Eu reclamo tanto que não tenho tempo para o blog, e hoje o tempo se fez, e estou há um tempão aqui tentando escrever um post, e não consigo.
Porque queria escrever sobre pessoas que eu conhecia e que morreram nessas últimas duas semanas, pessoas não tão próximas, mas próximas o suficiente para que eu fosse à missa de uma, ao velório do outro, etc. Não que eu fosse escrever exatamente a respeito dessas pessoas (foram 3), mas sobre a quantidade de sensações com que precisamos lidar quando nos vemos diante da morte dos outros, que é sempre um pouco a nossa morte também.
E sobre esses sentimentos de transitoriedade, de ciclo etc. Mas especialmente sobre a saudade. Porque as pessoas relacionam muito a morte a uma perda ("Sinto muito pela sua perda", etc.), mas esse nem é o sentimento que me fala mais alto. Muito mais é a saudade, a presença da ausência, o carrossel de recordações que gira na cabeça de quem fica, lembrando uma frase, um gesto, uma história engraçada, um trejeito, um tom de voz.
No fundo é uma saudade boa, um sentimento que sempre traz um sorriso aos lábios, sorriso misturado com lágrimas, lágrimas que levam ao abraço e a mais uma história compartilhada, "lembra daquela vez...". Tudo isso termina na incrível - e bota incrível nisso - capacidade que a gente tem de reviver com tanto detalhe um tempo que já passou, e não só re-viver como re-sentir, se transportar de verdade para outra dimensão, ao lado de alguém que não está mais.
9.5.11
1.5.11
Flamengo, campeão carioca invicto de 2011
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| Jogadores comemoram o 32º título estadual |
A verdade (II) é que domingo à tarde é quase certo de ter uma festinha de criança na agenda. E hoje não foi diferente. Quatro da tarde, e eu num play na Gávea (of all places!), dando aquela supervisão muito por alto entre o escorrega, a casinha de boneca, a contação de história e o pula-pula-a-maior-invenção-da-humanidade. Sim, porque depois dos 3 anos eu já considero tratar-se de uma criança grande, não me cabe ficar atrás o tempo todo, minha política é "avisem-me se houver sangue". (O pequeno, que completou 6 meses ontem (!), ficou em casa com o pai.) Ainda mais que, felizmente, era uma festa de filha de amigos de longa data, portando havia uma porção de gente que eu não via há tempos, muito melhor era ficar sentada numa mesinha de plástico botando o papo em dia, comendo batata frita feita na hora com chope tirado igualmente na hora vindo com ótima frequência na bandeja do garçom, ao lado de refrigerantes, sucos e águas.
Meu amigo M., que eu adoro apesar de tricolor, e que não via há um tempão, me franqueou seu celular com radinho na segunda metade do segundo tempo, e dei uma acompanhada assim como não quer nada. Quer dizer, tentei, porque como bem diz meu marido, não dá mais pra ouvir jogo pelo rádio. Entre propagandas de "Tomou Doril a dor sumiu - este medicamento é contraindicado em caso de suspeita de dengue. A persistirem os sintomas um médico deverá ser consultado", entrevista com Torcedor do Amanhã, ou com Maria Chuteira, entradas ao vivo de personalidades presentes no estádio, comentários do Futebol Show, Twitter do Torcedor etc., ninguém narra a p*orra do jogo.
Mas tergiverso. Depois do 0x0 no tempo normal, veio a decisão por pênaltis, e eu já fiquei mais tranquila. Porque, pra quem não sabe, nessa hora o Vasco sempre treme. Acompanhei as cobranças do meu jeito favorito: pela reação da vizinhança, pelos gritos de Mengo! e Vasco! alternados e progressivamente exaltados, até a epifania final, os fogos e o Uma Vez Flamengo, Sempre Flamengo que sempre se escuta, vindo de sei lá qual profundeza, talvez de um inconsciente coletivo rubro-negro (além é claro, do "Tomá no cu Vascô!", outro clássico imortal).
Comemorei com Mathilde e com meu afilhado de 2 anos, que ainda não tem time, mas a quem um tio já fez a bondade de ensinar a cantar "Sai do chão, sai do chão, a torcida do Mengão!" (tio flamenguista: atire a primeira pedra quem nunca teve um).
