29.12.08

Coisas bacanas

(Alguém há de ter percebido que estou tentando tirar o atraso de posts. Montes de assuntos, muitos dias sem atualizar blogue... Enfim, corra, Lola, corra.)

Não sou de campanhas ou abaixo-assinados virtuais, correntes de email, mensagens de fim de ano, avisos sobre novos golpes em caixas eletrônicos ou cartões de crédito, nada disso.
Maaaaas
Aqui vão duas coisas muito legais, pra quem ainda não sabe.
A primeira é o movimento 18 de dezembro. É uma rede de apoio a jovens israelenses que foram ou estão presos por se recusarem, por motivos ideológicos, a prestar o serviço militar obrigatório. Acho uma causa muito válida. Para visitar o site, clique aqui.


A segunda é a EPM. Conheço o projeto e recomendo a todo mundo que gosta de música popular brasileira. Seja para ser aluno, seja para aparecer lá apenas para assistir. Pena ser só no Rio de Janeiro.
Estão abertas, pelo site www.escolaportatil.com.br, as inscrições para o ano letivo de 2009 da mais importante escola de música popular do Brasil. Em atividade desde o ano 2000, a Escola Portátil de Música tem como foco o ensino da linguagem do choro. Serão oferecidas oficinas de instrumentos (violão, cavaquinho, pandeiro, flauta, bandolim, clarinete, saxofone, trompete, trombone, tuba, percussão, bateria, piano, contrabaixo, canto, canto-coral), aulas de apreciação musical, harmonia, leitura rítmica, composição, arranjo, improvisação, contraponto, produção fonográfica, solfejo, escrita para percussão, além de práticas de conjunto, como acompanhamento de samba, prática de regional, e o famoso Bandão, "o maior regional do mundo" (veja aqui e aqui). As aulas acontecem aos sábados, na Uni-Rio (Urca). Entre os professores da EPM estão Mauricio Carrilho, Luciana Rabello, Cristovão Bastos, Pedro Amorim, Celsinho Silva, Oscar Bolão, Rui Alvim, Pedro Paes, Pedro Aragão, Paulo Aragão, Bia Paes Leme, Jayme Vignoli, Marcilio Lopes, Luiz Flavio Alcofra, Ana Rabello, Anna Paes, Amelia Rabello, Ignez Perdigão, Thiago Osório, Nailson Simões, Antonio Rocha, João Lyra, Jorginho do Pandeiro, Naomi Kumamoto.

Mais um serviço Terapia Zero.

Da série Diálogos verdadeiros via chat telemarketing


Com a OI

Ana MArcia: Olá Anna, em que posso ajudar?

Anna V.: Quero migrar meu velox para o plano 1 mega com ligações ilimitadas fixo-fixo. É possível? Meu número é 21-XXXX

Ana MArcia : olá boa tarde

Anna V.: Quero migrar meu velox para o plano 1 mega com ligações ilimitadas fixo-fixo. É possível? Meu número é 21-XXXX

Ana MArcia : oi boa tarde

Anna V.: Quero migrar meu velox para o plano 1 mega com ligações ilimitadas fixo-fixo. É possível? Meu número é 21-XXXX

Ana MArcia : boa tarde

Anna V.: Vc não está recebendo minhas mensagens?!

Ana MArcia : sim boa tarde

Anna V.: Pode responder?

Ana MArcia : boa tarde

Anna V.: Pode responder algo além de boa tarde?

Ana MArcia : para migra entre em contato com o suporte técnico 0800565658

Anna V.: Quero saber se essa velocidade está disponível na minha linha

Ana MArcia : Um momento, por gentileza.

Anna V.: No telefone me disseram que a migração é feita apenas pelo site!

Ana MArcia : Um momento, por gentileza.

Anna V.: ok

Ana MArcia : Obrigado por ter aguardado.

Ana MArcia : você já tem velox?

Anna V.: sim

Ana MArcia : sua linha tem disponibilidade sim para velox TERMINAL APTO PARA VELOCIDADE ATÉ: 8MB

Anna V.: ok, obrigada. para migrar então tenho que ligar para o suporte?

Ana MArcia : a migração você tanto pode fazer no suporte técnico 0800 56 56 58 ou com a loja oi.

Anna V.: o que preciso levar na loja oi?

Anna V.: para fazer essa migração?

Ana MArcia : os seus documentos originais.

Anna V.: quais?

Ana MArcia : não sei quais são.

Anna V.: e onde encontro os endereços das lojas?

Ana MArcia : você esta em qual cidade?

Anna V.: rio

Ana MArcia : não sei qual o endereço pois não moro no Rio de Janeiro.


Precisa continuar?!

Gostar é reconhecer

Já dizia alguém, sei lá quem, um desses teóricos da sociedade de consumo.
Gosto muito dos blogues linkados aqui à esquerda. E, claro, um dos motivos é que me reconheço um vários deles.
Tome-se por exemplo este post da Frida Helê sobre Brothers and Sisters. Poderia eu tê-lo escrito. Não cheguei a ponto de pegar a caixa na locadora, perdi vários episódios, principalmente da primeira temporada. Mas, como em qualquer novela, isso não importa, no capítulo seguinte você já deduziu e entendeu tudo que perdeu. A verdade é que gosto muito da série, pelos mesmos motivos citados pela Helê. Tanto que, nas noites de quarta, Marido já sabe que "vou ver minha novelinha americana". Também continuo fã de House, é claro. E também acho que uma vez por semana é ideal para esse tipo de dramaturgia. De resto, tenho que confessar que:
- gosto mesmo é da Kitty e do Kevin
- adorei esse reencontro com Rob Lowe, meu super ídolo do tipo poster na parede do quarto preso com durex de quando eu tinha 12 anos
- acho muito estranha aquela Holly que fala com o queixo projetado pra frente
- detesto aquela Julia, mulher do Tommy; aliás, casalzinho chato toda vida
- quando vejo aquela Sarah super linda e competente tenho vontade de fazer vestibular para administração de empresas e me tornar presidente da Ojai Foods
Pronto, falei!

Outra sintonia fina esta semana foi com este post da Deh sobre lista de material infantil do maternal. Mathilde começa na creche na primeira semana de janeiro, e a lista de material... Gente! Na verdade são duas listas: uma de material individual (fraldas, mamadeiras, mudas de roupa etc.) e outra de material "comunitário". Preciso me atualizar. Tem muita coisa ali que nem sei o que é. Fitilho, TNT... Como diz Marido, "na minha época, TNT era dinamite". Era mesmo, e do desenho do Coiote. E se serve de consolo, Deh querida, além da mega lista, que inclui até mesmo "100 copos descartáveis para os eventos", ainda tem duzentoseoitentareais de taxa para o resto do material comunitário. $alve-se quem puder.

9.12.08

Naqueles dias

Então, depois de um longo e glorioso verão (tentativa de antônimo para "longo e tenebroso inverno") que durou incríveis vinte meses, recebi a visita do meu tio Chico.
Putz, vou te contar, já tinha até esquecido como é chato virar mocinha.
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8.12.08

Nem tudo está perdido

Porque ontem, na festa de aniversário de 8 anos de A., quando os animadores colocaram determinada música no som, a criançada em peso veio gritando palavras de ordem:
Sem Xu-xa!
Sem Xu-xa!

Lavou minha alma.

Porque na véspera fiquei desanimada com a notícia de que 75 mil pessoas foram ao Maracanã ver a chegada do Papai Noel de helicóptero, com direito a show de Kelly Key, Daniel, KLB e Xu-xa! 75 mil, catso!
Firmo aqui um compromisso público, pois dessa água não beberei jamais! Se algum dia souberem que eu fui ao Maracanã ver o Papai Noel, podem cortar meu dedo mindinho.
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6.12.08

Rua da Glória

É preciso tirar o chapéu para a Prefeitura (essa do apagar das luzes) da muy leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Pois conseguiram encontrar uma rua que nunca engarrafava. Então fizeram uma obra para aumentar a calçada que já era de uma largura mais que suficiente, e reduziram de quatro para duas pistas de rolamento. E se ao menos tivessem colocado ciclovias pelos lados, mas nem isso: só mais vaga$ para estacionamento. O resultado são magníficos engarrafamentos, a qualquer dia, a qualquer hora.
Vamos e venhamos: esses caras da Prefeitura são bons. Fazer uma barbeiragem dessa não é pra qualquer um. Requer técnica, prática e habilidade.

Desmandos à parte, nos últimos dois anos trabalhei na Glória, e me encantei pelo bairro. Apesar de meio suja e abandonada, a Glória tem um tremendo charme. Além de abrigar a Marina da Glória, o Outeiro da Glória, o Hotel Glória e a Taberna da Glória, ela tem uma elegância antiga que muito me agrada. Da Rua da Glória (agora com seu calçadão de um decâmetro e largura), ver a baía de Guanabara ao fundo e a Praça Paris no meio é um espetáculo. Várias vezes tive a impressão de que, dali, o céu era muito mais azul.

PS: Estou tentando inserir uma foto bonita da Glória, da Praça Paris, mas por algum motivo não está funcionando esta bodega. Alguém sabe o que é? É o Blogspot? Será a última atualização do Fire Fox que baixei ontem? Bom, o link para a foto é este aqui.

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4.12.08

D'além mar

Um post por dia, sim. Mas não precisa ser original, relevem, vá.
E hoje, cansada e combalida, só Rititi para me fazer dar risadas.

