20.1.08

Coração de mãe

Como alguns de vocês acompanharam pelo blogue, durante a gravidez eu procurei me preparar ao máximo. Fisicamente -- fazendo ioga para gestantes, pilates, hidroginástica -- e mentalmente, freqüentando palestras, aulas, assistindo vídeos, até mesmo vendo os programas da "TV Parto", que é como o marido apelidou o Discovery Home & Health, que passa uma infinidade de programas sobre parto, chegada do bebê etc. (ainda por cima, tudo dublado, ou seja, um horror)

Isso tudo valeu muito a pena.

Sobre a parte física, nem preciso entrar em muito detalhe para convencer qualquer pessoa da validade da malhação. Engordei 12kg na gravidez (que não é óóótimo, mas é bastante bom), fui bem disposta até o final, e encarei o parto normal sem dramas nem complicações. E é verdade que a recuperação pós-parto é muito rápida -- e teria sido melhor ainda não fossem os pontos que levei por causa da episiotomia, que me incomodaram muito durante uns bons dez dias. Além disso, na consulta ao obstetra na última quarta, me pesei e já tinha perdido 9 dos 12 quilos. Estou me sentindo uma sílfide.

A parte "nerd", por assim dizer, também foi fundamental. Estranhamente, praticamente não li livros sobre gravidez e maternidade. Me emprestaram a Bíblia da Gravidez, que eu consultava às vezes, e foi só. Tampouco entrei em fóruns ou sites sobre o assunto, só usei a internet para pesquisar coisas pontuais. Mas as aulas teóricas que antecediam a parte física no curso de ioga para gestantes foram excelentes (divididas em módulos como "Amamentação", "Cuidados com o Bebê", "Cuidados com o Corpo", "Parto" etc.), assim como as palestras com obstetras, pediatras, enfermeiras especialistas em amamentação. Tudo muito instrutivo e útil para control-freaks como eu, que acreditam que informação é poder. Não fizemos os cursos que as maternidades oferecem, ensinando a dar banho, cuidar do coto do umbrigo etc., mas por pura falta de tempo. Acho que devem ser legais também.

De modos que não tivemos, até agora, graaaandes surpresas. Tanto no parto quanto nesses primeiros 17 dias, as coisas estão dentro do previsto. Bom, é claro que eu não esperava que Mathilde fosse gostar tanto de nos bombardear com possantes jatos de cocô bem na hora em que estamos trocando a fralda. Mas isso não é nada. Talvez o segredo tenha sido colocar as expectativas no quinto círculo do inferno, imaginar o caos absoluto, para então achar ótimo quando as coisas são apenas... cansativas.

Enfim, todos esses preparativos são válidos e importantes.

Mas ter filhos não nos isenta de uma grande, uma enorme surpresa, uma coisa que, mesmo esperada, muito falada e debatida, eu nunca pude conhecer antes.

O amor.

É impossível se preparar para esse amor tão avassalador, que brota dentro da gente de repente, e sai derrubando tudo que vê pela frente. Onde é que estava esse amor antes? Esse amor da ternura de olhar, da delicadeza de segurar, da alegria de abraçar e beijar. Como é que pode?

E ninguém me disse que seria assim. Ou melhor, disseram sim. Minha mãe me disse, muitas vezes. Mas até então, eu nunca tinha entendido.



Eu e ela, nos entendendo pelo olhar

14 comentários:

Deh disse...

Verdade, como pode? Tão intenso e tão automático! Nunca mais vou esquecer a primeira vez que encostei minha pele na pele do meu filho, a primeira vez em que ele esteve no meu colo. E não canso de olhar pra ele enquanto ele mama em mim, tanta perfeição e tanto amor que não cabem em lugar algum.
E putz, essa foto é a coisa mais linda, emocionante e delicada que vi.
Parabéns pela bebê. :)

Isabella Kantek disse...

Ai meu Deus, agora ninguém te segura. Mãe então, inspiradíssima. =D
O texto é lindo e verdadeiro! Chega a transbordar... nem preciso dizer que adoro a forma como passa para o papel os sentimentos e emoções.
Uma beleza de foto. =)

Anônimo disse...

é reconfortante ler o seu relato... estou esperando minha menina para início de março... a sua é simplesmente linda! parabéns!

Carrie, a Estranha disse...

Ai, que lindo, que lindo, que lindo!

Mas vc não vai se livrar das minhas perguntas constragedoras (tudo bem eu posso fazê-las qdo MAthilde estiver com 2 anos).