Voltamos no carro brincando de apontar pessoas vestidas com o Manto Sagrado. Eram tantas que a brincadeira quase nem deu certo.
28.4.11
Grito de guerra da mãe-tigre, de Amy Chua
Para quem nunca ouviu falar deste livro, lançado recentemente, vai a sinopse:
Grito de guerra da mãe-tigre é a história polêmica da sino-americana Amy Chua, renomada professora de Direito da Universidade de Yale, e por se opor drasticamente à indulgência dos pais ocidentais, tomou a decisão de criar as suas filhas, Sophie e Lulu, à moda chinesa.Como as mães-tigres veem a infância como um período de treinamento, Sophia e Lulu tiveram aulas de mandarim, exercícios de rapidez de raciocínio em matemática e duas ou três horas diárias de estudo de seus instrumentos musicais (sem folga nas férias, e com sessões duplas nos fins de semana). Os resultados são indiscutíveis: ambas são alunas excepcionais; Lulu ganhou um prêmio estadual para prodígios do violino e Sophia se apresentou no Carnegie Hall aos 14 anos. Entretanto, o preço dessas conquistas é muito alto, e os confrontos generalizados com a rebelde Lulu põem a prova os princípios e os métodos dessa mãe-tigre.
G. me escreveu há alguns meses perguntando "Já ouviu falar deste livro?" e mandou um link com uma reportagem sobre a polêmica que estava causando nos EUA. Na verdade eu já havia ouvido falar, sim. Tinha até lido alguns trechos, ainda em 2010. Mas, honestamente, na época achei que nem fosse uma coisa séria.
O fato é que na ultra-competitiva sociedade americana, onde os orientais estão já há vários anos assumindo a ponta em todos os rankings acadêmicos, o livro está sendo levado muito a sério.
O que me choca profundamente.
Porque não encontro outra forma de colocar: o livro é chocante. Na pior acepção do termo. Se eu fosse ditadora do mundo (esse meu projeto tão acalentado...), essa mulher estaria presa por maus-tratos a menores. O que ela fez/faz com as filhas é ultrajante, revoltante, e leva um tijolo na testa quem vier me falar de relativismo cultural.
Se não vejamos alguns exemplos ilustrativos do modo de ação da tal mãe-tigre: a mãe determina que uma das filhas vai estudar piano e a outra, piano e violino. Quando a mais nova não consegue tocar certa peça ao piano, a mãe a obriga a estudar noite adentro na véspera da aula, fica do lado dela no banco do piano certificando-se de que ela não vai se levantar nem para beber água nem para ir ao banheiro (não estou inventando, nem exagerando: está tudo publicado!). Isso depois de a menina, que na época tinha 6-7 anos, já ter rasgado a partitura em pedacinhos, de tanta raiva (a mãe colou com fita adesiva).
A filha mais velha, a tal que virou concertista de piano, confessa ao pai, meio constrangida, que aquela marca na madeira do piano realmente é de dente, que ela algumas vezes mordeu o piano de tanta raiva por ter de estudar infindáveis horas por dia.
São meninas que nunca dormiram na casa de amigas. Aliás, não há menção a amigas ou amigos at all. Namorados muito menos - e quando o livro termina elas têm 16 e 14 anos, idade em que, como se sabe, meninas nem pensam nesse assunto. Nada é admitido pela mãe-tigre se não trouxer um benefício acadêmico claro e palpável. Esportes, por exemplo, são vetados. Apenas no finalzinho do livro a filha mais nova se rebela, larga o violino e vai jogar tênis.
A mãe é tão doente que, às páginas tantas, compra uma cadela, de uma raça que agora não me lembro. (O simples ato representa uma concessão inimaginável dela às filhas.) Para sua própria surpresa, ela se encanta com o bichinho. Ato contínuo, começa a fazer mil pesquisas sobre aquela raça, e a praticar exercícios -- obsessivamente, como de praxe -- para que a sua cadela esteja entre o Top 5 dos espécimes mais inteligentes da raça!
Por trás de tudo, está uma filosofia segundo a qual "as coisas só começam a ser divertidas quando se é muito bom nelas". Ou seja, ninguém vai gostar de tocar piano a menos que seja um exímio pianista. Ninguém vai gostar de estudar se não for o melhor aluno da turma. E por aí vai.