E, caminho de casa, lembrei-me dos mails, dos comentários, dos posts, da infinidade de blogues escritos por gajas que me perseguem como esquizofrénicas desde que engravidei, das piradas da mama, das fanáticas do parto natural, das alucinadas da naturalidade e de não ponhas creme não te vá sair o puto deficiente, das ciber-vizinhas que passam o dia na net à cata do que escrevem as más mães para imediatamente cagarem sentenças sobre a maternidade, o aleitamento, as creches, o tamanho das mamas, os lençois anti morte súbita, as versões para bebés de Morzart, os micróbios e os cabrões dos percentis, sempre à espreita, sempre à escuta, histéricas, malucas. Doentes. Sim, porque além da evidente falta de sentido de humor, da incapacidade de ler nas entrelinhas, da escassez de ironia e de inteligência, estas gajas estão doentes. Apresentam-se como as super-mães (e quantas delas não assinam como "mamã", "mãezinha", "mãefeliz", santo deus?), escarrapacham as fotos dos filhos desde que eram fetos, partilham com o mundo em geral e a blogosfera em particular pesos, medidas e as cores das merdas infantis, como se a vida se lhes fosse nas descrições das bronquiolites e das alergias e dando-se golpes de peito cada vez que expressam amor aos filhos (abusando de maiúsculas, exclamações e todos os sinónimos do verbo amar, não vá a gente ter dúvidas).

É uma praga mundial, hein. O tal coletivo de mães, como diz a Ângela. Assustador.
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3.12.08

11 meses

Linda morena
Morena
Morena que me faz penar
A lua cheia
Que tanto brilha
Não brilha tanto
Quanto o teu olhar

Hey Ho um mês antes!

O emprego novo não começa mais no dia de Iemanjá. Meus novos empregadores estão loucos por mim e me querem lá antes. Hoho. E eu que estava achando tão poético isso de Iemanjá.
Fico um pouco melancólica com a saída do meu atual trabalho. Gosto muito, tenho dó de deixar, sabendo de tanta coisa que ainda precisa ser feita. Por outro lado, saindo agora acho que preservo os relacionamentos com pessoas muito especiais -- e também, ou por isso mesmo, muito difíceis.
Na verdade, minha vida profissional é uma bagunça completa -- bons trabalhos em áreas muito diferentes. Mas se tem uma coisa que me deixa feliz é que saio de cada um deles tendo aprendido muitas coisas importantes.
Ih, caramba, tá um baita diarinho isso aqui, hein? Nhé nhé.
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2.12.08

É a mãe! É a mãe!*

G. é minha grande amiga e comadre, e está entrando no oitavo mês de gestação. Temos muitas afinidades, é claro, em diversos assuntos, inclusive nessas lides de maternidade. Ela também é a favor de um enxoval anticonsumismo, não vai fazer as famigeradas lembrancinhas de maternidade, assim como eu vai herdar e pegar emprestado tudo o que for possível, e não vai fazer previdência privada para que o filho faça MBA e seja "um grande homem", como a criatura alguns posts abaixo.
Mas ontem, conversando nós duas, vejo como ela pretende fazer tantas coisas diferente do que eu fiz, em especial nos primeiros meses do bebê.
E mesmo assim, por um lado não enxergo isso como uma crítica tácita à maneira como lidei com essas situações; e por outro lado, não acho que ela esteja errada ao querer proceder como quer. Tenho certeza de que G. será ótima mãe. Em certos casos, a gente acerta até mesmo quando erra.
O que não quer dizer que toda mãe seja boa mãe apenas por ser 'a' mãe. Toda mãe é a única mãe que se tem, isso é certo. Pode haver 'co-mãe', como diz minha amiga B., 'co-mãe' de 3. Mas não se pode negar que há mães que fogem da raia. Mães que só querem ser filhas. E é inevitável que seja assim. Ser mãe -- stricto sensu ou lato sensu -- é uma encrenca danada. Não dá para fazer como meu amigo T., que, diante do caos da própria vida, disse para o irmão caçula e de vida (aparentemente) muito estruturada e bem-sucedida: "Chegou a hora de você virar o irmão mais velho." Sei lá. A maternidade é todo um estado de intensidade. Tudo é muito. Muito difícil. Muito bom. Muito muito. Muito.

*Isto é um palíndromo.
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1.12.08

Hey Ho Let's Go

A coisa da rotina do post diário não está muito católica, hein?
Mas vamos lá, são bons motivos.
Por exemplo, ontem marido e eu despachamos Mathilde com a avó e atravessamos o túnel para almoçar. Fomos conhecer o Aconchego Carioca, na Praça da Bandeira, bar-restaurante que anda super badalado. Fez jus, viu. O tal bolinho de feijoada é mesmo isso tudo que dizem. O clima é aprazível, tem uma variedade imensa de cervejas importadas e nacionais, a comida é ótima. Pode ir sem medo de ser feliz.
Outro exemplo: arranjei um novo emprego. Justo quando eu me preparava para sair a campo procurando um novo trabalho, caiu de pára-quedas na minha caixa de entrada um e-mail. Belas coincidências (sim, porque eu não creio em nada além de coincidências). Começo ano que vem, no dia de Iemanjá. O que só pode significar coisa boa.
Por conseqüência: tenho de trabalhar para caráleo se quiser dar conta de todas as coisas que tenho atualmente em curso.
Então vamos lá.
(E ainda por cima já é Natal!)
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26.11.08

A porca miséria

Dez meses e 3 semanas, e me orgulho de dizer que ainda estamos usando as fraldas do chá-de-fraldas. A maníaca aqui faz uma contagem: já passamos das 1.500 fraldas - o que não me faz nem um pouco orgulhosa, tenho culpas ambientais, mas vamos deixá-las de lado.
O fato é que estou no processo de trocar alguns pacotes de fralda P e M que sobraram para tamanho G, onde estamos no momento. Sei lá por quê, ganhamos menos G do que os demais tamanhos, e de umas marcas piorezinhas.
Até agora não tive problemas em trocar as fraldas. Levo só 1 ou 2 pacotes por vez, peço com jeitinho e os gerentes das farmácias trocam numa boa. Procuro sempre comprar mais alguma coisa, pagar uma diferença, de modo a dar um mínimo lucro a quem, por pura liberalidade, me quebrou um galho. Costumo ir nas farmácias aqui de Botafogo, mais bacaninhas.
Aí hoje andei pelo Catete com 2 pacotes para trocar. Ali na rua do Catete tem um monte de farmácias, tudo meio xumbrega (ou, à moda PC, "de viés mais popular"). Foi uma dificuldade. Consegui depois de várias tentativas. Concluí que:
- Quanto pior o estabelecimento, menos camaradas são as pessoas. Pobre sofre.
- Se for uma gerente mulher, esqueça. Não se consegue. Só funciona quando é homem.

Dá pra se pensar um bocado nessas questões de microfísica de poder e relações de gênero. Tivesse eu a verve de uma Mary W, postaria aqui logo um texto a respeito. Mas como não tenho, e só sei de abobrinhas, aqui vai mais uma: sabiam que Bertha Pappenheim, a verdadeira identidade de Anna O. (aquela que me emprestou a alcunha), foi uma feminista e traduziu Defesa dos direitos das mulheres, de Mary W(ollstonecraft)?

25.11.08

Cesar Cielo 2028

Fomos à pediatra hoje. Mathilde está ótima, voltou a engordar, tudo azul. Mas, como começou a andar ridiculamente cedo, aos 9 meses, hoje em dia, aos 10 e meio, quando corre maratonas por aí, já está pisando meio torto. Há que se atentar para os sapatos e sandálias. Mas o mais legal foi que a médica prescreveu: natação. Nossa, adorei muito. Porque já queria colocá-la numa aulinha dessas, mas me censurava um pouco, achando que era meio frescura e bobagem minha. Agora tenho um super álibi, hehe. "Recomendação médica". Já fui olhar dois lugares aqui perto, hoje mesmo. Depois de amanhã vamos fazer uma aula experimental. Oba. Porque, vocês sabem, a mãe tem que fazer a aula junto. Ha. Tchibum.

