
Não sei bem como isso aconteceu. Mas em algum momento das últimas duas semanas o bebê calminho e tranqüilo que aqui neste blogue é conhecido como Mathilde se tornou uma criança elétrica, levada da breca, a mil por hora, impossível. O tumulto começa às 6 da manhã e vai até umas 6 da tarde, com interrupções cada vez mais breves para o soninho de antes ou de depois do almoço. É muita energia. Mais um pouco e vou achar que ela está possuída por um espírito do demônio-da-tasmânia. Não quer mais ficar sentada, quer levantar e ficar em pé, está quase engatinhando, se arrasta para trás e fica injuriada quando se vê encalacrada de bruços, sem poder sair do lugar. Talvez seja precisamente isso: ela percebeu que é possível mover-se de forma autônoma, mas ainda não é capaz, e isso a deixa angustiada. Ou talvez seja apenas o desenvolvimento normal de uma criança de 6 meses e meio. Vocês aí, que sabem mais do que eu, me digam. O que eu sei é que 6 meses e meio é muito cedo para engatinhar, e até para ficar em pé. Ao contrário de outras mães, não me orgulho dessa precocidade, tampouco a estimulo. Tudo tem seu tempo e não há motivo para pressa. Mas não posso, ao mesmo tempo, fechar os olhos para o desenvolvimento que ela demonstra, espontaneamente. Então procuro estimular suas novas conquistas diárias sem querer colocar o carro na frente dos bois. Muitas decisões diárias. Mas maior ainda é o número de alegrias.
Uma das conseqüências ruins de tudo isso é que minha casa agora vive um furacão. Uma bagunça que parece não ter fim. Não que eu seja muito arrumada,
nunca fui. Sou
organizada, o que é muito diferente. A casa nunca foi um primor de arrumação, mas de tempos em tempos me baixava aquele caboclo arrumador e eu saía recolhendo roupas a seus armários, papéis a suas devidas gavetas, livros a suas estantes e bugigangas diversas a seus pseudo-lugares de ordem. Mas agora não mais. Porque depois que ela dorme, eu tenho uma lista de coisas a fazer, coisas de trabalho, que estão mais pra cima na ordem das prioridades. Acaba que a minha super poltrona vira um Monte Aconcágua de roupas e tralhas e ninguém consegue sentar. Os jornais aparecem pela casa, nos lugares mais improváveis. E os papéis de embrulho dos infinitos presentes que a criança continua ganhando não colaboram para o estado geral das coisas. Isso me deixa um pouco deprimida.
Mas a cura vem fácil fácil. Porque amanhã vamos à praia. De novo. Pela quarta vez na vida dela. E existem, no mundo, poucas coisas melhores do que isso.
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