

Angústia 5: Doenças
Angústia 6: Depilação
Tarsila do Amaral, "O Sono", 1928.
Angústia 1: Sono.
Já estou tendo que puxar pela memória a lembrança de uma noite super bem dormida. Não é simples em um par de meses colocar pra escanteio o hábito adquirido da vida inteira que é dormir de bruços. De barriga pra cima também não consigo, então tem que ser de lado mesmo. Aí acordo de madrugada para fazer xixi, e cadê que pego no sono de novo? Difícil, viu? O mais triste é que dormir sempre esteve entre as minhas atividades preferidas. Tenho vontade de socar aquelas pessoas que dizem que dormir é uma perda de tempo. Sempre senti imenso prazer em dormir, sou daquelas que dormem fácil até o meio-dia, e durmo também em qualquer meio de transporte, em questão de minutos. Quando estava na faculdade, tinha que descer do ônibus no último ponto antes do Aterro. Haha, várias vezes dormi no ponto, acordei no meio do Aterro e tive que descer no aeroporto Santos Dumont pra pegar um ônibus de volta - e adeus primeira aula. Agora, ruim mesmo é pensar que isso não tem data pra acabar.
Parque do Flamengo. Foto daqui.
Angústia 2: Sábado
Sábado, no meio do feriado, acordamos tarde, tomamos café tarde, e tínhamos os dois, como sempre, coisas de trabalho a fazer, mas nenhum saco para tal. Como estava um dia radiante, daqueles que só o inverno/primavera do Rio pode apresentar, nenhuma nuvem no céu ridiculamente azul, fomos caminhar no Aterro. E aquele parque do Flamengo é simplesmente uma coisa divina, os turistas que vêm ao Rio normalmente não visitam, preferem ser assaltados ou achacados naquela esculhambação que é a subida pro Corcovado, mas ó, dica mesmo é caminhar no Parque do Flamengo, uma jóia de paisagismo by Burle Marx que devemos à Lota Macedo Soares, socialite, namorada da poetisa americana Elisabeth Bishop e amiga do Carlos Lacerda. Dizem que quando o Lacerda estava fazendo o Aterro (pistas expressas ligando a Zona Sul ao Centro), ela mandou na lata: "Deixe na minha mão que eu vou fazer daquilo um Central Park no Rio". Então obrigada, Lota, porque aquilo é chique no último, as árvores não se repetem, são diferentes umas das outras, e é uma quantidade de pássaros e bichos, e é tanto verde, e tanto azul da Baía de Guanabara, com os pontinhos brancos das velas dos barcos, que eu fico meio sem ar. Então andamos e andamos, e acabamos resolvendo almoçar no Centro, num boteco/restaurante português incrível, e ficamos lá um tempão, nas mesinhas improvisadas no meio da rua do Ouvidor, perto da Praça XV, na calmaria do Centro no feriado, batendo papo, lendo e tomando chope com batatas portuguesas, até pegar o metrô de volta pra casa. Então um sábado assim, sem preocupações, quando de novo?