesmo, mais da mesma politicagem de sempre camuflada no discurso bocó do bom administrador, síndico etc. A pilantragem toda comemora. Por aqui, só o cansaço, cansaço. E pior de tudo é saber de gente com discernimento que não votou no Gabeira por uma tal fidelidade ideológica ou algo semelhante, não votou por se considerar de esquerda, qualquer coisa assim, como se isso fosse mais importante do que a cidade onde se vive.
Pois não é.
Acabamos de perder uma chance rara de fazer alguma diferença.
Essa declaração de desamor ao Rio de Janeiro, eu confesso que não engulo, não.
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20.10.08

Ruibarbo et cetera


Bel Seslaf fez um post que citava iogurte de ruibarbo.
Ruibarbo.
Ruibarbo.
É. Sem dúvida.
Ruibarbo acaba de entrar na minha lista de palavras mais feias da língua portuguesa, ao lado de cônjuge, regozijo, fronha (colaboração de Ângela F.), flâmula e amêijoa.
Tenho também a lista das mais lindamente eufônicas, que inclui serelepe, oxigênio, palíndromo, sicofanta e, hors-concours, Pernambuco, um caso de puro virtuosismo, 10 letras, nenhuma repetida.

(Ruibarbo no Google: 5 primeiros links para Rui Barbosa. Tsk.)
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18.10.08

Sábado

Quando ele chegou eu já o esperava havia três horas. Entrou e me achou na sala, lendo o jornal.
Oi, tudo bem?
Tudo.
Não dei chance:
Vou sair pra jantar, estou morrendo de fome.
Não tem comida?
Não.
Quer pedir alguma coisa?
Não. Quero sair.
Calcei os tênis, vesti um casaco e saí. Só na esquina, quando as gotas embaçaram por completo as lentes dos óculos, dei pela chuva. Não corri nem procurei uma marquise. Era boa, até, a chuva, à noite, pelas ruas escuras e desertas.
Na vizinhança indigente de opções gastronômicas, fui para num filé com arroz piamontesa e bolinhos de queijo, num lugar onde uma lata de suco industrializado de goiaba custa incríveis quatro e cinqüenta. Comi com gosto, no meio de uma balbúrdia de pessoas. Tomei um sorvete de sobremesa, sem nem ligar para o troco dado em muitas moedas de cinco.
Não quis voltar imediatamente pra casa.
Ousei, passei no cinema, para ver se o horário batia com alguma coisa boa. Não batia. 6 salas, e nada. E eu não ia sair de um jejum de 9 meses sem cinema pra ver qualquer coisa. Entrei na livraria do cinema, onde decerto tenho grande afinidade com o livreiro, pois todos os livros que quero ler estavam dispostos lado a lado. Bernardo Carvalho, Cristovão Tezza, Luiz Ruffato, Carola Saavedra, Sandor Marai, Philip Roth, Paul Auster, Agualusa, Cees Nooteboom, um ao lado do outro. Suspirei com a angústia de quem não conseguiu ainda ler os livros todos ganhos no aniversário de 2007, que dirá ainda os que ganhei este ano (mas já comecei pelo Bioy que ganhei de A. & J.), e não comprei nada.
Voltei por uma rua diferente, debaixo da mesma chuva.
Sinto que a estação está mudando - dentro de mim, também.
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11.10.08

Cartola 100 Anos


Tenho uma porção de coisas pra escrever.
Muitos posts já redigidos mentalmente.
Hei de escrevê-los.
Mas por ora, só uma homenagem.
Porque a trilha sonora aqui em casa hoje foi uma só.
(A foto é manjadésima, mas é tão linda...)
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5.10.08

384 meses


Obrigada, obrigada...


3.10.08

9 meses


Caminhando e cantando e seguindo a canção

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26.9.08

Weaning

Aos poucos volto a ter uma vida social (não-infantil, bem entendido). Nas últimas semanas fui a um jantar baiano, a uma festinha no botequim, à ópera do Theatro Municipal, a um show de música, a uma festa de casamento. Tem aquela palavra inglesa, weaning, que literalmente significa "desmame", mas que carrega um sentido mais abrangente, de distanciamento e desapego, importante e necessário. E, é claro, é muito mais difícil para mim do que para Mathilde.
Ah, sim, falemos de Mathilde.
(E periodicamente eu me sinto na obrigação de dar uma satisfação àqueles que conhecem o blogue há pouco tempo. O nome dela não é Mathilde, viu? Mas sigamos.)
Mathilde já é decididamente bípede. Vejam essa foto, do início de setembro.


