11.3.11

Mad Men, a série anti-tatibitati



Não sou uma grande fã de séries de TV. Como sabem os que me leem desde os primódios, gosto de Seinfeld e de House (mas enjoei de ambos), e tive minha fase guilty pleasure com Brother & Sisters, que nada mais era do que uma novelinha americana, uma saudável dose semanal de drama familiar, que não me apetece mais.

Mas aí, minha prima ficou enchendo o meu ouvido sobre Mad Men, que eu tinha de ver, que era muito bom, que ela estava amando etc. Então gravou pra mim um DVD com as 3 primeiras temporadas baixadas. Foi tiro e queda. Viciei como nunca dantes.

Don Draper (Jon Hamm), protagonista e homem maravilhoso
Então, antes de tudo: Mad Men é uma série excepcional, como nunca havia visto. Roteiro, atores e direção de arte são incríveis, e os personagens são riquíssimos. Não posso deixar de recomendar a todas as pessoas inteligentes e de bom gosto (só!).

Passei o vírus para meu chefe e a gerente de marketing da editora, e agora faz parte da nossa rotina diária, um pequeno debate matinal sobre Mad Men. Porque a série tem essa característica dos bons filmes: provoca discussões.

Peggy Olson (Elisabeth Moss), career-girl e uma das personagens mais ricas da série
E por quê? Porque é uma série que dá margem. Dá espaço para o espectador pensar e tirar suas próprias conclusões. Uma série que não explica tudo, que não dá satisfações para cada escolha. Uma série anti-tatibitati. Para seres pensantes. Personagens ótimos e importantes somem de repente. Na vida como na arte. Decisões cruciais são tomadas e não são desenvolvidas no episódio seguinte. Você que se vire para dar conta de entender quais foram as consequências. E outras coisas do tipo. É muito bom.

Outro dia vieram aqui em casa à noite essa minha prima e seu marido, e ficamos tanto tempo debatendo "a existência segundo Mad Men", que meu pobre marido, que nunca assistiu nenhum episódio, se transformou num pária social.

Pete Campbell (Vincent Kartheiser), gerente de contas e almofadinha inescrupuloso

O enredo: Mad Men se passa entre 1959 e 1965, tendo como personagem principal Don Draper, diretor de criação de uma grande agência de publicidade de Nova York. A partir daí, temos dois principais núcleos: a vida privada e a vida profissional de Don.


Na vida profissional, há o dia-a-dia da agência, os primórdios da publicidade para TV, a luta para conquistar novas contas, as relações de trabalho incrivelmente diferentes dos anos 60 pra cá, o ambiente de extrema competição dentro da empresa (entre secretárias, entre redatores, entre gerentes de contas, entre diretores, e entre todos esses ao mesmo tempo), lealdades adquiridas e traídas, e o desenvolvimento de carreiras numa época em que o trabalho na área de publicidade ainda não era bem compreendido.


Betty Draper (January Jones), esposa entediada e dublê de Grace Kelly
Na vida privada, as relações domésticas de Don com sua esposa e filhos, os casos extraconjugais, o tédio da vida doméstica da mulher americana rica que não trabalha, as questões de consumo (carros, TVs, eletrodomésticos). E o impacto de grandes acontecimentos, como a morte de Marilyn Monroe, a crise da Baía dos Porcos, o assassinato de Kennedy, o início da guerra no Vietnã, os primórdios do movimento hippie.

Joan (Christina Hendricks), chefe das secretárias da agência e musa dos figurinistas
Permeando tudo isso, e tornando muito mais interessante, o retrato de uma época em que o psicologismo e o politicamente correto ainda não dominavam a cena. É difícil não se escandalizar quando Don liga para o analista de sua mulher para saber do que ela anda falando nas sessões de análise (e o analista conta com a maior naturalidade, afinal é o marido quem paga o tratamento). Ou não se chocar com a forma sutil como um elefante como os pais tratam as crianças. E, beirando o caricato, o cigarro e a bebida. Algum maluco já deve ter estimado quantos cigarros, em média, são fumados por episódio. É uma espécie de marca registrada da série. Porque todos os personagens fumam o tempo todo. Na sala de reunião, no elevador, dentro do consultório (o médico fuma), enquanto prepara o jantar, as mulheres grávidas. É tanto cigarro, que atualmente, na quarta temporada, já me acostumei. A bebida é outra constante. No escritório, chegando em casa, no bar da esquina, é um drink atrás do outro.

A verdade é que não consigo descrever a série com o entusiasmo necessário. O que posso dizer é: usem seu tempo livre para ver essa história. Passa na HBO, mas eu vi tudo no computador, baixando os episódios legendados (legendas cheias de problemas, mas quebram um ótimo galho) neste site. Foi, aliás, a primeira vez que tive a pachorra de baixar qualquer coisa audiovisual para o meu computador. Para vocês verem meu grau de comprometimento. (Mas tem sites -- não sei quais -- que oferecem streaming, sem precisar baixar.)

O figurino é um espetáculo à parte
Até o momento, Mad Men tem quatro temporadas de 13 episódios cada. Li por aí que a quinta ainda nem foi gravada, sofre com problemas de negociação. Crises de abstinência à vista.

9 comentários:

Helê disse...

Putz, lá vou eu adicionar mais um vício à lista!
Desculpa se cometo uma heresia, mas quando vc falou nos paralelos da ação com a "vida real" lembrei de uma série da qual gostava muito chamada "Anos Incríveis", passada entre o final dos 60s, início dos 70s, quando o protagonista, Kevin, entrava na adolescência. Era muito boa e tinha a melhor trilha sonora evah!
beijo!

Isabella disse...

Nossa, Anos Incriveis...

Mad Men adicionado ao netflix. ;)

anna v. disse...

Helê, nunca vi Anos Incríveis, então não posso comparar. Mas você veja Mad Men e me fale.
Em tempo: vi hoje o último episódio da 4ª temporada. Estou sofreeeeendo!!

Dani disse...

Amo as duas. Anos Incríveis fez parte da minha vida por um bom tempo e Mad Men, fiz feito você. Alguém falou, comecei a baixar, virou um vício. Li ontem que fecharam mais 3 temporadas mas que vai demorar... só no começo de 2012, provavelmente. Let's hope it´s true...
Agora, meu último vício é Shameless. Primeira temporada americana (foi baseada/copiada de uma série inglesa mas esta, dificil encontrar para baixar.

Bjs,
Dani, uma viciada em séries sem esperança de cura

anna v. disse...

Dani, pois é. Vai ser uma dureza esperar um ano inteiro pela próxima temporada...

sofia martínez disse...


Love it!
Desde o primeiro capítulo, eu amei Mad Men e, embora ele teve suas temporadas fracassadas, não importa tem sido geralmente muito bom.

María José Jiménez Hernández disse...

Concordo com muita coisa para dizer que este foi um dos melhores séries dos últimos anos. O que eu amei foi o desempenho da Don Draper . Admiro o ator para o papel desempenhado.

Alicia Jaramillo disse...

Esta série é um programa que vale a pena ver, a qualidade de sua produção superexcellent fez é Mad Men uma série que desde 2007 tem cativado telespectadores e temporada após tempodrada seguiram cada um dos seus capítilos. Eu amo ela.

NETE BIJU disse...


Gosto da série mas acho muitos diálogos difíceis de serem entendidos.