24.11.08

Más companhias


Já mencionei aqui o casal de amigos que está à espera do messias. Messias está estourando por aí, faltam poucas semanas. Então. Mãe de messias tem um blog, onde escreve sobre aquelas angústias e alegrias gravídicas que conhecemos tão bem. Aí ela escreveu um post sobre dirigir grávida, como ela não queria mais dirigir, porque pega muito trânsito, e outro dia ficou presa num megaengarrafamento, e sentiu uma contração, etc. etc. Eu acho mesmo que ela não deveria mais dirigir pra ir pro trabalho, que é muito longe da casa dela, muitas horas dirigindo todo dia, a pessoa já entrando no último mês da gestação pode não ser mesmo a melhor idéia. Varia de mulher pra mulher e cada uma se impõe seu limite. Tudo certo.
Mas eis que. Chegam os comentários. De várias mães. E para meu espanto completo, todas dizem mais ou menos a mesma coisa: "você não sabe de nada: muito pior será depois que o messias nascer e você tiver que dirigir sozinha com ele na cadeirinha. Porque o Rio de Janeiro é uma cidade violenta e podem roubar o seu carro e você não ter tempo de tirar o seu neném da cadeira."
Bom. Eu li o primeiro comentário desse tipo e pensei: nossa, que louca, pessoa mais paranóica, cruz credo. Li o segundo. O terceiro. O quarto. Todas diziam isso. E aí o grau de barbaridade variava: "meu filho tem um ano e eu nunca saí de carro sozinha com ele", "saio sozinha com ele quando absolutamente necessário, mas morro de medo", e por aí vai.
Marido, ao lado, só ria enquanto eu esbravejava em frente ao monitor. Porque francamente. Se é pra pensar assim, melhor não sair nunca, não é? Ou ainda: melhor nem ter filho se tiver que morar no Rio de Janeiro, essa cidade onde a qualquer momento podem roubar o seu filho dentro do carro! Tá certo que a gente vive na cultura do medo, mas isso é patético.
Mas não foi só.
O blog da mãe de messias é um blog coletivo de mães. E uma delas fez um post sobre como havia feito um fundo de previdência privada para seu filho, onde todo mês depositava um dinheirinho. Até aí tudo bem. Mas aí ela continuava, dizendo que aquele dinheiro era para ele usar para sua formação, fazer um MBA ou uma especialização, porque ela queria que o filho fosse "um grande homem". Só faltou mesmo citar a inesquecível Susanita, com seus devaneios maternais: "E aí as pessoas na rua vão olhar para mim e dizer: 'Lá vai a mãe do doutor Fulano...'". Eu não faço fundo de previdência privada nem seguro de vida pra Mathilde. Mas se fizesse, seria para ela gastar o dinheiro todo como bem entendesse.
Enfim, isso tudo me remeteu para essa questão tão importante do ambiente em que a gente coloca os filhos, e as crianças com quem eles convivem. Como já disse antes, ano que vem a mocinha vai para creche logo que completar um ano. Ainda não escolhemos qual será, mas entre as possibilidades há uma creche pública, municipal. Que, se for mesmo boa como parece, será o meu sonho dourado da diversidade sociocultural. Porque eu tenho muito mais medo da convivência com os filhos dessas mães psycho do que da possibilidade de haver um ladrão de bebês à espreita na próxima esquina.
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21.11.08

Dicas utilíssimas para o seu dia-a-dia

Ó só: quando traduzir um texto do inglês para o português, releia. E quando reler, corte todos os ele/ela/dele/dela/seus que puder.
Sabe por quê?
Porque em inglês não tem aquela história de desinência-número-pessoal, é tudo aquela po-bre-za de I went, you went, he/she/it went, they went, I put, you put, he put, they put, e isso mesmo, put-a-merda.
Daí que eles precisam dizer quem é que went, quem é que put, o tempo todo, se foi ele, se foi ela, se foi você, se fui eu. Então não fica ruim em inglês repetir 88 pronomes por parágrafos. But. Em português fica. Muito ruim. Nossa língua cisma de ter essas belas desinências, que tornam desnecessárias as repetições do pronome. Assim sendo, amigo, podendo cortar um "ele", corte.

Outra: em inglês também não fica ruim repetir os adérbios de modo terminados em "ly". Em português fica. Beeem ruim. Um monte de "mente" no parágrafo. Então, prezado, vire-se com "de forma [adjetivo]" e "de maneira [adjetivo]".

Então, como este post está muito específico e inútil, seguem umas palavras inglesas que não conhecia e incorporei recentemente ao meu vocabulário.

Betroth – contratar casamento, ficar noivo

Convey – transmitir

Covetous – cobiçoso, ganancioso, avarento, sovina

Dwell on – alongar-se, estender-se, insistir, frisar

Extant – sobrevivente, existente, subsistente

Lurch – guinada, desvio súbito

Painstaking – cuidadoso

Procure – obter, conseguir, arranjar, adquirir, granjear

Purvey – fornecer, abastecer

Rabble – turba, ralé, multidão

Time-serving – oportunismo, contemporização

Unremitting – incessante, ininterrupto, infatigável, incansável, constante

Whet – aguçar, estimular, despertar, excitar

Tenho certeza de que essas informações são fundamentais para um bom fim de semana!
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20.11.08

Drops diversos

Mathilde é uma gênia. Fomos à livraria (vamos sempre, em dias de chuva, quando não há opções de lazer) e ela foi direto em cima do livro do Bioy Casares, o mesmo que está na minha cabeceira, porque estou lendo. Se eu não tivesse visto, não teria acreditado. Gê-nia!

É triste, muito triste, que a pessoa tenha tantas coisas pra fazer e tão pouco tempo pra fazer essas tantas coisas, e mesmo assim passe hooooras vendo e experimentando todos os novos "temas" agora disponíveis no GMail. Shoooot me.

A guerra das pomadas dos anos 1930: Minâncora vs Hipoglós. No sempre ótimo blog do Simas. Imperdível.

(Another day, another post.)

19.11.08

Frigindo ovos

Devaneando sobre expressões idiomáticas enquanto espero, no metrô ou no ônibus:

- Parado feito um dois de paus
Quem disse que dois de paus não saem do lugar? Dois de copas andam?

- Frescão
Outro dia entrei num, parei para prestar atenção na palavra e morri de rir. Pegar um frescão, hahaha.
(A propósito: tem esse nome no Brasil todo ou só no Rio?)

- No frigir dos ovos
Por que diabos "no frigir dos ovos" significa "no fim das contas"? Os ovos ficarem prontos é assim, tipo, o final da história? E principalmente, por que não "no fritar do ovos"?? Alguém come ovos frígidos?!

(Vocês estão vendo. Eu estou tentando. Postar todo dia. Porque a pessoa precisa de uma rotina. Alguma rotina. Qualquer uma.)
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18.11.08

O passado numa saída de escola

Outro dia passei em frente ao colégio onde estudei dos 14 aos 17 anos (aquilo que na época se chamava de segundo grau) bem na hora da saída dos alunos. Vi os grupos de adolescentes partindo em todas as direções, caminhando para casa. As meninas com as mochilas penduradas num ombro só, os cabelos presos numa espécie de nó precário feito com o próprio cabelo, conversando animadamente, virando de lado, rodopiando pela calçada.
Foi tão claro. Eu estava ali. Porque me lembrei com precisão daquelas voltas para casa, das conversas sobre quaisquer assuntos, das urgências e das bobagens, dos planos, tantos planos. Não sei que espécie de peça é essa que a memória prega, de trazer lembranças com tanta nitidez.
Tentei lembrar como via, naquela época, alguém como eu hoje - 32 anos, uma filha no colo. Na verdade não consegui lembrar. Decerto porque era algo tão remoto que só poderia me despertar sentimentos como curiosidade ou, vá lá, certa ternura.
Léguas de distância entre a menina de mochila pendurada e a moça com a filha no colo. E no entanto, uma proximidade tão grande na direção oposta, a moça com a filha no colo tão lembrada da menina de mochila pendurada. Que desproporção. E um espanto atônito, tentando entender como foi que isso aconteceu.
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17.11.08

Minha jangada vai sair pro mar


Peguei hoje um temporal na rua. Eu voltando pra casa, saí do metrô direto para o dilúvio. Nem sei como consegui sair do metrô, porque as pessoas ficavam na saída da estação, bem em frente à escada rolante, olhando para fora, para a chuva, como se nunca tivessem visto um fenômeno semelhante. Cariocas são assim, ficam sempre atônitos olhando para a chuva, como se olhar fosse fazer parar a tempestade.
Saltei na estação Botafogo. Não sei se o amigo leitor conhece o venerável bairro carioca de Botafogo, mas se não conhece, posso adiantar que é a freguesia que mais rapidamente alaga de que se tem notícia. Talvez a Ásia das monções possa lhe fazer frente neste quesito - apenas "talvez". Em dez minutos de chuva já não se distingue mais a calçada do asfalto, tudo é uma imensa bacia hidrográfica com lixo boiando. Os carros passam criando marolas e tratando de molhar as poucas partes ainda não encharcadas dos pedestres.
Comprei um guarda-chuva no camelô, mas só por uma questão pro-forma, de modo a manter um mínimo de dignidade e não ficar completamente ensopada.
E lembrei, claro, desta música ótima, que conheci com a gravação da Monica Salmaso no disco "Iaiá".

Cidade lagoa
(Sebastião Fonseca e Cícero Nunes)

Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Desde o tempo da vovó

Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró

Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí

Toda cidade é uma enorme cachoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi

Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo pára
Todo trânsito engarrafa

Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n’água até o pescoço
E peça a Deus pra ser girafa

Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai

E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai


9.11.08

Fazendo história



Ainda mais ou menos no mesmo assunto do post anterior.
É engraçado observar como todo mundo hoje em dia tem a mania de estar presenciando uma época histórica, um fato histórico, qualquer coisa muito digna de nota.
A atual dita "crise financeira", o que quer que ela seja - porque eu não tenho a menor idéia e não entendo picas do assunto -, vem sendo revestida de um caráter de solenidade, comparada à depressão pós 1929 e eventos similares. A vitória de Obama. A eleição de Lula. O 11 de setembro. A internet. Tudo é "estamos vivendo a história". Tudo é como se precisasse ser bem marcado na memória, para contarmos ao nossos netos e bisnetos.
Há um contentamento escondido por trás de cada uma dessas análises, uma alegria oculta por estar vivenciando um tal momento importante. Ou por desejar tão fortemente "viver a história".

