2.7.06

Gosto amargo


Foto: Planet World Cup
Eu até entendo que a imprensa tenha forçado a barra com essa história de revanche da final de 98. Porque afinal é a mesma geração, muitos jogadores de agora estavam naquela final de 98. Mas aquele jogo foi todo tão estranho que nem foi um trauma muito grande. Acho que todo mundo meio que apagou aquela copa toda da memória. Obviamente alguma coisa estava fora da ordem. Convulsão, Nike, água envenenada, houve um toque de fantástico naquela final, como se não fosse real.Porque trauma mesmo de Brasil x França, ninguém duvida, foi aquela quarta-de-final de 86. Eu na casa da minha avó, sentada no chão picando jornal pra jogar pela janela na hora do gol. E no meio do jogo entra o Zico, meu ídolo maior de todos os tempos. Entrava o Zico, pra resolver todos os problemas daquele empate encruado. Zico, o messias. E no seu primeiro lance, o Zico deixa alguém na cara do gol. Pênalti. E ninguém se apresentou pra cobrar. Só o Zico, que tinha acabado de entrar. Eu já na janela, aquele sacão de papel picado pronto pra voar pelas ruas de Copacabana, vazias de gente, cheias de expectativa. E aí, nada, aquele silêncio, aquele "uh" engasgado, aquele olhar espantado na frente de televisão. E de repente todo mundo comentava baixinho, como se fosse um segredo, como se fosse de mau-tom falar alto: "O Zico perdeu o pênalti, o Zico perdeu o pênalti". Naquele jogo, a minha geração, que ainda era muito pequena em 82, conheceu o gosto amargo da derrota.
(Esse post é em homenagem ao J, que tem hoje a idade que eu tinha em 86, e que assistiu ao jogo comigo e ficou arrasado tentando entender o que tinha havido. Azar dos azares, ele estuda na Escola Francesa - mas pelo menos está de férias.)

Um comentário:

Fernanda disse...

O J não foi o único que não entendeu até agora o que aconteceu. Ou será que foi o que NÃO aconteceu?! Mas tudo passa. Daquí há 4 anos nós estaremos torcendo feito loucos novamente...