4.12.06

O Homem Horizontal


Estou aqui me divertindo com esse O Homem Horizontal, que você provavelmente não conhece. O romance, recém-lançado pela editora Publit, que publica livros sob demanda, é a história de Hebdomadário de Oliveira, um homem só e desnecessário.

"O homem desnecessário chama-se, por exemplo, Hebdomadário de Oliveira, que é esse o meu nome, exatamente esse. Sou, nesse particular, um homem comprovadamente só, por absoluta falta de outro Hebdomadário. Trago a certidão de nascimento sempre comigo, para aquelas pessoas que não acreditam que alguém possa ser, dos Oliveiras, o Hebdomadário."

E é nesse estilo extravagante e hilário que se desenrolam as muitas peripécias do protagonista só e desnecessário. Por vezes, rocambolescas demais, mas em certas ocasiões o enredo se rende ao estilo -- o humor erudito, poderia-se dizer.

"-- Frank?
-- O quê?
-- Os espelhos e a cópula são abomináveis porque multiplicam o número de homens, você não acha isso, acha?
Até para citar Borges a gente precisa ter cuidado. Eu, amante profissional, falando mal da cópula, e desse modo escarrando no leito generoso que me dá amor e me alimenta a vinho de seleção e caviar. Mas o autor citado é o Borges, pô, e Borges devia pairar acima dessas susceptibilidades. Mas não paira, não paira, não paira, não."

Para quem gosta de descobrir novos autores, um prato cheio.

2 comentários:

Rita Couto disse...

O Homem Horizontal
Leitura agradável.
Equilíbrio entre ficção e realidade muito bem feito.
Enredo surpreendente.
Vale a pena ler.

Enock Levadico disse...

Vou dizer uma coisa sobre este romance: O autor é brilhante, mas, o protagonista faz revelações surpreendentes.
Paka pala! que - segundo me disse um amigo haitiano - significa mais ou menos "Não se deve perder!", no dialeto lá, deles.
Não perca!