24.3.09

A canção infantil em debate (IV)

"Atirei o pau no gato", por Bolila

Estou vivendo num musical.
Mathilde não fala, ainda, nada além de Apsbsbttsts Prtbtbtbá. Mas canta. Muito. O dia inteiro. Sem parar.
No início ficamos impressionados. Mal tinha completado um ano e já repetia as primeiras frases melódicas de "Frere Jacques" (aliás, "A baleia", que é a versão séc 21 desta melodia - não mais a história de um pitoresco frade dorminhoco que precisa acordar porque soam as matinas, ding ding dong. Agora temos uma baleia, amiga de uma sereia, que faz tchibum chuá. Cultura de massa, pff.). Agora nossa pequena Mozart incorporou mais duas peças a seu repertório: "Atirei o Pau no Gato" e "Escravos de Jó". Um talento.
Sobre "Atirei o Pau no Gato", não sei se os amigos que não têm filhos pequenos estão sabendo, mas existe agora uma versão politicamente correta, chamada "Não Atire o Pau no Gato". O que deveria ser apenas uma piada, claro, mas por incrível que pareça, levaram a sério: "Não atire o pau no gato-to-to/ Porque isso-so-so/ Não se faz-faz-faz/ O gatinho-nho-nho/ É nosso amigo-go-go/ Não devemos maltratar os animais/ Jamais!". Inacreditável, não? Na minha casa manda a tradição. O gato não morreu e dona Chica admirou-se do berro que o gato deu, Miau. E se um dia ela vier da escola dizendo que a letra certa é a outra, vou ter que mandar um bilhete, dizendo que na minha casa a gente atira o pau no gato metaforicamente, sim, para não fazer isso na prática. Ora essa, onde já se viu.
Já "Escravos de Jó", que é uma melodia ótima, que vem junto de brincadeira de passar objetos, tem aquela letra misteriosa. Não se sabe se é uma espécie de manifesto gay ("tira! bota!", "guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá" - que será isso, deus meu?) ou que regras tem o tal jogo de caxangá. Mas o fato é que rola uma divergência aqui em casa em relação à letra. Eu canto de um jeito, marido de outro. Uma palavra de diferença. Quero saber qual a versão que vocês conhecem, pra tirar a prova. Então, por favor completem a lacuna, na caixa de comentários.

Escravos de Jó
Jogavam caxangá
Tira, bota,
Deixa o Zé Pereira _________
Guerreiros com guerreiros
Fazem zigue zigue zá


Mais sobre o assunto: Boi da cara preta, O cravo brigou com a rosa, Pai Francisco entrou na roda.
.

18 comentários:

osvjor disse...

pra falar a verdade eu só conheço as duas primeiras frases, e mesmo assim de ouvi dizer

Tatiana disse...

eu escrevo assim, ó:
escravos de jó jogavam caxangá
tira bota, deixa ficar
guerreiros com guerreiros fazem zig zig zá.

echo está letra muito, muito gay..

eu acredito quer sua pequena cantora precisa ouvir meu cd infantil...não é somente uma propaganda de um trabalho meu, mas eu realmente acredito que faria bem..aumentar o repertório, mudar um pouco...tenho certeza que os pais - vocês, no caso - também vão apreciar...

Ângela Fatorelli disse...

ficar

César disse...

Quando eu era criança, há quase 40 anos atrás, minha versão era:
escravos de Jó,
jogavam caxambó (ou caxangá, não tenho certeza),
tira, bota,
deixa ficar.
guerreiros com guerreiros
fazem zigue zigue zá.

Anônimo disse...

Deixa ficar...

Anna, adoraria ouvir mathilde cantando, deve ser uma graça...:)
um abraço,
clara

Anunciação disse...

...e vai!
Eu jah conhecia essa versão nova do pau no gato e morri de ri;cada uma...

Ana Valéria disse...

é "deixa ficar"!

mas letras sempre causam divergências aqui em casa... o meu marido canta "dona chica-ca dimirrou-se-se"...
bjs

Liliane disse...

aqui em casa é assim:

Escravos de Jó
Jogavam caxangá
Tira, bota,
Deixa o Zé Pereira ficar
Guerreiros com guerreiros
Fazem zigue zigue zá

bjos
Liliane

Ana Claudia Pantoja disse...

Ó meu Deus!

Todo esse tempo era "Zé Pereira"...

alenacairo disse...

Vixi! Aqui pela Bahia me lembro de ter visto quando criança num livro que era deixa o Zabelê ficar...Me lembro de que perguntei a minha mãe quem era o Zabelê. A resposta dela não recordo, mas nunca esqueci o riso que dei com este nome. Achei tão engraçado que nunca mais esqueci.

Cam Seslaf disse...

E nas Minas Gerais, de onde veio a minha mãe, o pedido era para o "Canjerê" ficar. Vai entender.
Gar-ga-lhei aqui com a sua interpretação de Escravos de Jó. E vou te dar uma risada de brinde, porque, meu bem, precisou ter 35 anos e uma filha para parar de cantar que se essa rua fosse minha, eu mandava ela brilhar. ;D

Cam Seslaf disse...

Ah, e eu sou parcial com esse negócio de pau no gato, mas também não cantarei essa versão esquisita.
O greatest hit aqui em casa é Meu Pintinho Amarelinho e um troço que eu vou te mandar por e-mail.

m.Jo. disse...

Deixa o Zé Pereira ficar.
rs... Não é que parece gay mesmo?

Ana disse...

engraçado... eu sempre cantei "deixa o caxanguê ficar", mas sendo de Brasília, não muito longe de Minas, pode ser q o que eu ouvia era como disse a Cam "Canjerê", mas eu sempre cantei "Caxanguê". :-)

na minha mente, eu dizia "caxanguê" pq achava que este seria o nome das "peças imaginárias" a tirar e botar no tal jogo de Caxangá. ;-)

MegMarques disse...

Deixa o Zé Pereira ficar!

Isabella disse...

Eu canto "deixa ficar", mas a minha mãe canta " deixa o Zabelê ficar". O David adorava quando ela cantava para ele. Atualmente a favorita é "o sapo não lava o pé" e "A Casa", do Vinicius.
Olha, sou parcial também, MAS, achei excelente a sua observacão "metaforicamente, sim, para não fazer isso na prática".
Beijos,

Anônimo disse...

Trata-se de uma brincadeira de escravos.
Em Minas, cantávamos; "Deixa o canjerê" ficar. (Canjerê = feitiço, despacho.)

Outras versões:

(1) Deixa o Zé Pereira ficar

(2)Deixa o Zambelê ficar

(3) Deixa o Cão Guerreiro entrar

(4) Tira, põe, deixa ficar.

Em tempo: caxangá é uma espécie de siri.

Jussara disse...

Chegando atrasada, mas eu cantava assim:

Escravos de Jó
Jogavam caxangá
Tira, "põe"
"Não" deixa ficar
Guerreiros com guerreiros
Fazem zigue zigue zá.

Agora não sei se esse "não" era por minha conta , se eu entendia errado ou se cantavam errado mesmo :/.