(Mas por via das dúvidas, usa joelheiras antiderrapantes. Haha.)


De mãozinha dada, anda pra qualquer lado. Anda e corre, como uma doidinha. Já dá uns 3 ou 4 passinhos sozinha, daqui prali, na maior felicidade. É contagiante. Estou conformada que tamanha metidez e precocidade vão lhe render umas pernas tortas. Ela não tem nem 9 meses.
A felicidade dela é qualquer coisa de espetacular. São tantos sorrisos e risadas que é impossível ficar chateada ao acordar 6 da manhã. E, bem, ela ainda acorda de madrugada, que ninguém é perfeito. Come muito, e de tudo. Arrisco a dizer que o prato dela é similar ao de uma mulher adulta (de dieta). Para um ser humano de 72.5cm e 8.5kg é espantosamente muito. E ainda mama, de manhã e de noite.
É uma rueira de marca maior. Quando começa a dar defeito, a solução é levar para um passeio, seja no canguru ou no carrinho. Na rua ela está sempre bem, conquistando corações alheios. Esse mês inteiro de chuva e tempo ruim tem sido, portanto, uma catástrofe para nós.
Fala pelos cotovelos. Ela fala mamãe, mas não liga o nome à pessoa. Quase tudo é mãmãmãmã. (O que é extremamente perspicaz: mãe é tudo.) E quando toca o telefone, diz algo remotamente parecido a "alô".
A vida social dela também está bombando. Semana passada fomos ao teatro, ver uma peça para bebês muito legal. Recomendo. Mathilde se esbaldou, e era a criatura que mais se expressava na platéia, falando o tempo todo. Ai ai.
No dia seguinte, o primeiro evento vip: a festa de 1 ano da filha de um astro global, casado com uma diretora de novela global, que por acaso foi minha colega de colégio no primário. Não foi daquelas festas temerárias, foi até legal, no apartamento deles, que alugaram piscina de bolas, uns brinquedos e talz. E celebs, ah, muitas. Não vou dizer que lá estava le tout Rio, mas posso dizer le tout Projac sem medo de errar. E umas crianças de roupinhas Adidas. E pipoca orgânica servida por garçons. O mundo me diverte.
O que mais? A babá do pé quebrado se recupera bem, mas acho que vamos ter que renovar por mais um mês com a babá-sub. Que aliás é ótima, se dá super bem com a pequena, já se afeiçoou a ela, levou foto pra casa e tudo. Conquistadora, ela é.
Esta semana começamos a visitar as creches do bairro. Fico, no geral, meio mal impressionada. Tudo me parece depósito de criança, sei lá. Mas a idéia é colocá-la, quando fizer 1 ano, por umas 4 horas diárias. Vejo mais vantagens do que desvantagens nesse início de institucionalização da vida.
Porque é aquilo, né? Criar para o mundo. Weaning, weaning, weaning.
Abaixo, registro do desapego, pleiteando a candidatura à presidência do movimento "Mães sem frescura": brincando na rua, cercada por C. e P., que tomam conta e não deixam que nada de mal lhe aconteça...


P.S.: Sobre a questão de postar ou não postar fotos. (Uma questão que dividiu meus leitores.) Teve um comentário da querida Meg Marques que resume mais ou menos o que penso, e que reproduzo aqui:
"Eu não acho que colocar fotos na internet seja mais perigoso do que andar com as crianças na rua. Algum tarado pervertido pode ver minhas filhas pela internet? Pode. Mas, e daí? Quando eu vou ao supermercado, ao banco, ao shopping, à pracinha, a qualquer lugar com elas, muito mais gente as vê, mais gente me ouve chamando-as pelo nome, as pessoas as vêem com o uniforme da escola onde estudam, etc. A probabilidade de alguma dessas pessoas ser um tarado pervertido é a mesma. Mas eu não vou deixar de andar em público com as meninas, nem colocar um véu na cabeça delas, à la Michael Jackson. Se alguém for causar algum mal a nós vai ser uma dessas pessoas na rua, que pode nos seguir, descobrir onde moramos, etc.
Enfim, acho meio paranóia esse negócio de não pôr fotos na internet."
Eu também penso assim, mas com uma ressalva: não posso decidir não levar Mathilde para a rua para não expô-la. Educá-la em casa e trancá-la entre 4 paredes obviamente não é uma opção. Já colocar ou não suas fotos no blogue é uma escolha minha.