E, claro, não poderia faltar o elemento constrangedor. A cada pirraça das meninas, vem o inevitável comentário "Você é uma vergonha para esta família!". Meu Deus!
Mas, uma vez Pollyanna, sempre Pollyanna. É possível sim extrair algo de bom dessa loucura toda. O que eu consegui ver de positivo foi a crítica ao estímulo excessivamente positivo de qualquer coisa que as crianças façam. Essa cultura do overpraising pelo qual tudo que seu filho faz, qualquer desenho rabiscado é "lindo", qualquer escultura tosca de massinha é "incrível", qualquer música que ele cante, por mais desafinado que seja, é "bravo!". Educar dá muito trabalho, a gente sabe. Os pais precisam mesmo é saber do que os filhos são capazes (sem expectativas irreais, como as dessa louca), acompanhar o que eles estão desenvolvendo, a tal ponto que seja possível identificar quando eles realmente estão fazendo um desenho meio nas coxas, só por obrigação, sem o capricho que a tarefa exige. E aí, sim, cobrar - por que não? Não ter medo de dizer "Não sei não, filho, acho que você consegue fazer melhor, vamos tentar de novo". Isso não traumatiza ninguém, muito pelo contrário, mostra quanta fé a gente deposita nesses pirralhos.
Enfim, o livro. Apesar de muito bem escrito, bem traduzido, e fácil de ler, não consigo recomendá-lo a ninguém que não tenha uma curiosidade muito antropológica pelo assunto.
Ideias fixas:
livros
16.4.11
Meu novo amor
Tantos posts na cabeça, vão ficando por aí mesmo.
Enquanto não passa essa fase estranha de dormir às 21h30, acordar 2 vezes de madrugada e levantar às 6, na falta de oportunidade de desenvolver os textos presos na minha mente, mostro pra vocês fotos do meu menino "Oliver".
É espantoso o quanto o amor aumenta com a convivência. Quando ele nasceu já foi aquela avalanche alucinante, aquele amor urgente, novo, precisando de espaço. Dois meses depois, eu já discernia os primeiros traços de sua personalidade, ele já era alguém que me fazia cativa, e eu me espantava em ver como aquela avalanche inicial tinha crescido tanto. Hoje, 5 meses e meio depois do seu nascimento, eu e ele já nos conhecemos tão bem, já temos nossas brincadeiras particulares, e meu amor está presente em cada um dos seus poros, em cada milímetro de seu corpinho, em cada um dos seus 6.850 gramas, envolvendo-o numa espécie de envelope de afeto que o cobre por inteiro.
Enquanto não passa essa fase estranha de dormir às 21h30, acordar 2 vezes de madrugada e levantar às 6, na falta de oportunidade de desenvolver os textos presos na minha mente, mostro pra vocês fotos do meu menino "Oliver".
É espantoso o quanto o amor aumenta com a convivência. Quando ele nasceu já foi aquela avalanche alucinante, aquele amor urgente, novo, precisando de espaço. Dois meses depois, eu já discernia os primeiros traços de sua personalidade, ele já era alguém que me fazia cativa, e eu me espantava em ver como aquela avalanche inicial tinha crescido tanto. Hoje, 5 meses e meio depois do seu nascimento, eu e ele já nos conhecemos tão bem, já temos nossas brincadeiras particulares, e meu amor está presente em cada um dos seus poros, em cada milímetro de seu corpinho, em cada um dos seus 6.850 gramas, envolvendo-o numa espécie de envelope de afeto que o cobre por inteiro.
Ainda que ele venha a se tornar a maior peste no futuro, nunca poderei deixar de agradecê-lo por ter sido, pelo menos até agora, nos seus primeiros meses de vida, um bebê tão bom, calmo, tranquilo, sereno e feliz.
Que alegria tão grande vê-lo sorrir todo dia de manhã, de tarde e de noite, essa criança que praticamente não chora, que adora conversar, que é apaixonado pela irmã, que vai no colo de todo mundo, que já se arrasta pelo chão feito uma minhoca,
que adora tomar banho e passear na rua, que gosta tanto de mamão, banana, maçã e suco de laranja,
que dá gargalhadas quando a gente bate com a testa na testa dele, que já quer pegar tudo e qualquer coisa com suas mãozinhas de dedos compridos,
que fica tão moreno quando pega sol, que não tem medo de nada
e me dá tanta alegria de viver.
