16.12.10

Brâmane de livro

Não costumo achar muita graça nessa moda de listas de melhores isso ou aquilo. Mas esta semana, lá na casa das Fridas, tinha um post perguntando "Qual é o seu clássico", e me deu vontade de reproduzir aqui uma série de perguntas roubada de uma newsletter que assino (sobre livros e mercado livreiro americano) chamada ShelfAwareness. É uma coluna semanal chamada "Book Brahmin", em geral com algum escritor. As perguntas são sempre as mesmas, que vou responder abaixo e gostaria de saber as respostas de quem se animar, na caixa de comentários.

Na sua mesa de cabeceira neste momento
Beijo, de Roald Dahl (Editora Barracuda) - ganhei de aniversário de minha amiga T. É um livro de contos sinistros do autor de A incrível fábrica de chocolates. Estou gostando, mas nada de tão especial.

Seu livro favorito quando você era criança
Todos da Turma dos Sete, de Enid Blyton; Flicts, do Ziraldo.

Seus cinco autores favoritos
Só cânone: Rosa, Machado, Drummond, Nelson, Simenon. Esses são os de ficção, que mais naturalmente associamos ao conceito de "autor". Mas também considero grandes estilistas das palavras outros caras mais vinculados a outras áreas do saber: Freud, Sartre, Nietzsche. São imensos escritores, e acho que suas obras só chegaram aonde chegarem por obra e graça do talento literário.

Livro que você não leu mas fingiu que leu
A biografia da Hannah Arendt que a tia do meu marido me emprestou. Era interessante e tal, mas não consegui ler (era enorme, meio árido, e eu não estava no espírito para aquela leitura), e depois que eu devolvi - e disse que gostei, claro - ela ficou um tempão comentando e puxando assunto comigo sobre o livro.

Livro que você divulga com fervor messiânico
Pilares da terra, de Ken Follett; Dois irmãos, de Milton Hatoum; e Equador, de Miguel Sousa Tavares.

Livro que você comprou só por causa da capa
Diálogos com Leucó, de Cesare Pavese. Acho que foi o deslumbramento com o início da coleção Prosa do Mundo da Cosac Naify, tudo de capa dura e sobrecapa, e talz.

Livro que mudou a sua vida
Nietzsche. Genealogia da Moral e Além de Bem e Mal. Porque, né.

Frase favorita tirada de um livro
"Perdoa-me por me traíres", de Nelson Rodrigues. É não só uma frase como o nome da peça, e é um achado em termos de economia de palavras e carga dramática. Quanta coisa está dita nessas poucas palavras.

Livro que você mais gostaria de ler de novo pela primeira vez
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Porque nunca um livro me emocionou tanto.


(E por falar em livros, dei uma atualizada nos títulos do sebinho, aqui ao lado.)

9 comentários:

Carrie, a Estranha disse...

Vou responder lá no bloguito q eu aproveito e tenho assunto.

Bj

Isabella disse...

Minha cabeceira é um pouco [hiper]ativa: O Medo de Stefan Zweig, 50 Great Short Stories, O Maestro João Evangelista de José Geraldo Evangelista (relendo), Fairy Tales de Andersen (emprestado da Estela).

Compartilhamos alguns cânones: Rosa (sempre), Machado, Clarice, Eduardo Galeano e Saramago.

Fingi que li O Deus das Pequenas Coisas...

(Preciso ler os que você divulga com fervor) :)

Eu divulgo com fervor dois do Amós Oz (Caixa Preta e De Amor e Trevas ), o Todos os Nomes do Saramago e o Mundos Imaginados do físico Freeman Dyson)

Subscrevo: Livro que você mais gostaria de ler de novo pela primeira vez
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Porque nunca um livro me emocionou tanto.

anna v. disse...

Carrie: oba, faz sim! Quero ver.
Isabella: tenho Caixa Preta e Todos os Nomes aqui em casa e nunca li. Tenho que dar um jeito nisso, hehe.
Beijos.

Cláudio Luiz disse...

