18.12.11

Bike Rio: o fracasso retumbante de uma ótima ideia

Beleza de publicidade!

Há uns dois meses começaram a surgir pela Zona Sul do Rio uma porção de estações de bicicleta cor de laranja. Era a instalação do projeto Bike Rio, a mais nova tentativa da prefeitura de instalar um sistema de empréstimo de bicicleta, nos moldes do que acontece em Paris com grande sucesso, há anos. Fiquei muito animada, pensei "Agora vai". Porque finalmente, ao contrário das vezes anteriores, instalaram uma porção de estações, não muito longe uma da outra, o que é fundamental para o negócio dar certo.
Fui no site e vi as regras. Por R$10 pagos no cartão de crédito, você compra um passe mensal para usar quantas vezes quiser, cada empréstimo não podendo ultrapassar uma hora de duração, e um intervalo mínimo de 15 minutos entre cada empréstimo. A liberação é feita via celular. Achei tudo legal, exceto pela restrição de horário (das 6h às 22h), que para mim não faz sentido. As bicicletas são bonitas -- patrocinadas pelo Itaú --, têm uma cestinha na frente, e eu comecei a observar uma boa adesão das pessoas pelas ruas. Estava louca para experimentar.

Finalmente a oportunidade se concretizou na terça-feira, quando eu tinha que sair de Botafogo e estar no Jardim Botânico por volta das 19h30. Uma distância razoável, um horário de rush. No mesmo dia, de manhã, fiz o meu cadastro no site, sem dificuldades. Às 19h, passei na primeira estação para pegar uma bicicleta. Mas não tinha nenhuma disponível na estação. Tentei outra estação, não muito distante. A mesma coisa: nenhuma bicicleta. Andei mais 3 quarteirões até onde eu sabia que havia outra estação, e mais uma vez a mesma situação: nenhuma bicicleta disponível.

Nhé

Resolvi ligar para o call center do projeto. São 5 números de telefones que eles divulgam, e nenhum atende. Tentei durante meia hora e só consegui ouvir "no momento este telefone não recebe chamadas". Repare: não foi uma gravação do tipo "Obrigado por ligar para a Bike Rio, no momento todos os nossos operadores estão ocupados". Não. É uma gravação da companhia telefônica dizendo que aquele número não funciona ou nem existe! O único número que funcionava era o usado para liberar a bicicleta na estação. No menu tinha a opção "9 para falar com nossos atendentes", mas aí caía numa gravação dizendo para ligar para um dos números que eu já tinha tentado e não existia. Que beleza, não? Já atrasada, tive mesmo que pegar um ônibus e encarar o engarrafamento de praxe. No dia seguinte, mandei um e-mail para o Fale Conosco. Vocês receberam resposta? Nem eu.

Mas não desisto tão fácil. Na quarta, fui almoçar com minha prima no Humaitá, um trajeto ainda mais curto. Desta vez havia 2 bicicletas na estação. Oba. Liguei para o número. Digitei o número da estação e o número da posição -- informações necessárias para liberar a bicicleta. Mas, para minha surpresa, ouvi a resposta: "No momento esta posição não está disponível". Ué, mas a bicicleta está aqui bem na minha frente! A mesma coisa aconteceu com a segunda bicicleta que estava na estação. Posição não disponível. Bizarro. Fui até outra estação onde só havia uma bicicleta, e finalmente nesta consegui! A bicicleta em si é boa, tem marchas e um assento bem confortável. Cheguei na estação de destino e prendi a bicicleta numa posição livre. Puxa, enfim funcionou.

