18.12.07

Homens na sala de parto

Com o tamanho da minha barriga atualmente, é cada vez mais difícil as pessoas puxarem papos de outros assuntos comigo. As mulheres que já são mães falam muito, naturalmente, de seus partos, como foram, o que aconteceu, etc. E me chama a atenção o fato de que, nesses relatos, o papel do pai é sempre meio caricato. Os maridos acompanham as mulheres às salas de parto, mas o que elas me contam é que eles passam mal, ficam brancos como uma folha de papel, ou então se escondem através de câmaras fotográficas. Ou seja, muitas vezes atrapalham mais do que ajudam.
Eu, que sou um raro espécime feminino que acredita e põe fé no sexo oposto, gostaria de saber dos homens que já passaram por essa experiência: como foi?
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16 comentários:

César disse...

Confesso que no parto do meu primeiro filho, fui meio inútil, me senti mal, quase desmaiei. Meio inútil, e não totalmente inútil, porque ao menos estava ao lado como figura de apoio.

No segundo filho, continuei sendo meio inútil, mas não passei mal. O truque: não olhar pras entranhas da sua esposa durante a cesárea.

Muitos anos depois, uns 14, no parto da minha terceira filha, com muito mais experiência acumulada, fui heroicamente útil. O parto foi normal, aliás, normal no sentido de que não foi cesárea, e durou umas 8 horas, as primeiras 2 horas com muita dor, quando ainda não era possível entrar com a analgesia, e durante todo o tempo pude acalmá-la, ajudar a fazer força a cada 2 minutos, dar apoio de verdade, e não ser apenas uma figura ilustrativa.

Boa sorte no seu parto, e boa sorte pro seu marido também !

leila disse...

Meu marido nao costuma ler blogs, entao vou responder contando como ele participou. Primeiro massageando durante as contracoes, depois limpando numa boa meu vomito (o que nao deve ter sido muito agradavel pra ele, que odeia peixe e meu vomito tinha um cheiro forte do salmao que eu tinha jantado horas antes). Ele tambem limpou o liquido da bolsa rompendo la' em casa, antes de sairmos pro hospital.

Como meu parto acabou virando cesariana de emergencia, e eu tremia violenta e incontrolavelmente por efeito da anestesia, foi o marido quem segurou o bebe primeiro, 'as lagrimas, e me mostrou. Tambem foi ele quem acompanhou a enfermeira na hora do primeiro banho, enquanto eu me recuperava da anestesia. Tambem foi ele quem trocou todas as fraldas nos primeiros dias, enquanto eu estava internada e levantar da cama nao era muito facil.

osvjor disse...

Anna V., minha filha ainda outro dia me criticou pela enésima vez por eu não ter estado na sala do parto e filmado aquele momento gosma e outros humores. Não estive, nunca quis estar presente, não achava e não acho nada atraente. Pra mim, sala de cirurgia é pra cirurgião e assemelhados (estou falando de cesariana, mas se fosse parto normal minha opinião seria a mesma). Minha própria mulher me dizia que a única presença tranqüilizadora de que ela precisava era mesmo a do obstetra. Muito particularmente, acho isso um modismo bobo. Um comportamento meio postiço. Mas eu sou um velho retrógrado. E não quero dizer com isso que não possa haver homens verdadeiramente interessados em participar desse momento e encantados com essa possibilidade. Conheço realmente casos de homens que foram e desmaiaram, ou quase. Mas também conheço situações opostas, de homens que fizeram questão de ir e gostaram. Um dos meus cunhados foi e os destaques da sua descrição são o cheiro de carne queimada, quando o bisturi cortou a barriga da minha irmã, e o momento em que puseram o útero pra fora e colocaram sobre o ventre dela. Um bom parto pra você e saúde pra família.

Ângela Fatorelli disse...

meu entao marido não foi não. minha irmã foi comigo. o pai da criança é mole pra sangue e tals, e vá, é um evento meio horror show, meio massacre da serra eletrica demais. sei lá, acho que lugar de pai é do lado de fora, arrumando a buroca da matenidade ;)

César disse...

(eu aqui de novo, fui o estreante destes comentários, mas não resisti e voltei)
O homem participar do parto apenas por modismo é algo bobo mesmo, mas se a intenção for de dar apoio, de participar do momento, de compartilhar, de pelo menos tentar compreender o melhor possível o que a mulher está passando, então acho válido, mesmo que a utilidade no momento seja pequena.
É uma comparação meio estranha, mas na cerimônia de casamento, o noivo seria dispensável pelos mesmos motivos, afinal ele é uma figura ilustrativa, a estrela é sempre a noiva, e o que a cerca: vestidos, decoração, música, etc.
Mas o noivo, mesmo sem destaque, participa como forma de demonstrar suas intenções.
O pai na hora do parto, seria como um noivo no altar, presente mais para demonstrar suas intenções e comprometimento, do que para efetivamente ajudar em algo.

MegMarques disse...

O meu então marido esteve presente nos dois partos. Foi figurinha decorativa, não fez nada realmente útil, mas eu gostei da presença dele ali, me dava certa tranquilidade. Eu não deixei filmar nem fotografar nada, não quis minhas vísceras expostas para o mundo. Ele se comportou muito bem, não deu chilique nem desmaiou, ficou conversando comigo, me contando o que o obstetra estava fazendo, perguntando coisas para o obstetra e talz. E se derramou em lágrimas quando a filha foi tirada da barriga. Diz que foi a maior emoção de toda a vida dele.