Ideias fixas:
vida de mãe
1.4.11
Pra não esquecer daqui a alguns anos
Logo eu que sou tão defensora da coisa do registro, de se escrever diário porque se não a gente esquece de tudo mesmo, de escrever sempre, de anotar etc., logo eu estou deixando passar tantas fofices de Mathilde, típicas de seus 3 anos de idade. Ela já tem tanto discernimento e clareza de expressão que mesmo seus erros me parecem perfeitamente... geniais (falou a pobre mãe a quem falta qualquer vestígio de discernimento, haha).
Alguns dos meus favoritos:
Queijo enrolado, em vez de ralado
Rebola, em vez de embolado (mamãe, puxa a língua do tênis, se não vai ficar rebola)
Princesa Cereal, em vez de Ariel
E hoje ela me disse que queria crescer logo, virar gente grande.
-- Por quê, filha? Pra quê você crescer tão rápido?
-- Pra saber usar tesoura e cortar direitinho.
(Momento ternurinha em que apertei muito a menina.)
Alguns dos meus favoritos:
Queijo enrolado, em vez de ralado
Rebola, em vez de embolado (mamãe, puxa a língua do tênis, se não vai ficar rebola)
Princesa Cereal, em vez de Ariel
E hoje ela me disse que queria crescer logo, virar gente grande.
-- Por quê, filha? Pra quê você crescer tão rápido?
-- Pra saber usar tesoura e cortar direitinho.
(Momento ternurinha em que apertei muito a menina.)
Ideias fixas:
fofices,
vida de mãe
25.3.11
Todos querem ruibarbo
Entra semana, sai semana, entra mês, sai mês, e não muda.
A busca no Google que mais traz gente para este blogue é "ruibarbo" - a palavra e a imagem.
Por causa deste post aqui.
Ruibarbo ganha de lavada, mas fico feliz que entre as expressões top 5 que direcionam para cá estejam "Dicionário analógico da língua portuguesa" e "Vitória de Samotrácia".
Muito melhor do que "assistente de mágico" e "trago a pessoa amada em 3 dias", que já foram campeãs de audiência.
(Pronto: é agora que isso aqui vai bombar de tanto acesso! Haha.)
A busca no Google que mais traz gente para este blogue é "ruibarbo" - a palavra e a imagem.
Por causa deste post aqui.
Ruibarbo ganha de lavada, mas fico feliz que entre as expressões top 5 que direcionam para cá estejam "Dicionário analógico da língua portuguesa" e "Vitória de Samotrácia".
Muito melhor do que "assistente de mágico" e "trago a pessoa amada em 3 dias", que já foram campeãs de audiência.
(Pronto: é agora que isso aqui vai bombar de tanto acesso! Haha.)
Ideias fixas:
blogue,
superbobagens
24.3.11
Questão de suma importância
E todo dia pela manhã me vem esse pensamento.
Por que no café da manhã comemos as frutas antes dos salgados (pães, torradas, queijo), enquanto nas demais refeições as frutas recaem na categoria de sobremesa, e portanto são consumidas depois da comida salgada?
Por que no café da manhã comemos as frutas antes dos salgados (pães, torradas, queijo), enquanto nas demais refeições as frutas recaem na categoria de sobremesa, e portanto são consumidas depois da comida salgada?
Ideias fixas:
superbobagens
22.3.11
Terríveis três
Os americanos têm a expressão terrible twos para denominar o período difícil ("terrível") que é o segundo ano de vida de criança, quando ela começa a falar, argumentar e dar os mais espetaculares chiliques.
Mas francamente, acho que escolheram terrible twos só por causa da aliteração em inglês (poderia ser terrible threes também, mas quem consegue pronunciar isso? Americano é tudo preguiçoso). Os dois anos são uma moleza perto do que estão sendo os três. Que, aliás, é a aliteração em língua portuguesa.
Então fica instituída a fase dos terríveis três, quando tudo vira um drama, a argumentação se sofistica e as estratégias das crianças ficam realmente terríveis.
Porque, juro, ficar três horas dando esporro é uma canseira.