Na volta, vi que a mesma bicicleta continuava lá, no mesmo lugar, e resolvi pegar ela mesma de novo -- afinal, o banco já estava regulado numa altura boa para mim. Mas quando fui liberá-la ouvi o temido recado: "No momento esta posição não está disponível". Oi? Como assim? Aí me dei conta de que não há nenhum tipo de recibo ou confirmação de que você devolveu a bicicleta dentro do prazo -- ou mesmo que você devolveu a bicicleta simplesmente, em vez de, digamos, roubá-la. Peguei outra bicicleta na estação e voltei para o trabalho. Quando acessei o "Extrato" no site (que funciona bem), dito e feito: estava registrado que meu primeiro empréstimo, que deve ter durado de 10 a 15 minutos, tinha levado 1 hora e 15 minutos! (O tempo da volta estava certo: 7 minutos) Ou seja, é bem capaz de me cobrarem os R$5 a mais que custam cada hora excedente da hora inicial, incluída no passe mensal.

Nem preciso dizer que fiquei meia hora tentando falar com qualquer um dos 5 números de atendimento, sem sucesso. Mandei outro e-mail para o Fale Conosco, que até agora, 4 dias depois, permanece sem resposta.

Entendo que um projeto como este precise de ajustes, uma vez implantado. Por exemplo: se tudo é feito via celular, era fundamental que o sistema mandasse SMS confirmando a retirada e a devolução das bicicletas na estação. É uma forma de o usuário ter certeza de que tudo está sendo registrado direitinho. Não se pode deixar na mão de um sistema pouco confiável como este o seu número de cartão de crédito -- o valor cobrado pela bicicleta não devolvida é R$1.350,00. Agora, o fracasso absoluto do atendimento ao usuário é indesculpável. Eu tentei muitas vezes. Em horários diversos. Para vários números diferentes. E em nenhuma ocasião consegui falar com quem quer que fosse. Para isso não existe justificativa.

Eu de qualquer forma já aposentei meu passe mensal, não usarei mais essas bicicletas e não recomendo a ninguém. Muito pelo contrário, meu conselho é: fuja dessa roubada -- pelo menos até que alguém mais competente venha a gerir.

Minha linda (e confiável) magrela, que nunca me deixou na mão: perdoa-me por te traíres!

14 comentários:

B. disse...

que pena! por que realmente eu andava por Paris, pensando: isso ia ser foda no Rio!
Só que lá as bicicletas são liberadas atraves de um totem. E quando você devolve, você clica novamente no totem e a encaixa na posição. Quando faz isso, acende uma luzinha verde no postinho onde vc pos a bicicleta e ai vc sabe que esta tudo ok.

Luis G. disse...

Putz, Anna, que coisa. Em Londres, o esquema de aluguel de bikes do Barclay's aparentemente funciona muito bem, e há anos. Não terá havido sequer uma alma iluminada no Rio pra pedir uma assessoria aos caras?

Inaie disse...

as bicicletas emprestadas estao pela Europa toda - como e que a gente nao fois e informar do "modelinho"deles antes de implementar o nosso?

Ai que papelao.

Tomara que melhore.

Duda disse...

Gostei do blog!
Achei bem legal!
Se tiver tempo da uma olhadinha no meu.
Segue que eu sigo de volta!
alem-damoda.blogspot.com

anna v. disse...

Pois é, o esquema é um sucesso pelo mundo afora, já ouvi até dizer que em Paris agora tem esse lance de empréstimo, mas de CARROS (!).
Eu torço pra melhorar, porque acho a ideia muito boa e o Rio merece, mas por enquanto ninguém nem ao menos respondeu aos meus emails.
Então, né.

Carol Antunes disse...

Em São Paulo temos um sistema um pouco diferente, mas que funciona bem. Um atendente cuida do posto das bicicletas, que normalmente fica numa estação de metro ou estacionamento. A liberação demora um pouco pois precisam registrar o n. do cartão. A 1. hora é grátis e as horas extras são 2 reais. Dá também para usar como estacionamento de bicicleta gratuitamente. É ótimo pois sabemos que tem sempre alguém olhando. Tem recibo para retirada e entrega. O lado ruim é que horário vai das 6h as 22h tb e os postos são poucos e distantes um do outro. Considerando o tamanho de São Paulo, não é tão fácil achar um percusso entre eles. No mais,sempre fui bem atendida, mas reparei que as bicicletas agora são mais simples pois houve uma mudança de patrocinador.