Eu só me lembro de ter tido essa sensação, de verdade mesmo, uma vez. E não foi em 11/09/2001 (neste dia eu estava em Cuba, dançando salsa. Juro.). Foi em 9/11/89, há 19 anos, quando caiu o Muro de Berlim.
Vejam bem, estava eu na sétima série, na ocasião. Tinha 13 anos e acabava de travar contato pela primeira vez com essas maluquices de dividir o mapa em países comunistas e capitalistas, Otan e Pacto de Varsóvia, tudo isso filtrado pela ótica marxista descaradamente parcial característica dos professores de história e geografia dos colégios brasileiros.
Nesse dia, eu estava na casa da minha avó, assistindo à televisão que ficava na cozinha, pendurada num giro-visão. Foi ali que vi, provavelmente no Jornal Nacional com Cid Moreira ou Sergio Chapelin, as imagens das pessoas subindo no Muro, bebendo, cantando, se abraçando. Fiquei embasbacada. Aquele muro, que tão pouco tempo antes havia se construído na minha cabeça, de forma tão definitiva e definidora, não existia mais. No dia seguinte, e no seguinte ao seguinte, fiz muita questão de ler tudo sobre os assuntos nos jornais - coisa que, é claro, aos 13 anos, não era um hábito.
Lembro perfeitamente de ter tido o seguinte pensamento: "Nove de novembro de 1989. Preciso guardar essa data, que ela vai ser importante pra sempre." E foi assim, desviada pela lógica perversa da prática de decorar datas, que eu me senti, realmente, vivenciando a história.
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Sonhos sonhos são

Ao longo desta semana, reparei que estou destooando da imensa maioria dos meus amigos, muito comovidos com a vitória do Obama. Numa lista de e-mails escrevi sobre minhas reservas sobre o aspecto messiânico que a coisa me parece estar tomando, e logo recebi respostas do tipo "Esta é a Anna, sempre pé-no-chão" etc.
Puxa, logo eu?
Logo eu, que passei o reveillon 2002-2003 em Brasília (minha primeira e única visita à capital do Brasil) só para participar da festa da posse do Lula, ali naquele gramado da esplanada, ao lado de uma porção de brasileiros de todos os cantos do país? Logo eu, vou ficar conhecida como aquela que não sonha, não se emociona?
Ou será justamente efeito disso tudo?
Claro que fiquei contente com a vitória do Obama. É óbvio que enxergo uma fantástica carga simbólica nessa eleição. Mas o problema, acho, reside aí. Um símbolo é um símbolo. E só.
Enfim, espero que não.

Ao mesmo tempo, a vidinha aqui segue, tudo como dantes. Jandira Feghali ganha a secretaria municipal de cultura das mãos do aliado de segundo turno Eduardo Paes.
Não sei por quê, mas, como no parágrafo acima, eu esperava que não.
Ei, ei, eu ainda sou aquela...
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3.11.08

10 meses


Kung Fu Baby

1.11.08

Novo sonho de consumo


Porque tem dias que...

28.10.08

Planeta SP


Estive em São Paulo no fim de semana. E, como acontece sempre que vou pra lá, sinto-me como se estivesse em outro país. Quase diria em outro planeta.
São Paulo, cidade cheia de túneis que não são em montanhas.
São Paulo, que montanhas não tem, mas onde está-se sempre subindo ou descendo uma ladeira.
São Paulo, que sem montanhas dá uma impressão de não ter fim, não acabar nunca, nunca, nunca.
São Paulo, que tem tantos prédios, mas ainda tantas e tantas casinhas.
São Paulo, que tem cafezinhos de R$ 4,90 mas imóveis e gasolina mais baratos que o Rio.
São Paulo, terra dos paulistanos.
Considerações à parte, registre-se que:
Conheci a Sala São Paulo, absolutamente fantástica sala de concertos.
Peguei um táxi cujo motorista disse, com o ardor dos facínoras, a propósito da eleição que se avizinhava: "Minha senhora, o meu candidato é o Maluf!" - porque, na boa, no fundo não é sem alguma surpresa que a gente se dá conta que essas pessoas existem de verdade.
Fui a um jantar que tinha entre os comensais membros da família Matarazzo e a Silvia Poppovic. Acho que não preciso dizer mais nada. A não ser que saímos correndo logo que possível.

Meu rio, meu Tietê, onde me levas?
Sarcástico rio que contradizes o curso das águas
E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens,
Onde me queres levar?...
(M. de A.)

Desamor


Meu grande presente de aniversário, no dia 5, foi a ida do Gabeira para o segundo turno da eleição municipal, com chances reais de vitória. Há tempos não me empolgava com uma eleição, e acompanhei com interesse e espírito de torcida cada resultado divulgado de pesquisa. Por isso, sinto-me arrasada com o resultado das urnas ontem, uma derrota por diferença ínfima, 55 mil votos, ainda por cima sabendo que a abstenção foi de quase um milhão de eleitores. Sei lá se o domingão de sol e calor combinado ao feriado do dia do funcionário público convenientemente antecipado para segunda teve influência decisiva. O que sei é que teremos mais do mesmo, mais da mesma politicagem de sempre camuflada no discurso bocó do bom administrador, síndico etc. A pilantragem toda comemora. Por aqui, só o cansaço, cansaço. E pior de tudo é saber de gente com discernimento que não votou no Gabeira por uma tal fidelidade ideológica ou algo semelhante, não votou por se considerar de esquerda, qualquer coisa assim, como se isso fosse mais importante do que a cidade onde se vive.
Pois não é.
Acabamos de perder uma chance rara de fazer alguma diferença.
Essa declaração de desamor ao Rio de Janeiro, eu confesso que não engulo, não.
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20.10.08

Ruibarbo et cetera


Bel Seslaf fez um post que citava iogurte de ruibarbo.
Ruibarbo.
Ruibarbo.
É. Sem dúvida.
Ruibarbo acaba de entrar na minha lista de palavras mais feias da língua portuguesa, ao lado de cônjuge, regozijo, fronha (colaboração de Ângela F.), flâmula e amêijoa.
Tenho também a lista das mais lindamente eufônicas, que inclui serelepe, oxigênio, palíndromo, sicofanta e, hors-concours, Pernambuco, um caso de puro virtuosismo, 10 letras, nenhuma repetida.

(Ruibarbo no Google: 5 primeiros links para Rui Barbosa. Tsk.)
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18.10.08

Sábado

Quando ele chegou eu já o esperava havia três horas. Entrou e me achou na sala, lendo o jornal.
Oi, tudo bem?
Tudo.
Não dei chance:
Vou sair pra jantar, estou morrendo de fome.
Não tem comida?
Não.
Quer pedir alguma coisa?
Não. Quero sair.
Calcei os tênis, vesti um casaco e saí. Só na esquina, quando as gotas embaçaram por completo as lentes dos óculos, dei pela chuva. Não corri nem procurei uma marquise. Era boa, até, a chuva, à noite, pelas ruas escuras e desertas.
Na vizinhança indigente de opções gastronômicas, fui para num filé com arroz piamontesa e bolinhos de queijo, num lugar onde uma lata de suco industrializado de goiaba custa incríveis quatro e cinqüenta. Comi com gosto, no meio de uma balbúrdia de pessoas. Tomei um sorvete de sobremesa, sem nem ligar para o troco dado em muitas moedas de cinco.
Não quis voltar imediatamente pra casa.
Ousei, passei no cinema, para ver se o horário batia com alguma coisa boa. Não batia. 6 salas, e nada. E eu não ia sair de um jejum de 9 meses sem cinema pra ver qualquer coisa. Entrei na livraria do cinema, onde decerto tenho grande afinidade com o livreiro, pois todos os livros que quero ler estavam dispostos lado a lado. Bernardo Carvalho, Cristovão Tezza, Luiz Ruffato, Carola Saavedra, Sandor Marai, Philip Roth, Paul Auster, Agualusa, Cees Nooteboom, um ao lado do outro. Suspirei com a angústia de quem não conseguiu ainda ler os livros todos ganhos no aniversário de 2007, que dirá ainda os que ganhei este ano (mas já comecei pelo Bioy que ganhei de A. & J.), e não comprei nada.
Voltei por uma rua diferente, debaixo da mesma chuva.
Sinto que a estação está mudando - dentro de mim, também.
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11.10.08

Cartola 100 Anos


Tenho uma porção de coisas pra escrever.
Muitos posts já redigidos mentalmente.
Hei de escrevê-los.
Mas por ora, só uma homenagem.
Porque a trilha sonora aqui em casa hoje foi uma só.
(A foto é manjadésima, mas é tão linda...)
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5.10.08

384 meses


Obrigada, obrigada...


3.10.08

9 meses


Caminhando e cantando e seguindo a canção

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26.9.08

Weaning

Aos poucos volto a ter uma vida social (não-infantil, bem entendido). Nas últimas semanas fui a um jantar baiano, a uma festinha no botequim, à ópera do Theatro Municipal, a um show de música, a uma festa de casamento. Tem aquela palavra inglesa, weaning, que literalmente significa "desmame", mas que carrega um sentido mais abrangente, de distanciamento e desapego, importante e necessário. E, é claro, é muito mais difícil para mim do que para Mathilde.
Ah, sim, falemos de Mathilde.
(E periodicamente eu me sinto na obrigação de dar uma satisfação àqueles que conhecem o blogue há pouco tempo. O nome dela não é Mathilde, viu? Mas sigamos.)
Mathilde já é decididamente bípede. Vejam essa foto, do início de setembro.


(Mas por via das dúvidas, usa joelheiras antiderrapantes. Haha.)