Clara Lopez disse...

Anna, não opino sobre o que não conheço, mas tendo a achar (já opinando, parece :) que lugar de homem não é na sala de parto, e acho tb constrangedor filmar ou fotografar as partes que parem e o bebê na hora que está saindo, acho esquisitíssimo isso, e vc vê a toda hora na TV, nao entendo como as mulheres permitem isso.
De todo modo, vc vai decidir o que for melhor para os três, e quero desejar aqui um feliz Natal para a família e um 2008 cheio de alegrias, prosperidade e saúde.
um abraço,
clara lopez

Isabella Kantek disse...

Vou comentar. Marido não queria entrar na sala de parto e já havia deixado claro desde o começo da gestação. Eu queria muito ele do meu lado, para dar aquele apoio, mas resolvi respeitar a decisão e esperar o momento chegar (falar é fácil, rs). No dia, fomos para o hospital com a minha sogra (meus pais ainda estavam no interior) e já havíamos decidido que ela ia ficar comigo. Quando chegamos no hospital as enfermeiras a levaram para o quarto e o Antonio desceu comigo para o pré-parto. Fiquei puta da vida porque queria a minha sogra comigo, o marido dormia - era quase uma da manhã. Quando as cólicas aumentaram e eu fui levada para a sala de parto simplesmente não tinha condições de pedir para a minha sogra descer e a médica disse "vamos deixá-lo dormindo para acordá-lo só quando você começar a puxar". Marido entrou e ficou do meu lado, observando. Quando a pequena nasceu ele ficou bastante emocionado, feliz de ter participado. Foi levado pelas enfermeiras para acompanhar o restante e só voltou depois quando eu já estava no quarto.
Mais tarde comentou "não imaginava a quantidade de sangue."
Felicidades no que vocês decidirem. =)

Deh disse...

Hm, meu marido dizia, meio cabreiro, que iria assistir ao parto. Mas na hora agá foi uma cesariana de emergência, então não deixaram ele ficar por perto. E ele reclama porque ficou sozinho (meus pais só conseguiram chegar à cidade quando eu voltava para o quarto, minha sogra tava na cidade dela jogando bingo...hehehe) esperando o Alexandre nascer. Deve ter sido phoda mesmo.
Enfim. Mas boa sorte pra vocês! :)

Camilo disse...

Anna, primeiramente eu gostaria de dizer que tenho uma belíssima novidade no TJM2.
Quanto ao pai na sala de parto... Conversamos bastante e chegamos juntos à conclusão que seria melhor eu não ir. Achamos que o obstetra (na hora foi o anestesista) teria mais "jeito" para acalmá-la. Acho que eu mais trapalharia que ajudaria (por ansiedade, nervosismo). E para quem depende significativamente de leitura labial (eu), uma sala cheia de pessoas com máscara faria se sentir mais inútil. Portanto, não entrei. Deu tudo certo e não foi menos emocionante. Mas se fosse parto normal eu estaria ali com certeza.
Beijo!

Anunciação disse...

A coisa mesmo vai depender do tipo de marido que você tem.Se for do tipo frio,que não sua frio com qualquer coisa,ponto;se for do tipo cooperativo,ponto.Agora se o pai da Mathilde é daqueles que não suporta ver sangue,ouvir mulher gemendo,cheiro de hospital e,ainda por cima é atrapalhado,deixe-o na sala de espera;é melhor,confie em mim.

Idelber disse...

Nos partos dos meus dois filhos eu estive presente e me senti super bem. Acompanhei, segurando a mão dela. Adorei ter sido a primeira pessoa a pegar Alexandre e Laura logo depois de saírem de dentro da mãe (tivemos um médico muito legal, que já no momento em que eles estavam saindo me chamou e disse: 'vem cá e tira você'). Foi uma experiência inesquecível e acho que significou muito, tanto para a mãe, como para os meninos. Se ele quer ir e está tranquilo, não vejo por que não. Beijos e sucesso!

anna v. disse...

Nossa, amei os comentários, os depoimentos tão diversos! Marido vai estar lá comigo, ele faz o tipo que agüenta as pontas. Aliás, não consigo imaginar mais ninguém lá que não seja ele...

Liliane disse...

Oi Anna
Obrigada pela visita!
Estamos bem e com saúde... A adaptação está difícil mas chegaremos lá!!!
O marido esteve comigo nos dois partos... Discreta força me apoiando quando precisei!
no primeiro ele assistiu e fez força comigo! Neste não deu tempo ela nasceu antes: de eu sair da maca, dele conseguir terminar de se vestir, e da obstetra terminar de calçar as luvas!!
beijos e boa hora para você, como dizem as antigas!

Lord Broken Pottery disse...

Ana,
Não tive filhos com minha mulher. Tenho um enteado, filho do primeiro casamento dela, que não vi nascer. Sou, entretanto, radicalmente favorável à participação do homem em todas as fases do nsacimento da criança. já que ajudou a fazer tem que estar presente amparando, dividindo, dando afeto para os dois desde o início. Não acho que seja modismo. Acho que antes de tudo é respeito ao sexo feminino, e à barra pesada que elas têm que enfrentar. Ser pai começa antes do que a maioria imagina.
Beijo

Alena disse...

Hoje eu vou reler todo o blog e esta semana inteira porque de repente me deu um medão do parto que você nem imagina... aquela sensação de menina desamparada que pensa : "e agora?"

E ainda está longeeeee...