
28.2.07
Um dia na vida da pessoa de férias
Eu em casa, relax. Liga cunhada nº 2. Aflita. Imaginem que saiu de casa, deixou a diarista trabalhando, e, sem perceber, trancou a coitada lá dentro. E o pior, na casa não tem telefone ainda, porque ela se mudou há pouco e está só com celular. Então a diarista fica tensa. E liga pro porteiro. Que, sei lá como nem por que, tem o telefone do meu sogro. Que então liga pra cunhada. Que está no trabalho. E por isso liga pra mim, que moro perto. Porque aqui tem uma cópia da chave dela, pra emergências. Mas eu não sei onde está a chave. Porque quem guardou não fui eu, foi o marido. Que está em São Paulo. E disse que estaria num lugar -- onde não estava. E toca a procurar. Achei, achei! Ela exulta do outro lado da linha. Lá vou eu, nesse calor, libertar a outra. Coitada. Que encrenca. Espeto, como diria o Nelson. Ganhei pontos no céu, hein.
Situação 2.
Amiga liga: Me ajuda, tenho que comprar as passagens de trem no site francês, tenho medo de errar, faz comigo no telefone? Eu ali, no meio do Seinfeld. Claro, vamos lá. Clica ali tá vendo? Oui, aller-simple. Agora onde está escrito assim. Vai, agora preenche com a data. Eu falando e fazendo, ela fazendo do outro lado. Comprar 6 passagens de uma vez. Agora clica ali em reservar. Choisir cette aller. E pra mim apareceu tudo direito. E pra ela disse que infelizmente já não havia mais passagens disponíveis para aquele trem. Claro, porque EU tinha reservado as últimas. Ai, Je-sus. Tive que eu fazer as compras, no final das contas. Contando ninguém acredita.
26.2.07
Feliz 2007
Hoje, quando o ano parece que finalmente começou, eu fui à praia em Ipanema. Estava vazia e perfeita.
Sabe, a vida é tão curta.
(Foto de minha autoria, dezembro 2003)
God Save the Queen

Sadol

24.2.07
Bolsa Não-Família
O ponto de concórdia é que o mais eficaz é investir em educação. Certo. Impossível discordar. Atrelada ao discurso da educação vem, a reboque, a questão do planejamento familiar. Que é tão importante porque é algo que pode ser colocado em prática já e com resultados a prazos menores do que reformular todo o nosso sistema educacional.
No meu mundo ideal existiria o Bolsa Não-Família. Um programa voltado para mulheres em idade fértil. Mais ou menos assim: a cada 6 meses a mulher vai a um posto de saúde público e faz uma consulta médica. Se ela não estiver grávida, ganha uma grana. E ainda se consulta duas vezes por ano, faz um preventivo e tal.
No meu mundo ideal, ça va sans dire, seria permitido a qualquer mulher fazer um aborto em qualquer hospital, público ou privado.
23.2.07
What's in a name (2)
Impressiona muito essa coisa do modismo dos nomes. Eu sou meio contra. Acho que não basta o nome ser bonito, ele tem que ter um quê de único, de especial, na medida no possível. Tenho horror a essa coisa de ser conhecido pelo sobrenome. Talvez trauma do colégio onde estudei, que era enorme e as turmas (40 alunos cada) eram separadas por ordem alfabética, no método mais tosco de que já ouvi falar. Então a turma A tinha 9 Brunos. A turma C tinha umas 7 Marias. E a turma E, 8 Rodrigos. É óbvio que eles são, até hoje, o Siqueira, o Lima, o Abreu, o Amaral, a Campbell, a Lourenço etc. Sem contar nos que viram Cabeça, Monstro, Babá, Aranha, ou as que se transformam em Flávia Loura e Flávia Ruiva, Taíssa Grande e Taíssa Pequena.
Nos anos 20, os nomes da moda eram Olga, Leonor, Helena, Regina, Glória, Antenor, Oscar, Haroldo, Agenor.
Lá pelos 30 começar a surgir Waldir, Raul, Ruy, Nilton, Terezinha, Lucia, Yolanda, Amélia, Henriqueta, Gilda, Nair.
