20.9.06

Variações sobre o mesmo tema

J.W. Waterhouse, "Eco e Narciso", 1903
Homens são todos imaturos, egoístas, ou as duas coisas.
Ou talvez não seja isso, e sim: tenho estado mais próxima das minhas amigas mulheres.
E esta é a fase das separações. E como gosto de ouvi-las, elas me contam. A ladainha é sempre a mesma: imaturos, egoístas, ou as duas coisas. Gosto de lembrá-las de que elas também faziam parte dos seus finados relacionamentos. Portanto, olhai para dentro de si, amigas queridas.
No feriado de 7 de setembro levei um tombo na escada do meu prédio. Estava sozinha, saindo de casa. O tombo não foi feio, mas foi assustador -- no sentido estrito: fiquei mesmo assustada. Eu caía, caía, não vinha o chão, eu não sabia que parte do meu corpo ia bater onde, com que força, com que dor. No final, nada de grave. Apoiei meio mal com o braço, meu ombro doeu, e fiquei com o coração aos pulos. (Como era de se esperar, me vi pensando nessas coisas, de como um dia sem mais nem menos você cai da escada que desce todo santo dia, bate a cabeça, e sua vida muda pra sempre, bla bla bla. Além do mais, como não tem porteiro, ninguém viu o tombo -- se tivesse sido grave eu ficaria ali sabe lá por quanto tempo.)
Mas enfim. Depois que o ombro passou uns três doendo e eu curei com o bom e velho chá de pouco-caso, começou a doer o dedo do pé. Mais e mais doendo. E incomodando para andar. Comecei a meio que mancar. Então fui à clínica ortopédica, "bater uma chapa". Chapei, e não é nada no osso, só uma inflamação. (O doutor me passou um antiinflamatório porque achou que eu era daquelas pessoas que não admitem sair do médico sem uma receita de remédio. Mas é claro que nem comprei.) Recomendou que eu use tênis, nada de salto etc. Na volta pra casa, já umas 8 da noite, no meio da rua encontrei T., amiga querida que mora bem pertinho, na rua ao lado.
Chope urgente. (Esses assim inesperados são os melhores.)
E pra minha surpresa, T. se separou, e eu nem sabia. E como todo mundo (segundo ela me disse), eu também fiz "oooh". Porque eles eram o casal conto-de-fadas. (Eram vizinhos, se conheceram um batendo na porta do outro para pedir açúcar. Você acredita? Nem eu. Mas foi assim mesmo.) Mas depois de um certo tempo aconteceram coisas, coisas da categoria das que precisam ser discutidas, mas ele nem, nem. E como não queria tocar no assunto, agia como se estivesse tudo bem. Mais ou menos forçando para que as coisas permanecessem não-ditas, e desta forma se resolvessem sozinhas, magicamente. Uma maneira estranha de se relacionar. Mas o pior é que ele não é o único. E tampouco isso é exclusivo dos homens. O medo, o medo. E sempre o eu, o eu, ego, ego ego. Sempre variações dessa mesma história.

8 comentários:

S. disse...

Pior é que eu também acho isso, ahahahaha, que os homens são imaturos, egoístas, despreparados... Surya

Rodrigo disse...

os homens, eu não sei - mas eu sou assim mesmo. adepto total das coisas não-ditas. não que eu me orgulhe disso, mas... como disse um amigo meu: eu até aprendo, mas depois esqueço.

Camilo disse...

Putz! Eu costumo dizer pra minha querida que devo ser o único homem que gosta de uma DR (Discussão do Relacionamento). Se bem que, às vezes, prefiro esperar que as coisas não-ditas se resolvam. hehehe. Ah, e eu não sou egoísta, não. O problema é que eu sempre tenho razão.... Rárárárárárá!!!

Bela Caleidoscopica disse...

muito bons os depoimentos machos, querida! Mas eu acho mesmo é que, um dia, dois param de se comunicar e a interferência reina e... pronto, cabô-se!
Só se vc tiver muuuita disposição, for um expert em relações humanas e comunicações (incluindo ai as mediúnicas) é que a coisa tem a mínima chance de consertar! Pra mim, depois que o ruído impera... corra, Lola, corra!
Beijos, amore
tava com saudade

Alena disse...

O 'causo' é que eles não pensam em resolver nada porque são práticos e as suas respostas não vêm de discussões. Quando estão de saco cheio, se afastam de nós, às vezes, arranjam outras pessoas , saem com amigos, tomam cerveja, conversam no bar, vêem futebol e ... nós? Ficamos discutindo a relação sozinhas, com as amigas , com o terapeuta, coma mãe... Ora, se nós também não pensássemos tanto... talvez déssemos a eles a chance de se preocupar com a relação.

Ângela disse...

eu odeio pensar a relação. Todas as vezes que eu pensei nelas acabei. dois ex casamentos. sei lá, uns 80 namorados. pensô, acabô.

Sidnei Trindade disse...

Nós, homens, somos uns maricas. Se eu caísse como você, eu não ficaria simplesmente assustado; eu entraria em pânico, procuraria uma funerária e um advogado para digitar meu testamento. Mas somos mais ou menos alguma coisa dependendo da raiva de quem diz.

"I'm not perfect, but I'm perfect for you".

luizgusmao disse...

essa crítica pode ser facilmente invertida: "mulheres são todas possessivas e inseguras." no verdade, é a mesma coisa com td mundo desde sempre - medo e ego estão em relação diretamente proporcional E exponencial.