11.5.08

Dia-a-dia das mães

Sou contra dia das mães. Contra dia dos pais, dos namorados, da mulher, da sogra e da avó. Sou contra Páscoa e contra Natal. Não é que eu desgoste das situações e das reuniões que elas provocam. Apenas acho um absurdo a efusão de sentimentos com data marcada. Então sou contra.

Minha máxima é: presente só no aniversário. Porque é a data individual de cada um, e ninguém precisa aturar campanha publicitária da Casa & Video, da Vivo e do Ponto Frio. (E, claro, muito a favor dos presentes fora de hora: sempre. São os melhores.)

Além do quê, tem a desagradável concorrência entre os eventos familiares. Almoço com a família de um, lanche com a família do outro. Noite de Natal aqui, almoço do dia 25 e enterro dos ossos acolá. Uma chatice, uma comilança, um consumismo que me caaaansa (rimou!).

Acho que cada família deveria escolher sua própria data para comemorar, se reunir e trocar presentes. Não é difícil, basta pegar um aniversário de algum avô ou bisavó querido já falecido, e pronto. Já tivemos conversas assim na família v., um dia havemos de conseguir.

Marido e eu desde há muito concordamos quanto a essa coisa de presente com data marcada pelo comércio. Então, como este foi o ano debutante, avisei logo: não quero presente de dia das mães -- mas um café da manhã na cama é sempre bem-vindo. (Falei com itálicos.) Acabou não surtindo nenhum efeito: acordei super gripada e teria ficado em jejum se não tivesse pego uma banana quando estávamos saindo para a casa da mãe dele. Marido é um pouco, digamos, econômico com esses pequenos gestos. Tudo bem.

Sei que hoje estou baqueada com gripe. Nem contei aqui que na semana passada Mathilde pegou seu primeiro resfriado. Era um (micro)nariz entupido de um lado, e um coração partido em mil pedacinhos de outro. Ai.

A temperatura esfriou bastante (deve estar pelos 20ºC, temperatura polar no Rio), e ela está toda cheia de lãs, mantinhas e gorrinhos. Mais fofolete do que nunca. Esses sapatinhos de lã é que eu vou te contar, hein? Existe alguma prova documentada de que algum sapatinho desses tenha ficado mais de 30 segundos no pé de um bebê acordado? Pode me chamar de Sísifo.

Mas são essas pequenas coisas do dia-a-dia das mães que me fazem achar o Dia das Mães do comércio uma imensa forçação.

Feliz Vida das Mães para todas.

Esse aqui é o meu presente diário.

8 comentários:

F. disse...

Anna V., parabéns pelo presente diário, que é realmente uma fofolete! Quanto à cutucada no pobre marido, sem querer ser corporativista, vocês mulheres são mesmo todas iguais.

matteo irma disse...

Que linda...realmente esse é o seu grande presente.
Tb me incomoda esse consumismo, dia das mães, dos pais, namorados...tudo é totalmente comercial. Com natal acho que é diferente, embora hoje o espirito de Natal acaba sendo o consumo enlouquecido tb. Natal passado, minha filha com 2 anos e já entendendo bastante coisa, montei um presepio com ela. Pra tentar mostrar o outro lado, criar um ritual nosso, e pra crianças os rituais são bem importantes.
Enfim, legal pra Mathilde a mãe dela ter essa visão.
Anyway...feliz nosso dia.
beios
Renata

Anunciação disse...

Feliz dia das mães pra você também.

Deh disse...

Ô querida, que o seu dia tenha sido ótimo!
Também detesto a pataquada, a forçação de barra, tudo muito artificial, uma coisa de alucinação consumista coletiva. Deixa de ser prazer e vira obrigação e martírio, a corrida pelo presente, as perguntas "o q vc ganhou?", "o q vc vai dar?". Sorte minha q a minha mãe é sussa com essas coisas, então nem filho em casa - e nem neto - ela teve, claro. Mas na casa da minha vó paterna se juntaram pra fazer mais um ritual burocrático de ode ao matriarcado (to com raiva da minha vó pq ela fez umas coisas muito megeras. Minha ficha caiu a respeito dela, 32 anos depois).
Enfim.
Mas o presentão tá uma coisa de doido, hein? ;)

Clara Lopez disse...

Mesmo com olhindo apertado de gripe a gente percebe que a mathilde está rindo, feliz da vida, como é bom ver a felicidade dessa figurinha, anna, merci.
Também tenho verdadeiro horror a toda essa encenação sustentada pelo comércio, e com as mães chega a ser obsceno, pq pegam um sentimentalismo barato que dá dó.
um abraço, feliz todo dia pra vocês
clara lopez

Cam Seslaf disse...

Sarou, amorzinho?

kellen disse...

gostei muito do teu post. concordo bastante. e a mathilde, meu-deus-do-céu: tá muito fofa!!!
beijos para as duas

anna v. disse...

F., é verdade, somos todas iguais. Por acaso, vocês homens também. :-)
Renata, também acho a mensagem do Natal bacana e concordo quanto à importância dos rituais. Mas convenhamos que hoje em dia o comércio faz com que não seja mais nada disso.
Anunciação, obrigada, pra você também.
Deh, ih, que coisa isso da sua avó, hein? Rola um clima "Segredos e Mentiras" do Mike Leigh? :-)
Clara, ela é uma fofa, realmente muito feliz.
Cam, bais ou benos. Ainda estou um pouco entubida.
Kellen, saudades de você. Quando vens ao Rio de novo?