24.11.08

Más companhias


Já mencionei aqui o casal de amigos que está à espera do messias. Messias está estourando por aí, faltam poucas semanas. Então. Mãe de messias tem um blog, onde escreve sobre aquelas angústias e alegrias gravídicas que conhecemos tão bem. Aí ela escreveu um post sobre dirigir grávida, como ela não queria mais dirigir, porque pega muito trânsito, e outro dia ficou presa num megaengarrafamento, e sentiu uma contração, etc. etc. Eu acho mesmo que ela não deveria mais dirigir pra ir pro trabalho, que é muito longe da casa dela, muitas horas dirigindo todo dia, a pessoa já entrando no último mês da gestação pode não ser mesmo a melhor idéia. Varia de mulher pra mulher e cada uma se impõe seu limite. Tudo certo.
Mas eis que. Chegam os comentários. De várias mães. E para meu espanto completo, todas dizem mais ou menos a mesma coisa: "você não sabe de nada: muito pior será depois que o messias nascer e você tiver que dirigir sozinha com ele na cadeirinha. Porque o Rio de Janeiro é uma cidade violenta e podem roubar o seu carro e você não ter tempo de tirar o seu neném da cadeira."
Bom. Eu li o primeiro comentário desse tipo e pensei: nossa, que louca, pessoa mais paranóica, cruz credo. Li o segundo. O terceiro. O quarto. Todas diziam isso. E aí o grau de barbaridade variava: "meu filho tem um ano e eu nunca saí de carro sozinha com ele", "saio sozinha com ele quando absolutamente necessário, mas morro de medo", e por aí vai.
Marido, ao lado, só ria enquanto eu esbravejava em frente ao monitor. Porque francamente. Se é pra pensar assim, melhor não sair nunca, não é? Ou ainda: melhor nem ter filho se tiver que morar no Rio de Janeiro, essa cidade onde a qualquer momento podem roubar o seu filho dentro do carro! Tá certo que a gente vive na cultura do medo, mas isso é patético.
Mas não foi só.
O blog da mãe de messias é um blog coletivo de mães. E uma delas fez um post sobre como havia feito um fundo de previdência privada para seu filho, onde todo mês depositava um dinheirinho. Até aí tudo bem. Mas aí ela continuava, dizendo que aquele dinheiro era para ele usar para sua formação, fazer um MBA ou uma especialização, porque ela queria que o filho fosse "um grande homem". Só faltou mesmo citar a inesquecível Susanita, com seus devaneios maternais: "E aí as pessoas na rua vão olhar para mim e dizer: 'Lá vai a mãe do doutor Fulano...'". Eu não faço fundo de previdência privada nem seguro de vida pra Mathilde. Mas se fizesse, seria para ela gastar o dinheiro todo como bem entendesse.
Enfim, isso tudo me remeteu para essa questão tão importante do ambiente em que a gente coloca os filhos, e as crianças com quem eles convivem. Como já disse antes, ano que vem a mocinha vai para creche logo que completar um ano. Ainda não escolhemos qual será, mas entre as possibilidades há uma creche pública, municipal. Que, se for mesmo boa como parece, será o meu sonho dourado da diversidade sociocultural. Porque eu tenho muito mais medo da convivência com os filhos dessas mães psycho do que da possibilidade de haver um ladrão de bebês à espreita na próxima esquina.
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9 comentários:

Cacá disse...

Nossa, Anna, vc foi direto ao ponto.
Eu tenho aflição de gente que quer se aparecer, se realizar "emergentemente" nos filhos. Coitada da criança que carrega um fardo enorme com isso.

Ângela disse...

cruz credo. olha, eu tenho muito medo de coletivo de mães, sabe? confessei.

Marcus disse...

Grande post.

São raras as pessoas da nossa classe social que não confundem a questão de "criar um filho" com "colocá-lo numa bolha".

Essa creche parece algo perfeito. Jogar o filho no mundo, né? Só tem que procurar a melhor forma de fazer isso.

Sal Ober disse...

frustrante uma vida dessas.
meu Deus!!!

bom trabalho, excelente texto.


HTTP://coresemtonsdecinza.blogspot.com

Anunciação disse...

Cruzes,esse pessoal dá medo,mesmo!A Mathilde é pequena de sorte!Dê um cheirinho nela por mim.

Isabella disse...

Excelente, Anna! Concordo contigo!

E aproveitando peco para torcer por mim tambem que a qualquer momento o irmao da Estela vai chegar. ;)

anna v. disse...

Cacá, esse menino do MBA tem tudo para virar ator de teatro, não é mesmo?
Ângela, disse tudo. Adorei e já adotei: medo do coletivo de mães. É isso. É isso!!
Marcus, fiz a inscrição para a creche municipal. As vagas serão sorteadas entre 8 e 10/12. Cruze os dedos!
Sal Ober, é o maior perigo. Obrigada pelos comentários todos.
Anunciação, pode deixar, devidamente cheirada.
Isabella, irmão?! Não sabia, parabéns. A qualquer momento? Quantas semanas??! Jà estou torcendo, claro.

Alena disse...

mba = teatro mesmo... kkkk! que surto deste povo!
Eu só desejo que Alice seja feliz. Como? Ela deverá buscar.

Isabella disse...

40 semanas hoje, espero ter noticias logo. Beijos,