10.8.06

Ride palhaço

Di Cavalcanti, "Pierrô, Colombina e Arlequim", 1922
Andei conversando com M., ela muito braba porque um fulano aí abusou da sua confiança, prometeu mundo e fundos e depois sumiu, e arrumou outra namorada, e a maior cara-de-pau, aquela coisa toda. Como ela descreveu: "me fez de palhaça". Taí um sentimentozinho humilhante, ser feito/a de palhaço/a. Não só pela desmoralização pública da situação, mas também pela facada que é na sua auto-estima.
A conseqüência grave é que, depois de ser feita de palhaça, a pessoa tende a ficar desconfiada de tudo e de todos, nos relacionamentos seguintes. Faz tudo para não ser feita de palhaça novamente. Na cabeça de quem já foi palhaço, há sempre a iminência de descobrir, de novo, uma grande tramóia.
E isso é grave porque passa a ser muito difícil se entregar novamente a alguém, sem reservas. Confiar, com C maiúsculo, mais uma vez.
O que é uma pena. Porque é muito melhor viver um relacionamento pleno, de confiança total, de cumplicidade absoluta (ou pelo menos é o que você acha) e depois cair das nuvens e descobrir de que não era nada disso (uma enorme porrada, claro, quando maior a altura maior a queda), do que viver sempre com um pé atrás e nunca confiar plenamente no ser amado.

6 comentários:

Alena disse...

Só acho que não é "palhaça ou palhaço" o termo adequado... Eu os respeito tanto, os palhaços!

O problema sério é o mau caráter de alguns. Não estou falando em projeções e sonhos nossos que nos decepcionam porque teimamos em achar que o outro VAI ATENDER às NOSSAS expectativas. Relação exige respeito e confiança se conquista. Não dá para ser neurótico e crer qu eo outro vai te dar um pontapé a qualquer instante ou passar uma rasteira. Mas é bem verdade que nos traumatizamos e muitas vezes reagimos às novas pessoas em nossa vida como se estivéssemos lidando coma que passou. Não consigo pensar em relação sem entrega, porque amo companheirismo e colo, olhos nos olhos e conversas fúteis, bem como conversas seríssimas. Respeitar é fundamemental. Nossas neuras precisam ser pensadas e superadas.

Beijo

sub rosa disse...

Simplesmente maravilhoso, foi um presente que eu ganhei de minha intuição o fatro de vir aqui e ter parado para ler.
De um bom-gosto extraordinário...
Ohmaigufiness!;-)
Fiquei fã
Um beijo e, sim, claro, para abordar o seu blog assim, ... terapia, né?
Meg
P.S .. Santa Fezoca é minha pastora e nunca me falta com best blogs pro bookmark de cada dia:-)

Camilo disse...

Falou e disse.

BethS disse...

Anna, a minha avo me disse uma vez - quando eu estava me debulhando em lágrimas por um amor que não deu certo: Menina, é melhor sofrer por amor do que por nunca ter amado.
Ela estava certissima!
beijoca

BethS disse...

na verdade a frase certa era;
é melhor sofrer por ter amado demais do que por nunca ter amado.
eu errei.

anna v. disse...

Alena: tem toda razão, uma falta de respeito com os palhaços!
Meg: Que bom, seja bem vinda! Ainda sou tão verde nessa vidinha blogosférica que fico toda boba com comentários como o seu. :-)
Camilo: e você, não atualiza a sua casinha, não?...
BethS: vc já deve ter notado que avós são um must neste espaço. Elas estão sempre sempre certas.
Beijos!