13.12.06

Brigando pelas migalhas

Nossas grandes damas do teatro foram a Brasília fazer escândalo contra a lei de incentivo ao esporte, que disputaria patrocínios com a cultura. Pensei: Ai, mas que horror, que corporativismo mesquinho. Pô, coitados dos atletas, gentem, abstrai do futebol, da F1 e do tênis e pensa nos nossos maratonistas fudidos, nos nadadores indigentes, nos ginastas que não podem competir porque não têm patrocínio, etc. Tá cheio de historinha triste no mundo do atleta pobre brasileiro.
Agora vejo que por causa da pressão dos artistas o governo deve aumentar o percentual que pode ser descontado do imposto devido, de 4% para 8% no caso das empresas (4% para cultura, + 4% para esporte).
Ou seja, no fim das contas a choradeira acabou mandando muito bem.

Já ouvi boatos que dizem que a Lei Rouanet vai terminar no meio de 2007. Imagina só o caos. Atualmente acho que os únicos produtos culturais não patrocinados via lei de incentivo no país são novela e disco do Rei Roberto. Tem distorções gritantes, como o inconcebível patrocínio via lei do Cirque de Soleil, que ainda por cima cobrava ingressos com preços de 3 dígitos. Ou o último show da Marisa Monte, igualmente caro e patrocinado com o meu dinheiro, um evento que se paga em qualquer circunstância, e não precisa de incentivo fiscal.
Acredito que a cultura deva, sim, ser incentivada pelo Estado. É estratégico, é fundamental, e não pode ficar sujeita apenas às leis de mercado. Não é uma atividade como outra qualquer. O esporte idem. Pena que o critério para decidir o que merece e precisa desse tipo de incentivo seja tão falho. Se essa lei do esporte permitir, por exemplo, que se patrocinem times de futebol como o meu Mengão com renúncia fiscal, o que impediria uma empresa a usar a Lei Rouanet para patrocinar Páginas da Vida?

10 comentários:

Marcus disse...

Onde é que eu assino?

anna v. disse...

Que tal "assinar" no seu blog, nos brindando com posts um pouco menos esporádicos? hein, hein? :-)

MegMarques disse...

Anna, vc disse tudo!

Só me diz mais uma coisa: como é que compro uma Hello Nietzsche?

Bjo, Meg

anna v. disse...

Meg, o link está no post: www.insanus.org/cove
(A minha é cor de abóbora. Muy linda)

kellen disse...

mais uma que assina embaixo.

Carrie, a Estranha disse...

Bom, vc deve ter lido no meu blog o q eu acho disso. Acho palhaçada. Muita palhaçada.

Carrie, a Estranha disse...

É patrocínio de esporte amador. O Flamengo (futebol) nunca seria patrocinado.

Carrie, a Estranha disse...

Além disso esses atores são os primeiros a serem contra meia entrada pra estudante. Como formar platéias, então? Sinceramente, como atriz q conviveu muito tempo com essa gente, acho uma cambada de folgado.

anna v. disse...

Carrie, li agora o teu post sobre o assunto. Concordo com boa parte, mas acho que tem umas sutilezas no meio do caminho. Coisas que só tomando um chope pra debater melhor.

Carrie, a Estranha disse...

Sim! O bendito chopp! Rsrsrs. Uma hora ele sai!