23.11.06

Dicas para um natal descolado


Então já é Natal, né? Aquela lenga-lenga toda. Haja saco -- não para a celebração em si, mas para esse mês que antecede, essa fúria do comércio, essa felicidade compulsória.
Como muita gente, eu por muitos anos me desdobrei entre as festas de Natal da família da minha mãe e da família do meu pai. A do meu pai sempre foi um saco, bem deprê. Para vocês terem uma idéia, até pouco tempo eu era a última criança que tinha tido na família. (Por sorte há 4 anos tem minhas priminhas lindas, mas elas moram na Inglaterra e nem sempre podem vir.)Então há alguns anos eu tive uma conversa franca e carinhosa com a minha avó, e falei para ela que não queria mais ir naquela ceia que mais parecia filme do Mike Leigh sobre os operários ingleses gordos feios sujos e infelizes, ela entendeu, e ficou tudo bem.
Já a família da minha mãe é muito mais divertida. E nunca fez ceia de Natal justamente para não competir com as outras famílias, dos cônjuges. De um tempo pra cá passamos a fazer um brunch no dia 24, na casa da minha (outra) avó (aquela figuraça). Mas em 2003 ela morreu, e a gente continuou fazendo o brunch lá, mas começamos a achar que dava muito trabalho para a minha prima, que fazia tudo sozinha, e tal.
Então no ano passado tivemos a idéia de fazer o brunch no Zona Sul do Leblon. Pra quem não sabe, o Zona Sul é a rede de supermercados chiquezinhos da Zona Sul do Rio. É onde você pode comprar aquele azeite extra-virgem importado, e a sua mostarda de Dijon favorita. Além disso, algumas filiais têm pizzaria à noite e bufê de café da manhã durante o dia. Deu super certo, pegamos um mesão, foi uma porção de primos, tios, agregados, dominamos um cantinho do supermercado numa grande confraternização que atraiu olhares curiosos dos funcionários e clientes da loja, especialmente aqueles estressadíssimos com as compras de última hora do Natal.
Até que uma certa hora alguém lembrou que não tínhamos feito o tradicional amigo oculto de Natal (parece que em São Paulo diz-se "amigo secreto"). Realmente, não tinha passado pela cabeça de ninguém. Então resolvemos fazer ali mesmo, na hora. Escrevemos os papeizinhos, sorteamos e fomos comprar os presentes ali mesmo, no supermercado.
Nem preciso dizer o quão hilária foi essa cena. Um monte de gente junta, olhando papeizinhos, e de repente, "Ok, 1, 2, 3 e já" e todos disparam por entre as prateleiras, trocando olhares de esguelha e risinhos incontidos.
Voltamos para a mesa e fizemos a troca dos presentes. (Eu e ele saímos do evento como o casal manguaça -- eu ganhei um vinho, ele, uma caixa de cerveja.) E então chegou o momento mais figura, quando todo mundo teve que devolver os presentes para passar no caixa e pagar -- para em seguida, do lado de fora, rolar o re-presenteamento.
Ontem estava falando com minha outra prima, combinando o que vamos fazer este ano, e como o Natal passado tinha sido legal e poderíamos fazer de novo o mesmo esquema. Só que este ano quem sabe na Fnac ou na Modern Sound?

3 comentários:

Camilo disse...

Sensacional!!! Ah, eu tb querooooo!

Em tempo: aqui em Sampa é "amigo secreto" mesmo.

Beijo!

a balzaquiana disse...

Por que será que as festas do lado materno são quase sempre as melhores? No meu caso, também... a família se reúne na casa da vovó, de 85 anos. É uma alegria. A italianada toda reunida... Muito gostoso! Ai... que saudade!

Monix disse...

Que genial essa festa no supermercado, adorei. :-)