Mas francamente, acho que escolheram terrible twos só por causa da aliteração em inglês (poderia ser terrible threes também, mas quem consegue pronunciar isso? Americano é tudo preguiçoso). Os dois anos são uma moleza perto do que estão sendo os três. Que, aliás, é a aliteração em língua portuguesa.
Então fica instituída a fase dos terríveis três, quando tudo vira um drama, a argumentação se sofistica e as estratégias das crianças ficam realmente terríveis.
Porque, juro, ficar três horas dando esporro é uma canseira.
Ideias fixas:
vida de mãe
21.3.11
Viva a sociedade alternativa
Mathilde, no Jardim I, agora tem atividades na creche que incluem a leitura de livros em sala de aula e em casa. Então toda sexta-feira ela virá da aula com livros que devem ser lidos em casa, com os pais, e devolvidos na segunda. Para montar o acervo, a escola pediu que comprássemos dois livros infantis: Fogo no céu e Ninoca vai brincar no parque.
Preço na Livraria Cultura online:
Fogo no céu - R$21,90
Ninoca - R$49,90
Frete econômico - R$7,00
(Prazo médio: 6 A 12 DIAS ÚTEIS APÓS disponibilidade do produto em estoque)
Total: R$78,80
Na Estante Virtual:
Ninoca - R$10,00
Frete - R$5,05
No Trocando Livros:
Fogo no céu - R$0,00
Frete -R$0,00 R$4,50 (aprox.)
Total gasto:R$15,05 R$19,55
Fogo no céu chegou hoje. Ninoca foi postado quinta à tarde por um sebo de BH, deve chegar até amanhã.
E mais não preciso dizer.
Update: a leitora Sharon apontou, com muita propriedade, que para conseguir que te enviem um livro no Trocando Livros, é preciso ter um crédito no sistema do site. Ganha-se um crédito ao enviar um livro a alguém, e quem envia arca com o custo do frete. Coloquei R$4,50, que é mais ou menos o preço do envio de um livro de 250 páginas pela modalidade Impresso Registro Módico.
Update 2: Ninoca já chegou.
Preço na Livraria Cultura online:
Fogo no céu - R$21,90
Ninoca - R$49,90
Frete econômico - R$7,00
(Prazo médio: 6 A 12 DIAS ÚTEIS APÓS disponibilidade do produto em estoque)
Total: R$78,80
Na Estante Virtual:
Ninoca - R$10,00
Frete - R$5,05
No Trocando Livros:
Fogo no céu - R$0,00
Frete -
Total gasto:
Fogo no céu chegou hoje. Ninoca foi postado quinta à tarde por um sebo de BH, deve chegar até amanhã.
E mais não preciso dizer.
Update: a leitora Sharon apontou, com muita propriedade, que para conseguir que te enviem um livro no Trocando Livros, é preciso ter um crédito no sistema do site. Ganha-se um crédito ao enviar um livro a alguém, e quem envia arca com o custo do frete. Coloquei R$4,50, que é mais ou menos o preço do envio de um livro de 250 páginas pela modalidade Impresso Registro Módico.
Update 2: Ninoca já chegou.
Ideias fixas:
livros,
vida de mãe
17.3.11
Em perspectiva
Uma das consequências que uma catástrofe como essa que acontece agora no Japão tem no dia-a-dia de uma pessoa comum que mora do outro lado do mundo, como eu, é uma violenta enquadrada na perspectiva dos problemas que se tem.
Por exemplo, estou no meio de um tratamento dentário. Canal. Coisa pra lá de desagradável. Aliás, é (mais) uma daquelas coisas da maternidade sobre as quais ninguém me preveniu. Isso mesmo. A gravidez pode ser bem cruel com seus dentes, coisa aí de cálcio que vai para o bebê, sei lá os detalhes, os leitores endodentistas que esclareçam. Este é meu segundo canal, o canal do Oliver (o primeiro foi meses depois do nascimento de Mathilde). De modos que. Só vou fechar o canal na semana que vem. Meu dente fica latejando, latejando, e mal consigo comer coisas sólidas. Mas é um latejar que não chega a ser dor, é só um incômodo chato o suficiente para que eu não consiga dormir e fique mais de 4 horas rolando na cama.
