26.6.06

Eu e as séries

Foto: Matt Lewkowicz
A verdade é que nunca tinha tido TV a cabo em casa até duas semanas atrás. É um mundo novo que se descortina, e que vou descobrindo sem muito entusiasmo. Porque tudo me parece muito chato e repetitivo. Mas todo mundo - todo mundo mesmo - me fala sempre de alguma série que acompanha, seja Lost, The Office, Desperate Housewifes, CSI. Nunca vi nenhuma dessas, acho que a última série que acompanhei (na época chamava seriado) foi A Gata e o Rato, que eu adorava. Ontem vi (aos pedaços) um episódio de uma série chamada "Monk". Não tenho referências para saber se é boa ou ruim, mas foi o que calhou. Se você nunca viu, é assim: tem um cara chamado Mr Monk, e pelo figurino ele é mesmo algum tipo de padre, certamente um monge (monk - dãã). Por algum motivo que não vi qual era, Mr Monk estava participando de um júri popular. As pessoas do júri estavam fechadas e trancadas numa sala tentando chegar a um veredicto unânime. Aí o Monk deduziu, por meio de encadeamentos e sinapses muito complexos, que uma das juradas ali presentes era cúmplice do condenado e tinha matado uma velhinha escalada para o júri e ficado com o lugar dela (como assim? não tem tu vai tu mesmo? essa não é a justiça americana que eu conheci nos filmes). A essa altura o espectador já sabe que ele tem razão, porque numa cena aparece essa jurada-maligna fazendo uma ligação sinistra no celular (mas não confiscam celulares? júri não tem que ser incomunicável? o que está havendo com o sistema judiciário americano?). Aí vem o mais incrível. A jurada-suspeita sai, vai ao banheiro, levando uma caneca térmica - aquelas canecas americanas prateadas, altas, você sabe. Nesse ínterim, o Monk fala para os demais jurados que tem certeza que ela é uma traíra, e todo mundo super compreende, na mesma hora. O homem é mesmo persuasivo. Em seguida a jurada-vilã volta, é desmascarada e... tira uma pistola de dentro da caneca prateada. Hein? Hein? Eu vi bem? Tinha uma pistola que cabia dentro da caneca? Eu tenho uma caneca dessas, e pra caber uma pistola ali, só se for da Barbie. E a mulher sacou um trabuco. Aí eu me pergunto: pra que público é feita essa série? Que tipo de retardado pode acreditar num troço desses? Qual o entretenimento possível a partir de uma premissa tão tosca quanto essa? Bom, cinco minutos depois a falsa jurada e seu amante latino (o condenado) eram presos pela polícia. Sacaram isso ainda, que o bandido era um Hernández ou Rodríguez? Parei com o Monk, pra sempre.
As únicas coisas boas que vi até agora na TV a cabo foram um documentário sobre macacos, na TV5 francesa, e uns shows na TV Senado. Definitivamente, não sou uma pessoa antenada.

2 comentários:

ALena disse...

Sua antena pega rádio e net? Ao menos...
Hum, macacos me mordam! Seriado? Chama a Dyan Fossey.
Também não sou lá de televisão...

anna v. disse...

Ouço muito rádio, sim. Muito mais que TV, na verdade. Fala sério, seriado não dá, né? :-)