23.7.09

A day in the life


Acordei 7:20 com a faxineira tocando o interfone. Como o interfone resolveu que não abre mais a porta, tive que descer, de pijama, para que ela pudesse entrar (o prédio não tem porteiro). Mathilde dormiu na minha cama, porque tossiu muito durante a noite, e assim eu podia acodi-la mais prontamente durante a madrugada (Marido is out of town). Às 8 chegou a babá, e às 9 eu já estava na farmácia para trocar um pacote de fraldas que comprei anteontem, mandei entregar em casa, e quando fui abrir hoje, reparei que já estava aberto e fechado com um durex. Excuse me? Na farmácia todos fizeram cara de espanto e indiganação e trocaram sem criar caso. Mandei entregar em casa, que eu não ia pro trabalho com um pacote de Pampers. Subi na bicicleta e fui para o trabalho, vencendo os obstáculos de praxe do trânsito de Botafogo. Que não são nada, se comparados ao desafio cotidiano d'As Rampas -- G1, G2 e G3, onde estaciono. (Mas nem posso me queixar, porque depois que mandei a bicicleta para uma revisão de freios e marchas, ela virou um aviãozinho.) Não encontrei o lorde da motocicleta hoje, mas bem que tenho cruzado muito com ele, já descobri várias outras coisas a seu respeito.
Trabalhei, trabalhei, trabalhei, até a hora do almoço, quando peguei a bicicleta, desci G3, G2 e G1, e voltei pra casa, onde Mathilde estava linda e fofa, pronta para ir pra escola. Levei a pequena de bicicleta, na sua cadeirinha, com o devido capacete rosa-choque. Pedalei de volta pra casa, almocei, li um resto do jornal, e voltei para o trabalho. Pedala, pedala, pedala, G1, G2, G3.
Trabalhei, trabalhei, trabalhei, mandei aquelas dúzias de e-mails, tive uma reunião chatinha e às 18:15, mais ou menos, já estava de novo descendo G3, G2, G1.
Fui ao Hortifruti, estacionei no bicicletário em frente. Comprei pão de forma, banana (prata), morango (R$ 2.99 a caixa), queijo (Minas padrão), maçã (Fuji), alho (importado, caríssimo). O Hortifruti está sorteando prêmios, depositei alguns cupons preenchidos na urna. Pai de um amigo ganhou uma TV num sorteio do Hortifruti uns anos atrás, passei a acreditar.
Pus as compras na cestinha e fui pedalando para a creche, pegar Mathilde. Fofa demais, com a jaqueta jeans que foi, vejam vocês, do pai dela. Botei capacete, montei a cadeirinha, e viemos cantando pelo caminho, como sempre. (Nosso caminho passa pela frente da casa da Monix.)
Chegamos em casa, e descobri que, além do interfone que não funciona, 2 das 3 luzes da área comum do prédio, antes do hall de entrada, estão queimadas. Então lá fomos, no escuro, colocar a bicicleta na garagem, e depois subir (já com luz) as escadas (o prédio não tem elevador): eu, Mathilde, as compras, a cadeirinha da bicicleta, o capacete dela, o meu capacete, e a minha bolsa. A fofíssima veio trazendo as maçãs. (Francamente, acho que está na hora de procurar outra casa para morar.)
Os avós vieram visitar um pouco mais tarde. Minha sogra trouxe blusinhas pra Mathilde e uma mochilinha ótima para mim, de presente. Minha mãe trouxe folhas de eucalipto para colocar no quarto de Mathilde, numa panela de água quente, para melhorar a tosse.
Jantar, pijama, escovar dentes, e brincar um pouco. Cantamos muitas músicas (ela sempre pedindo: "Mais!"). O avô ensinou a música "Cabeça, ombro, perna e pé" (para mim era "joelho e pé", mas tudo bem).
Enfim ela dormiu. Os avós foram embora. Tomei um leitinho quente.

Alguns dias são um exagero.
Para o bem e para o mal.
.

12 comentários:

Deh disse...

Menina, pifei só de ler.
E gostei demais dessa dica do eucalipto na água. Vou aproveitar em casa.

Beijo pra vocês!

Cam Seslaf disse...

Ô.
E eu, que agora tenho insônia pré-mudança? Vê se isso é hora de alguém que tem uma rotina dessas estar acordada lendo blog, vê.

Monix disse...

ô, que beleza fazer parte (um pouquinho só) desse exagero de dia, hein? :-)
beijos

Clara Lopez disse...

Adorei a parte da cantoria, mas andar de bicicleta tanto assim me deu aflição, e olha que eu já fui dar aulas também de bici quando tinha por volta de sua idade, mas era da guilhermina guinle até a jornalista orlando dantas, mais ou menos perto...:)
um abraço,
clara

anna v. disse...

Clara, meus trajetos também são bem curtinhos. 5 minutos, 10 no máximo. Nem dá para suar.
Beijos em todas.

Ângela Fatorelli disse...

você lê livros. e o seu, quando lerei? :)
ai, deu saudade de ter blog.

Lord Broken Pottery disse...

Delícia de dia, nada como a rotina. Cuidado com os lordes!
Beijo

Anunciação disse...

Adorei,mas se me permite,concordo que está na hora de mudar.Beijos

César disse...

Esse certamente foi um dia light, pelo menos se forem como os que eu conheço por aqui. Dia difícil é aquele em que na noite anterior a bebê tosse até vomitar (e na cama) pelo menos umas duas vezes durante a noite, e a gente tem que limpar tudo e adeus noite de sono. Depois pela manhã na hora de levar pra escolinha, ela resolve fazer cocô exatamente na fralda exatamente na hora que acabamos de sair de casa, aí tem que voltar, trocar a fralda e chegar atrasado no trabalho. Daí no trabalho imprevistos acontecem e a gente atrasa pra pegar na escolinha, sem contar que fica o dia todo ligando pra lá pra saber se deu febre ou não, e como ela está. E obviamente pra completar outras coisas vão dar errado, como quem combinou de aparecer pra ajudar não aparece e não avisa, e o telefone toca e é alguém do trabalho pedindo alguma coisa importante que não dá pra deixar pra depois, e a bebê resolve que aquela é a melhor hora pra ter um ataque de choro.
Sinceramente, a experiência de ser mãe foi algo muito fascinante na minha vida, sendo eu um homem, mas foi a mais difícil de todas que já tive.

Andrea disse...

Anna,

Que venha a cerveja. Quando estiver chegando (Setembro 17)te mando um e-mail.

Andrea

anna v. disse...

Ângela, todos os anos no mercado editorial me ensinaram a nunca querer escrever livro. E a desencorajar todos os amigos que por ventura venham a querer.
Lord, é engraçado, quase todo mundo achou o dia descrito delicioso. Não foi só isso. Foi bem cansativo.
Anunciação, pois é. Estamos começando a pensar seriamente.
César, adorei sua descrição. Tem toda razão, foi um dia moleza, pensando bem... :-)
Andrea, tá legal. Manda o email, sim, vou esperar.

Lord Broken Pottery disse...

Anna,
Volto apenas para discordar. Acho que o mercado editorial melhorou, talvez estejamos lendo um pouquinho mais. Pelo menos na minha área, a infanto-juvenil, as coisas vão indo relativamente bem.
Beijo