Não sou bom nestas coisas. Para assim... diria As brasas. Na cabeceira no momento só livro sobre cor.
Mas eu vim aqui pra outra coisa.
"conheci" Mathilde ontem. Estava linda num vestidinho verde e com colar de pérolas. Quando chegar uma foto dela nos ombros do pai, saiba que fui que "mandei" a FridaHelê tirar. E ainda fiquei insistindo:
- de lado não, vai lá tirar de frente. eheheheh
Mas aposto que a foto ficou LINDA.

Cláudia disse...

Muito bem, Anna, vamos brincar:
1. Na minha mesa de cabeceira tem o Atlas, de Borges e María Kodama, que roubei do meu marido. O pobre ganhou de amigo oculto natalino, resolveu me mostrar e ficou sem, no ato, porque, só de ver as fotos e dar olhada no posfácio, eu me apaixonei perdidamente pelo livro (estou, no momento, em adorável lua de mel com ele).
2.Quando criança, eu era louca pelos livros do Ganymedes José (especialmente a série da Vivi Pimenta) e pelos da Coleção Vaga-lume (O escaravelho do diabo, O caso da borboleta Atíria, o Mistério do cinco estrelas...). O gênio do crime, do João Carlos Marinho, eu quase sabia de cor. Adorei Uma rua como aquela, da Lucília Junqueira de Almeida Prado. Fui muito feliz com Pollyanna e Pollyanna moça, da Eleanor H. Porter. Gostava muitíssimo da série Ana Selva, da Virgínia Lefréve. Amava As meninas exemplares, da Condessa de Ségur, e A pequena princesa e O jardim secreto, da Frances H. Burnett. Lia tudo da Agatha Christie.
3.Difícil selecionar só cinco favoritos... Lygia Fagundes Telles, Katherine Mansfield, Anne Tyler, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa.
4.Os templários, que meu cunhado emprestou e eu devolvi sem ler.
5.Também recomendo o Equador, além de A elegância do ouriço, da Muriel Barbery, A louca da casa, da Rosa Montero, Ex-libris, da Anne Fadiman e Minha vida de menina, da Helena Morley.
6.São tantos! Um monte da Cosac Naify (que tem aquelas edições tão lindas, ainda que, por tantas vezes, de uns livros bem chatinhos...). Vários infantis (mesmo antes de eu ter filho). O A solidão dos números primos, do Paolo Giordano.
7.Um conto: As cerejas, da Lygia Fagundes Telles, que li com dez ou onze anos numa coletânea qualquer. O texto me empolgou muitíssimo, me emocionou e me surpreendeu pela forma elaborada como a autora desenvolvia a história - coisa que, mais tarde um pouco, fui descobrir que era o que chamavam de literatura. Nossa, eu quis muito ser escritora por causa desse conto...
8."I can resist everything except temptation", do Oscar Wilde. Ilustra bem o meu maior dilema existencial (agora, por exemplo, acabo de gastar boa parte da manhã brincando com esta lista em vez de trabalhar...).
9. O Pica-pau Amarelo, do Monteiro Lobato, o primeiro livro que li na vida, aos seis anos, numa edição antiga, de capa dura, que tinha sido da minha mãe criança. Porque foi uma emoção gigantesca e um tremendo orgulho ler um livro de verdade (eu me lembro de levar pra escola e ler na hora do recreio, sentada sob uma árvore, me sentindo importantíssima). E porque aquele livro me chegou numa fase bem feliz da minha vida, em que eu estava totalmente encantada com a série de TV do Sítio (a versão 76) que tinha acabado de estrear ...
Beijos, Anna, para você e os pimpolhos!

Bonja disse...

