11.12.06

Mundo corporativo


De fato, nunca vou conseguir me dar bem no tal mundo corporativo. Uma questão de perfil. É preciso estômago, é preciso um desprendimento que eu não tenho. Quando pedi demissão, mês passado, foi aquele chororô. Tá, sei, como se fosse uma big surprise. Poupem-me. Fizeram-me contrapropostas; pensei, ponderei, não aceitei. Consegui acertar ser demitida com todos os benefícios. Depois vim a descobrir que na verdade o überchefe queria limar o unterchefe e me dar mais responsabilidades a troco de um salário um pouco melhor e uma promoção besta, mas sem me promover ao cargo de unterchefe – i.e.: muito mais barato. Daí que a minha saída espontânea ferrou com o esquema. Sem mim, não dá para rifar o unterchefe. Agora imagina se, sabendo disso, eu teria alguma condição de aceitar a contraproposta que fosse e ficar? Como se eu tivesse tramado esse mise-en-scène de pedir demissão e depois ficar no lugar do cara. Sai pra lá, jacaré. E agora, na sexta, muda tudo outra vez, e anuncia-se, tchã-rã, a venda da empresa! Uhn? Eu hein. Então pra que esse teatro todo nas semanas passadas? Ai, olha, tô fora. Não fico mais até janeiro, como tinha combinado. Com essa conjuntura, é fim de dezembro e adeus!

Um comentário:

Camilo disse...

Já dizia a vovó: ninguém dá ponto sem nó. (rimou!)