3.10.06

Mi Buenos Aires Querido - parte 3

Moda - peluquería 2
Lembram daquelas piranhas para cabelo que vinham com uma flor imensa como adereço? Assim, um look Viúva Porcina? Parece ser o último grito (aaaaahh!!) da moda portenha. É assim, eu diria, increíble. Se eu não tivesse visto, não acreditava mesmo.

Invasão brasileira 2
Postos Petrobras, agências do Itaú e cerveja Brahma. Por todo canto.

Tango
Fomos a dois lugares muito bacanas de tango, fora do circuitão turístico (pelo menos eu acho). Café Homero (José A. Cabrera 4946, Palermo) e Centro Cultural Torcuato Tasso (Defensa 1575, Santelmo). No Homero chegamos com fome e nos demos mal (em termos, as empanadas eram ótimas, mas não tinha comida-comida). Mas o show foi bem legal. Já o Tasso, além de casa de show, também é restaurante e lá foi onde comi "o" bife de chorizo da viagem. Notem bem: eu não sou das carnes. Nunca como bife, hamburger, picanha, esses troços. Não dou valor. E aí descobri o motivo: é porque aqui nunca vou achar uma carne tão maravilhosa quando o chorizo do Tasso, então pra que insistir nessa frustração?
Também gostei de ver uma orquestra de tango tocando na rua, perto da feira de Santelmo, no domingo à tarde. Eram uns malucos, levaram um piano (!), tinha 3 bandoneons, violinos, um violoncelo, contrabaixo... Enfim, eles estão lá todos os domingos.
Mas o tango, a música. Eu gosto muito. Mas gostaria de saber mais sobre o que acontece no tango "contemporâneo", o que se faz na Argentina, hoje em dia, de tango. Não me refiro, claro, a presepadas como tecnotango ou afins, mas sim aos verdadeiros seguidores da tradição tanguera e milonguera que certamente deve ter desembocado numa música mais moderna e atual (além do Piazolla, claro). Isso ainda não descobri. Ouvindo o que eu ouvi lá, era como se alguém viesse ao Brasil e ouvisse Ary Barroso, Geraldo Pereira e Noel Rosa. Incontestavelmente maravilhoso, mas tem muita coisa boa que aconteceu depois. E as letras, ah, as letras. Realmente não tem nada mais para baixo do que letra de tango. Os temas são sempre coisas como a mulher que morreu, o cara que perdeu tudo no jogo, o infeliz que pára em frente à loja de brinquedos mas não tem grana pra comprar um presente para o filho. Só tragédia. E tudo acompanhado pelo bandoneon, piano, violino, instrumentos igualmente trágicos. Fico comparando com a música brasileira e vejo como são engraçados e curiosos muitos dos nossos sambas, mesmo quando as letras são trágicas, as músicas são pra cima ("Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim, ah meu bem, não faz assim comigo não", "Eu perguntei ao mal-me-quer, se o meu bem ainda me quer, e ele então me respondeu... que não", "Lata d'água na cabeça, lá vai Maria", "Sorria, a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações"). Ainda vou, um dia, me debruçar mais sobre esse tema que acho fascinante, de como as músicas populares no Brasil e na Argentina tiveram origens parecidas mas diferentes, e desenvolvimentos semelhantes mas diversos -- e ambas conseguiram um gigantesco reconhecimento no mundo todo (já contei que uma vez fui parar num clube de tango em Roterdam? pois é.).
*
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire

..................................................................................

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

(M.B., "Pneumotórax")


http://www.goear.com/listen.php?v=fb6c525

4 comentários:

Ângela disse...

O que eu vejo é o beco
;)

Idelber disse...

Oi, anna v., o tema é fascinante mesmo, né? Sei que há um renascimento do tango entre jovens na Argentina: conheço pouco a música feita por lá hoje em dia, mas há um texto maravilhoso do Ricardo Piglia sobre o tango (pode estar num livro chamado Crítica e ficción ou pode estar em outro chamado La Argentina en pedazos, não me lembro). Vale a pena, desenvolve o que você diz. E sai na Argentina ano que vem, em março, mais ou menos, um livro da Florencia Garramuño comparando o samba ao tango - um pouco na linha do que você fala, mas olhando principalmente para os anos 30. Eu li uma versão inicial do manuscrito, vale a pena. Abraços,

anna v. disse...

Idelber, uau, grandes dicas essas suas. Vou correr atrás desses livros. Obrigada e beijos.

Betelnet disse...

Também vi esses malucos da San Telmo (bem original) e filmei, veja no link http://www.youtube.com/user/betelnet
ou
http://www.esnips.com/web/betelnet-publico
Prá assistir é só clicar, prá baixar tem que fazer um breve cadastro.