De mãozinha dada, anda pra qualquer lado. Anda e corre, como uma doidinha. Já dá uns 3 ou 4 passinhos sozinha, daqui prali, na maior felicidade. É contagiante. Estou conformada que tamanha metidez e precocidade vão lhe render umas pernas tortas. Ela não tem nem 9 meses.
A felicidade dela é qualquer coisa de espetacular. São tantos sorrisos e risadas que é impossível ficar chateada ao acordar 6 da manhã. E, bem, ela ainda acorda de madrugada, que ninguém é perfeito. Come muito, e de tudo. Arrisco a dizer que o prato dela é similar ao de uma mulher adulta (de dieta). Para um ser humano de 72.5cm e 8.5kg é espantosamente muito. E ainda mama, de manhã e de noite.
É uma rueira de marca maior. Quando começa a dar defeito, a solução é levar para um passeio, seja no canguru ou no carrinho. Na rua ela está sempre bem, conquistando corações alheios. Esse mês inteiro de chuva e tempo ruim tem sido, portanto, uma catástrofe para nós.
Fala pelos cotovelos. Ela fala mamãe, mas não liga o nome à pessoa. Quase tudo é mãmãmãmã. (O que é extremamente perspicaz: mãe é tudo.) E quando toca o telefone, diz algo remotamente parecido a "alô".
A vida social dela também está bombando. Semana passada fomos ao teatro, ver uma peça para bebês muito legal. Recomendo. Mathilde se esbaldou, e era a criatura que mais se expressava na platéia, falando o tempo todo. Ai ai.
No dia seguinte, o primeiro evento vip: a festa de 1 ano da filha de um astro global, casado com uma diretora de novela global, que por acaso foi minha colega de colégio no primário. Não foi daquelas festas temerárias, foi até legal, no apartamento deles, que alugaram piscina de bolas, uns brinquedos e talz. E celebs, ah, muitas. Não vou dizer que lá estava le tout Rio, mas posso dizer le tout Projac sem medo de errar. E umas crianças de roupinhas Adidas. E pipoca orgânica servida por garçons. O mundo me diverte.
O que mais? A babá do pé quebrado se recupera bem, mas acho que vamos ter que renovar por mais um mês com a babá-sub. Que aliás é ótima, se dá super bem com a pequena, já se afeiçoou a ela, levou foto pra casa e tudo. Conquistadora, ela é.
Esta semana começamos a visitar as creches do bairro. Fico, no geral, meio mal impressionada. Tudo me parece depósito de criança, sei lá. Mas a idéia é colocá-la, quando fizer 1 ano, por umas 4 horas diárias. Vejo mais vantagens do que desvantagens nesse início de institucionalização da vida.
Porque é aquilo, né? Criar para o mundo. Weaning, weaning, weaning.
Abaixo, registro do desapego, pleiteando a candidatura à presidência do movimento "Mães sem frescura": brincando na rua, cercada por C. e P., que tomam conta e não deixam que nada de mal lhe aconteça...


P.S.: Sobre a questão de postar ou não postar fotos. (Uma questão que dividiu meus leitores.) Teve um comentário da querida Meg Marques que resume mais ou menos o que penso, e que reproduzo aqui:
"Eu não acho que colocar fotos na internet seja mais perigoso do que andar com as crianças na rua. Algum tarado pervertido pode ver minhas filhas pela internet? Pode. Mas, e daí? Quando eu vou ao supermercado, ao banco, ao shopping, à pracinha, a qualquer lugar com elas, muito mais gente as vê, mais gente me ouve chamando-as pelo nome, as pessoas as vêem com o uniforme da escola onde estudam, etc. A probabilidade de alguma dessas pessoas ser um tarado pervertido é a mesma. Mas eu não vou deixar de andar em público com as meninas, nem colocar um véu na cabeça delas, à la Michael Jackson. Se alguém for causar algum mal a nós vai ser uma dessas pessoas na rua, que pode nos seguir, descobrir onde moramos, etc.
Enfim, acho meio paranóia esse negócio de não pôr fotos na internet."
Eu também penso assim, mas com uma ressalva: não posso decidir não levar Mathilde para a rua para não expô-la. Educá-la em casa e trancá-la entre 4 paredes obviamente não é uma opção. Já colocar ou não suas fotos no blogue é uma escolha minha.

15.9.08

A boa filha à casa torna

Passei o fim de semana com Mathilde na casa da minha mãe. Apesar de ir quase toda semana lá, acho que desde que vim morar com Marido não passava uma noite. É como mágica. Roupas sujas que aparecem limpas, comida sempre fresquinha e gostosa sem que se precise ir ao supermercado, café quente e pronto de manhã, e principalmente, todo aquele carinho e aconchego imbatíveis.
Ressalte-se que nem quando mudei de casa carreguei tanta tralha. Berço desmontável (recuso-me a dizer "portátil"), cadeirinha de comer, várias mudas de roupas, toda a parafernália de praia, piscininha, fralda aquática, biquíni, brinquedinhos - tudo isso para passar um fim de semana com tempo londrino, em que não deu nem mesmo pra chegar no calçadão.
Voltei pra casa domingo depois do almoço. Hoje é segunda. Mathilde, como sempre, jantou sua papinha show, leguminhos delícia, franguinho todo temperadinho, gostosinho, e tal. A rainha-mãe aqui jantou o quê? Miojo.
Ah, realidade.
(E no entanto. Há tantos anos eu não comia Miojo. Acabei lembrando da época em que eu ia acampar em Ibitipoca-MG, tinha eu meus 17, 18 anos. O programa era fazer imensas caminhadas durante o dia, em busca das cachoeiras mais incríveis, e passar as noites à base de álcool, drogas, jogo, sexo - i.e.: cerveja, um baseado, sueca e uns namoricos. E Miojo, claro, que o PF da venda da cidade não era luxo pra todo dia. E pra chegar lá era um périplo. Pegava-se um ônibus até Juiz de Fora. De lá, outro até Lima Duarte. Ali era preciso pegar carona num caminhão de leite até o camping que ficava perto do parque. Acho que eu poderia ficar um tempão lembrando dessas viagens. Tudo por causa do Miojo. É isso: madeleine de pobre é miojo.)
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14.9.08

Em tempos de grampo...


... uma história ótima da família v., que conheci esta semana.
Tia G. teve sete filhas mulheres. Mais duas que não sobreviveram. Nove gravidezes, e nenhum cromossomo Y na parada. Apesar de ter passado boa parte da sua vida adulta parindo, amamentando, grávida, ou as três coisas ao mesmo tempo, Tia G. tinha uma vida muito intelectualizada, lia à beça, tinha uma coleção soberba de música clássica, e trabalhava com assuntos relacionados a turismo na China. Isso nos anos 60/70, quando não havia esse oba-oba em torno da China. Aliás, não havia turismo na China, e esse é o mote da história. Por sua ligação com o país, Tia G. foi convidada pelo próprio Mao para ir à China, juntamente de outra bambambam do turismo profissional brasileiro. E foi. No total, disseram meus primos, Tia G. foi à China 17 vezes.
Mas bem. Então teve esse convite do Mao. E, época de ditadura no Brasil, grampearam o telefone de Tia G. Que sabia do grampo, claro. Então tratava de falar sempre ao telefone:
"Olha, meu filho, espero que você aí ouvindo tenha muita paciência, viu? Porque aqui em casa tem dez mulheres - eu, 7 filhas e 2 empregadas - e só um telefone. De modos que você vai ouvir muuuuita abobrinha, tá? Então tá avisado."
Uma família de pândegos, essa minha.

(Imagem: Telefonistas portuguesas. Daqui.)

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For the records

Pintei as unhas esta semana. De novo. Mão e pé. Desta vez, rosa clarinho: "Melissa".
Dois dias antes, fui ao salão cortar e pintar cabelo, passei hooooras.

Como dizia aquele rapaz, o William: "Woman, who art thou?"
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7.9.08

Particularidades da nossa pequena família nuclear

A criança já balbucia várias consoantes: bababa vavava dadada, e também coisas assemelhadas a mamama e papapa.
Mas a pequena disputa doméstica não é para ver o que ela vai dizer primeiro, mamãe ou papai.
O que pega mesmo é se ela vai dizer Fogo ou Mengo.
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3.9.08

Zarabatanas múltiplas

Adorei o Elio Gaspari ter abordado, em sua última coluna n'O Globo, essa prática safada da indústria de diminuir o conteúdo dos seus produtos e se proteger colocando um ínfimo aviso na embalagem. Ele escreveu especificamente contra a Nestlé, que diminui a farinha láctea de 1kg para 900g. Isso está ridiculamente comum, tenho reparado. O pacote de fraldas que vinha com 10 agora vem com 9. O que vinha com 12, vem com 11. Até o lencinho umedecido Huggies tem a desfaçatez de informar: "Quantidade reduzida de 50 para 48 lenços. Menos 2 lenços -4%." Todas as marcas de pão de queijo diminuíram absurdos 20%, passando de 500g para 400g. A embalagem continua idêntica, exceto pelo pequeno aviso sobre a diminuição. Para quem tem o hábito de comprar sempre e simplesmente pega o pacote no supermercado, passa despercebido. Eu só notei porque antes tinha que fazer uma ginástica para que todos os pães de queijo congelados coubessem no tabuleiro sem ficar uns sobre os outros, e de repente começou a sobrar espaço. Semana passada foi um biscoito que eu costumava comprar muito há alguns anos, chamado Tortitas, da Adria. Comprei e achei o biscoito minúsculo, parecia um botão de roupa de gente velha. Olhei na embalagem e estava lá, diminuição de 180g para 150g, ou coisa parecida. Um descaramento, sinceramente. Mas é uma prática generalizada. Óbvio que os preços continuam os mesmos. O que resta é escrever reclamando, dizendo Eu sei que o aviso que vocês colocam na embalagem está de acordo com a legislação, mas isso não esconde a má-fé, e eu parei de comprar o seu produto por causa disso.
Zarabatana neles!
Em tempo: minha saga de consumidora consciente continua. Dessa vez foi com fraldas Pampers. Num pacote vieram 3 fraldas com defeito. 2 com algodão saindo pelos lados, e 1 sem algodão nenhum. Guardei o pacote e as fraldas ruins, liguei, reclamei. Hoje tocou um cara aqui em casa dizendo "Vim trocar a fralda". Quase respondi, Mas moço, acho que o senhor não vai caber no trocador.
:-)

8 meses


Dizendo a que veio.