Certo Anna, aqui vai:

Na sua mesa de cabeceira neste momento:
Dona Flor e seus dois maridos - Jorge Amado
Seu livro favorito quando você era criança:
A Ilha perdida - Maria José Dupré
Seus cinco autores favoritos:
Monteiro Lobato, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Fernando Sabino, Fernando Pessoa e muitos outros da língua portuguesa.
Livro que você não leu mas fingiu que leu:
Andei pulando umas páginas do afamado "cem anos de solidão"... mas não sou de jogar a toalha não.
Livro que você divulga com fervor messiânico:
O grande mentecapto; O retrato de Dorian Gray; Dom Casmurro; O Continente e O Retrato (da trilogia O Tempo e o Vento)...
Livro que você comprou só por causa da capa:
Não me recordo de livros; apenas algumas revistas na adolescência...
Livro que mudou a sua vida:
Os Doze trabalhos de Hércules (acho que aprendi a ler com este livro)
Frase favorita tirada de um livro:
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." Fernando Pessoa.
Livro que você mais gostaria de ler de novo pela primeira vez:
Robinson Crusoe

Abraços para todos!

MegMarques disse...

Lá vou eu:

Na sua mesa de cabeceira neste momento:

História da Vida Privada vol. III (Renascença e Iluminismo). Progredindo lentamente, mas achando o máximo e já com vontade de comprar a História da Vida Privada no Brasil.

Seu livro favorito quando você era criança:

Rosinha, minha canoa; de José Mauro de Vasconcelos. Primeiro livro que me fez chorar copiosamente e me deixou pensativa por muito tempo.

Seus cinco autores favoritos:

Vixe, pergunta difícil, eles vão mudando de tempos em tempos. No momento: Borges, Proust, Guimarães Rosa, Umberto Eco, Camus, Orwell.

Livro que você não leu mas fingiu que leu:

Os do Paulo Coelho. Só li de cabo a rabo "As Valquírias", mas falo mal de todos com muita propriedade.

Livro que você divulga com fervor messiânico:

Grande Sertão, Veredas. Porque sendo tão famoso, acho que ainda foi pouco lido.

Livro que você comprou só por causa da capa:

Três Vidas, da Gertrude Stein, edição Cosac Naify. Porque eu já tinha os demais da coleção Mulheres Modernistas. As capas são lindas e eu queria a coleção completa.

Livro que mudou a sua vida:

O Dilema do Onívoro, de Michael Pollar. Me tornou muuuuito mais consciente sobre meus hábitos de vida, a ponto de mudar alguns deles.

Frase favorita tirada de um livro:

"Cu é lindo." Adélia Prado.

Livro que você mais gostaria de ler de novo pela primeira vez:

Guerra e Paz. Porque li na adolescência para impressionar um professor de História por quem nutria uma paixãozinha platônica e acho que não tinha maturidade para extrair da leitura o que posso hoje.

anna v. disse...

Claudio Luiz, recebi as fotos que a Frida Helê tirou! Ficaram o máximo. Não sabia que você tinha sido o mentor intelectual do registro, muito obrigada. Ela estava lindona, não?!

Claudia, eu também adorava a coleção Vaga-Lume, e Pollyana, e mais que tudo, Os Desastres de Sofia, da Condessa de Ségur. Por coincidência, minha prima que mora na França deu no natal de 2009 de presente para Mathilde uma edição ilustrada (Les Malheurs de Sophie) que vem com um CD com a narração do texto, e Mathilde ama, estamos sempre ouvindo - e tentando falar francês, haha. E puxa, tenho muita curiosidade para A Elegância do Ouriço... agora mais ainda!

Bonja, quantos clássicos! Eu tenho aqui primeiras edições de toda a saga O Tempo e o Vento, e sempre acho que vou ler de cabo a rabo quando vier o dilúvio universal e tivermos de passar 40 dias e 40 noites sem sair de casa. Mas tenho esperança! E sim, os 12 Trabalhos de Hércules eu também li e reli, e reli e reli... Aliás e a propósito, acho que foi graças a este livro que descobri que uma obra literária pode ser dividida em "tomos". Eu ficava boquiaberta com a história de Tomo 1 e Tomo 2.

anna v. disse...

Meg, concordo plenamente em relação ao Grande Sertão. Este livro é vendido aos milhares em tudo que é programa governamental (federal, estadual, municipal), mas eu acho que se todos esses exemplares que são comprados fossem efetivamente LIDOS, este país seria outro!
E meu deus, a Cosac Naify vai virar a campeã de livros vendidos por causa da capa! Que coisa!