16.8.08

Provações

Saber lidar com minha filha sozinha sempre foi, pra mim, uma questão de honra. Muitas vezes vi minhas amigas cercadas de babás 24 horas, empregadas, folguistas etc., e a impressão é que jamais ficavam a sós com seus bebês. E não saberiam o que fazer caso tivessem que. (Questões de classe média alta, dirão vocês. E são mesmo.) Por outro lado, não sou uma mãe-mártir e não quero provar nada pra ninguém. Ajuda é bom e necessário. Então, como já escrevi aqui, arranjamos uma babá/empregada 3 vezes por semana, no horário comercial. Que é uma ajuda imensa para nós dois que trabalhamos em casa.
Porém - ah, porém. No início deste mês, ela tropeçou e quebrou o pé. Está com gesso até o joelho. Pra completar, na semana seguinte ao acidente, a moça que vem de 15 em 15 dias fazer um monte de comida para mim e marido, que a gente congela, ligou no próprio dia para dizer que não vinha. É a primeira vez, em uns 2 anos ou mais, que ela nos dá um bolo. (E a autora de The Putzfrau Chronicles decerto dirá: haha.)
Estou me sentindo como na tirinha em que o Calvin quer brincar lá fora, porque está de férias, mas começa a chover. E ele resolve brincar na marra, mesmo com chuva. E fica falando alto, olhando pra cima: "Estou me divertindo muito na chuva, viu? Isso é o melhor que você pode fazer? Haha!". Até que começa uma tempestade de granizo e ele sai correndo pra casa.
Porque, pra completar, marido vai começar agora uma temporada de muitas viagens. E na próxima semana, por coincidência, me arranjaram uns compromissos importantes e fora de casa todos os dias. Que ralação. Mathilde vai rodar por aí.
Anteontem fui na Previdência com a outra, de pé quebrado, pra ver a coisa do auxílio-doença. E ficamos três horas para conseguir ser atendida pelo médico da perícia. Isso porque eu tinha ligado e marcado dia e hora. Três horas. E aí o médico a examinou e concedeu o benefício por 45 dias. Só que. Por um famigerado problema do sistema, o laudo que saiu do computador não diz nada disso. Diz que a decisão precisa de uma "homologação superior". Dr: "Pois é, está dando esse problema em todos. Mas o benefício está concedido, tá?". Eu: "Mas doutor, como é que a gente vai sair daqui apenas com um papel dizendo que não tem benefício nenhum concedido?". Dr: "Ah, não sei, tem que ver ali com o pessoal do administrativo".
E vou poupar vocês do resto dessa história, porque francamente, me deprime.

5 comentários:

Clara Lopez disse...

Não poupa não, ana, é pior, minha imaginação só imagina o pior, é melhor contar logo... ela tem o benefício ou não? e a mathilde vai ficar em boas mãos, claro... nem posso me oferecer para ajudar, pq não sei cuidar de bebê pequeno. De todo modo, boa sorte nos trabalhos, que valham muito a pena, literalmente, e tudo de ótimo pra vocês.
abraço,
clara lopez

Deh disse...

Meniina, que confusão cabeluda, hein? Eu, na qualidade de autora de The Putzfrau Chronicles (por sinal tristemente atualizado hoje) só tenho algo a dizer: sempre tem uma primeira vez, né? Mas ó, força na peruca, viu. Tá certo que tem aquela coisa que se a gente fosse diferente (em vários $entido$ inclusive) as coisas seriam mais fáceis porque teríamos um batalhão de serviçais full-time e não nos incomodaríamos com coisas desse tipo "ai, o que faço, estudo, trabalho, passo pano na casa ou aproveito pra fazer unha ou durmo, agora que o menino dormiu?". Mas sei lá. Apesar de tudo tudo não acho ruim. Não seria eu. Não sei se você pensa assim também.
Mas ai, tem hora que num é fácil.
Beijo!

Jussara disse...

Espero que essa fase passe logo e que vcs consigam superar esses transtornos. A parte do laudo é realmente deprimente, mesmo sem saber o resto da história :/. E acho super louvável e diria até, admirável, vc querer e saber lidar sozinha com a Mathilde :).

Anunciação disse...

Não é melhor desabafar,botar pra fora?Não faço a mínima questão de ser poupada.Sabe o que tenho descoberto?Que 90 por cento das dificuldades no serviço público é pura má vontade.Quando dá uma sorte,a gente encontra alguém que resolve em cinco,dez minutos o que outra havia marcado para daí a uma semana.

Isabella disse...

Que situação descabelante, Anna. A Mathilde rodar por ai vai ser o de menos, acredite.
Bola pra frente!