Rita disse...

Anna, o aluguel de carros nesse sistema de pega aqui larga ali é bem popular em Londres, não sei se existe em Paris também. É uma pena o que vc conta sobre o sistema no Rio. Fico na torcida para que grupos mais competentes e comprometidos com a cidade assumam a gerência das bikes.

Bj,

rita

Anônimo disse...

E ai, Anna. Passado tanto tempo, voce testou de novo o sistema? Sera que melhorou?

Roberto da Silva disse...

Prezados,

continua a mesma coisa. Só tem estações vazias ou com bicicletas quebradas e/ou que não são liberadas de jeito nenhum. Dizem que são 600 bicicletas para 58 estações. Deveria haver 10 bicicletas por estação: nunca vi isso em nenhuma estação. Ontem choveu, mas, mesmo assim, a estação do Rio Sul só tinha três bicicletas. Eu tinha passado lá mais cedo e só tinha uma bicicleta com o cabo do freio quebrado. É "furada", mesmo. Comprei o passe mês passado, só consegui usar três vezes, cada uma tendo de telefonar 3 ou 4vezes pelo celular para liberar uma bicicleta. Não vou renovar.

Willi Bruschi Jr disse...

Fui ao Rio passar o fim de semana do Rio Open. Fiquei hospedado na Lagoa, tudo de bom. Resolvi passear de bike rio e me deparei com a situação precária que você descreveu.
1ª estação: duas bicis com pneu furado;
2ª estação: vazia (OK, era dia de passeio);
3ª estação: cheia, todas novinhas, nenhuma disponível segundo o sistema;
4ª estação: várias bicis. consegui tirar uma e minha namorada não conseguiu pois, segundo do sistema, não estavam disponíveis apesar de estarem ali, lindas e alaranjadas.
Frustante nosso passeio.
Hoje tentei reclamar no SAC e sequer abriu o site do Bike Rio.
Jogo duro.

fabiotake disse...

Ola Anna sou de Arapongas PR e fui passar o fds aí no Rio
Como não conseguia baixar o App tive q optar pela compra de passe mensal, soh depois q consegui baixar o aplicativo.
Agora que retornei à minha cidade não irei mais usar as bike.
Será que o passe mensal vai renovando à cada 1 mes e debitando do cartao de credito ou cancela automaticamente ?? abçs Fabio

Unknown disse...

4 anos depois continuam os mesmos problemas! Uma pena! Uma
Ótima ideia que não funciona! Ainda tenho esperança que esse sistema funciona mas a cada Vaz que tento utilizá-lo fico mais descrente! Um fracasso!!!!

José Antônio Caldas disse...

Meus Caros,
Se a Prefeitura e o Estado do Rio estão na pindura para pagar as suas contas, imginem se irão se importar em manter bicicletas para o turista passear. Digo isso porque o Bike Rio nunca foi um projeto sério de facilitar a mobilidade. Começa pela falta de coclovias que cortem a cidade, são todas turísticas. Várias estações estão sem manutenção desde as Olimpíadas. É só pra turista ver. Agora só quando tivermos outro evento de importância. Em São Paulo é diferente, existem, para começar, ciclovias que cortam a cidade em diversos lugares. Lá o projeto funciona legal, embora ainda esteja restrito a bairros mais elitizados. Ligou, atendem na hora.

(José Antônio Caldas).

Ricardo Marmo de Miranda disse...

Bem, sou usuário de final de semana com minha esposa e pedalamos muito na orla e sempre funcionou direitinho conosco. Lógico que deve até existir algo melhor, mas acho muito legal o que temos e vejo a população usar habitualmente.