Em tempo: não sei se sou só eu, mas atualmente tenho vontade de pedir auxílio à Guarda Nacional cada vez que preciso trocar uma fralda ou vestir uma roupa. No mínimo 5 pessoas são necessárias: 2 para segurar, 2 para destrair, 1 para trocar a fralda. Ou então preciso fazer o curso de defesa pessoal do Mossad e aprender técnicas de imobilização com um braço só. Porque é um tal de ela sair engatinhando pelo chão de bunda de fora... vou te contar.

31.8.08

Poliana subiu no telhado

Ou: De como a mamãe magrinha, magrinha em breve será apenas uma lembrança esmaecida pelo tempo

Foi anteontem. Toda sexta-feira tenho um compromisso profissional no centro, mais precisamente na Praça Mauá. Saí de casa mais cedo do que o usual, para antes fazer depilação. A sádica de plantão foi muito eficiente, e, vapt-vupt (onomatopéia muito apropriada), terminou rapidinho. Estava adiantada. Então resolvi variar e não ir de metrô, como de costume. Porque o metrô me deixa um pouco longe, ali nas adjacências do Camelódromo, o que dá uma boa andada, e achei que de ônibus poderia saltar mais perto. Atravessei todas as pistas da praia, submergi na passagem subterrânea do Aterro para emergir do outro lado, e peguei um ônibus que nem lembro mais qual, apenas sei que perguntei ao motorista "Passa na Praça Mauá?" e recebi um "Passa" como resposta.
Mas, hélas, não passava. O trajeto era pela Av. Marechal Floriano, que me deixava praticamente no mesmo lugar do metrô, mas foi ainda pior e me deixou muito além da rua do Acre, que é a que eu normalmente pego para chegar na Mauá. Foi aí que começou a confusão. Porque, como ainda era cedo, ao invés de voltar pela Mal. Floriano até a rua do Acre, eu resolvi fazer um caminho alternativo, pegar outra rua paralela que pelos meus cálculos me levaria ao mesmo lugar. Entrei na rua da Conceição, na esperança de virar à direita assim que possível. O que nunca aconteceu. Porque à direita havia o morro da Conceição. A rua da Conceição vira obrigatoriamente para a esquerda e passa a ser rua Senador Pompeu. É uma rua muito antiga, só de velhos sobrados, a imensa maioria em péssimo estado. Muito pouca gente passava por ali naquela tarde de sexta. Essa parte do centro do Rio é totalmente desconhecida por mim. Não tem o ar esnobe de Fifth Avenue da Rio Branco, não tem o teor popular-rodrigueano na Presidente Vargas, não tem o charme decadente da Praça Tiradentes, não tem a vitalidade do Saara nem o ar bucólico da Cinelândia e Praça Paris, tampouco o caráter estado-novista da região da Marechal Câmara e Presidente Wilson, com seus imensos prédios que um dia foram ministérios, alfândegas e paços imperiais. Tudo ali, na região da Praça dos Estivadores, rua Camerino (onde desemboquei), me pareceu a cidade do bota-abaixo pré-Pereira Passos que simplesmente não veio abaixo, ficou como era. Passei por um lugar chamado Jardins Suspensos do Valongo, uma muralha com escadaria no meio, e fiquei com imensa vontade de voltar para conhecer. Mas já não podia acreditar na incomensurável volta que estava dando, já pensava ter entrado numa nova dimensão, num espelho de Alice, qualquer coisa assim, quando por fim vi uma placa escrito rua Sacadura Cabral, enfim uma referência conhecida, e pude virar à direita em direção à Praça Mauá, meu mítico destino.
E foi aí que eu vi. Num despretensioso mercadinho na Sacadura Cabral, naquelas 4 da tarde de sexta-feira, vi um freezer de sorvete. Ora bolas, dirá minha leitora magrinha, e daí? De fato, e daí? Bom, minha cara, daí que não era um freezer da Kibon. Nem da Nestlé. Olha, nem mesmo do sorvete Itália. Hmmm, começa a se interessa aquela leitora mais gulosa. Pois, querida. Era um freezer da Garoto. Ah, você também não sabia da existência de picolés Garoto? Nem eu. Mas a leitora chocólatra já entendeu o que isso significa: picolés Serenata de Amor. Batom. Opereta. Mas, acima de tudo, picolés Talento. Do vermelho, do verde e do preto.
A leitora sofisticada não se cansará de tecer loas à excelência do chocolate belga, à consistência do Lindt, no mínimo ao suave toque do chocolate Kopenhague. Que seja. Pra mim não tem melhor relação custo-benefício do que a barra de 100g do Talento. Um chocolate que a gente morde com vontade, que come, come, come até saciar de verdade.
Era minha primeira vez. Fui no vermelho - chocolate com avelãs. Indescritível. Desde então vivo por aí à espreita dos mercados e padarias, procurando de novo aquele freezer amarelo da Garoto. Se não achar, sexta-feira que vem já sei que novamente vou me perder a caminho da Praça Mauá.
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22.8.08

Poliana

Bebê cada vez mais hiperativa
+
Marido viajando
+
Babá de pé quebrado
=
Mamãe magrinha, magrinha

20.8.08

A lógica da vingancinha

Então agora, neste momento sem babá e com uma criança de 7 meses e meio, elétrica e semovente pela casa, e com o marido viajando, eu me viro como posso. A família ajuda (e não é pouco), mas a maior parte do dia, e a noite toda, somos só nós duas.
E todo dia de manhã vamos ao parquinho. Como não poderia deixar de ser, já temos vários amiguinhos que lá vão com suas mães. Todo tipo de conversa rola nesse jardim. Aliás, minto. Não é todo tipo de conversa. É todo tipo de conversa de recém-mães. Ninguém fala de Barack Obama, do encontro Caetano-Roberto Carlos, da Petro-Sal, ou de eleições municipais, e mesmo olimpíada é um tema muito esporádico. Agora, se o assunto é papinha, promoção de fralda, consistência de cocô, vida sexual de recém-parida, engatinhamento, ou aquela moça que aparece às vezes vendendo protetores de carrinho ótimos, bem, aí o papo rende à beça.
Quando passei a freqüentar o parquinho, fiquei com a impressão que todas ali já se conheciam. Senti um pouco como a menina nova da turma. Tanto que até hoje não sei o nome de nenhuma das minhas novas companheiras de estrada - são todas "mãe da Sofia", "mãe da Julia", "mãe do João", "mãe da Carol", "mãe do Guilherme" e por aí afora. O que acho o fim da picada, mas enfim, aconteceu.
Mas eis que reparei um tema freqüente. Maridos que viajam a trabalho e conseqüentemente conseguem uma (ou mais) noite inteira de sono. Isso, por motivos meio esquisitos, é meio mal visto pela mulherada. Rola um ressentimento brabo. E parece que às vezes elas querem se vingar dormindo a noite inteira e deixando o filho para o marido se virar durante a noite. Mesmo que os peitos explodam de passar tantas horas sem tirar leite. Vão lá no parquinho e contam, se vangloriando, dessas conquistas.
Fico quietinha na minha. Porque sei que vou ser hostilizada. Mas a verdade é que acho isso uma tremenda mesquinharia. Não sei como os casamentos podem se sustentar com esse tipo de mentalidade. Porque, vejam, uma coisa é o marido participar. Naturalmente. Porque ele quer estar ali. Outra coisa é a mulher, obrigada pela natureza a não se separar do filho por mais de umas poucas horas, em virtude da questão alimentar obviamente urgente, exigir a presença do pai do rebento durante suas vigílias.
É a lógica da vingancinha: se eu vou me ferrar, ele tem que se ferrar junto comigo. E chamam a isso de companheirismo. Ou de igualdade de direitos.
Eu humildemente acho que um deveria ficar feliz, de verdade, quando o outro consegue descansar, dormir ou se divertir tomando um chope. É uma conquista, como tantas outras, nesse momento tão único da vida do casal. Casamento não é uma disputa. Mas por enquanto, vou ficar quieta e continuar brincando no parquinho.
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18.8.08

Imprevidência total


Hoje fiz um escândalo tão grande com a atendente do telefone da Previdência Social (135), soltei os cachorros de uma forma tão contundente, que até eu fiquei com medo de mim mesma.

Tá mole não, viu?

17.8.08

Update olímpico


E não é que o idiota olímpico se estabacou e não ganhou nada?
E não, não foi o meu olhar de seca-pimenteira, não.
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Espero que estejam preparados para viver o momento "Brasil, o país dos 50m livres". (Mas eu torci, apesar de achar meio ridícula essa coisa de prova que dura só uns segundos.)
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Hoje vi o final da maratona feminina. Ganhou uma romena de 38 anos. 38 anos! 42 quilômetros! Eu sou mesmo uma inútil.
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Deve ter passado por aí a famosa imagem acima, da maratona feminina da olimpíada de 1984, uma suíça que vem cambaleando, sem se agüentar em pé, até a linha de chegada, e depois de cruzar a linha é carregada pelos médicos. Sabem qual é? Uma imagem sempre usada para ilustrar o caráter de superação do esporte, a grandeza das olimpíadas, yadda yadda yadda. Eu não poderia discordar mais frontalmente. Para mim aquilo é o exemplo acabado de uma irresponsabilidade, de alguém que obviamente não estava preparada para correr 42 km debaixo de sol e calor, e nunca nem deveria ter se classificado pra olimpíada nenhuma. Ora bolas.
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16.8.08

CMF


Alongamento?
RPG?
Pilates?
Ioga?
Natação?
Hidroginástica?

