Tenho cabelos cacheados, e passei a maior parte da vida querendo que eles fossem longos e lindos. Demorei quase 30 anos para finalmente admitir que meus cabelos jamais ficariam assim:
Então em 2006, pouco antes de me tornar Mulher de Trinta, acabei com aquela miséria e mandei cortar, bem curto. Foi uma sábia decisão, da qual jamais me arrependi. Acabou aquele problema de acordar com o famoso bad hair day, acabou a busca pelos produtos ideais, acabou o martírio da queda incontrolável dos cabelos. Enfim, acabou um monte de sofrimentos. A única coisa que criou foi a necessidade de cortar regularmente, à qual eu não estava habituada. Passaram-se os anos, eu feliz com meus cabelos curtos, mas nos últimos meses acabei negligenciando a coisa e ele foi crescendo, crescendo, até que - horror, horror! - já dava para prender num minúsculo e ridículo rabitcho de cavalo.
Mas a média de satisfação capilar estava sendo de 5 dias péssimos, 1 médio e 1 bom, o que, convenhamos, não é lá essas coisas. Então aproveitei o feriado prolongado e na sexta-feira mandei cortar novamente. Ó alívio, ó satisfação, ó júbilo! A proposta é mais ou menos essa:
E, como aconteceu lá em 2006, depois que cortei fiquei reparando nas mulheres na rua: é impressionante como poucas brasileiras usam os cabelos curtos. É fácil de observar a diferença quando viajamos para o exterior, principalmente para a Europa. Lá, é quase tão raro encontrar uma mulher de cabelos compridos quanto um homem de longas melenas. Mas aqui não, a proporção de cabelões é enorme, e o pior de tudo é que, no dia-a-dia, 90% desses cabelões que vemos na rua não estão na sua melhor forma.
Ou seja: a mulherada sua para manter seus cabelos compridos, mas na verdade eles só ficam no auge da sua forma capilar muito raramente, em ocasiões especiais e à custa de muito tempo e dinheiro investido nos salões. O que mais se vê é aquele cabelo mal-ajambrado, preso de qualquer jeito com uma famigerada xuxinha ou um tenebrosa piranha, ou ainda uma caneta Bic emergencial para segurar mal e porcamente um arremedo de coque que se desfaz cinco minutos depois.
Porque a dura e triste realidade, amiga leitora, é que seu cabelo nunca vai ser assim:
As mulheres esclarecidas já percebemos, há algum tempo, que os ideais de beleza e magreza da indústria da moda são inatingíveis - e mesmo discutíveis quanto ao seu teor de beleza, porque, deus meu, veja se isso é algum modelo de coisa remotamente bela:
Mas enfim, já percebemos que não queremos pesar 40kg e ter olhar de peixe morto, e no entanto parece que acreditamos piamente nas possibilidades da indústria dos produtos de cabelo. E não, amiga, esse resultado NÃO é possível para a imensa maioria de nós.
Só que sempre existe aquela vizinha/colega de trabalho/prima/recepcionista que tem o cabelo perfeito, que fica lindo de qualquer jeito. Sim, essas criaturas existem, bem como aquelas excomungadas que comem e não engordam. Elas nos levam a crer que "Yes, we can". Mas a indústria das dietas e dos produtos de cabelo estão aí, gigantescas, para provar que essas tipas são a imensa minoria. No frigir dos ovos, "No, we can't".
Parando para pensar, poucos são os assuntos aos quais as mulheres dedicam tanto tempo, energia, atenção e dinheiro quanto cabelos. Somos capazes de gastar fortunas, ir ao salão uma vez por mês e passar muuuitos minutos diários nos dedicando a eles. E tudo para quê, minha gente? Para esse resultado meia-bomba que está aí nas ruas para quem quiser ver.
Entendo que numa ocasião super especial valha a pena ir ao salão e ficar, por algumas horas, com aquele cabelo deslumbrante, mas pensa bem: a relação custo benefício vale?
É por isso que eu digo, grito até, aos quatro ventos, tal qual rainha de copas: cortem! cortem-lhe os cabelos! Não fique com o fio reto sem graça a vida inteira. Ouse, seja radical, aproveite as múltiplas possibilidades dos curtos, descubra-se. Corte os cabelos!