E aí, quando finalmente entro naquele estágio de semiconsciência que precede o sono, vem um mosquito zumbir no meu ouvido. Porque a mosquitada está solta aqui na vizinhança. E já são não sei quantos bairros com surto de dengue, e eu nunca mais vi o carro do fumacê na rua. Aqui em casa só dá Aedes. A gente mata os poucos que consegue com a raquete elétrica, olha de pertinho e vê aquelas perninhas rajadinhas da família Egypti. Uma tristeza.
Pra completar, as crianças se revezam na madrugada. Quando uma dorme, o outro acorda pra mamar. Quando esse dorme, a outra tem um pesadelo. Quando essa dorme, o outro acorda de novo e fica com aquela cara de "vamos brincar!". Quando você consegue dopá-lo com mais leitinho materno, a outra quer ir dormir na sua cama. Et caetera.
Mas aí que está. Mesmo me sentindo insone, cansada e dolorida, com que cara vou reclamar da vida enquanto do lado de lá do planeta as pessoas estão tendo que se virar com a trinca terremoto-tsunami-acidente nuclear? Nem é tanto pelas pessoas desabrigadas, que isso é uma tragédia, claro, mas há dois meses aqui do lado, no interior do estado, um monte de gente também ficou desabrigada, foi soterrada e tal. E em cidades que eu conheço e gosto muito, como Teresópolis e Friburgo, ao passo que nunca estive no Japão. Mas o lance da energia atômica é que pega e faz com que meu coração esteja lá com os japoneses. Esse é o detalhe desnecessário nessa tragédia, o toque que nem o mais doente dos roteiristas de filme-catástrofe pôde jamais imaginar.
(Um beijo especial pra N., minha amiga querida e leitora deste blogue, que é brasileira mas que um dia já foi japonesa.)
Por exemplo, estou no meio de um tratamento dentário. Canal. Coisa pra lá de desagradável. Aliás, é (mais) uma daquelas coisas da maternidade sobre as quais ninguém me preveniu. Isso mesmo. A gravidez pode ser bem cruel com seus dentes, coisa aí de cálcio que vai para o bebê, sei lá os detalhes, os leitores endodentistas que esclareçam. Este é meu segundo canal, o canal do Oliver (o primeiro foi meses depois do nascimento de Mathilde). De modos que. Só vou fechar o canal na semana que vem. Meu dente fica latejando, latejando, e mal consigo comer coisas sólidas. Mas é um latejar que não chega a ser dor, é só um incômodo chato o suficiente para que eu não consiga dormir e fique mais de 4 horas rolando na cama.
E aí, quando finalmente entro naquele estágio de semiconsciência que precede o sono, vem um mosquito zumbir no meu ouvido. Porque a mosquitada está solta aqui na vizinhança. E já são não sei quantos bairros com surto de dengue, e eu nunca mais vi o carro do fumacê na rua. Aqui em casa só dá Aedes. A gente mata os poucos que consegue com a raquete elétrica, olha de pertinho e vê aquelas perninhas rajadinhas da família Egypti. Uma tristeza.
Pra completar, as crianças se revezam na madrugada. Quando uma dorme, o outro acorda pra mamar. Quando esse dorme, a outra tem um pesadelo. Quando essa dorme, o outro acorda de novo e fica com aquela cara de "vamos brincar!". Quando você consegue dopá-lo com mais leitinho materno, a outra quer ir dormir na sua cama. Et caetera.
Mas aí que está. Mesmo me sentindo insone, cansada e dolorida, com que cara vou reclamar da vida enquanto do lado de lá do planeta as pessoas estão tendo que se virar com a trinca terremoto-tsunami-acidente nuclear? Nem é tanto pelas pessoas desabrigadas, que isso é uma tragédia, claro, mas há dois meses aqui do lado, no interior do estado, um monte de gente também ficou desabrigada, foi soterrada e tal. E em cidades que eu conheço e gosto muito, como Teresópolis e Friburgo, ao passo que nunca estive no Japão. Mas o lance da energia atômica é que pega e faz com que meu coração esteja lá com os japoneses. Esse é o detalhe desnecessário nessa tragédia, o toque que nem o mais doente dos roteiristas de filme-catástrofe pôde jamais imaginar.
(Um beijo especial pra N., minha amiga querida e leitora deste blogue, que é brasileira mas que um dia já foi japonesa.)
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