Qual a sua sugestão para o problema da CMF - Coluna Materna em Frangalhos?
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Provações

Saber lidar com minha filha sozinha sempre foi, pra mim, uma questão de honra. Muitas vezes vi minhas amigas cercadas de babás 24 horas, empregadas, folguistas etc., e a impressão é que jamais ficavam a sós com seus bebês. E não saberiam o que fazer caso tivessem que. (Questões de classe média alta, dirão vocês. E são mesmo.) Por outro lado, não sou uma mãe-mártir e não quero provar nada pra ninguém. Ajuda é bom e necessário. Então, como já escrevi aqui, arranjamos uma babá/empregada 3 vezes por semana, no horário comercial. Que é uma ajuda imensa para nós dois que trabalhamos em casa.
Porém - ah, porém. No início deste mês, ela tropeçou e quebrou o pé. Está com gesso até o joelho. Pra completar, na semana seguinte ao acidente, a moça que vem de 15 em 15 dias fazer um monte de comida para mim e marido, que a gente congela, ligou no próprio dia para dizer que não vinha. É a primeira vez, em uns 2 anos ou mais, que ela nos dá um bolo. (E a autora de The Putzfrau Chronicles decerto dirá: haha.)
Estou me sentindo como na tirinha em que o Calvin quer brincar lá fora, porque está de férias, mas começa a chover. E ele resolve brincar na marra, mesmo com chuva. E fica falando alto, olhando pra cima: "Estou me divertindo muito na chuva, viu? Isso é o melhor que você pode fazer? Haha!". Até que começa uma tempestade de granizo e ele sai correndo pra casa.
Porque, pra completar, marido vai começar agora uma temporada de muitas viagens. E na próxima semana, por coincidência, me arranjaram uns compromissos importantes e fora de casa todos os dias. Que ralação. Mathilde vai rodar por aí.
Anteontem fui na Previdência com a outra, de pé quebrado, pra ver a coisa do auxílio-doença. E ficamos três horas para conseguir ser atendida pelo médico da perícia. Isso porque eu tinha ligado e marcado dia e hora. Três horas. E aí o médico a examinou e concedeu o benefício por 45 dias. Só que. Por um famigerado problema do sistema, o laudo que saiu do computador não diz nada disso. Diz que a decisão precisa de uma "homologação superior". Dr: "Pois é, está dando esse problema em todos. Mas o benefício está concedido, tá?". Eu: "Mas doutor, como é que a gente vai sair daqui apenas com um papel dizendo que não tem benefício nenhum concedido?". Dr: "Ah, não sei, tem que ver ali com o pessoal do administrativo".
E vou poupar vocês do resto dessa história, porque francamente, me deprime.

13.8.08

Drops olímpicos

Olympia, de Leni Rienfenstahl

A cerimônia de abertura. Quando começaram as delegações já antecipei que a roupa dos atletas brasileiros seria, como sempre, medonha. Mas aquele chapeuzinho de camelô no carnaval barrou as piores expectativas.

Ginástica olímpica. Pra mim, é o esporte com mais cara de olimpíada. Fascinação de infância, não sei. (Ou talvez seja o nome do esporte. Dã.) Marido tem uma expressão ótima para demonstrar seu espanto com as meninas de 14 anos que sabem fazer aquelas coisas todas: "comem com a mão". O que significa que, em sua curta existência, não tiveram tempo de aprender a fazer mais nada além de ginástica olímpica - nem mesmo usar talher. Well. Pra mim o Diego Hypólito vai um passo além nessa categoria. Ele me lembra muito aquela figura clássica do idiota de estimação das cidades medievais - toda cidade tinha um idiota. Como era o nome daquele d'O Nome da Rosa? Salvatore, acho. Pois. Aquilo pra mim é o Diego Hypólito. Claro que ele deve ser inteligentíssimo ("claro"?), mas poucas pessoas têm mais ar de idiota. Seja como for, idiota ou não, ele deve estar mais rico do que eu. De modos que. Melhor rever meus conceitos de idiotice.
Mas, seguindo na ginástica. Jade Barbosa. Vocês não têm vontade de chorar toda vez que ela aparece na TV? Céus, que pessoa triste. Tenho pena, e nem sei por quê.

Natação. É muito injusto que tenham tantas provas com as mesmas pessoas competindo. Fico pensando nos caras que bolaram as provas:
- Agora vamos fazer 400m costas, além dos 100m, e dos 200m.
- Boa. Agora revezamento 100m borboleta.
- Tá. Aproveita e põe também revezamento 200m borboleta.
- Pô, vai ficar forçado...
- Nah, que nada, põe aí!
Como se o vôlei tivesse um campeonato de partidas com sets de 10 pontos, 15 pontos, 20 pontos - cada um com suas medalhas.

Mala-sem-alça da cobertura jornalística: Oscar Schmidt. Sem mais comentários.
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12.8.08

Ilariê

São muitos e variados os motivos pelos quais as pessoas hesitam ou adiam a decisão de ter filhos. A mudança de estilo de vida, a falta de liberdade, o compromisso firmado para sempre, a questão financeira, o baque no relacionamento do casal, etc. Passamos por tudo isso, naturalmente. Mas no meu caso ainda se impunha mais uma questão deveras importante.
As festas infantis.
Durante anos, enquanto morava com a minha mãe, convivi com umas festas absurdas num play de um prédio a três ruas de distância, mas que por um infeliz acaso (morávamos num andar alto, e todos os prédios ao lado eram bem baixos, deixando a vista livre) conseguíamos avistar - e principalmente, conseguíamos ouvir. Eram festas histéricas, com equipamento de som, música ruim e "animadores" insandecidos. Traumatizante.
De modos que aqui em casa isso passou a ser uma questão meio problemática. Porque se eu não me animo a freqüentar festas de criança, marido muito menos. E até agora foi virando jogo de empurra quando se trata de eventos "infaltáveis". Batizado de fulana, vai você. Aniversário de beltrana, vou eu. Ir os dois é desperdício.
Porém. No fim de semana tive uma experiência ótima. Festa de 1 ano de C., filha de minha amiga A. Festas de 1 ano são especialmente inquietantes para mim (podem me cobrar depois, caso eu venha a morder a língua em janeiro de 2009). Porque, na boa, a criança aproveita só um pouquinho, né? Pesquisa realizada pelo DataTerapiaZero indica que 53,4% dos aniversariantes de 1 ano dormem a maior parte da festas. Sim, um ano é uma data a ser celebrada, um ano de ser pai e mãe, é importante. Mas, bem, então vamos assumir logo que é uma festa para os pais, e não para o pobre bebê. Melhor deixar de lado os brigadeiros, cajuzinhos e decorações da Moranguinho e fazer logo um churrasco, chamando os amigos e a parentela.
Mas voltando à festa de C. Pra começar, foi na casa dos avós. Porque, é claro, se fosse num desses estabelecimentos medonhos conhecidos como "casa de festas", eu não passava nem perto. Segundo, não tinha 15 mil crianças. Tinha uns 10, 12 bebês, e só. Terceiro, não tinha "quiança"; só tinha "bebê" (© Joana). Quarto, a festa consistia em umas esteiras na sala onde ficavam os bebês com as mães, um monte de brinquedos e uma moça tocando violão e cantando musiquinhas infantis*.
Quer saber? Foi ó-te-mo. Mais engraçado foi ver a pequena Mathilde, pela primeira vez dividindo um espaço tão pequeno com tantos contemporâneos, tendo que dividir brinquedos inclusive. E sabem o que mais? Ela não se fez de rogada, apesar de ser a menorzinha. Engatinhou pra cá e pra lá, deu seus gritinhos (rrraahhh!!), escalou as pessoas em volta (porque a única coisa que ela quer fazer na vida é ficar em pé) e interagiu à beça com os demais. Muito figura.
De modos que: há salvação para a festinha de 1 ano.

* Estou achando que sou o único ser humano que não sabia que existia uma versão brasileira para "Frère Jacques" chamada "A Baleia". Por favor, alguém diz que também não sabia.

7.8.08

Eu hein

Forças ocultas.
Comentários do post abaixo sumiram.
Ontem tinha 12, hoje tem 10.
Eu recebo por email, no total já são 13.
Mas aí embaixo continua mostrando só 10.
Pô, a discussão tava tão boa.
Alguém sabe dizer que mistério é esse?
Tô cabrêra.
Cabreríssima, indeed.

4.8.08

Aliás e a propósito

Uma dúvida.
Vocês, meus queridos e sagazes leitores, acham, digamos, "perigoso" colocar fotos de Mathilde no blogue, acessíveis a quem quer que seja? Ainda que eu não coloque o nome real dela ou meu, levando em conta a quantidade de malucos que habitam a internet, vocês acham uma exposição desnecessária e até quase irresponsável? Porque, por exemplo, no Or*kut, aquele criadouro de loucos, não tem foto e nem menção a ela no meu perfil - que eu acesso uma vez por mês, mais ou menos, nem sei bem pra quê.
Então não sei. É uma questão que me ocorre de vez em quando, e resolvi perguntar a opinião de vocês que me lêem.

