23.2.07

What's in a name (2)

Anteontem -- depois do gol do Obina, segundo disseram -- nasceu a filha de um casal de amigos. Se chama Alice, a pequena. (Se fosse menino seria Artur, antiga promessa do pai, flamenguista doente, em homenagem a you know who.) Mais uma Alice, a bem da verdade. Porque outro dia chegamos à conclusão que Alice é a nova Renata, Clara é a nova Mariana, Francisco é o novo Rodrigo e João é o novo Bruno.
Impressiona muito essa coisa do modismo dos nomes. Eu sou meio contra. Acho que não basta o nome ser bonito, ele tem que ter um quê de único, de especial, na medida no possível. Tenho horror a essa coisa de ser conhecido pelo sobrenome. Talvez trauma do colégio onde estudei, que era enorme e as turmas (40 alunos cada) eram separadas por ordem alfabética, no método mais tosco de que já ouvi falar. Então a turma A tinha 9 Brunos. A turma C tinha umas 7 Marias. E a turma E, 8 Rodrigos. É óbvio que eles são, até hoje, o Siqueira, o Lima, o Abreu, o Amaral, a Campbell, a Lourenço etc. Sem contar nos que viram Cabeça, Monstro, Babá, Aranha, ou as que se transformam em Flávia Loura e Flávia Ruiva, Taíssa Grande e Taíssa Pequena.

Nos anos 20, os nomes da moda eram Olga, Leonor, Helena, Regina, Glória, Antenor, Oscar, Haroldo, Agenor.
Lá pelos 30 começar a surgir Waldir, Raul, Ruy, Nilton, Terezinha, Lucia, Yolanda, Amélia, Henriqueta, Gilda, Nair.
Para os anos 40 eu diria que foi a época de Vera, Ana Maria, Carmen, Teresa, Lourdes, José Carlos, Antônio Carlos, Luis Carlos, Gilberto, Álvaro.
A década JK-bossa-nova chegou com Cristina, Fátima, Elisabeth, Marcos, Edson, Mário, Roberto.
Já nos anos 60 começa a pender para André, Pedro Paulo, Lúcio, Henrique, Carlos Eduardo, Ivan, Cristiana, Eduarda, Luciana.
Os meus contemporâneos dos anos 70 são Bárbara, Carolina, Ana Carolina, Daniela (ou Daniele), Andréa, Ana Paula, Adriana, Renata, Mariana, Patrícia, Tatiana, Bruno, Rodrigo, Rafael, Leonardo, Maurício, Alexandre, Carlos Eduardo, Luiz Felipe, Felipe.
Um pouco depois, a moda dos 80 foi de Marcus Vinicius, Daniel, Gabriel, Rafael, Diego, Amanda, Erika, Letícia, Fernanda, Larissa.
Os anos 90 foi o boom dos bíblicos, Mateus, Lucas, Tiago, Pedro, Júlia, Beatriz, Rafaela, Gabriela, Camila.
E no século XXI é a verdadeira invasão portuguesa: Isabel, Clara, Alice, Sofia, Luísa, Maria, Maria Eduarda, Maria Carolina, Francisco, Pedro, Antônio, Miguel, Tomás, João, João Pedro, João Paulo.

(Esses são, na verdade, os nomes mais tradicionais. Não entram aqui a invasão sueca -- Anderson, Vanderson, Wallison, Cleberson, Everson, Gleydson, Gilson, Edilson, Adeilson, Alysson, Marilson, Denilson etc. -- nem a inglesa -- Wellington, Washington, William, Wenderson, Wendel, Wesley, Wescley, Gladstone, Maicon, Jonathan, Jonas, Douglas, Suellen, Kelly, Jane, Daiana.)

É curioso que hoje em dia não exista muita chance de nascer uma Nair ou um Antenor. Ou mesmo uma Vera Lúcia ou um Gilberto. Mas tenho cá pra mim que é uma questão de ciclos. Já ouvi falar de várias criancinhas que se chamam Valentina. E minha tataravó era Mariana, nome que voltou com força total cem anos depois.

Pois é, às vezes eu custo pra dormir, e fico pensando nessas coisas.

5 comentários:

Lord Broken Pottery disse...

Anna,
Chequei aqui através do Dito Assim e do Frankamente. Também penso, freqüentemente, em nomes. Teve a fase dos Tiagos (agora preferem Thiago) e Júlias, lembra? Gosto do nome Alice, tenho uma irmã Mariana, uma avó Olívia, nomes... Belos nomes.
Abraço

anna v. disse...

Lord Broken Pottery, é isso mesmo, coloquei Tiago e Júlia na leva dos anos 90, os adolescentes e pré-adolescentes de hoje. Eu não gosto muito de Alice porque me lembra aliche, a pizza que eu detesto. E Olívia em lembra azeitona, que eu também não gosto... Enfim, cheia de problemas com nomes!

Nalu disse...

Olha, Valentina tá na moda sim. E é meio chique colocar esse nome. Pelo menos é a impressão que eu tenho...

Jussara disse...

Acho interessante isso de 'moda' dos nomes, embora eu tb seja contra(acho que pra se colocar um nome tem que ter uma razão além da moda, um motivo maior, digamos assim).
Temos ainda o modismo dos nomes copiados das novelas.
Achei legal a volta aos nomes simples,como João, Pedro, Maria,Antonio(não sabia que eram de origem portuguesa); além de simples e bonitos, são mto melhores do que os "estrangeiros", que às vezes nem os próprios pais conseguem pronunciar ou registrar corretamente.
Mas piores que esses são aqueles em que colocam metade do nome do pai e metade do nome da mãe...

Alena disse...

Estou em vantagem neste caso(risos). Também não gosto de nomes de moda.