Para os anos 40 eu diria que foi a época de Vera, Ana Maria, Carmen, Teresa, Lourdes, José Carlos, Antônio Carlos, Luis Carlos, Gilberto, Álvaro.
A década JK-bossa-nova chegou com Cristina, Fátima, Elisabeth, Marcos, Edson, Mário, Roberto.
Já nos anos 60 começa a pender para André, Pedro Paulo, Lúcio, Henrique, Carlos Eduardo, Ivan, Cristiana, Eduarda, Luciana.
Os meus contemporâneos dos anos 70 são Bárbara, Carolina, Ana Carolina, Daniela (ou Daniele), Andréa, Ana Paula, Adriana, Renata, Mariana, Patrícia, Tatiana, Bruno, Rodrigo, Rafael, Leonardo, Maurício, Alexandre, Carlos Eduardo, Luiz Felipe, Felipe.
Um pouco depois, a moda dos 80 foi de Marcus Vinicius, Daniel, Gabriel, Rafael, Diego, Amanda, Erika, Letícia, Fernanda, Larissa.
Os anos 90 foi o boom dos bíblicos, Mateus, Lucas, Tiago, Pedro, Júlia, Beatriz, Rafaela, Gabriela, Camila.
E no século XXI é a verdadeira invasão portuguesa: Isabel, Clara, Alice, Sofia, Luísa, Maria, Maria Eduarda, Maria Carolina, Francisco, Pedro, Antônio, Miguel, Tomás, João, João Pedro, João Paulo.
(Esses são, na verdade, os nomes mais tradicionais. Não entram aqui a invasão sueca -- Anderson, Vanderson, Wallison, Cleberson, Everson, Gleydson, Gilson, Edilson, Adeilson, Alysson, Marilson, Denilson etc. -- nem a inglesa -- Wellington, Washington, William, Wenderson, Wendel, Wesley, Wescley, Gladstone, Maicon, Jonathan, Jonas, Douglas, Suellen, Kelly, Jane, Daiana.)
É curioso que hoje em dia não exista muita chance de nascer uma Nair ou um Antenor. Ou mesmo uma Vera Lúcia ou um Gilberto. Mas tenho cá pra mim que é uma questão de ciclos. Já ouvi falar de várias criancinhas que se chamam Valentina. E minha tataravó era Mariana, nome que voltou com força total cem anos depois.
Pois é, às vezes eu custo pra dormir, e fico pensando nessas coisas.
22.2.07
No século passado

Liberta dores
Assim: pegue um time muito, muito fraco, dos grotões da Venezuela, e bote pra jogar com seu time, no Maracanã, numa quarta-feira de cinzas.
De repente, acontece. O meio de campo desarma qualquer tentativa ofensiva do adversário, e as poucas que passam são facilmente paradas pela defesa, sóbria e compenetrada. Se por acaso alguma coisa sai pela linha de fundo, a reposição do goleiro é sempre bem-feita. No ataque, as tabelas funcionam, os passes fluem, todos se entendem. 3 x 0 no primeiro tempo.
(Tá, o segundo tempo foi uma droga, ninguém pode perder gols daquele jeito, mas enfim, 3 pontos.)
Então pera aí que vou buscar no Google "passagem para Yokohama".
21.2.07
Resumo momesco
Tive uma performance carnavalesca pífia nesse 2007. Muito aquém da foliã de outros carnavais.
Domingo - Cordão do Boitatá. Acordamos cedo para pensar nas fantasias (nota zero em planejamento). Resgatei do armário um figurino da época em que eu cantava no grupo de música medieval (no século passado). Um camisolão furta-cor até os pés, com umas mangas e adereços em azul, parecendo umas redes de pesca. Não dava para entender bem qual era a fantasia (que eu batizei de meio-século XIII-meio-bispo-do-rosário), mas pelo menos ficava claro que sim, tratava-se de uma fantasia. Não me toquei que era uma roupa absurdamente quente, e lá fui eu, às 10 da manhã, para a Praça XV. Um calor dos infernos, sol na moleira, uma multidão na praça e quase nenhuma sombra disponível. Lugar pra sentar, nem pensar. Verdade seja dita, a gente vai ao Boitatá muito mais pra encontrar os amigos do que pra pular carnaval. Durei pouco por lá.
