8.5.08

À espera do messias



A semana passada foi prenhe (ha) de notícias gravidíticas. Em três dias, três notícias, três gravidezes*.

Uma delas me deixou especialmente feliz, por se tratar do padrinho de Mathilde, naturalmente pessoa muito próxima e querida. E um dos últimos "da turma" a se aventurar no incrível universo dos filhos. (Pois, coitado, já estava começando a ficar sem assunto para ele quando saía com os amigos - "programa homenzinho" - e começava o papo de fralda, cadeirinha de comer, amamentação etc. Sim, sim, moças, eles também falam sobre isso, apesar de fingirem que tudo se resume a futebol, política e mulheres gostosas.)

Numa madrugada insone, encontrei a namorada dele online, e ficamos de papo. Ela estava sem sono (no primeiro trimestre, quem diria!), preocupada com a gravidez, estava com cólica e tal. Não sem razão. Ela tem problemas de saúde e mais de um médico lhe disse que ela não deveria nem tentar engravidar. Então já tem esse peso de ser uma gravidez de risco, o que deve ser f*oda. Além disso, tanto ela quanto ele têm 32 anos. Naturalmente já rola a famosa pressão social. O que seria contornável, não fosse a família dele tão sufocantemente participativa. (A família dela eu não sei, mas parece que não havia constrangimentos no exercimento da pressão pura e simples.) Conheço os pais dele há aaanos (16 anos, precisamente), são pessoas ótimas, mas completamente invasivas no que diz respeito à vida dele.

Lá pelas tantas ela me confessa, "eu vejo que, na casa dele, esse bebê era uma das coisas mais esperadas".

Oh-oh. Houston, we have...

Péssimo começo para uma gravidez. Ainda mais de risco. Porque é claro que todas nós ficamos apreensivas tanto quanto felizes quando levamos aquela larvinha na barriga. Você pode ser zen, tranqüila, bem resolvida, mas que dá medo, é claro que dá. A responsabilidade (a nossa, porque a do homem se resume a ir ali, mirar certinho, e partir pro abraço). Tudo depende de você, da sua conduta, da sua alimentação, da sua movimentação, do seu estado de espírito, dos seus cuidados. E olha, não fica muito nervosa não, porque pode ser ruim para a criança. Ai meu saquinho. Então é muito difícil manter a leveza com tantas cobranças. Mas é fundamental fazer tudo para tentar ficar com um pouquinho que seja dessa leveza. Não se deixar levar pela enxurrada de expectativas alheias, colocar um limite para a participação da família e lembrar sempre que a gravidez é, acima de tudo, uma decisão e uma questão do casal. A família participa, claro, mas em outro nível. Há uma hierarquia, sim. Numa família como a desse amigo tão querido, tenho a impressão que, se deixarem, vão transformar a criança num messias salvador da humanidade. O mais esperado. O mais importante. O delfim.

Isso acontece mesmo. Quem não conhece um caso?

*(depois de me deparar com um texto que fala das "diferentes frigidezes das mulheres", não há impedimento estilístico ou ortográfico que impeça o uso de "gravidezes").

5 comentários:

Cam Seslaf disse...

Para não falar das coisas totalmente fortuitas e aleatórias sobre as quais não temos nenhum controle ou poder... Eu não sei se tenho saúde para enfrentar outra não. Um ano sentindo medo... não dá.

Maria Angélica disse...

eu gelei quando li a confissão dela. oh, my. já tô com pena dela, sabia? muita muita.

Anônimo disse...

fiquei gravida de um namorado que se dizia estéril. ele, já com quase 40 anos, tinha sido casado duas vezes e nunca... bom, eu fiquei gravida. foi o horror. desde a irmã mais velha se oferecer para *comprar o bebê* até a mãe dizer que o bb era santificado e claro, ele duvidar da paternidade. eu estava gravida de 2 meses. fiz aborto. sumi da vida deles. não me arrependo de uma nem de outra decisão.

anna v. disse...

O pior vocês não sabem. Ontem rolou um estresse, ela foi parar no hospital, e agora está de repouso absoluto até segunda ordem. Uma m*erda, coitada.
anônima, que história essa sua! circo dos horrores. acho que você fez muito bem de se livrar dessa família.

Isabella disse...

Anna eu entendo bem. Se achar útil pode passar o meu e-mail para ela (isabella.kantek@gmail.com). Minha primeira gestação foi de alto risco com muitas visitas ao hospital desde o começo (já conhecíamos toda a maternidade) - repouso: 7 meses! Então me mudei para fora do país e a "pressão" foi maior ainda porque estava levando para longe a primeira neta. Não foi e não é fácil...