15.9.08

A boa filha à casa torna

Passei o fim de semana com Mathilde na casa da minha mãe. Apesar de ir quase toda semana lá, acho que desde que vim morar com Marido não passava uma noite. É como mágica. Roupas sujas que aparecem limpas, comida sempre fresquinha e gostosa sem que se precise ir ao supermercado, café quente e pronto de manhã, e principalmente, todo aquele carinho e aconchego imbatíveis.
Ressalte-se que nem quando mudei de casa carreguei tanta tralha. Berço desmontável (recuso-me a dizer "portátil"), cadeirinha de comer, várias mudas de roupas, toda a parafernália de praia, piscininha, fralda aquática, biquíni, brinquedinhos - tudo isso para passar um fim de semana com tempo londrino, em que não deu nem mesmo pra chegar no calçadão.
Voltei pra casa domingo depois do almoço. Hoje é segunda. Mathilde, como sempre, jantou sua papinha show, leguminhos delícia, franguinho todo temperadinho, gostosinho, e tal. A rainha-mãe aqui jantou o quê? Miojo.
Ah, realidade.
(E no entanto. Há tantos anos eu não comia Miojo. Acabei lembrando da época em que eu ia acampar em Ibitipoca-MG, tinha eu meus 17, 18 anos. O programa era fazer imensas caminhadas durante o dia, em busca das cachoeiras mais incríveis, e passar as noites à base de álcool, drogas, jogo, sexo - i.e.: cerveja, um baseado, sueca e uns namoricos. E Miojo, claro, que o PF da venda da cidade não era luxo pra todo dia. E pra chegar lá era um périplo. Pegava-se um ônibus até Juiz de Fora. De lá, outro até Lima Duarte. Ali era preciso pegar carona num caminhão de leite até o camping que ficava perto do parque. Acho que eu poderia ficar um tempão lembrando dessas viagens. Tudo por causa do Miojo. É isso: madeleine de pobre é miojo.)
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14.9.08

Em tempos de grampo...


... uma história ótima da família v., que conheci esta semana.
Tia G. teve sete filhas mulheres. Mais duas que não sobreviveram. Nove gravidezes, e nenhum cromossomo Y na parada. Apesar de ter passado boa parte da sua vida adulta parindo, amamentando, grávida, ou as três coisas ao mesmo tempo, Tia G. tinha uma vida muito intelectualizada, lia à beça, tinha uma coleção soberba de música clássica, e trabalhava com assuntos relacionados a turismo na China. Isso nos anos 60/70, quando não havia esse oba-oba em torno da China. Aliás, não havia turismo na China, e esse é o mote da história. Por sua ligação com o país, Tia G. foi convidada pelo próprio Mao para ir à China, juntamente de outra bambambam do turismo profissional brasileiro. E foi. No total, disseram meus primos, Tia G. foi à China 17 vezes.
Mas bem. Então teve esse convite do Mao. E, época de ditadura no Brasil, grampearam o telefone de Tia G. Que sabia do grampo, claro. Então tratava de falar sempre ao telefone:
"Olha, meu filho, espero que você aí ouvindo tenha muita paciência, viu? Porque aqui em casa tem dez mulheres - eu, 7 filhas e 2 empregadas - e só um telefone. De modos que você vai ouvir muuuuita abobrinha, tá? Então tá avisado."
Uma família de pândegos, essa minha.

(Imagem: Telefonistas portuguesas. Daqui.)

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For the records

Pintei as unhas esta semana. De novo. Mão e pé. Desta vez, rosa clarinho: "Melissa".
Dois dias antes, fui ao salão cortar e pintar cabelo, passei hooooras.

Como dizia aquele rapaz, o William: "Woman, who art thou?"
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