Segunda - Rancho Flor do Sereno. Há vários anos, o melhor do carnaval. Em 2007 não foi diferente. Uma orquestra de verdade, em plena Copacabana, tocando músicas ótimas, à noite (sem sol!), deu pra dançar, cantar e pular. Sim, estava mais cheio do que o desejável, mas não dá mais pra evitar a superlotação do carnaval de rua carioca, não é mesmo? Pena que fiquei uns trinta minutos na fila para o banheiro do posto de salvamento da praia, perdi boa parte do segundo set.
Terça - Bloco da Ansiedade. Adoro esse bloco de frevos das Laranjeiras, mas este ano estava tão mais cheio do que nos outros anos, que mal consegui ouvir os músicos (que vão no chão, sem amplificação). Aí teve momentos em que mais parecia uma procissão do que um bloco -- todo mundo andando junto, ouvindo só muito ao longe umas percussões. Uma pena.
Sei lá, acho que em 2008 foi comprar uns engradados, ligar o ar condicionado e chamar os amigos para vir aqui em casa beber e bater papo.
Putz, idade é uma coisa séria.
20.2.07
A Mangueira não morreu

16.2.07
Après moi, le déluge
Lembrei dessa história lendo esse post do Fazendo Gênero. Que fala sobre como a gente passa a desconsiderar completamente uma pessoa depois de alguma coisa que ela diz ou faz.
Bom, demoraram muito para arranjar alguém para me substituir no meu agora ex-emprego. Não que eu seja insubstituível, muito longe disso, mas por pura incompetência mesmo. Primeiro eu indiquei uma pessoa que eu sabia competente e capaz de tocar o barco, mas não chegaram a um acordo de salário. Em suma, regularam a mixaria. Até que, faltando uma semana para eu sair, contrataram uma moça. Ela topou o salário, e parecia bem feliz e empolgada. (Do currículo dela, só consigo me lembrar de um estágio na revista Cabelos & Cia., que me causou funda impressão.) E eu com a maior boa vontade, tendo menos de uma semana para passar tooodo o silviço, que não era pouco.
Lá pelas tantas ela estava aprendendo a mexer no sistema de informática, e tinha que buscar um nome no banco de dados, num cadastro de fornecedores, algo assim. O nome era Agência qualquer coisa.
E ela: não estou achando, não aparece nada.
E eu: mas tenho certeza que tem.
E ela: é pra colocar o chapeuzinho ou não?
E eu: hã?!
E ela: tem que escrever "agência" com chapeuzinho?
Pronto, bastou isso para eu perder todo o respeito pela criatura. Uma pessoa que se propõe a trabalhar com livros, literatura, língua portuguesa, terceiro grau completo e talz, e ainda não se acostumou com o fato que o nome do chapeuzinho é acento circunflexo é demais pra mim.
(Depois ela ainda perguntou uma vez se precisava mandar livros para os autores de Chapeuzinho Vermelho e Outras Histórias, e diante da minha cara de ponto de interrogação ainda reforçou, "Esses caras aqui, Jacob e Wilhelm Grimm" -- mas a essa altura eu já estava n'outra.)
Expedição Bandeirante

Todo mundo leva a vida no arame

Um dia depois do Chico, fui ver Sassaricando, o musical das marchinhas, no Teatro Ginástico (RJ). Não tem como não ser um sucesso. São muitas, mas muitas marchinhas cantadas por 6 cantores, com o apoio de um bom conjunto instrumental. E as marchinhas, claro, são infalíveis no que toca a nossa memória afetiva.
O que eu mais gostei foram as marchinhas que não conhecia, com destaque para a surrealista e impagável Não sou Manoel, de Wilson Batista e Roberto Martins: O telefone tocou pro Manoel / E o Manoel saiu armado / E foi pra Niterói / Mas na viagem ele refletiu / Na consciência nada me dói / Não sou Manoel, não sou casado / Eu sou é Joaquim / O que é que eu vou fazer em Niterói? / Mas Joaquim / Que é a favor da economia / Aproveitou esse boato / Fez a barba e deu uma voltinha / Pois lá em Niterói / É tudo mais barato. (Copiei a letra daqui) Pérola total. O que será que essa gente tomava nos anos 40?