10 comentários:
Muito bom, adorei! Como tenho cabelo crespo/cacheado sempre tentei mantê-lo comprido para não armar tanto. Nunca adiantou muito, vivia preso na maior parte do tempo, até pq moro numa cidade super quente. No final de 2009 vi que o cabelo tinha crescido muito e resolvi começar a "tosa". Fui cortando, cortando, e pegando gosto. Hoje uso na nuca e gosto bastante, resolvi assumir o "armado". Estilo joãozinho não tenho coragem de cortar pq tenho trauma de infância. Acho estiloso mulher de cabelo curto; se eu tivesse cabelo liso a cada 3 meses faria um corte diferente.
Realmente, essa adoração por cabelão, em qualquer idade, é bem coisa de brasileira. Pena que aqui cabelo cacheado é visto como "despenteado". E aí dá-lhe escova, chapinha e progressiva, das quais nunca fui adepta. Esse assunto rende, hein?!
"No frigir dos ovos, "No, we can't"." É bem por aí. :-D
Lindo post.
Resolvi aderir ao curto depois que fiz químio, ele foi crescendo e fiquei tão feliz com aquela penugem que depois de algum tempo já achei bom demais. Aí, com o tempo, fui gostando tb do grisalho dele e me senti super liberta por deixá-lo natural, gostei dele muito mais e me achei muito bem com os cabelos grisalhos. Agora resolvi fazer uma ballayage (não sei se escreve assim) e ficou bem natural, só misturou um pouquinho os fios tingidos com os grisalhos (ainda não tenho fios brancos, brancos). Mas a grande sacada pro meu cabelo foi um certo alisamento que meu cabelereiro faz, só na parte de cima, tipo franginha, pra evitar que ele encaracole, ficou muito bom, e faço de mais ou menos regularmente, acho ótimo.
Beijos,
Clara
PS. Já tive, há vários séculos, cabelão à la Gal, tenho fotos e ficava bem, mas no dia a dia dá muito trabalho mesmo.
Tenho cabelos curtos há uns anos. Fiz uma experiência meio triste em 99, depois deixei crescer crescer e...há quase exatos 5 anos minha foto com meu bebê recém-nascido mostra uma Madona das Melenas. Fui encurtando progressivamente. Agora estão curtinhos, com franjão, foram vermelhos ou castanhos nos últimos três anos. Mas semana retrasada tive um desses surtos e fui passar 4 horas num salão de onde saí com MUITAS mechas loiras. E gostei do resultado, gosto do desalinho dele ressaltado pelas mechas claras, gosto da praticidade, gosto de tudo. Também já me fiz essa mesma pergunta que você sobre os cabelões brasileiros e já pensei também sobre esse negócio do cabelão descuidado. Não entendo como as pessoas têm um certo pavor de encurtar cabelos - será que é medo de, sei lá, "perder feminilidade"? Gente boba, não conhecem a beleza de um rosto revelado e rejuvenecido por um cabelo curto.
:***
"FRANJINHA" arghh... sorry, esse comment meu tá cheio de erros... clara
Como vocês podem ver, o assunto rende e desperta paixões...
No mais, quase acho que a adoração pelo cabelão é mais uma estratégia dominante machista para que as mulheres se oprimam e não prestem atenção ao que realmente importa (= conquistar o mundo).
Faço coro com a Deh... adoro cabelo curto, tb não entendo o apego que brasileira tem com comprimento de cabelo. Todo poder às mulheres de cabelo curto! :-D
Eu sou o contrário, cabelo curto me irrita. Sempre tive cabelão (metade das costas pra baixo) e, quando preciso estudar e me concentrar, gosto de prender tudo em um coque para trás, já que cabelo voando me distrai. Pior, como meu cabelo é fininho; ainda faz cócegas. Em dezembro, depois de escutar que cabelo curto é "prático! economiza tempo! não dá trabalho", cortei fora 2/3 da juba. Oooooooolha, nunca passei tanta raiva na minha vida. Nada prende esse cabelo. Nada segura. sempre tem mechinhas caindo na minha cara/nuca. Estou contando os centímetros até ele passar do ombro outra vez...
Meu nome é Joelma:
Adorei... Estava indecisa quanto a cortar o cabelo agora fim de ano, mas agora TO DECIDIDA!
Sempre tive cabelão e é claro cacheado e nada perfeito e muito irritante por sinal, e agora vou larga de mão e ter mais tempo com meu banho corporal do que passando produtos no cabelo tentando que chegasse até o meio dia comportado! riririrri!!!
Parabéns pela postagem é enconrajadora.
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