3.8.08

7 meses


Meu amor,

Esta madrugada, enquanto te colocava no colo para a mamada noturna - como fazemos todos os dias, sem exceção, há sete meses - quase não te reconheci, tão grande estás. Poderia dizer que quase não cabes mais no meu colo, mas seria uma mentira. Já sei, desde agora, que sempre, sempre caberás em mim. Mas vejo tuas pernas tão compridas, teus braços já fortes, essas mãos ágeis e decididas, o olhar mais expressivo da face da terra, e tudo isso se embaralha na minha cabeça quando se funde à imagem indelével do primeiro momento em que te vi, tão pequena e frágil, tão linda.

Hoje comemoramos teus sete meses, e meu espanto continua a cada dia, vendo quanta coisa já fazes, já percebes, já resolves e já desejas. Como já sabes conseguir o que queres, e como são difíceis nossos embates de vontades, pois já começo a entender teus truques e artimanhas.

Temos ainda tanta coisa pela frente, nós duas juntas, e isso basta para me fazer imensamente feliz.

Serei sempre muito grata a ti por me fazeres descobrir tantas coisas a meu próprio respeito.
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1.8.08

"Papai, não corra na estrada!"

É um horror a campanha de prevenção de acidentes que o governo do estado faz no Rio de Janeiro. Tem um outdoor assim: o maior close do rosto de um menininho lourinho olhando pra cima, com lágrimas escorrendo. Aí o texto:
Eu só queria dizer Eu te amo
Mas você não voltou
Aí do outro lado tem uma foto, muito menor do que a do menino chorando, que não dá pra ver direito o que é. Anteontem eu passei a pé e vi o cartaz, e só então entendi que a foto é de um carro totalmente destruído num acidente. A coisa foi tão sinistra que mal dá pra ver que é um carro. De modos que o motorista que passa não entende que aquilo é uma mensagem pra ele.
Mas pior ainda são outras plaquinhas espalhadas pela rua (na Jardim Botânico tem montes), dizendo que, em tal ano, naquela via, houve X acidentes. Só que. O cartaz é mínimo. Tem texto à beça. Com uma letra bem miúda. Ou seja: o motorista que parar para ler corre o sério risco de bater. Não é genial?

Ah: a frase do título. Foi meu primeiro trabalho. Eu tinha uns 4 anos. E fui gravar um spot de rádio. Era uma campanha desse tipo, e eu dizia essa frase, "Papai, não corra na estrada". Meu primeiro cachê. Minha Moedinha nº 1 do Tio Patinhas.
:-)

31.7.08

Nhaaaaaam

Lembram daquela questão das cadeirinhas de comer?
Resolvida!
E com sucesso.
Tá todo mundo (leia-se: eu e ela) gostando da cadeirinha, e, mais importante, a mocinha está adorando comer comida. Não vou enganar, os almoços demooooram, ela come, come, e canta junto, uma coisa meio nhaaaaaaam, nhaaaaaam, é engraçado. Mas tá rolando. E água de coco, adora também.
Então tá. Tem mais mil coisas, como sempre, vocês sabem. Por exemplo, fomos à piscina. O máximo. E de bóia flutuando. Delícias mis.
E tem horas que a gente não sabe como finalizar um post.
Raios.
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25.7.08

Overdose de Seinfeld


Como não amar Marina W? Quem mais poderia ter idéia tão brilhante?

Espero que ela chegue logo naquele episódio em que a Elaine pede ao Kramer para tirar uma foto dela para mandar como cartão de Boas Festas, e na foto aparece um pedaço do mamilo, mas ela só repara depois de ter despachado o cartão para todos os conhecidos, e aí eles começam a chamá-la de "Nip"- "Hi, Nip", "See you, Nip" - e ela fica possessa, e o George não entende nada porque é o único que não recebeu cartão, então ele reclama com a Elaine, e ela, muito p da vida, diz: "Quer seu cartão? Então toma!", e mete a cara dele entre os peitos dela, e a platéia/claque urra em êxtase.

Ou então aquele em que o Kramer acha, no lixo, o cenário de um programa de auditório, e monta o cenário na própria casa, e todo mundo que chega é como um convidado, e ele tem sempre aqueles cartõezinhos com os assuntos a serem abordados, aquela coisa silvio-santos-like, mas depois o "programa" entra em decadência, ninguém mais aparece a não ser o Newman, e o Kramer fica deprimido, etc.

Ai, ela tem razão. A gente começa com essa coisa de "e aquele em que..." e não acaba nunca mais.

Então é isso. Todo mundo lá: http://guiaseinfeld.blogspot.com

21.7.08

Não, ninguém perguntou, mas...

Agora estou usando Firefox em vez de Explorer. E gostando muito. Devo essa decisão aos argumentos do Marcus. Obrigada, viu?

Mathilde continua não gostando de banana, mamão, maçã, pêra. Em compensação, amou os cítricos. Laranja, tangerina e morango, ela devora. Já estou vendo que quando perturbar muito vou dar um limão para ela chupar.

Estou lendo Rio das Flores.

Tenho 500 itens não lidos no Google Reader. Preciso apertar o botão "marcar tudo como lido", para não ficar desanimada.

20.7.08

Da série Histórias Fantásticas


S. é minha fornecedora oficial de histórias inacreditáveis. São tão inverossímeis os casos que ela conta, que só podem ser verdade - pois que ninguém poderia inventar enredos desse tipo.
Semana passada, foi a história de uma amiga de uma amiga de uma amiga. Uma moça que era professora de grego numa universidade federal. Um belo dia, ela foi fazer um curso qualquer, uma especialização, não sei, na Grécia. Conheceu e se apaixonou por um homem grego bem mais velho, já pai de dois filhos adultos (ela ali na casa dos trinta e poucos anos). Acabaram se casando por lá. Mas a profissão dele era: músico experimental. Tocava numa banda meio de rock, meio de música grega - experimental. (Eu já imaginando uma espécie de Tom Zé heládico, uma coisa assim.) Por isso, por estar totalmente inserido na "cena" alternativa do rock grego, o homem não podia sair de lá e vir, por exemplo, morar no Brasil. Então ficaram morando lá. Só que, relembremos, ela era professora de grego - portanto, naturalmente não dava para trabalhar na Grécia. Aí calhou que, numa viagem de visita ao Brasil, ela comprou um berrante e resolveu levar para a Grécia. Eis que o berrante fez um sucesso enorme na banda de rock grego experimental do marido. E ela acabou virando tocadora de berrante do conjunto.
Fim da história.
Ou vocês queriam mais? :-)
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19.7.08

Nós


A felicidade existe, e bate ponto nas manhãs ensolaradas de inverno, nos dias úteis, na praia do Leblon.

16.7.08

A possuída


Não sei bem como isso aconteceu. Mas em algum momento das últimas duas semanas o bebê calminho e tranqüilo que aqui neste blogue é conhecido como Mathilde se tornou uma criança elétrica, levada da breca, a mil por hora, impossível. O tumulto começa às 6 da manhã e vai até umas 6 da tarde, com interrupções cada vez mais breves para o soninho de antes ou de depois do almoço. É muita energia. Mais um pouco e vou achar que ela está possuída por um espírito do demônio-da-tasmânia. Não quer mais ficar sentada, quer levantar e ficar em pé, está quase engatinhando, se arrasta para trás e fica injuriada quando se vê encalacrada de bruços, sem poder sair do lugar. Talvez seja precisamente isso: ela percebeu que é possível mover-se de forma autônoma, mas ainda não é capaz, e isso a deixa angustiada. Ou talvez seja apenas o desenvolvimento normal de uma criança de 6 meses e meio. Vocês aí, que sabem mais do que eu, me digam. O que eu sei é que 6 meses e meio é muito cedo para engatinhar, e até para ficar em pé. Ao contrário de outras mães, não me orgulho dessa precocidade, tampouco a estimulo. Tudo tem seu tempo e não há motivo para pressa. Mas não posso, ao mesmo tempo, fechar os olhos para o desenvolvimento que ela demonstra, espontaneamente. Então procuro estimular suas novas conquistas diárias sem querer colocar o carro na frente dos bois. Muitas decisões diárias. Mas maior ainda é o número de alegrias.
Uma das conseqüências ruins de tudo isso é que minha casa agora vive um furacão. Uma bagunça que parece não ter fim. Não que eu seja muito arrumada, nunca fui. Sou organizada, o que é muito diferente. A casa nunca foi um primor de arrumação, mas de tempos em tempos me baixava aquele caboclo arrumador e eu saía recolhendo roupas a seus armários, papéis a suas devidas gavetas, livros a suas estantes e bugigangas diversas a seus pseudo-lugares de ordem. Mas agora não mais. Porque depois que ela dorme, eu tenho uma lista de coisas a fazer, coisas de trabalho, que estão mais pra cima na ordem das prioridades. Acaba que a minha super poltrona vira um Monte Aconcágua de roupas e tralhas e ninguém consegue sentar. Os jornais aparecem pela casa, nos lugares mais improváveis. E os papéis de embrulho dos infinitos presentes que a criança continua ganhando não colaboram para o estado geral das coisas. Isso me deixa um pouco deprimida.
Mas a cura vem fácil fácil. Porque amanhã vamos à praia. De novo. Pela quarta vez na vida dela. E existem, no mundo, poucas coisas melhores do que isso.
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