Ai, vc é q nem eu! Pesquisa tudo, quer ler, saber...acho q eu tb faria isso.

Qdo eu crescer e for mãe eu quero ser q nem vc (acho q já disse isso, né? Tô ficando chaaaaata).

Bj e muuuuuuita saúde para Mathilde e vc.

bjs

Clara Lopez disse...

Que lindo tudo, anna, hoje estou lendo posts lindos, como o seu, o da moça aí de cima, a srta carrie :), é bom entrar em contato com a beleza entregue assim, quase sem a gente merecer. Como é linda sua mathilde, merci pela foto, e tudo de ótimo sempre pra vocês.
um abraço,
clara lopez

Vivien Morgato : disse...

"É impossível se preparar para esse amor tão avassalador, que brota dentro da gente de repente, e sai derrubando tudo que vê pela frente. Onde é que estava esse amor antes? Esse amor da ternura de olhar, da delicadeza de segurar, da alegria de abraçar e beijar. Como é que pode?"


Sei exatamente o que vc está sentindo,porque eu dizia algo MUITO parecido quando Daniel nasceu.
É um amor como nenhum outro,mas só sentindo dá pra saber,é intraduzível.
Parabéns.

Ferdi disse...

Anna V., estive sumido por uns tempos e sou brindado com essa maravilhosa novidade que é a Mathilde em pessoa, linda, estreando no mundo dos blogs. Parabéns a você e ao marido pela grande nova.

César disse...

Tenho uma notícia pra você: esse amor vai aumentando, aguarde !
Por isso morro de dó das pessoas que não querem ter filhos, elas não fazem idéia do que estão perdendo, por mais que a gente tente explicar a elas, não dá pra transmitir a enormidade do que acontece.

Ângela Fatorelli disse...

querida, que texto lindo. que bom que você foi agraciada por este amor, esta especie de embriaguez que toma conta da gente e que como alguem já disse aqui em cima, só cresce com o tempo. é o mais lindo e imenso, e intenso sentimento, o amor de mãe. eu me apaixono todo dia pelo meu menino.

Cam Seslaf disse...

Awww, que post mais lindo... :~)

[E como ninguém nos contou antes desses mísseis, Anna?? A Catarina já fez um que atravessou o quarto, hahahaha!]

Alena disse...

Olhos cheíssimos d'água.

sei bem o amor... o amor... o amor...

Depois te mando um e-mail.

anna v. disse...

Deh, também não me canso. E quando ela dorme fico com saudades. Uma coisa.
Isabella, sei lá, são tantas coisas novas, tantos sentimentos até então desconhecidos. Estou mesmo transbordando. :-)
Leitora Anônima, que beleza, parabéns! Não consegui ver se você tem um blogue. Tem?
Clara, obrigada, você que acompanhou tanto aqui pelo blogue a minha gravidez, e mandou tantos pensamentos positivos! Olhaí, deu certo.
Vivien, acho que as mães todas estão se identificando com essa coisa do intraduzível. Que louco.
Carrie, acho melhor você arrumar logo um pai para o seu filho, hein? A situação tá ficando grave, hehe. E as perguntas? Já estou curiosa para saber qual a sua curiosidade.
Ferdi, você estava sumido mesmo, que bom que voltou. Viu só que graça de menina? Ah, eu não estou podendo de babação.
César, sim, dá vontade de mandar às favas os Deuses do Constrangimento e mandar todo mundo ter filho logo, mas eu ainda me controlo. Afinal, é mesmo uma opção muito, muito íntima e pessoal, e eu respeito à beça quem decide não passar por isso.
Ângela, e quando é que você vem visitar?!
Cam, é uma pressão absurda, né? A gente está usando um avental que chamamos de "escudo", hahaha.
Alena, é, o amor, o amor... O que mais, além do amor?

matteo irma disse...

E esse amor vai sempre se reinventar pra te surpreender, muitas e muitas vezes. Do alto dos meus dois anos de experiência no assunto, posso dizer do fundo do coração (e da minha mente inquieta) que a maternidade e o amor que vem junto com ela são um eterno aprendizado. E posso garantir que mergulhar de corpo e alma nessa aventura nem sempre é um mar de rosas, é dor e delícia (mais delícia do que dor), mas é sobretudo algo transformador. Viva intensamente esse amor!
Lindo post, linda bebê.
Beijos,
Renata
PS: Cheguei aqui pelo blog das Fridas.

Anunciação disse...

Ai,meu Deus,fiquei babando;deu saudade.