16.8.06

A infância nos tempos da abertura

Muito bom o post da Monix do Duas Fridas, sobre os filhotes da ditadura -- entre os quais me incluo, claro. Eu também lembro demais dos certificados da censura na TV, do JB ser o jornal do bem e O Globo, o jornal do mal, do programa A Semana do Presidente. Que trevas. Lembro de quando o Tancredo morreu, foi aquele bode nacional, e os adultos todos choravam muito. Então eu e meus primos fizemos uma letra alternativa para o Hino Nacional, assim querendo ser otimistas, sabe? Não lembro de tudo, mas lembro do trecho que entrava na parte "Se o penhor dessa igualdade/ conseguimos conquistar com braço forte", era assim: "Um senhor de setenta anos/ já não pode ter em mentes certos planos". Que horror, hein. E o que me marcava muito também era que eu sempre queria ter um cofre de porquinho para colocar moedas, que nem os personagens das histórias em quadrinhos da Mônica ou os sobrinhos do Mickey. Mas as moedas nunca valiam, porque a gente só tinha nota de 100.000, 500.000 etc. Aí cada vez que mudava o nome do dinheiro, apareciam de novo as moedas, e eu ia toda prosa começar a juntar. Mas poucos meses depois as moedas já não valiam nada e eu ficava tão frustrada. Pra vocês verem. A inflação tolheu meu espírito poupador.

4 comentários:

Monix disse...

O seu espírito poupador foi tolhido junto com toda uma geraçao de brasileiros, Anna. Isso é um clássico da economia. Bjs

lucila disse...

o presidente figueiredo assombrou toda a minha infância por causa do sobrenome que é o mesmo hehehehe
bjos

anna v. disse...

Monix, o que eu não contei é que hoje eu tenho um super cofre-porquinho (cor-de-rosa!) onde só guardo moedas de 1 real (dessas novas, de 2 cores, lindas). Já tá tão pesado que eu vou ter que quebrá-lo este ano. Deve ter uma fortuna lá dentro!

Lucila, que inferno isso. O meu nome/sobrenome também é dado a trocadilhos. Acho que ter que conviver (e reagir) com isso acaba nos tornando mais "fortes" na infância. Hehe, já estou psicologizando...

Beijos

Alba Regina disse...

hã?! espírito poupador...aff...eu tinha um cofre de porquinho nunca consegui encher...um troço. vai ver o fato de não conseguir juntar nada até hj pode ser um trauma de infãncia...sabe-se lá! aff... ;)