Toda a crítica falou muito bem do espetáculo, que merece mesmo elogios, mas achei algumas delas meio condescendentes. Tem uns problemas de roteiro, a começar com o início do espetáculo, uma encenação de uma historinha (a menina que acha uma carta do avô dentro do baú), que leva a crer que teremos um fio condutor dramático -- mas que nunca mais aparece, some sem explicação. Alguns arranjinhos vocais de 4 vozes me incomodaram um pouco, mas foram raros. E tem um verdadeiro assassinado, da Marcha da Quarta-feira de Cinzas (Vinicius e Carlos Lyra), num momento especialmente infeliz da Sabrina Korgut (não tanto por culpa dela, mas pela roubada que deram para ela com essa música e aquele arranjo). Ah, os cantores são bastante bons. A própria Sabrina, gata escaldada de musicais, tem uma ótima presença de palco, canta e dança bem, muito melhor que a Juliana Diniz, sempre referida como "a neta do Monarco", de longe a mais fraquinha do elenco. O destaque é mesmo da Soraya Ravenle, formidável. Entre os homens, tem o Eduardo Dusek, que é tão canastra que chega a ser engraçado. E manda bem nos seus números. Os outros dois, Pedro Paulo e Alfredo, os famosos "dois bicudos", são maravilhosos, mas como são meus amigos queridos eu sou por demais parcial para falar sobre eles com isenção.
A produção é um clima Broadway total (um pouco over pro meu gosto, mas isso sou eu), com luzes, cenários, coreografias mis, figurinos variados etc. Ou seja, sucesso maior só mesmo se for para um teatro em Copacabana. Ala-la-ô.
Carioca, o show
É curioso atentar para a percepção que muita gente tem hoje em dia do que deva ser um show. Ouvir é apenas uma das atividades, e nem vem em primeiro na ordem das prioridades. As pessoas esperam do show um mega-evento, sempre. Um show é pra se acabar de tanto cantar, pular e dançar. Por isso ouvi por aí que o show do Chico é "frio". Não é. Longe disso. Mas o "calor" não vem do exercício aeróbico, e sim da atividade musical. Uma espécie diferente de catarse.
E aqui cabe mais uma vez um protesto contra o modelo de casa de shows que impera. Casas como o Canecão, o Claro Hall, o novo Vivo Rio, o Tom Brasil em SP. Como é possível prestar atenção no show comendo, bebendo e lidando com maitres e garçons ao mesmo tempo? No execrável Canecão, por exemplo, a conta chega antes do fim do show. Quem terá sido o gênio autor dessa idéia? O que leva à pergunta óbvia: por que não temos mais shows em teatros, hein? Por essas e outras é que sou cada vez mais fã do recentemente inaugurado teatro da Fecap, em São Paulo, onde estive e novembro e aonde voltarei no começo de março. (Dica! Dica! 1, 2, 3 e 4 de março no teatro da Fecap, o Boi no Telhado, sobre o qual já falei aqui.)
5.2.07
Bist du bei mir
Vou passar mais uma semana fora. De férias de verdade.
Deixo então meus cinco leitores com a música mais linda, que não me saiu da cabeça hoje o dia inteiro.
http://www.goear.com/listen.php?v=7ac949c
3.2.07
...
Estou morrendo de saudades do blogue.
Acho que segunda-feira vai dar pra voltar a postar. Até lá, meu nome é só trabalho.
"Bem-vinda à vida de autônoma", foi o que ele me disse quando eu me lamentei do meu blogue abandonado.
Nesse meio tempo, vi o show do Chico, o musical Sassaricando e o filme Babel. Quero escrever sobre tudo.
Ah, sim, e saí finalmente do meu emprego. (A foto aí de cima é um souvenir do meu agora ex-local de trabalho.)
Mas vai ter que ficar pra segunda. Ou quem sabe até depois. Porque terça me mando para um pequeno e inesperado tour pelo interior paulista (alguém por aí?).
Enfim, depois, depois.