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Mesa de cabeceira |
Será muito clichê demonstrar tamanho apreço por esse tipo de "liberdade"? Imagino que sim. Mas não me importo.
E então ontem, sexta-feira, excepcionalmente não tivemos expediente na editora, e tive mais um dia de folga. Mas a empregada veio, e também a nossa mais recente indulgência, uma folguista que dorme aqui em casa toda sexta-feira -- tentativa de voltar a fazer algum programa enquanto casal, bem como dormir bem uma noite por semana, sem hora para acordar no sábado. E então foi meu segundo dia seguido de liberdade, uma overdose da qual não sei se conseguirei me recuperar. Aproveitei para cortar e pintar o cabelo, e visitei minha mãe para um café. Sem crianças!
A perspectiva do tempo livre pode apavorar pelo infinito de possibilidades que encerra. O que fazer? Ler livros? Ver filmes? Arrumar a casa? Não sei como, mas consegui fazer um pouco de tudo isso. Já vi três episódios de Os Sopranos, cuja primeira temporada meu chefe me emprestou enquanto não vem a próxima de Mad Men (em 2012 apenas). E sabe que estou gostando? Ou talvez esteja mesmo inclinada a sorrir para o mundo e gostar de tudo esses dias, esses gloriosos dias de inverno carioca que me fazem ter a certeza de que o verão é uma estação supervalorizada, uma aceitação colonialista do que o verão representa no hemisfério norte, porque lá pode ser bom, mas aqui todos sabemos que é o inferno. Mas como dizia, estou de ótimo humor e gostando de tudo, porque os livros que estou lendo também estão sendo uma felicidade. Identidade Roubada é interessantíssimo, um ótimo suspense psicológico -- para quem tem estômago, é bom que se diga. E agora estou no meio de Um Dia, o livro da moda, que é surpreendente. No bom sentido. Não é arrebatador, mas veja, é difícil de largar. Comecei a ler apenas ontem, no salão, enquanto esperava a tinta no cabelo, e se tudo der certo termino hoje mesmo. É muito a cara da nossa geração, nosso grupo social, nossas vivências, nossos desejos cosmopolitas, nossas dúvidas e apreensões. Como disse uma reportagem a respeito, é "o livro que todo mundo vai ler". Fato. E tem Liberdade, que, alegria! alegria!, faz bonito na lista dos mais vendidos, e eu espero-em-deus que seja mesmo bom, porque o primeiro romance do Franzen, As Correções, é um GRANDE livro que mantém as expectativas lá em cima. Bom, Liberdade é o próximo da lista, e depois, nesse grande sprint de ficção literária que se delineia, espero poder ler Meu Nome É Vermelho, porque nunca li nada do Pahmuk e este livro, desde a primeira vez que vi o título e a capa da edição americana, sei lá quantos anos atrás, tive vontade de ler, mas nunca cheguei a comprá-lo, por ausência de urgência, se é que se pode dizer isso. Aí semana passada, vagando pelas opções do Trocando Livros, ele estava lá. Eu fiz a solicitação e ele chegou alguns dias depois, num grande envelope pardo vindo de Porto Alegre.
Eu estava mesmo precisando desses dias, com uma criança só -- ou nenhuma, como agora, sábado de manhã, Oliver e a babá foram passear, estou sozinha em casa. É claro que tenho saudades dos programas de casal, das delícias da vida a 2 que foram meio que por água abaixo nos últimos meses. Mas a saudade ainda maior era da vida a 1. Virginia Woolf de Um Teto Todo Seu e Ann Morrow Lindenbergh de Presente do Mar me pegaram pela mão e me conduzem nessa trajeto de liberdade, isenta de qualquer culpa ou cobrança, me ensinam a lidar com essas questões de ser mulher, ser mãe, ser gente no meio de tanta gente, e ser feliz.